Lista de Poemas

A POLÍTICA

Arte de gerir ou manipular

Aliciando os eleitores

Com o estilo que diz governar

Sobrepondo-se aos opositores


Uma forma de alcançar

A vantagem desejada

Com meios e arte de conquistar

Poder e defender sua causa


Atitude ou a orientação

Apoiada no interesse coletivo

Conhecimento da questão

Com um conceito expressivo


Motivo polémico ou não

Educacional, financeiro

Da justiça, comunicação

Da cultura ou interesseiro


Existe uma estreita ligação

Entre política e o poder

Num os meios quer atingir

Noutro, tem autoridade e querer


São tão poucos os que veem

E sentem no seu coração

Daqueles que sabendo, falseiam

Sendo românticos de ilusão


Esta força vai cegar

Populações persuadidas

No dia que vão votar

A este teste são submetidas


Há um certo secretismo

No que é verdade ou mentira

E um certo fanatismo

Do poder que tudo tira


Um programa bem pensado

Do que diz implementar

Um discurso marcado

Com truques para influenciar


Maria Antonieta Matos 26-11-2012

686

OLHAR FLORBELA

Florescem versos, estranhos pensamentos

Aquecem as lágrimas beijando o rosto

Batimentos fortes, grandes tormentos

Dançam os sentidos repletos de desgosto


Amor imperfeito e incompreendido

Sequioso amor na mente primorosa

Viver uma vida como se a tivesse vivido

Ideias controversas à época, penosas


Olhos misteriosos perseguindo o destino

Reclamando direitos de forma ousada

Testemunhos escritos em cada caminho

Agitando a razão, sempre determinada


Sensibilidades arrastando enredos

Dando à felicidade outro descaminho

Escondendo em casulos os segredos

Que aos ouvidos lhe sopram baixinho


19-03-2013 Maria Antonieta Matos



572

O OLHAR DO ENCANTO

Cego ao olhar do encanto

Emudeço-me de pasmar

Oiço dos pássaros, o canto

Aromas me querem cheirar


No campo brilham as cores

No mar também é assim

No céu as estrelas são flores

Que à noite riem pr’a mim


Quando clareia o sol me ilumina

Para o dia passar bem

Se chove o tempo me fascina

Pelos sentires que tem


Maria Antonieta Matos 23-09-2013

632

FURACÃO

Numa perturbada pressão o vento se enfurece

A chuva desenfreada se enrola sem dar espera a inocentes

Rebentam portas e partem-se vidros das janelas

Arrancam-se as casas levando tudo com elas

Desesperadas, mães agarram contra si os filhos, impotentes

E gritam sem forças no rastro da morte torturante

Tanta devastação que palmilha o espaço, repentinamente

Estradas inundadas e casas despedaçadas, boiando

Aqui e ali uma mãe que dá luz, nos destroços

Mesmo ao lado a morte de familiares e gente chorando,

E o escuro que atormenta a descoberta de corpos

Daqueles que se perdem encalhando com os mortos

No mover de assaltos de aproveitadores que sacam sem dó

Multidão faminta, sem comunicação, no escuro só

Desprotegidos e feridos nesse martírio, caem aos poucos

No pranto do silêncio e no desvario de loucos

Enquanto as sirenes das ambulâncias, afligem o coração

De quem desesperadamente se refugia na oração

 

Levanta-se a força pela sobrevivência e faz renascer a energia

Numa labuta, não têm sono, nem de noite nem de dia

Limpando tudo e construindo o viver do novo dia!

 

 12-11-2013 Maria Antonieta Matos
In  NPE " Sentir D'um Poeta"

595

MENDIGO - II

Aqui sem espaço na vida

Na imensidão do espaço

Onde tudo se olvida

Durmo deitado ao relento

Flutuando ao sabor do vento

Telintando regelado

Encharcado no triste fado


Para aquecer o coração

Calo as dores a beber

Vivo uma vida de cão

Pedindo para comer

Sem forças caio especado

Dentro de muitos farrapos

Em qualquer chão… revirado

Olham-me com desprezo ou pena

Se curvam para dar um trocado

Vivo louco despedaçado

Na minha vida terrena


Aqui faço o sonho viajar

Vejo uma beleza Infinda

Faço versos a cortejar

A mais bela rapariga


Aqui o sorriso me contenta

Sinto a dádiva no carinho

Penso grande … pobrezinho

Deixo o que mais me atormenta

Dou comigo a falar sozinho


Maria Antonieta Matos 07-01-2014

In " Nós Poetas Editamos VI"

