Lista de Poemas

ALMA DO POVO

Vejo profunda tristeza

No semblante deste povo

Que não augura certeza

Ter estabilidade de novo


Era de fácil resolução

Não houvesse interesseiros

Que provocam confusão

Metem medos e receios


Há um mundo que se liberta

Das garras dos ditadores

E há outro que acoberta

A volta dos opressores


Todo o ser tem o direito

De viver em liberdade

De não faltar ao respeito

Mostrar e ter dignidade


11-11-2011 Maria Antonieta Matos

646

AMOR DEVIA SER

Amor devia ser a chama ardente

Lume sem timidez e ressentimentos

O culminar de agradáveis momentos

Na harmonia um amor vivo e quente

 

Exaltação a brilhar em delírios e desejos

Enternecido no enlace da paixão

O saciar aceso no entranhar dos beijos

Gritando amor, amor - a voz do coração

 

Amor devia estar de corpo inteiro

No pensamento amor primeiro

Estar num só corpo o mesmo sonho

 

Amor devia ser um sentimento puro

Viver no respeito no olhar seguro

Amor desanuviado, amor risonho

 

05-11-2013 Maria Antonieta Matos 
In " Poesia Sem Gavetas III"

686

DIA PACATO

Dia pacato que amotinas meu pensamento

Num desassossego que o silêncio propicia

Semeias desejos e olhares, que contemplo

Que ninguém vê, nem sente, o que anuncia


Dia cheio de cansaço, vazio de esperança

Invade os neurónios à gente desprotegida

Querendo viver mas assusta-lhe a vida

Perplexa de nãos, que afundam a mudança


Dias angustiados e mal-afortunados

De gritos silenciosos, sem sustento

Esbanjamento de alguns despreocupados


Dia pacato sem algo feito e nada por fazer

Dia com tempo apinhado de lamento

Sem se agitar, deixando-se morrer


Maria Antonieta Matos 20-09-2013

587

DIAS PREOCUPADOS

Os dias vão passando preocupados

Nada acontece, nem as árvores já agitam

Nas estradas, os trabalhos estão entrevados

No trabalho, as gentes não acreditam


O desencanto d’ um país que vai morrendo

No seu encanto que se escusa a envelhecer

O sol incandescente a vida faz renascer

Com sua força vivamente sempre lutando


Oh! País, que dia e noite irradias multicores

Estações te adornam no teu lindo esplendor

Porque te molestam atrasando os teus valores?


Quem te habita vive vivendo, enterrado sem vigor

Assujeitado aos maus juízes ameaçadores

Que lhe carrega a vida amontoada de dissabores


03-10-2013 Maria Antonieta Matos

642

O BRILHO DE UM CLIQUE

Briosas flores luminosas, embalando o sonho pairando no ar

No aconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem

A sonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar

Na grandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem


Monsaraz feiticeira, retina contempladora de olhares

Farol, proliferando os tons, os dons e os sentimentos

Decifrando mistério do encanto, enamorando os pares

Ficando a saudade de quem por ti passa, bondosos momentos


No alto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo

Te rodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade

Desejo da gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade


Ladeando os muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento

Os cliques dos retratos sucedem em cada dia, para o mundo conhecer

Na memória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender


27-06-2013 Maria Antonieta Matos “ In Poetizar II”

596

DIA CHUVOSO

Ah! Quanto vagueia o pensamento

Enquanto o dia corre atormentado

As brasas falam ao meu silêncio

Na chaminé salta o testo fervelhado


Adeus dia chuvoso que na calçada

Cascatas, fazes, e abraças os seus rios

Ao vento que ouço aos assobios

Ringindo portas que me causam arrepios


Despes o branco do casario, enches de lismos

Tiras-lhe a cor e o matizas de rabiscos

Nascem as flores em qualquer pedra ou nicho

Lacrimeja o beiral contente aos salpicos


O escuro se ilumina, as nuvens adormecem

As pedras da calçada resplandecem estrelas

O reflexo dos regatos alindando, agradecem

O retorno da gente, pintando aguarelas


20-08-2013 Maria Antonieta Matos

570

DIA DE S. MARTINHO

Um soldado ao cavalgar

Num dia muito invernoso

Viu um pobre a tremelicar

Num estado lastimoso

 

Ficou tão sensibilizado

Que o pobre foi levantar

E lembrou-se de cortar

A capa ao meio, para lhe dar

 

Logo repentinamente

Do dia escuro se fez luz

Ficando o Martinho ciente

Que aquele pobre era Jesus

 

De tanto que havia chovido

O rio começou a transbordar

Com a cheia, a ponte foi caindo

Impedindo-o de por lá passar

 

Por tal motivo Martinho

Foi forçado a pernoitar

Numa casa miserável

Única que pôde encontrar

 

O casal que lá vivia

Tinha pouco para oferecer

Senão água-pé e castanhas 

Era o que tinham para comer

 

De ora avante neste dia

Há castanhas a assar

É dia de S. Martinho

Vinho novo para provar

 

E como sempre por milagre

O tempo começa a brilhar

É o verão de S. Martinho

O Santo mais popular

 

11-11-2012 Maria Antonieta Matos

754

SINFONIA DO CORPO

Grita um braço Grita o outro

A compasso ritmado

Aos estalidos anda o corpo

Num bramir angustiado

Uma perna que coxeia

O coração que muito anseia

A cabeça atrapalhada

A memória gaga, falhada

Os olhos piscam sem ver

O ouvido anda a zumbir

Ai, ui, ah, sempre a doer

Grita a voz para se ouvir

Será nevrite no braço?

Nos ossos a falta de cálcio?

Na perna talvez a ciática

Com esta falta de estética 

Peada aos ais a manquejar

Na rua não se pode andar

Ai, ai, ai, esta falta de ar

É a tiróide a falhar

Anda a morte a rodear

Dor no estômago, enchimento

Pedras no rim a saltar

Nesta grande sinfonia

Anda o corpo a musicar

 

Prisão de ventre, anemias

Glaucoma e otites

Um sem fim de alergias

Na bexiga uma cistite

Na boca são as nevralgias

Na barriga uma enterite

Tanta, tanta, patologia

E corpo cheio de sintomas

Micoses, viroses, comichões

Toda a espécie de Infecções

Vem os nervos infernizar

Muitos toques e contusões

Anda o corpo sempre aos ais

Condenado a aguentar

Instrumentando ao despique

Para a orquestra começar

 

25-10-2013 Maria Antonieta Matos

647

AI A CRISE AI A CRISE

Ai a crise, ai a crise

Não há quem lhe ponha mão

Muitos estudos e previsões

Que tremenda confusão

Cachimónias inteligentes

Que não trazem resultados

Pobrezinhos deprimentes

Cada vez estão mais tramados

Ai a crise, ai a crise

Já manda o FMI

Esses é que são felizes

Comem tudo o que se ganha aqui

Vem com grande bagagem

Mas anda tudo a andar para trás

Cobram juros impagáveis

E o governo o que é que faz?

Anda cheio de atenções

Para com estes comilões

Que nos vendem ao desbarato

E nos levam os milhões

E o governo anda abstrato

Ai a crise, ai a crise

Para onde vai este país

Revirado do avesso

Está a ver-se o mal começo

Ainda vamos para Paris

Já não temos quem trabalhe

O que faz com que isto mexa

Só empregam quem comanda

Tiram-nos tudo sem deixa

Usam de grande retórica

Com o mundo desigual

Mas é tudo só teórica

Tratam-nos como um animal

Está tudo a minguar

Até aquilo que foi feito

Não há nem para remendar

E até nos tiram o leito

Nem que seja mau negócio

Não admitem o seu jeito

Estão sempre a se desculpar

Com ar muito satisfeito

Sem nada para justificar

Todo o trabalho mal feito

Ai a crise, ai a crise

Tudo serve de desculpa

Qualquer dia vão ver

Portugal por uma lupa


Maria Antonieta Matos 21-04-2012

571

FALAR POR FALAR

Extremoso modo e cristalino justo

Falando hoje o que amanhã não disse

Numa trapalhada politicando insulto

Para transparecer o que afinal disse


Não se molestem com o poder singelo

Que o pequeno não está guarnecido

Intentando certos, que o cegam no gelo

Se levanta o ódio no meio destemido


Encham-se de promessas blindadas

Verdades por inverdades a justificar

Até se ver que não passam de cantadas


Movam obstáculos pr’a passagem dificultar

Que a viva força de repente pode acordar

E o mais possante assento pode vergar


16-10-2013 Maria Antonieta Matos

In " Nós Poetas Editamos V"

551

Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra