Lista de Poemas

POR-DO-SOL II

Ao escurecer, no horizonte

Que deslumbrante aguarela

No céu do meu Alentejo

O sol pede um desejo

Para ter a noite mais bela


Pisca o olho sorridente

Para nos dar de presente

Em cada dia uma tela


Pouco a pouco adormece

O manto matiz do céu, aquece

Sonha com lua, fantasia com ela


Maria Antonieta Matos 01-01-2013


642

RIR

O riso ressalta da alma

No “goto” cai uma graça

Espontâneo do sério resvala

Reagindo pela chalaça


É o riso mais natural

O mais sentido no ser

Aquele que vai contagiar

Na feição se pode ver


Há o sorriso amarelo

A manifestar grande maçada

Sendo possível sabe-lo

Pela cara angustiada


Um sorriso é revelador

Do carácter duma pessoa

O sincero é merecedor

O cínico não se perdoa


O sorriso abre caminho

Conquista o mal-humorado

Que não resiste ao “choradinho”

Dum sorriso tão engraçado


O sorriso cura o mal

Suaviza a solidão

Um remédio natural

Libertado pela expressão


O sorriso é boa-disposição

É amar tão simplesmente

Um efeito de sedução

Sai da alma naturalmente


Évora, 30-11-2012 - Maria Antonieta Matos

734

AMOR é chama

Amor é chama

É desejo do outro ter

Alegria, dor, paixão é loucura

É perdão, é prazer, é cura

É um sentir de muito querer


É saborear o momento

Sem pressa, sem hora, sem tempo

Um olhar apaixonado

É união, é força, é ser amado

É amar a todo o tempo


É felicidade plena consentida

É proteção desmedida

É segredar coisas lindas

É beijar, tocar é ferida


É não ter idade, é companhia

É realização, plenitude

É ter o sol é juventude

É viver em harmonia

É um sentimento puro

É ver luz até no escuro

É natural, é fiel, é euforia


É triunfar quando tudo está perdido

É ambição, é paraíso

É saúde, é surpresa

É arrepio, é não ter nenhum juízo

É não duvidar, é namorar, é sorriso


07-01-2013 Maria Antonieta Matos

In "Nós Poetas Editamos VI"

665

PORTA DO CONHECIMENTO

Num diálogo permanente

Aprendendo a ver mundo

A leitura enriquece a mente

Fazendo luz no escuro profundo


Abre novos horizontes

Dá azos à imaginação

Descobre todas as fontes

Absorve essa inspiração


O cérebro fica iluminado

Ramifica-se de saberes

Falas fluido encantado

Dos assuntos compreenderes


Desperta muita curiosidade

Vê o que pensam escritores

Crítica com honestidade

Destaca os teus valores


Maria Antonieta Matos 31-08-2012

611

HERDADE DA AMENDOEIRA

Agradeço o acolhimento

E atenção privilegiada

Não vou esquecer o momento

Na memória ficou gravada


Foi muito especial

Ver todo o ciclo do queijo

Num processo artesanal

Que há anos eu já não vejo


Ao meu neto poder mostrar

Às fazes e transformação

Do início ao finalizar

Do queijo à rotulação


Poder observar o campo

Com prazer e imaginação

E sentir o seu encanto

Esquecendo a solidão


Maria Antonieta Matos 08-04-2012

775

ÉVORA

Linda cidade alentejana

Cheia de história e cultura

Situada em zona plana

Suas casas, uma brancura


No século doze nasceu

Tem o Templo de Diana

Praça do Geraldo o apogeu

Linda cidade Alentejana


Muito tem para apreciar

Nesta cidade sem igual

Monumentos, para visitar

Boa cozinha tradicional


Tem ruas, vielas, portais

Descendo a díspar calçada

Mostra azinheiras e olivais

Brilha o sol à alvorada


Mar de campo florido

Anda o gado a navegar

No mais belo colorido

Sobre manto azul do ar


Descobre vinhas e montes

O aqueduto da água de prata

Os chafarizes e fontes

E o jardim com sua mata


Muito apreciados os vinhos

O queijo e a azeitona

Os enchidos e petisquinhos

E a açorda alentejana


O ensopado de borrego

Sopa de tomate e de cação

As gentes com seu apego

Aquecem-lhe seu coração


Sopa da panela ou migas

Carne de porco à alentejana

Há bons sabores e boas vistas

Nesta cidade romana


O gaspacho no calor tórrido

Tem perfume e vai refrescar

O sabor não será esquecido

Com o alentejano a cantar


O doce conventual

Permanecer na memória

Como um mundo espiritual

Revolvendo anos na história


17-02-2013 Maria Antonieta Matos


590

LEITURA

Em cada dia que leio

Alimento o meu saber

É assim que eu premeio

A instrução que vou ter


Um dia estou motivada

Tudo consigo aprender

Outro, não aprendo nada

Pareço desaprender


Assim com pequeno passo

Um para trás dois para frente

Aprendo neste compasso

A leitura me fará diferente


Maria Antonieta Matos 29-08-2012

A minha primeira edição! 

693

TERENA

Corri por ti, caminhos não desbravados

Brinquei, cantei, chorei e sorri alegremente

Vibrei bailando, aqui ficámos enamorados

Não esquecerei pedaços de nós na minha mente


Em cada passo cambaleando fui descobrindo

Cada passagem, cada nome emaranhado

Uma gracinha para a família, enternecida 

Quando balbuciava cada palavra, distorcida


À luz da candeia contando histórias, me encantei

No silêncio cantavam grilos na noite de breu

Palmilhei lugares sonhando a realidade que criei


Ou amedrontada no leito rebolava ansiosa

Temendo do sonho que o momento teceu

Sonolenta, soluçando, acordava duvidosa.


22-06-2013 Maria Antonieta Matos

605

POR DO SOL

Esconde-se o sol, desce ao leito

Mais um dia a terminar

Sorrindo, por tudo ter feito

Pinta de cores o céu e o nublar

Encantando por um momento

Quem da terra o contemplar


Maria Antonieta Matos 30-12-2012


718

CICLO DA LÃ

Num concerto sensacional

As ovelhas chocalhando

Mééé… para o ar a cantar

Com os pássaros chilreando


Aqui e ali anda um grilo

Ritmando a sonoridade

Num prado verde tranquilo

Reina grande felicidade


Gado ovino são ovelhas

Guardadas pelo pastor

O cão é seu grande ajuda,

Companheiro e protector


Às ovelhas cresce a lã

No inverno sabe lhe bem

Mas quando chega o calor

A tosquia é que convém


É um trabalho feito à sombra

Pois despende grande esforço

O homem fica encurvado

Queixando-se depois do dorso


O corte com a tesoura

Já ficou ultrapassado

Agora existe uma máquina

Faz o trabalho despachado


O velo é bem escolhido

Com água tépida lavado

Depois fica a secar

Num local apropriado


Para desfazer nós existentes

E a porção ficar igual

Esguedelhar e carpear

São processos para passar


Posteriormente é cardada

Com borrifos de azeite

Para ficar mais desenriçada

De qualidade mais aceite


Com o auxílio de um fuso

A lã é transformada em fio

Operação artesanal, em uso

À noite ao serão te desafio


Puxando e alongado

Torcendo e enrolando

Anda de fuso em fuso

E sempre recomeçando


Finalmente é dobada

Na forma de um novelo

E assim fica preparada

Para fazeres o teu modelo


Pode ser uma camisola

Ou então um par de meias

Umas calças com virola

Ou o vestido que anseias


Outro caminho a seguir

Que antecede a tecelagem

A urdidura vem distinguir

No tear, cada fio na modelagem


Urdidura é um aparelho

Com uma armação de prumos

Distanciados e parelhos

Em tornos fixos, em resumo


Por eles passam os fios

E inicia outro processo

Monta-se seguir o tear

E à tecelagem tem acesso


Aqui opera o bom gosto

E a mistura da cor

Delicias-te pressuposto

Do trabalho inovador


A lã depois de tecida

Retirada do tear

Fica pouco favorecida

É preciso a pisoar


A pisoagem faz-se no pisão

Engenho artesanal

É movido pela água

E está em vias de extinção


Com maços de madeira

Fortemente a bater

No tecido molhado

Com água a ferver


Deste modo vai adquirir

A textura mais compacta

Capaz de corresponder

À aplicação exacta

Maria Antonieta Matos 25-08-2012


573

Comentários (2)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra