Lista de Poemas

ADMIRANDO

Vítreos olhos admirando

Ondeada serra de prata

Matiz de cores pintando

Socalcam notas em cascata


Presépios povoam a vertente

Corre o rio lá no vale

Espelhos de água corrente

Cai branco e azul o teu xale


Quem te vê tão sublimada

No sossego a meditar

Por ti fica deslumbrada

Embebida a relaxar


Aromas se cruzam a perfumar

Quando sopra a ventania

Enche-se o peito de ar

Afaga o rosto a maresia


Os sentidos disparados

Esculpindo a bela paisagem

Num coração acalmado

Na grandiosa miragem


Maria Antonieta Matos 16-12-2013

684

MÚSICA

No silêncio a ouvir a música

Deixando os sentidos vibrar

A calma entra no espírito

E começa-se a sonhar


Arte de combinar sons

Encadeada com a pausa

Gostar depende dos tons

Da sensibilidade e da causa


A música também se sente

Sem a música estar a tocar

No sentido fica aderente

Ficando o corpo a bailar


Quem vê, acha que é louco

Quando o vê a gesticular

Por não ouvir nem um pouco

A música que outro ouve a tocar


A música faz parte da alma

É difícil de exprimir

Ouve-se como uma fala

Que queremos transmitir


Emoção à flor da pele

Os acordes num concerto

Não há sofrimento que impere

A musicalidade do excerto


Arte sempre à descoberta

De novos ritmos e revelações

O prazer de quem interpreta

Faz unir as multidões


A música é representação

É espetáculo é sintonia

Cultura e composição

Técnica e muita harmonia


Uns gostam de sons melodiosos

Outros de sons a bombar

Uns são silenciosos

Outros servem só para excitar


13-11-2012 Maria Antonieta Matos


648

AMIZADE

Amizade amor maior, provida de cumplicidade

Fragrância desinteressada que não se extingue

Não conhece nossos defeitos, exalta as qualidades

Sempre de livre vontade, sem nada que a obrigue


Amizade é um sentir de conforto amenizada na dor

Desabrochando em cada dia a alegria e a felicidade

Nada mais belo que as gargalhadas enchendo de cor

Compartilhado cada ensejo, enquanto dura a amizade


Nada faz por caridade, não anda de mão estendida

Amor que fala verdade com confiança desmedida

Presente sempre a igualdade, reina cheia de virtude


Inteira de corpo e alma, uma ligação de bem-estar

Flor perfumada e colorida, tem as pétalas a ressaltar

Iluminando o coração de grandeza e juventude


14-05-2013 Maria Antonieta Matos

892

SONHADORES

Eles que sonham despertos

Revirando o pensamento

Tantos caminhos abertos

São percorridos num momento


Veem o mundo fantasiado

Arquitetam argumentos

Concebendo muito floreado

Iluminados pensamentos


Navegam pelo desconhecido

Numa aventura hilariante

No amor embebecidos

Enfeitiçam a sua amante


Muitas vezes infelizes

Pela realidade intransigente

Não curam as cicatrizes

Porque o sonho é diferente


26-10-2012 Maria Antonieta Matos

601

A TEIA

Escondes-me em caminhos curvilíneos, com pedras e bicos,

turbulentos, movediços, escorregadios com buracos e picos,

com torrões, confusões, labirintos…

E vens convencer-me a passar por aí

E eu, cega… enfeitiçada na tua lábia … por aí…caí

Queres decidir o meu destino, falas-me de mansinho,

Estrelado de promessas… e eu no triste fado, tropeço sem ti

Ah! Quantas falsas histórias, inventadas, forjadas

Com falas entoadas me veem cativar?

Que tarde do mau sonho eu consigo acordar

Mas aí, estou arruinada, acabada,

alucinada, caída na podridão… e de ti só recebo humilhação

Compras-me com ofertas, para saciares teus desejos,

cúmplices de pejos, para me deslumbrar, e eu que não vejo….!

Só consigo ver… o que posso ganhar… o meu bem-estar!

Delicias-me com muitos sorrisos, afagos atrevidos, ousadias,

Depois quando me dou … tu me atrofias

Vens cheio de maldade, falsidade, habilidade, que desculpo!

Por ânsia deste VÍCIO que me tortura a mente….!

Sou alma penada, caída prostrada sem vida sem nada

Sou troça da gente, que se diz decente, sou perigo eminente

Vivo à margem da incompreensão, sou fraca de expressão

Não oiço ninguém e maltrato quem me quer bem

Teias da vida, enleios que me vejo metida, sem guarida, ferida

Na má sorte prometida, mal escolhida, sem que me deixe uma alternativa


Maria Antonieta Matos, 31-03-2014

In NPE " Eternamente Poeta"


862

SOLIDÃO

SOLIDÃO anda sozinha

Sem vivalma andar por perto

Nem sombra se avizinha

Como parecendo um deserto


SOLIDÃO não tem amigo

Vive longe de um olhar

Como se estivesse de castigo

Não se querendo libertar


O silêncio e a SOLIDÃO

Juntos formam um par

Andam sempre de braço dado

No escuro gostam de estar


Ouvindo o barulho do mar

E a ideia tão longínqua

Sente-se o espírito a relaxar

E a SOLIDÃO é profícua


Abstraída do mundo

Mesmo no meio da multidão

SOLIDÃO é sobretudo

Liberdade por opção


Às vezes perde-se da vida

Por ser rebelde e cruel

Na SOLIDÃO fica protegida

Sua amiga mais fiel


Também pode ser agradável

A SOLIDÃO por companhia

Tornando-se aconselhável

Mudar sempre de moradia


Quando se quer inspiração

Para as ideias nascerem

Refugiando-se na SOLIDÃO

Virá as palavras tecerem


Para não sentir SOLIDÃO

Na idade da velhice

Invente do que tem à mão

Viva a vida sem chatice


Se houver mais a dizer

Estou aqui para ouvir

E se quiser contradizer

Não se prive para intervir


30-10-2012 Maria Antonieta Matos 

690

APARÊNCIA

Aparência é a imagem

Vista numa perspetiva

Tal qual uma miragem

Pode não estar definida


Ao fixar uma pessoa

Faz-se uma radiografia

A impressão às vezes é boa

E a realidade atrofia


Ajuíza-se a aparência

O semblante não cativa

Contudo a sua essência

Só tempo a valoriza


Quando interessa mostrar

Um aspeto convincente

Tudo serve para mascarar

Iludindo aquele momento


Este fenómeno encobre

A sábia imaginação

Que mais tarde se descobre

Que foi tudo encenação


A virtude ou a maldade

No interior anda escondida

Não mostrando a realidade

No seu ar logo à partida


No vestuário também é igual

Tudo se confunde no belo

Por baixo anda todo roto e afinal

Trás casaco para escondê-lo


Encapotados na aparência

Mostram aquilo que não é

Até mesmo na competência

E nos canudos até


Desconfie da aparência

Não embarque de uma vez

Mostre a sua coerência

Observe tudo com altivez


08-11-2012 Maria Antonieta Matos

727

SONS

Ondas harmónicas ou ruído

Naturais ou artificiais

Alguns ferem o ouvido

Outros agradáveis de mais


O chilrear do passarinho

No silêncio combinado

Dá para ver o seu jeitinho

E decifrar o palavreado


O correr do ribeirinho

Num tom muito afinado

Salta a rã nada o peixinho

Fica o som acompanhado


Mas o rugido do portão

Ao abrir ou a fechar

Ao ouvido faz confusão

E no corpo faz arrepiar


E o estrondo de uma bomba

Ui que força e medo dá

Estoiro grande de arromba

Que extermina tudo o que há


O trovão som semelhante

Causa um grande respeito

Embora não tão gigante

No céu estala esse efeito


O som do sapateado

Faz mexer todos os sentidos

Os nerónios acalmados

Como música para os ouvidos


Utilizados na comunicação

Para musicar ou alertar

No ambiente também estão

Outros são para matar


Os sons mais apreciados

São os que fazem vibrar

Mas os mais harmonizados

São melhores para acalmar


31-10-2012 Maria Antonieta Matos

651

TÉDIO

Tédio, anda por mim a girar

Diz-se muito meu amigo

Está doidinho para cá ficar

Fica de gracejo comigo


Não tenho tempo pró aturar

Em nova arte me abrigo

O tempo passa a voar

Tédio já anda aborrecido


Já tentou vir disfarçado

Mas logo me apercebi

Pelo seu jeito enfastiado


Para de vez sair daqui

Alvitrei-lhe um álibi

E mandei-o para o diabo


04-09-2013 Maria Antonieta Matos

688

O POEMA

Que seja o poema o alerta

Quando escurece em ti a alma

Que seja uma porta aberta

ou o comprimido que acalma


Seja o desabafo corrente

A emoção que em ti brota

Uma lição permanente

A semente que não se esgota


Seja a colorida borboleta

A poisar no campo em flor

O passarinho quando canta

Belas serenatas de amor


Que seja o poema a crítica

Que a voz não faz ouvir

Mas que no pensamento fica

E a consciência vai perseguir


Que o poema saiba entranhar

O sentimento desmedido

Na voz de quem declamar

E de pé ser aplaudido


Que seja o poema a liberdade

Que se expressa sem olhar a cor

Que grite a desumanidade

A injustiça e o desamor


Que seja o poema a memória

Do livro que se faz ouvir

Em muitos séculos de história

Sempre, sempre a intervir


Maria Antonieta Matos 26-06-2014

https://www.facebook.com/notes/maria-antonieta-matos/o-poema/761195230567325

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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra