Lista de Poemas

CICLO DO MEL

Em missão voando

Com todo o esplendor

Lá vai a abelha

Poisando na flor


Lá vai o enxame

Com segurança

Pousa no arame

E leva esperança


Observa os campos

Encantados e coloridos

Dirige-se sem enganos

Aos pólen preferidos


Em voo lento

E asa a flutuar

Soprando-lhe o vento

Estão a trabalhar


Carregam o pólen

E levam alimento

Para fazer o mel

E para seu sustento


De flor em flor

O pólen a polvilhar

Nascem outras flores

E o ciclo a regressar


Para o mel armazenar

E desenvolver a colónia

A cera é o lugar

Fixa na tua memória


Depende da campeira

O alimento e defesa

Não caias na asneira

Trata-la com rudeza


Para se defender

Espeta a ferroada

Que é de morrer

Fica a pele inchada


Com esta maldade

Sacrifica a vida

Resta a saudade

Da vida perdida


Com grande ardor

E super inchaço

Sente-se uma dor

Cuidado com o braço


No caso de picada

Sentir alergia

Consultar o médico

É uma mais-valia

Para evitar espalhar

O veneno no corpo

O ferrão deve tirar

Com a unha sem esforço


Usado é o ferrão

Para fins medicinais

Com resultados

Sensacionais muito especiais


Olha as abelhas

Muito organizadas

É um gosto vê-as

Tão atarefadas


Inseto voador

É disciplinado

Trabalha com fervor

Para o seu estado


Vivem em sociedade

Numa colónia

Têm uma rainha

E muita história


A ordem na colmeia

E reprodução da espécie

Depende rainha

Que é a abelha-mestra


De um ovo fecundado

Nasce a rainha

Tem dotes especiais

E vive sozinha


Nesta sociedade

Bem organizada

Há muita atividade

E é hierarquizada


Existe família

Dentro da colmeia

Segurança e vigília

De trabalho, cheia


Cuidando da higiene

A abelha operária

Trabalha nessa tarefa

Com muita glória


Com muita emoção

E a servir a rainha

Estão as faxineiras

Com toda a vitamina

Carregadoras de piano

E muito motivadas

Trabalham todo o ano

E são elogiadas


A alimentar a larva

Para as abelhas nascer

Lá estão as nutrizes

Com muito saber


Produzindo a geleia

E alimentar a rainha

Estão as operárias

Nesta grande rotina


Promovida a engenheira

Constrói com prazer

Os favos e as paredes

Para o mel conter


Em voo nupcial

A rainha a ondular

Procura um zângão

Para acasalar


O macho da colmeia

É a abelha zângão

É maior que a abelha

E não tem ferrão


Rodeia a colmeia

Pr’a rainha namorar

E morre na teia

É o preço de copular


Não tem outra função

E para sobreviver

Depende das operárias

Que lhe dão comer


Quando não há comer

Lá para o inverno

São expulsos da colmeia

E é um inferno


Fumigar a colmeia

Para a abelha sair

E retirar favos cheios

De mel a fluir


Para se iniciar

Na apicultura

Tem que se estudar

Toda a esta estrutura


Com muita paixão

E alguns afazeres

É a solução

Para o sucesso teres


A localização

Para a colmeia instalar

É muito importante

Para tudo começar


Chama-se apicultor

Ao criador de abelhinhas

Envolve-se com amor

Sai tudo sobre rodinhas


Ser mudável o abrigo

Para fácil deslocação

Estar bem protegido

E o clima ter em atenção


Fácil de manobrar

Toda a sua conjuntura

Ser resistente para durar

E estar perto de doçura


O fato é fundamental

A máscara e o chapéu

Tapar tudo é essencial

Não tenhas o corpo ao léu


O fumigador e a alavanca

E o levanta quadros

Ferramentas necessárias

Para estes trabalhos


Maria Antonieta Matos 18-07-11

616

UMA FESTA

Através da vidraça, manifesta-se a natureza

O vento agita as plantas, as árvores

Musicando para que dancem, e as flores

Os pássaros esvoaçam com leveza

O céu mostra nuances de branco e cinza

O casario branco e vermelho, contrasta as cores

A chuva tamborilando cada nota, e os amores

De vez em quando um clarão

E o ribombar do trovão

O solo embriaga-se de bebida

Derrama de cheio, correrem regatos

A festa continua alta hora, destemida

Na euforia surgem desacatos

Até que da folia o cansaço amoleça

E o sono caia, e sonho aconteça


07-03-2013 Maria Antonieta Matos

657

CICLO DA ÁGUA

Anda a água num vai…vêm

Circulando sobre o planeta

Gera vida é um bem

Nas suas diversas facetas


Um sol lindo, radioso

Evapora a água da terra

Do estado líquido a gasoso

Condensa-se na atmosfera


Chama-se evaporação

À primeira caminhada

E o nome de condensação

Quando a água fica parada


Quando a água fica parada

Devido ao arrefecimento

Muitas gotas ali formadas

Vão fazer o céu cinzento


Vão fazer o céu cinzento

E o peso vai aumentar

Até que por um momento

Está prestes a rebentar


Está prestes a rebentar

E cai na superfície da terra

Pode chover, granizar ou nevar

Que o ciclo nunca se encerra


A chover a bom chover

A água encharca o solo

E é vê-la pró mar correr

Por braços que a leva ao colo


Um lençol branco de gelo

Rodeia o cume da serra

E corre como um novelo

A infiltra-se na terra


Pela noite ao resfriar

A humidade precipitou

Do ar, caiu nas plantas

E no solo se infiltrou


Com pingos reluzentes

E o orvalho a condensar

Bailam as plantas contentes

Escorrendo para se alimentar


Vai de forma canalizada

Para as casas na cidade

E em fontes localizadas

Nalguns povos é realidade

Três estados a saber

Fases por que passa a água

Líquido é para beber

Sólido para arrefecer


Maria Antonieta Matos 18-07-2011

855

ÁRVORE

Na profundidade da terra

A semente desabrochou

Saindo por uma cratera

Ali no chão despontou


Fortalece as suas raízes

Desenvolve a sua estrutura

Do tronco saem diretrizes

Enfeitadas de verdura


Nascem flores muito formosas

Geram os frutos apetecidos

Passam por cores preciosas

Á espera de serem colhidos


Sempre à chuva ou ao vento

Oferece a sombra quando há sol

Cresce buscando alimento

Aninha os pássaros ao pôr-do-sol


Solidária noite e dia

Vai dormindo sempre de pé

Suas folhas, rodopia

Dança sem dali arredar o pé


17-08-2013 Maria Antonieta Matos

648

MEMÓRIA

A memória é o registo

Gravado ao longo da idade

Se me esqueço não desisto

Ponho a mente em atividade


Disponho tanta energia

Na mente para recordar

Que a memória atrofia

Sendo impossível pensar


A memória já me atraiçoa

Com as palavras que idealizo

E para não pensar à toa

A escrever as memorizo


Absorve conhecimento

Para gerar nova ideia

Usada no pensamento

Em tudo o que planeia


A escrever ao pormenor

A informação que faz história

Fica para muitos ao dispor

Em livros para a memória


Há discos para armazenar

Conteúdos muito importantes

Também eles podem esgotar

A memória nuns instantes


Uma foto para a história

Recorda cada momento

Seja mau ou de vitória

Não caem no esquecimento


A idade e a memória

Entram em contradição

Se a palavra não sai na hora

E só sai atrapalhação


15-11-2012 Maria Antonieta Matos

791

FANTASIA

A minha audaz fantasia

Levou o meu pensamento

Ao encanto e à magia

E a viver este momento


Ouço o bramido do mar

Como se fosse aqui perto

Sinto a frescura do ar

E o sol bem descoberto

Vejo todo o horizonte

Vejo o prado, vejo o deserto

Vejo ali um grande monte

Vejo um caminho incerto


Ouço o som da ribeira

E sigo todo o seu percurso

Contemplo tudo ali à beira

Num silêncio absoluto


Ouço o som dos passarinhos

Num chilrear de melodias

Vejo as cegonhas nos ninhos

Vejo no bico o que trazem

Pr’a alimentar os filhinhos


Vejo os desenhos que fazem

No ar quando eles voam

E quando os filhos se perdem

As mães logo apregoam


Vejo as nuvens contrastando

Na paisagem colorida

E o sol vem se mostrando

Para o crescimento da vida


Vejo muitos animais

Comendo no verde prado

Vejo muitos olivais

E vejo o trigo dourado


Vejo os peixinhos do mar

Deslizando alegremente

E dou comigo a navegar

Numa aventura delirante


Sinto o vento levemente

Como quem brada por mim

Mostrando-me alegremente

Toda a paisagem sem fim


Vejo os vales e montes

E vejo tudo de branco

Vejo geladas as fontes

Corro tudo sem descanso


Depois de muito caminho

O céu começa a chorar

E balbuciou-se baixinho

Sou chuva, vou te molhar

23-06-2011 Maria Antonieta Matos

656

ENIGMA

Havia uma linda escola

Numa vila bem bonita

Vou conta-lhe esta história

Da professora Rita


Havia alunos muito aplicados

e com dotes para escrita

Criatividade não lhe faltava

e começaram a pensar

para aprender e estudar

Podiam fazer uma visita


Um dia a professora disse:

Meninos, vão falar com seus pais

Para autorização lhes dar

Vamos fazer uma viagem

Porque vocês estão a par

De toda a matéria dada


É uma viagem mistério

E vão ter que adivinhar

Vão escrever num caderno

Tudo o que pensam achar!


Vou dar pistas em voz alta

Têm que estar com atenção!

Para adivinharem cada palavra

É preciso inspiração


À volta deste mistério

Vamo-nos divertir muito

A memória, a imaginação,

E descoberta, ficam à prova

Para resolver a solução.


Num dia maravilhoso

E com grande animação

Saíram de autocarro

Olhavam o campo formoso

Cheio de flores coloridas

Animais a pastar

Naquelas paisagens lindas


Iam muito enigmáticos

E cheios de energia

Pensando a todo o momento

O motivo da magia


De repente a professora

Forneceu uma pista

Existem em todo o lado

São pequenas e grandes

Mas as que quero, são pequenas

Tem nome de uma sopa

E a terra tem uma arena

Adivinhem: Começa pela letra P


Com algazarra queriam

Todos eles pronunciar


Calculando cada um

Pensando ir adivinhar

O que lhes veio à memória

Depois de alguma tentativa

Uma errada outra certa

Dizia um : É uma Pedra


Certo! Disse a professora Rita

Vamos agora à segunda pista

Eu tenho aqui uma lista

É muito promissora

Quando elas são trituradas

Formam-se pequenas partículas

Que podem ser utilizadas.


Como vêem, vai ser fácil

Vamos lá decifrar

São as Pedr…Pedrinhas

Dizem todos a balbuciar

Ora bem, meus meninos

Quando se tem atenção

E muita motivação

Facilita adivinhação


Vou-lhes dar a outra dica

Todos de ouvido a escutar

No campo e por todo o lado

Existe terra com cores

Nascem daí as flores

E muitas outras culturas

Há terra que dá para moldar

E a cor é vermelha

E faz-se daí a telha.


Oh! Diz um, adivinhei!

É o Barro, sim ou não?

Pois sim, diz professora

Aqui está o que pensei!

A viagem é compensadora

Desafiando a memória

E esforço de ser melhor

Dos fracos não reza a história

Disse um grande pensador


Então está quase alcançado

O mistério da viagem

Está com o Barro relacionado

Há uma roda para fabricar

Peças lindas de encantar

O que será a actividade?

De quem faz as obras de arte

Tentem lá adivinhar!


Suspiram todos de alívio

E falavam ao mesmo tempo

Felizes de contentamento,

Do privilégio que iam ter

Moldar numa roda de oleiro

Criar peças ao seu gosto

E por no forno a cozer.


Ia ser muito animada

E nunca iam esquecer

Esta viagem e actividade

Que lhe dava muito prazer


Fizeram uma visita

A toda a olaria

E viram umas cantarinhas

Que lhe avivaram a memória

Pois tinham as tais pedrinhas

Que eram enigma da história.


No autocarro de regresso

Cada um trazia um regalo

Feitos com grande perícia

Para dar aos seus pais

Que teriam um agrado

Da proeza pelo filho feita

E seria uma delícia


E guardaram para sempre

Aquela recordação

Que muito gosto lhes deu

Moldar o Barro na mão

Rodando a roda com o pé

E fazer a sua transformação!

Maria Antonieta Matos 2011

691

CONSCIÊNCIA

Onde estás tu consciência

Que só vez o teu caminho

Nem sempre dás importância

Para quem caminha sozinho

Tens um íntimo de vaidade

Falas pr’a dentro baixinho

Mas vejo toda a maldade

Transparecer no teu jeitinho

Tu que tudo Compreendes

E raciocinas com Intuição

Porque não atribuis a eles

Uma maior precisão


Maria Antonieta Matos - 15-09-2012

656

QUANDO MORRER

Quando eu morrer

Serei palco de grande festa

Contratarei uma orquestra

Quero ver todos a sorrir

Com prazer a assistir

E ouvir grandes poetas

Quero ver lá muitos pintores

A escrever muitos escritores

Não tolero gente indigesta

Não quero que haja tristeza

Quero já ter essa certeza

De ser uma grande festa

Quero todos a cantar e a vibrar

Lágrimas só de contente

Quero o campo cheio de gente

Emoções de alegria

Não quero ver antipatia

Nem ninguém por bem parecer

Quero que estejam por prazer

Para não esquecerem esse dia

Nesse palco quero ficar

Sem nada para me tapar

Em paz ficarei a assistir

No silêncio a ouvir

Porque só se morre um dia.


Maria Antonieta Matos 29-06-2013

680

MENDIGO

Desgrenhado, corres as ruas da cidade

Todos te rejeitam pelo ar de podridão

Enquanto há quem te roube, na impunidade

Vão camuflados e fingidores te dar a mão


Sofres no silêncio, tuas lágrimas, engoles

Empedernido, ao relento disfarças que dormes

Lençóis de calor e vento, com que te cobres

Calando as dores por pensamentos nobres


Humilhas-te pedindo na serenidade

Questionas os dias se tens para comer

Se te olham nos olhos com olhos de ver


Precisas um pouco de carinho e dignidade

Um sorriso, um gesto, uma mão amiga

Proteção de quem pode, que a pedir te obriga


15-07-2013 Maria Antonieta Matos


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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra