Lista de Poemas
Liberdade
Podes escrever os mais belos versos esta noite, mas os meus certamente serão os mais tristes.
Na riqueza da alma, nasceu um oceano de amarguras.
E autoproclamo a angústia a fiel e mais imperfeita das piedades.
De palavras fervorosas fiz um mundo e no mundo vi um espelho, no espelho o meu submundo.
No clamor havia a súplica, tal qual era o desejo.
Do meu corpo belicoso, vive o mar de fronteiras e caminhos. Dissolutos!
Em olhares sombrios construí uma muralha, onde cinzas do sangue derramado sobrepujam a razão perdida.
E no singular mais que plural me fiz exígua de mim.
Libertei-me!
Na riqueza da alma, nasceu um oceano de amarguras.
E autoproclamo a angústia a fiel e mais imperfeita das piedades.
De palavras fervorosas fiz um mundo e no mundo vi um espelho, no espelho o meu submundo.
No clamor havia a súplica, tal qual era o desejo.
Do meu corpo belicoso, vive o mar de fronteiras e caminhos. Dissolutos!
Em olhares sombrios construí uma muralha, onde cinzas do sangue derramado sobrepujam a razão perdida.
E no singular mais que plural me fiz exígua de mim.
Libertei-me!
323
Quisera
Quisera eu fazer abrigo das angústias que preambulam os pensamentos. No patamar das dores invencíveis à vida. Dos tempos remotos de uma distância infinita. Gracejo da morte.
Pudera eu sorrir nas consternações intermináveis. O sonho desiludido perdido no ventre. Nas vicissitudes das buscas internamente perenes. Sangue arquejado.
Quisera no olhar sombrio, escarnar a lágrima do refúgio inerte. Nos braços que embalam o nada preso no peito. Do que não desprende e guarda os anseios.
Pudera ao chorar, rezar em silêncio. Nas mãos trêmulas, onde os dedos se aninham. No sofrimento incessante maior que o domínio. Na felicidade triste de um reencontro, que se enclausura n'alma.
Pudera eu sorrir nas consternações intermináveis. O sonho desiludido perdido no ventre. Nas vicissitudes das buscas internamente perenes. Sangue arquejado.
Quisera no olhar sombrio, escarnar a lágrima do refúgio inerte. Nos braços que embalam o nada preso no peito. Do que não desprende e guarda os anseios.
Pudera ao chorar, rezar em silêncio. Nas mãos trêmulas, onde os dedos se aninham. No sofrimento incessante maior que o domínio. Na felicidade triste de um reencontro, que se enclausura n'alma.
284
Opostos
No que navega instintivamente! Os preceitos criados na memória da ilusão.
Visões distorcidas, absurdas. Verdades inerentes, incoerentes. As mentiras são mais sensatas e sempre foram.
Ah! O pensamento! Razões e emoções se perdem, completam, não há certo e errado.
Há vida na morte, sublime!
No que esvaiu exaustivamente! Os anseios perturbados na dor do olhar.
Releitura em lembranças tristes, incontidas. Lágrimas perduram e consolam, assolam e esbravejam, são as mesmas que caem sorrindo.
No amor! Saudoso e doentio, entende o delírio da fuga absurda, insensata.
Há um espelho, irreflexo!
Nos sonhos decorrentes, ilógicos, imprecisos. E num piscar o mundo acorda.
Visões distorcidas, absurdas. Verdades inerentes, incoerentes. As mentiras são mais sensatas e sempre foram.
Ah! O pensamento! Razões e emoções se perdem, completam, não há certo e errado.
Há vida na morte, sublime!
No que esvaiu exaustivamente! Os anseios perturbados na dor do olhar.
Releitura em lembranças tristes, incontidas. Lágrimas perduram e consolam, assolam e esbravejam, são as mesmas que caem sorrindo.
No amor! Saudoso e doentio, entende o delírio da fuga absurda, insensata.
Há um espelho, irreflexo!
Nos sonhos decorrentes, ilógicos, imprecisos. E num piscar o mundo acorda.
298
Livros, apenas
Não desejo ver-te pelo ângulo de livros definhando nas prateleiras e nem na poeira enraizada nas mãos trêmulas.
Ainda não consigo ler-te!
O cheiro que traz vívida as lembranças de outrora. Pensamento enclausurado na ânsia do amargor.