580

O BICHO ENTROU NO PAÍS

O bicho entrou no país

Mina cada um ser vivo

Corta tudo pela raiz

Tem um poder destrutivo


Não há remédio que cure

A devastação interior

Nem médico que se segure

Pulando de dor em dor


Não há ensino que resista

Ai professor, professor

Tens que ser malabarista

Com tanta criança ao dispor


Estás cheio de desempregados

Com tanto que há para fazer

Mas anda tudo baralhado

E ponham-se daqui a mexer!


Os imóveis já não são teus

Fogem sem nada valer

Tudo está a encarecer

E não há cheta para comer


Os bancos estão diminuir

A dívida está a aumentar

Os dinheiros estão a fugir

E a esperança a terminar


Obras públicas arruinadas

Depois de muito gastar

As terras ficam revoltadas

Incapazes de por lá passar


Privatizam-se serviços públicos

Para o povo ter que pagar

Que vê tudo por canudo

Incapaz de lá chegar


Sem acesso à saúde gratuita

A consulta sempre adiada

Os males são uma constante luta

Se morrer… não vale nada!


Os velhos são despejados

Em lares sem condições

A família gasta os trocados

E fica cheia de aflições


Nos hospitais quem lá cai

Espera horas aos ais

Operações fazem-se série

Sem se ver o médico, mais


Já não há humanização

Andam todos em correria

Os recursos são invenção

De interesses e engenharia


Deixou de haver qualidade

Tem que se fabricar dinheiro

Para essa austeridade

Que enche os bolsos aos parceiros


Maria Antonieta Matos 26-09-2012

585

PINTOR

Pintas o sonho tão lindo

Devia lei poder ser

Amor cor do colorido

As cores que pintas, haver


Pintor que pintas o sonho

Do mais belo colorido

Pinta o mundo mais risonho

Atende este meu pedido


Maria Antonieta Matos 22-04-2013

652

SENTIR O ALENTEJO

Alentejo tua gente

Sente cada teu olhar

Escreve-te insistentemente

Pondo o coração a falar


Maria Antonieta Matos 05-10-2013

581

O SOL E LUA

Teu manto azul te destapa à alvorada

Saem espreitando os teus olhos irradiados

De mil beijos te cobre a lua enfeitiçada

Que engravida de muitos sóis enamorados


Do teu cabelo caem madeixas coloridas

Tua felicidade contamina multidões

Que te admiram em cada dia enternecidas

Com teu o calor que iluminas seus corações


A lua sonha por muitas noites de amor

O sol pisca-lhe o olho à tardinha

Na timidez do encontro brilha fervor


Teu manto azul difunde raios de alegria

Tens aposentos que te acolhem como rainha

Ó Lua que encantas a noite toda nessa acalmia


04-07-2013 Maria Antonieta Matos

In "Nós Poetas Editamos VI"

585

O AMOR

Olhaste-me num dia de festa

No sentido te acompanhei

Seguro, pensaste que era desta

Que encontraste a cara certa

E na tua prosa me enamorei

 

Ausente por outras paragens

Vi a saudade a fulminar

Recebi cartas com mensagens

Senti perto teu respirar

 

Era tanto o nosso amor

Crescia no sentir do sofrer

Sonhava desabrochando em flor

Contava os dias para te ver

 

Tu à saudade não resistias

Embora poucos, aqueles dias

Tu para mim sempre corrias,

E voltavas com mais saudade

 

Começamos a viver

Com tristeza de morrer

Nesse sonho de felicidade

Aguardando o teu regresso

Para vivermos em liberdade

 

Pensamos logo em casar

Não estávamos um, sem o outro

E depois no nosso lar

Os filhos começaram a chegar

Um, dois, três e mais os netos

Derretemo-nos em afetos

Com alegria a transbordar

 

10-11-2013 Maria Antonieta Matos

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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra