As ausências geram sons
As ausências geram
Sons
Que atravessam a linha
Do tempo.
As ausências geram
Sons
Acordes involuntários
Alheios ao diapasão.
As ausências geram
Sons
E perpetuam suas presenças
Sem alarde.
Oh, aromas da saudade
Visitando remota canção!
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
Seixo
Burilaste a pedra fundamental
acomodada às margens
de uma visão lunar,
e seixo inseguro
desvendei pequenos rios
sem nunca atingir o mar.
Haikai
Delírios de neve
Embriagados de vinho
A lareira acesa.
www.mariomassari.no.comunidades.net
Telhados de vidro 2
I
Ardiloso é o tempo
Nas tramas do coração
Na dor é esquecimento
Do eterno a negação...
II
O silêncio é santuário
Guardado pelo bom senso
Atributo necessário
Pois se falo, logo penso.
III
Não há dor que se compare
Àquela do ente ausente
Que a Virgem Mãe nos ampare
Que Deus esteja presente!
www.mariomassari.no.comunidades.net
Haikai
Desafia o frio
O passarinho entre os galhos
Desassossegado.
Elementos
Finjo-me água
e transbordo noite em fora
invadindo sonhos alheios
no destempero das horas.
Finjo-me fogo
e na promiscuidade das intenções
revogo paradigmas
e seduzo inconsciente
o meu próprio destino.
Encontro-me ar
(não caibo em mim)
preencherei o universo
ou balões de festim?
www.mariomassari.no.comunidades.net
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
Tríades
O riso forçado
O gesto traído
O silêncio no lustre
A tristeza na perda
Uma flor sem perfume
Uma gaivota áptera
Um rio sem nascente
O homem sem história
Um artesão às escuras
A palavra pensada
A poesia no amigo
A paixão que cura.
www.mariomassari.no.comunidades.net
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
Mandaria flores
Mandaria flores
para Adalgisa -
"fosse ela a mulher
da minha vida".
Recitaria para Lina,
Pessoa -
"aprecisasse ela quem voa".
Faria uma canção para Cristina,
singela -
"qual Chico para Florbela".
Mas envio flores
para Anelise
funcionária da loja
de discos
com poemas de
Quintana -
"Ah, aqueles olhos doidivanas...".
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
Através do olho mágico
Através do olho
Mágico
Que instalei no portal
Dos meus temores
Seleciono as visitas
Que dividem comigo
Alegrias e dores.
São poucas:
um amigo cronista
(idealista)
Os familliares que não
Entram nas estatísticas
E festivas borboletas
Desprendendo cores.
www.mariomassari.no.comunidades.net
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net
No lixo, o luxo
A franzina menina interrompeu,
bruscamente, a tarefa a qual,
atenciosamente executava, ao
deparar-se com um belo par de
brincos.
Demasiadamente grandes para o seu
tamanho, mas belos.
Colocou-os e verificou, num pedaço
de espelho, o resultado.
Sorriu satisfeita e por instantes foi
diva na fétida madrugada já que, subitamente.
como se lhe espetassem agulhas na consciência,
voltou à realidade.
O lixo, com seus restos de víveres e objetos
que vendidos permitiam a sobrevivência da
família era mais importante do que seu estúpido arroubo de vaidade.
www.acadsertanezdeletras.no.comunidades.net