Nas páginas folheadas, uma nova história. A mesma, a de sempre. Palavras que não descrevem a angústia indescritível. Nem Poe, Baudelaire, Neruda ou Shakespeare, meros apenas em sua própria arte, desdém dos sentimentos, apenas isto.
Não quero lembrar os momentos que apenas ficaram e fincaram. Nem ao menos sentir novamente o que já tomas demasiado e inexplicavelmente.
O toque é imortal e basta apenas enxergar o que os olhos jamais atingirão.
O caminhar das letras que se formam, na palavra ilegível que surge a cada delinear, no pulsar paulatinamente da carne que ouve Chopin, o mesmo, o de sempre, igual e diferente a cada noturno.
Não desejo ver-te! Não preciso lamentar-me!
Mas há pedaços em todos os cantos, em todos os contos, em todas as poesias, nas lágrimas de solidão e no coração dilacerado.
Ainda não consigo ler-te!
O cheiro que traz vívida as lembranças de outrora. Pensamento enclausurado na ânsia do amargor.
Nas páginas folheadas, uma nova história. A mesma, a de sempre. Palavras que não descrevem a angústia indescritível. Nem Poe, Baudelaire, Neruda ou Shakespeare, meros apenas em sua própria arte, desdém dos sentimentos, apenas isto.
Não quero lembrar os momentos que apenas ficaram e fincaram. Nem ao menos sentir novamente o que já tomas demasiado e inexplicavelmente.
O toque é imortal e basta apenas enxergar o que os olhos jamais atingirão.
O caminhar das letras que se formam, na palavra ilegível que surge a cada delinear, no pulsar paulatinamente da carne que ouve Chopin, o mesmo, o de sempre, igual e diferente a cada noturno.
Não desejo ver-te! Não preciso lamentar-me!
Mas há pedaços em todos os cantos, em todos os contos, em todas as poesias, nas lágrimas de solidão e no coração dilacerado.
289
Momento
Da janela de visão contorcida, enquanto se enchem os lençóis.
No pensamento devastador!
A árvore embala as folhas, mas não saem do lugar. No contorno do céu sombrio, de ventos tenros e nuvens secas.
Nada mudou! O clamor da súplica, os versos da poesia, as ilações da solidão.
Estagnou no mundo que não passou!
A dor que preenche, até o vazio inabitável. Na escuridão da manhã, que segue o olhar marejado.
O poeta que carrega e deixa os versos em lágrimas.
No luar apagado em cortes e da luz longínqua que abarroa o cenário intenso.
Nos movimentos sinuosos inalterantes dos sentidos.
Ao som diáfono de um Neruda desconhecido, onde o corpo se aninha sem abrigo.
Em ópera do amor total, desfalece em prece inconstante.
No pensamento devastador!
A árvore embala as folhas, mas não saem do lugar. No contorno do céu sombrio, de ventos tenros e nuvens secas.
Nada mudou! O clamor da súplica, os versos da poesia, as ilações da solidão.
Estagnou no mundo que não passou!
A dor que preenche, até o vazio inabitável. Na escuridão da manhã, que segue o olhar marejado.
O poeta que carrega e deixa os versos em lágrimas.
No luar apagado em cortes e da luz longínqua que abarroa o cenário intenso.
Nos movimentos sinuosos inalterantes dos sentidos.
Ao som diáfono de um Neruda desconhecido, onde o corpo se aninha sem abrigo.
Em ópera do amor total, desfalece em prece inconstante.
350
Somente
E na saudade se instaura a dor.
A desmedida solidão arrasa n'alma da mesma forma que o toque inebria o corpo. O que resta são fragmentos de pensamento, nos devaneios que torturam a mente.
Nas mãos que imploram pela carícia tenra na tez. A firmeza em que tomas a carne. A perversa lamúria da insensatez.
O beijo que arrasta mares, oceanos. Entre ondas de salivas, na língua que declama a poesia mais pura e ao mesmo instante percorre todos os instintos.
Os cabelos emaranhados caem nas costas e atravessam os dedos que se agarram.
Nas curvas sinuosas do desejo, movimentos impetuosos, dislexia de prazer.
O contorno das formas, à sombra da perfeição mais imperfeita.
Em suores que se misturam, num banho náufrago de perdição.
Na esquizofrenia da vida, se perdem caminhos...
... Obscuros, malditos, soturnos. Bastam-se!
A desmedida solidão arrasa n'alma da mesma forma que o toque inebria o corpo. O que resta são fragmentos de pensamento, nos devaneios que torturam a mente.
Nas mãos que imploram pela carícia tenra na tez. A firmeza em que tomas a carne. A perversa lamúria da insensatez.
O beijo que arrasta mares, oceanos. Entre ondas de salivas, na língua que declama a poesia mais pura e ao mesmo instante percorre todos os instintos.
Os cabelos emaranhados caem nas costas e atravessam os dedos que se agarram.
Nas curvas sinuosas do desejo, movimentos impetuosos, dislexia de prazer.
O contorno das formas, à sombra da perfeição mais imperfeita.
Em suores que se misturam, num banho náufrago de perdição.
Na esquizofrenia da vida, se perdem caminhos...
... Obscuros, malditos, soturnos. Bastam-se!
295
Adágio fúnebre
Segue o cortejo no peito, como um adágio infinito.
Como encontrá-lo onde não mais caminhas?
Na estrada perdida, só há escuridão na imensidão do olhar. No soturno alento do desalento, desalinho entre os versos lúgubres de Albinoni.
Ofuscado! O perfume das rosas se esvaiu do sepulcro.
No tormento insolente, da embriaguez indecente, a cegueira da desilusão. Metade do coração! Nada mais que a carne petrificada.
Nas ruínas da ausência, a saudade se reconstrói, no martírio da súplica não atendida.
A canção perdeu a poesia mais bela! A alma não mais acampa na paixão!
No fim, da fotografia despedaçada, das palavras indescritíveis, dos amores inalcançáveis, onde mora a modéstia da angústia.
E no que dissipa os conceitos, preceitos, cai nas asas de voo intenso. Desenfreadas sem rumo, nas alças da solidão, preâmbulo do calabouço das inverdades não ditas.
E na lágrima insolúvel, rodopio da bailarina, vertigem do pensamento. Vai-se a desgraça abstrata, descabida, desprovida nas lamentações.
Na inconstância do que se perdura. Encanto! Onde se perdeu o espelho do vislumbre?
Como encontrá-lo onde não mais caminhas?
Na estrada perdida, só há escuridão na imensidão do olhar. No soturno alento do desalento, desalinho entre os versos lúgubres de Albinoni.
Ofuscado! O perfume das rosas se esvaiu do sepulcro.
No tormento insolente, da embriaguez indecente, a cegueira da desilusão. Metade do coração! Nada mais que a carne petrificada.
Nas ruínas da ausência, a saudade se reconstrói, no martírio da súplica não atendida.
A canção perdeu a poesia mais bela! A alma não mais acampa na paixão!
No fim, da fotografia despedaçada, das palavras indescritíveis, dos amores inalcançáveis, onde mora a modéstia da angústia.
E no que dissipa os conceitos, preceitos, cai nas asas de voo intenso. Desenfreadas sem rumo, nas alças da solidão, preâmbulo do calabouço das inverdades não ditas.
E na lágrima insolúvel, rodopio da bailarina, vertigem do pensamento. Vai-se a desgraça abstrata, descabida, desprovida nas lamentações.
Na inconstância do que se perdura. Encanto! Onde se perdeu o espelho do vislumbre?
305
Desespero
Porque me desfaleço em cada pensamento que elevo a ti. Nas pálidas paredes das lamentações.
A falta! Não há olhares, nem brios, não há vida.
O sofrimento acompanhado, em conjunto, junto à carne fúnebre.
Na música sem melodia, na voz que não mais alcança, na cegueira do ventre. Todos estão surdos!
A dor, extensão do âmago irreprimido.
A luxúria do devaneio futuro.
Acabou! Não há palavras, nem vento, não há sol.
O nada que preenche o coração vazio, cárcere de um corpo decomposto.
Na sublime decepção, na lágrima andarilha, na doença maldita.
Todos estão mortos!
A medicina, declínio que insurge.
A mentira vomitada no inferno.
Escondeu! Infimamente, a solidão dos muitos, incontida nas entrelinhas da face dilacerada.
A falta! Não há olhares, nem brios, não há vida.
O sofrimento acompanhado, em conjunto, junto à carne fúnebre.
Na música sem melodia, na voz que não mais alcança, na cegueira do ventre. Todos estão surdos!
A dor, extensão do âmago irreprimido.
A luxúria do devaneio futuro.
Acabou! Não há palavras, nem vento, não há sol.
O nada que preenche o coração vazio, cárcere de um corpo decomposto.
Na sublime decepção, na lágrima andarilha, na doença maldita.
Todos estão mortos!
A medicina, declínio que insurge.
A mentira vomitada no inferno.
Escondeu! Infimamente, a solidão dos muitos, incontida nas entrelinhas da face dilacerada.
327
Tempo
E ela olhava pelo vão da janela com olhos desconhecidos.
No pensamento que se esvaía da mente.
O cheiro do perfume exalava de sua pele, aveludada.
Sob lágrimas exauridas, sublime face da tristeza vencida.
E ela findava, fixamente. Na saudade que confundia os martírios. As imagens debruçadas ao vento, levada pelo tempo perdido, o ar que não respira sozinho.
Perda dos sentidos. Desencanto perfeito da inesperança.
E ela gritava silenciosamente! E no clamor de sua alma, ápice do maior devaneio. Ninguém a ouvia, nem ela mesmo.
Amnésia das ilusões profundas. E no amargor da língua, na profusão do amor. No último pulsar.
E ela! Ela ainda menina, ainda perdida. Desconhece a si. A criança se desfez!
No pensamento que se esvaía da mente.
O cheiro do perfume exalava de sua pele, aveludada.
Sob lágrimas exauridas, sublime face da tristeza vencida.
E ela findava, fixamente. Na saudade que confundia os martírios. As imagens debruçadas ao vento, levada pelo tempo perdido, o ar que não respira sozinho.
Perda dos sentidos. Desencanto perfeito da inesperança.
E ela gritava silenciosamente! E no clamor de sua alma, ápice do maior devaneio. Ninguém a ouvia, nem ela mesmo.
Amnésia das ilusões profundas. E no amargor da língua, na profusão do amor. No último pulsar.
E ela! Ela ainda menina, ainda perdida. Desconhece a si. A criança se desfez!
281
Incrédula
E ela rezou com todo o fervor de sua alma.
Clamou o mais alto que sua voz poderia alcançar.
Mas não sabia que a fé era ineficiente.
Foram muitas e tantas orações milagrosas, mas que perderam o valor diante à insensatez da vida.
Ninguém ouviu a sua súplica!
E ela chorou com todo o ardor que irradiava o seu ventre.
Mas as lágrimas não acalmavam o coração.
E foram muitas e tantas, mas que desfaleceram-se diante o desgosto da vida.
Ninguém enxergava o seu pranto!
A devoção remota ainda era a única salvação de suas forças.
Mas a esperança já a estrangulara.
Nesse tempo, as valsas de Tchaikovsky se apagaram, Neruda perdeu seus versos, a tragédia nunca pertenceu à Ésquilo e todas as flores amaldiçoadas por Baudelaire eram as únicas que exalavam o buquê resplandescente.
Diante do precipício, nem Deus, nem fé, nem esperança e nem devoção.
Era somente ela e sua dor.
E assim segue o cortejo!
Clamou o mais alto que sua voz poderia alcançar.
Mas não sabia que a fé era ineficiente.
Foram muitas e tantas orações milagrosas, mas que perderam o valor diante à insensatez da vida.
Ninguém ouviu a sua súplica!
E ela chorou com todo o ardor que irradiava o seu ventre.
Mas as lágrimas não acalmavam o coração.
E foram muitas e tantas, mas que desfaleceram-se diante o desgosto da vida.
Ninguém enxergava o seu pranto!
A devoção remota ainda era a única salvação de suas forças.
Mas a esperança já a estrangulara.
Nesse tempo, as valsas de Tchaikovsky se apagaram, Neruda perdeu seus versos, a tragédia nunca pertenceu à Ésquilo e todas as flores amaldiçoadas por Baudelaire eram as únicas que exalavam o buquê resplandescente.
Diante do precipício, nem Deus, nem fé, nem esperança e nem devoção.
Era somente ela e sua dor.
E assim segue o cortejo!
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Comentários (1)
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Uma grata surpresa encontrar versos dotados de tanta poesia. Parabéns!