Lista de Poemas

CICLO DO PÃO

Semeando o trigo

No campo arado

E sem nenhum aviso

Aparece germinado


Com chuva e frio

Lá está crescer

De pé muito esguio

E a espiga aparecer


Encantada a seara

Comove quem a vê

Que entretanto secara

E dourada se fez


A seara dourada

Ao sol a brilhar

Está lá já espigada

Pronta para ceifar


Lá estão as ceifeiras

Levam saia calça

Nos braços mangueiras

Vão todas giraças


Levam o chapéu

Para tapar o sol

E levam o lenço

Por causa do suor


A atar e fazer o molho

Lá está o ceifeiro

Mexendo sobrolho

Atrás do sobreiro


Fica o restolho

Para o gado comer

E a espiga do trigo

Lá vai para moer


Vão dentro de sacos

Rumo ao moinho

Que a vento resolve

Tudo devagarinho


Esfregado e pisando

Balança a mó

E a saca segurando

O moleiro muito só


E está a observar

A farinha a sair

Para ensacar

E dali seguir


Vem lá o padeiro

A comprar a farinha

É muito certeiro

E trabalha à noitinha


A amassar o pão

De mãos fechadas

Está lá o João

Às gargalhadas


Num alguidar

Lá fica a crescer

O pano a tapar

Até Deus querer


Sal e fermento

Farinha e água

Amassa o pão

E tende numa tábua


O forno está iluminado

Cheio de fechas de lenha

Mas só estará preparado

Quando lume já não tenha


Já se vê ali o borralho

Que dá calor a cozer o pão

Espalha-se com o ramalho

E está resolvida a questão


Agora com uma pá

Os pães entram no forno

Fecha-se a porta e zás

E espera-se o seu retorno


A cheirar bem e quentinhos

Não resiste ninguém

A provar aos bocadinhos

O belo gosto que tem


Um bom copo de leite

Com pão quente a tiborna

Leva açúcar e azeite

E ficas na tua melhor forma

E fica na tua memória


Acabou-se este saber

Cheio de grandes emoções

Vamos lá a perceber

Se há outras soluções


Esta é a roda do pão

Contada passo a passo

Não deixes a tradição

Cair em fracasso


Este é um método

Muito caseiro

Que explica a forma

Sem muito dinheiro


Maria Antonieta Matos 14/7/2011

569

SOMBRAS DA VIDA

Declinada sobre a mesa, numa manhã em que o dia acaba de nascer,

minha alma chora!
A tristeza invade-me e o sonho prega-me partidas …
Os olhos se humedecem, não há paladar, cheiro, carinho, canto, que decifre o momento.

Lá fora o sol está radioso, mas gelado este dia … Apagou-se em mim a luz, deixei de ver e ouvir as árvores, os passarinhos e tudo o que os olhos dizem, noutro dia …

Ontem ouvi uma reportagem sobre tráfego de pessoas e doeram-me as entranhas!

Pergunto-me onde chegam estas mentes perversas, doentes, ambiciosas, temerárias, que morrendo de medo quando estão por baixo, subjugam o seu semelhante a tremendas atrocidades….

Ao homem, à mulher à criança que indefesos, desesperados, discriminados, atraiçoados, manipulados, massacrados, presos, são privados de seguir os seus sonhos, do carinho da família, dos amigos….

Estranho jeito de amar, de presentear de se mostrar doce mas tão amargo …

O coração sai-me do peito a um ritmar gritante, ofegante …
Morra a maldade, a escuridão, o sofrimento, os maus pensamentos….

A vida concede oportunidades todos os dias para mudar!

VIVER A VIDA FELIZ!

Maria Antonieta Matos 29-12-2013

595

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS

De candeias às avessas

Anda o país revirado

Falham todas as promessas

Está cair aos bocados

Levam o tempo a magicar

Onde mais dinheiro tirar

Para a divida se pagar

Que o certo era diminuir

E o errado aumentar

Não estudaram matemática

Decerto foram maus alunos

E em toda esta problemática

Há desculpas e infortúnios

Mandam o povo para baixo

Andam com os números, obcecados

Para manterem o seu tacho

Cai o país nos buracos

Dão abraços e beijinhos

Andam muito entusiasmados

Com a Merkel aos segredinhos

E portugueses mais tramados

Onde está a União Europeia?

Transformou-se em coisa feia

De interessados e interesseiros

Que exploram os seus parceiros

E lhes sacam todo o dinheiro

Dominam as negociatas

Não fazem crescer o país

Se não alteraram estas temáticas

Cuidado com os carris!!!!


07-05-2012 Maria Antonieta Matos

701

AVÓS E NETOS

Avós, crianças de novo

Entre risos e brincadeiras

Perante as grandes maroteiras

Dos seus netos irrequietos

Dão carinho, muitos afectos


Têm muita compreensão

Não importa a confusão

Dos brinquedos espalhados

Mesmo não sendo arrumados

Pela recusa dos netos

Dão carinho, muitos afectos


Contam contos de encantar

Transmitem-lhe muito saber

Ensinam como estudar

O conhecimento faz crescer


Com os netos a inventar

E dar a volta aos contextos

Dão carinho, muitos afectos


Alinham na brincadeira

Andam todos num virote

Ficam maçados de canseira

Mas continuam alegrotes


Jogar, bailar e cantar

E tocar para animar

Todos os males se espantar

São momentos para recordar


Os netos não vão esquecer

Pela sua vida fora

Das gracinhas ao crescer

Com os avós na memória


Os avós com os olhos postos

Nos seus netos, cada um passo

Envaidecem, sempre dispostos

A lhes dar fortes abraços


13-11-2012 Maria Antonieta Matos

619

CICLO DO LEITE

Olha ali deitada

Para ter os filhitos

Aquela vaquinha

Está já aos gemidos


Muito apressado

Vai o Eduardo

Pois o bezerrinho

Ficou entalado


Ajuda com esforço

E muito carinho

A vaca a parir

Para o bezerro sair


Lambendo para lavar

Dá beijos no filho

E ajuda a levantar

Para seguir o destino


Cambaleando e a cair

Lá dá uns passitos

E a sua mamã

Dá-lhes uns beijitos


Lá está o bezerrinho

Encostado à teta

Pronto para mamar

De cor branca e preta


Faz grande pressão

Na teta para mamar

Dá grande puxão

Para o leite lhe chegar


Vai atrás da mãe

Contente e a crescer

Brinca no prado

E a mãe a proteger


Pastando sem pressa

Anda a vaquinha

Comendo o pasto

Logo pela fresquinha


Cheiinha de leite

Não esquece a ordenha

Há hora marcada

Ninguém a detenha


A lavar a teta

Para a ordenhar

Está a Henriqueta

Para se despachar


Com as suas mãos

E dois dedos na teta

Puxa com cuidado

Para não fazer greta


Jorrando para o balde

O leite já está saindo

Só com habilidade

É que vai fluindo


Ali está a coar

O leite que sai

Para ir para depósito

A refrigerar


Bem lavado o depósito

Para refrigerar

Permanece ali o leite

Para transportar


Vem ali a analista

Para analisar

Se o leite está óptimo

Para comercializar


Porque a higiene e a segurança

É norma importante

A bata de cor branca

Faz parte integrante


Não haja um percalço

Tem que haver cuidado

O uso de calçado

Tem que ser adequado


Lavar bem as mãos

E evitar acidente

Faz parte da prevenção

Para não ficar doente


Torna-se indispensável

Na nossa alimentação

Por isso a qualidade

É uma preocupação


Tem água e vitaminas

Tem lactose e gordura

Tem minerais e proteínas

E também tem doçura


Hermeticamente fechado

E bem refrigerado

Chega o transporte

Algo especializado


A colher o cardo

No campo feliz

Está lá o Ricardo

Que ainda é petiz


À sombra a secar

A flor do cardo

Para armazenar

Com todo o cuidado


O cardo é utilizado

Para coagular o leite

E daí ser fabricado

O queijo muito aceite


Depois do leite ferver

E o coalho engrossar

Fica a arrefecer

Para o queijo moldar


Com forma redonda

Apertando com os dedos

O soro vai saindo

E formam-se os queijos


Na temperatura adequada

Em estantes a secar

Vão virando o queijo

Para não se estragar


Desnatando o leite

Pode-se fazer

A manteiga de vaca

Para com pão comer


Tem um valor alimentar

O leite comercializado

Para mais tempo durar

É embalado e engarrafado


Maria Antonieta Matos 16/07/2011

596

CHUVA

O vento soprava do sul

O céu de nuvens cavado

Ficou sem a cor azul

Enchendo-se de nublado


Começou a chuva a cair

Com brandura, miudinha

Fiquei a ver e a ouvir

Pela janela da cozinha


Nas terras ressequidas

As águas se entravam

As flores agradecidas

No seu pé rodopiavam


Relâmpagos reluziam

Serpenteavam na terra

Muitos trovões se ouviam

Lá atrás daquela serra


Corriam apressadas

Pessoas pelas ruas

Mal agasalhadas

E todas molhadas

Pareciam estar nuas


Crianças divertidas

Sapateavam nas poças

Mesmo impedidas

Faziam orelhas moucas


Um chapéu voava

Pela estrada fora

Aqui e ali, rebolava

Era já uma hora


Um dia poético

Um dia feliz

Um dia patético

E você o que diz?


Ontem ouvi bem

A força que tinhas

Pingas eram mais de cem

Grossas e redondinhas.


Ó chuva que acordas

Quem está a dormir

Toma lá cuidado

Que partes o telhado

Com a força a tinir.


24-10-2012 Maria Antonieta Matos

641

CICLO DO VINHO

Vamos lá a saber

Com todo o carinho

A plantação da videira

Até fazer o vinho


Ter em conta o solo

E a sua preparação

É o passo importante

Nesta condução


É plantado o Bacelo

Na terra preparada

E enxertado

Com a casta apreciada


A doença prevenir

E a vinha não sucumbir

É utilizado o enxerto

Para se poder expandir


No pé da videira

Cortado ao meio

Junta o enxerto

E ata-se o recheio


Coberto com terra

E muito bem atado

Tem força de ferro

Está bem acostado


O cuidado é permanente

Para evitar a praga

Que é persistente

E não se apaga


Para a videira rebentar

Com fruto de qualidade

É necessário podar

Não ligues à quantidade


Em cada nó

Estão dois rebentos

Corta o de cima

Para ter mais sustento


Ficam só dois olhos

Para rebentar

A amarração ao arame

Chama-se empar


Sentida a videira

Quando o corte ocorre

Desata num choro

O seu galho escorre


Esta operação

Alinha a videira

Facilita a manobra

É mais certeira


No crescimento

E maturação

É preciso regar

Para a formação


Saber a acidez da uva

A altura de vindimar

E o cuidado com a chuva

Tudo é preciso analisar


Os cachos a crescer

E o verde da vinha

Vem ver para querer

Paisagem tão linda


Caminhos alinhados

Para o rancho passar

Lindos coloridos

É bom apreciar


Verde e avermelhada

Ao sol a brilhar

Regala os olhos

Paisagem de pasmar


Com energia e humor

O rancho a vindimar

Canta modas ao amor

E o tempo não vê passar


Corta o cacho para o cesto

E depois vai para um cabaz

É transportado ao ombro

Com a força de um rapaz


Um carro de caixa aberta

Seguindo para o lagar

Leva a uva descoberta

Para num tanque pisar


Com uva madura

E muito saudável

Obtêm-se um vinho

Muito apreciável


Calcando as uva

Sem descansar

Estão ali uns homens

A muito custar

Com o passo certo

E muito chegados

Caminham em linha

Todos entrelaçados


Faz-se a trasfega

Para o vinho fermentar

Obter todo o sabor

Que vai ficar


Separar o mosto

Para obter o vinho

Só a filtragem

Com coador fininho


Existe a pipa

Para armazenar

De madeira com ripas

E dá bom paladar


Em garrafa transportado

Ou embalado

Vai para o comércio

Para ser comercializado


Maria Antonieta Matos 17/07/2011

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AUDAZ FANTASIA

No silêncio, audaz fantasia

Produzida pela mente

Faz seguente alegoria

Vem do coração o que sente


Tudo parecia calmo e puro

No silêncio da alvorada

Parecia sair de um casulo

A luz há tanto esperada


Não se adivinhava o sono

Estava demasiado inquieta

A noite era de Outono

Fiquei de janela aberta


Voavam livres os passarinhos

Correndo aos bandos no céu

Outros, aconchegavam-se nos ninhos

De cabecinhas ao léu


Num sossego de pura calma

Olhava tal esplendor

Não augurava vivalma

Neste sonho multicolor


Ouviam-se pouco a pouco

Murmúrios de gente a passar

E não tardou o alvoroço

Para o pensamento molestar


Sentia os olhos pesados

Mas não podia dormir

Tinha o cérebro revirado

E o barulho a consumir


Maria Antonieta Matos

649

GARGALHADA

Rir, rir, rir, até chorar

Ah! Ah! Ah! Contagiante

Continua Ah! Ah! Ah! A gargalhar

Mesmo de forma desconcertante


Todos os estímulos descontrair

Que coisa tão engraçada

Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir

Mas que bela gargalhada


Não paro de me divertir

Não ligo aos preconceitos

Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir

O rir não tem defeitos


Estamos todos de boca aberta

Eh! Eh! Eh! Ah! Ah! Ah!

Tantos sons à descoberta

É para rir que aqui está


Só existe felicidade

Não há sorriso amarelo

Abra a boca de verdade

Provoque o riso singelo


Este dia é colorido

É só rir sem mais parar

Tudo está descontraído

O sorriso vai disparar


Ah! Ah! Ah! Oh! Meus amigos

Ah! Ah! Ah! Que gente feliz!

Ah! Ah! Ah! Tantos sorrisos! 

Ah! Ah! Ah! Que dia feliz!


25-10-2012 Maria Antonieta Matos

669

HUMOR

O humor faz tanto rir

Como faz muito chorar

Muito difícil definir

Forma de arte e pensar


Humor é um estado animado

Com grande grau de disposição

De bem-estar consagrado

De elevada emoção


É feito de ironia

Destrói muitos paradigmas

Misturado na zombaria

Faz rir com muita alegria


A comédia também é aliada

Da boa disposição

De gente bem-humorada

Abstraída de preocupação


Depende da interpretação

Da personalidade de quem ri

São momentos de distracção

Ficando descontraído e feliz


De uma forma divertida

Para melhorar situações

A sátira é muito atrevida

Denunciando aberrações


Humorista converte em riso

Tudo o que se diz e se faz

De ar superior, destemido

Na manga o humor trás


Faz muito bem à saúde

Comprimido de bem-estar

Aproveite esta virtude

E nada os vai molestar


22-11-2012 Maria Antonieta Matos


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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra