Lista de Poemas

LIVRO

Com o livro eu converso

E sinto as emoções

A escrever o sonho começo

Criação de sensações


Suporte de conhecimento

De aventura ou ilusão

Não se perde por um momento

É fonte de sedução


De forma correcta ou não

Ajuíza-se todo o texto

Criamos opinião

O que enriquece o contexto


Ao homem trás plenitude

A leitura é intelecto

Grandeza esta atitude

Aprende-se a escrever correcto


Exercício para o espírito

É fonte inesgotável

Emoções de dor e sorriso

A leitura inseparável


Quer de noite, quer dia

Palavras correm na mente

Anotar é muito urgente

E assim nasce a semente


Não se consegue parar

Surge sempre argumento

Andam na mente a girar

Criativo pensamento


Fica para a eternidade

O espólio das cachimónias

Para aprender a verdade

E estudar todas as histórias


Relatando cada momento

Sentimentos e acção

Leva ao leitor conhecimento

E a muita imaginação


Maria Antonieta Matos 19-09-2011


679

TERENA TERRA ONDE NASCI

Que linda terra tu és

Velhinha perto do céu

A Lucefécit a teus pés

É azul o teu chapéu


Casas cheias de brancura

Cada pedrinha conta uma história

Um castelo onde a luta e bravura

Tem um marco aceso na memória


Teus recantos floridos

Ruelas, igrejas e fontes

Tens por todo o lado montes

Belos campos coloridos

Gado pastando no verde prado

Ouvem-se murmúrios e bramidos

Ouve-se o sino lá no adro


Sabores e aromas perfumados

Rosmaninho, esteva, alecrim,

Hortelã, poejo entrelaçados

No campo, quintais e jardim

Gente que trabalha pela calma

Que conversam pelos cantos

Que se sentam à soalheira

Para observarem teus encantos


Passos, parecendo castanholas

Musicando no sossego

Portados e lindas janelas

Entre elas muito apego

Recônditos, “estórias” de amor

No teu livro escreves segredos

Paixões, medos, desamor

Páginas secretas, enredos


Brincando a criançada

Livremente no teu chão

Dão-te sorrisos, gargalhadas

Dão larga à sua emoção


És um lugar de poetas

Apetecível por escritores

Tens tuas portas abertas

Para inspirares os pintores


Tens o santuário da Boa Nova

Muito raro e muito antigo

Que fica ao longe numa cova

Num silêncio apetecido


Cantigas de Santa Maria

Foram dedicadas a ti

És palco de romaria

Ninguém se esquece de ti


Ruínas de culto Endovélico

Anterior à época romana

Deus luz, Deus maquiavélico

Uma divindade profana


Maria Antonieta Matos 03-03-2013

755

FELICIDADE

A felicidade não tem preço

Sai da alma e do coração

Vê-se nos olhos docemente

Sente-se fervor e emoção


Felicidade é um sentimento

Que se sente profundamente

Da alma sai sem tormento

No rosto sobressai alegremente


Condição de plenitude

Equilíbrio físico e mental

Satisfação, alegria, juventude

Sempre com ótimo astral


Grande paz interior

Tudo é maravilhoso

Na natureza no amor

Na amizade no piedoso


Feliz ao defender uma causa

Convicção para a alcançar

Mesmo vivendo sem uma pausa

Tem muito ânimo para lutar


Felicidade é um estado de alma

Uma agradável emoção

Comprimido que acalma

Satisfazendo o coração


Enche o peito de sensação

Jubilando como magia

Sem qualquer imaginação

Felicidade é primazia


Não se deve ter vergonha

De mostrar com vivacidade

Felicidade move a montanha

Ser feliz com simplicidade


20-12-2012 Maria Antonieta Matos

562

QUANDO MORRER II

Quando morrer,

Não quero ver

Essa maldade

Dos homens, para tudo ter,

Que impedem sem dignidade

Outros homens de viver!


Como pode florescer

Este mundo a morrer

E seus filhos a apodrecer

Sem nada que os deixe crescer


Doentios pelo poder

Ficam cegos pela ganância

Mentem com todo o prazer

E à mentira dão relevância


Escondem-se por trás duma capa

E apregoam, tudo mudar

Quando lá estão, mudam de casaca

E continuam a tramar


Estão a vender o país

Por uma triste bagatela

Tem olhos no nariz

E a cabeça onde está ela?


Anda por aí a dar voltas

Para sacar cada bocado

Para o povo dar cambalhotas

E ficar aniquilado


Maria Antonieta Matos 05-08-2012

596

SEJAM FELIZES A LER

Riam de mim… que gosto!

Expressem todo o sentimento

Riam dos versos que posto

Da pontuação que não pontuei

Da palavra que destoa

Daquele termo que usei

Do erro, que não se perdoa

Do sentido que lhe dei

Que ao ouvido, a nada soa


Riam… do pouco que sei

Riam… que o riso faz bem

E a escrever continuarei!


Não se inibam por um momento

Barafustem do meu dizer

Sejam críticos do meu saber


Sejam felizes a ler!!!!


Maria Antonieta Matos 31-08-2013

637

TERENA II

Olhando a paisagem infinitamente bela

Do alto do monte, debruçada de espanto

O castelo e a muralha é a grande janela

Da gente que delicia sublime encanto


Um horizonte vasto emergindo a natureza

Querer abraçar o silêncio nos próprios sentidos

E inspirar de arte, de tranquilidade e nobreza

Momentos vítreos que nunca serão esquecidos


O silêncio dos tempos de medos guardados

Ouvir, sentir em cada pedrinha na maior profundeza

Enredos e segredos de gentes guerreiras e arrojadas


O silêncio da memória em livros escriturados

O espólio do povo que enriquece gerações, pela rareza

Que desperta o conhecimento e as torna fascinadas


04-04-2013 Maria Antonieta Matos

674

SOL-POSTO

Fecho os olhos que cegam perante o olhar divino

Vejo uma fulgente luz que se apressa a esconder

Absorvo os cheiros e mergulho no sonho repentino

Oiço no silêncio os passos a musicar, sem entender


Os sentidos envolvem-se e abraçam cada momento.

Magicando interrogo-me … o porquê? Da injustiça 

Da ganância em que o ter, vale mais do que o ser

Destruindo saberes e valores, absortos pela cobiça


A terra fica assombrada e triste e o céu cora de vergonha

Depois as cores se esbatem e o sol começa a esmorecer

Na esperança do mundo mudar e a felicidade acontecer


Ficaria internamente penetrada no teu belo olhar, risonha

Mas a felicidade, essa era primordial, todos tinham que ter

E unidos e enlaçados muitos sóis-postos, haveríamos de ver


20-04-2013 Maria Antonieta Matos

663

AR NO CORPO A VIAJAR

O Duarte sempre muito atento

Aos fenómenos da respiração

Não se cala por um só momento

Quer saber todo o seguimento

E o que tem a ver com o pulmão


Já me tramastes ó rapaz

Vou pensar para te explicar

Não sei se vou ser capaz

Mas nada custa tentar


O corpo humano precisa de ar

É essencial para viver

Tudo se pode comprovar

Com a respiração a suster


Vás dizer que tens falta de ar

E começas a inspirar

Enches o teu peito de ar

Sentes o corpo a aliviar


Pelas narinas entra o ar

Flui pelas cavidades nasais

Onde tem células para cheirar

Mucosas e ainda mais

Os pêlos, para a poeira filtrar


O ar passeia pela faringe

Partilhado com o alimento

Mas quando o ar entra na laringe

Não quer nada para este evento


Aqui na passagem do ar

Durante a respiração

Produzes som, vás querer falar

Ao que se chama fonação


Avó como se chama

O que bloqueia o alimento

Que às vezes até nos trama

Por algum breve momento?


É a traqueia a seguir à laringe

Que expulsa de passar

O alimento, muco e corpos estranhos

Que dificultam o respirar


Depois no tórax penetra

Bifurcando-se nos brônquios

E como rios à descoberta

Ramificam-se nos bronquíolos

E a seguir nos alvéolos


Que é função que vai trocar

O oxigénio e dióxido de carbono

Pela membrana capilar alvéolo-pulmonar


O ar se encontra nos pulmões

Com o sangue circulante

Órgãos essenciais na respiração

Os pulmões são importantes


Aqui ocorrem trocas gasosas

Hematose Pulmonar

Ar e sangue fazem a vida vigorosa

Tudo no corpo a trabalhar


Évora, 11-12-2012 Maria Antonieta Matos

935

DESCOBERTA DE UMA CIDADE

Desafio e conhecimento

É aquilo que lhe proponho

Com muito divertimento

E muito empenho, suponho


Aos meninos e meninas

Vindos de todos os lados

Vamos traçar algumas linhas

Para ficarem informados


Tem um castelo bem alto

Uma história ao seu redor

De Evoramonte é um passo

E tem marcas de valor


Vamos descobrir um cantinho

Um cantinho de Portugal

Com bonecos e pucarinhos

Uma cidade artesanal


Para assentar na cadeira

O buinho e a palhinha

Que o povo corta na ribeira

E são lindas p’ra cozinha


Predominando as cores

Azul, verde, branco e castanho

S ão pintadas lindas flores

O mobiliário Alentejano


Há artistas na cantaria

Têm gosto refinado

Valiosa sabedoria

E são muito solicitados


Fazem estatuetas admiráveis

E outras peças, para construção

São lindas e agradáveis

Arte com alma e coração


Há chocalhos com muitos sons

Do maior ao mais pequeno

O gado lhes dá os tons

Enquanto comem o feno


Há sobreiros muito antigos

Com copas muito frondosas

O gado fica protegido

Nas sombras maravilhosas


Do tronco se tira a cortiça

E tem muita utilidade

T arros, rolhas e outras dicas

Só o povo tem criatividade


Se tira também a lande

Para o porco o seu sustento

Que faz tenra a sua carne

Para o povo é alimento


Tem vinho e tem azeites

Belas vinhas e olivais

Nas terras lindos enfeites

Deslumbra os olhos demais


Tem queijos e tem enchidos

Com sabor sem igual

São por muitos conhecidos

É produto tradicional


Tem mármore para exportação

Vem da terra tal riqueza

Tem também a serração

Para o transformar em beleza


Fazem-se peças de estanho

Também muito apreciadas

Diversidade e tamanho

Para eventos são gravadas


Com lindo design e cor

A excelente Tapeçaria

Com o ponto de pé de flor

São bordados, é uma alegria


O ferro é trabalhado

Faz-se peças originais

É tudo muito pensado

Começou com castiçais


Tem também o latoeiro

Que está sempre a imaginar

Magica o dia inteiro

E faz peças para encantar


Há também os artesãos

Que fazem brinquedos de madeira

Para os mais pequeninos, são

São danados pr’a brincadeira


Há muita inspiração

E não se cansam a brincar

Com empenho e coração

E o sentido para observar


M obiliário pr’a bonecas

Reconstituição da história

Miniaturas diversas

Que não esquecem na memória


Há animais e carretas

Parelhas e tudo mais

Não faltam as picaretas

E as vestes regionais


Artesanato sobre as profissões

E os temas religiosos

Estão lá os cirurgiões

E os santos milagrosos


No museu para a memória

Existem lindas coleções

Fica um espólio de uma história

Contada por artesãos


De cor vermelha e amarela

E extraído da terra o barro

Fazem-se peças singelas

Quando peneirado e amassado


Depois do barro moldado

E de secar no forno

A pintura é o resultado

De lindas peças de adorno


Respeitando a tradição

R eligiosa e conventual

A ameixa para confeção

É um produto local


São herança familiar

Muitas destas profissões

Têm gosto para inovar

E preservar tradições


Com trabalho e motivação

Transformam as peles e os couros

Que lhe dá gosto e satisfação

E os produtos são duradouros


Também prenda esta cidade

O ofício do mosaico hidráulico

Prima a cor e qualidade

E o patrão é fantástico


Das matérias-primas naturais

E a pensar em reciclar

Inventa motivos florais

E faz quadros de admirar


Nos registos e maquinetas

A paixão falou mais alto

São lindas depois de feitas

E de um apreço elevado


A riqueza do Artesanato

Opera uma necessidade

Um querer imediato

E gostar de verdade


Sensação extraordinária

Individual criação

Uma compensação diária

E dá-se asas à imaginação


O vidro também é palco

Neste mundo artesanal

O espelho ganha um marco

Na vida de um casal


Não percas estes valores

Pois são formas de sustento

Imagina e pinta com cores

A arte e o teu talento


Valoriza a profissão

E dá-lhe muita importância

Será meio caminho andado

Para o sucesso e confiança


Procura as letras diferentes

No início de cada verso

Junta um Z às existentes

E a cidade fica a descoberto


Maria Antonieta Matos/ 2011

637

VIAGEM DOS ALIMENTOS

A mente incomodada

Pelos sabores da comida

Faz os órgãos agitar

Para a refeição ser servida

As MÃOS a levam à BOCA

Os DENTES a vão triturar

Com a saliva e a LÍNGUA

A comida vai enrolar

Passa depois pela FARINGE

Fechando a porta à laringe

Por medo de se engasgar

Assim empurra para ESÔFAGO

Que tem os NERVOS a controlar

Conduzindo o alimento

Com seu músculo aglutinar

E escorrega para o ESTÔMAGO

Que tudo vai separar

A BILÍS entra ao serviço

Com a água a misturar

E escolhe o que é preciso

Para o CORPO se alimentar

O SANGUE todo contente

Corre nas VEIAS sem cessar

Cresces mais em cada dia

Tudo mexe com energia

Todo o corpo a funcionar

Até pronto para procriar


Depois de muito trabalhar

O ESTÔMAGO vai canalizar

Pelos RINS e INTESTINOS

Tudo o que do dele restar

Indo dos RINS por canal fino

Na BEXIGA vai ficar

À espera de encher o saquinho

E ter peso para despejar

Outro, sai dos INTESTINOS

Um delgado outro mais grosso

Até a BARRIGA avisar

Que o ÂNUS quer defecar


Évora, 05-12-2012 Maria Antonieta Matos

569

Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra