Lista de Poemas

Quando a lua caiu sobre a minha casa



I


Quando a lua caiu sobre a

minha casa

(num sítio entre o lá e o aqui)

as estruturas de tijolos e

barro

pareceram ruir.

Mas como poderiam

se do barro me fiz

de tijolo em tijolo

me edifiquei

e de luares sobrevivi...



II


Quando o sol afoito

deitou-se sobre os telhados

a lua havia partido

mas na pressa do recolhimento

esquecera sobre o leito ardente

pequenos fios prateados...




893

Cais



Como voltar ao porto
se o mar me atrai?





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1 144

Enganos



Engano a morte todos os dias
com a aparência suicida
daquele que garimpa versos
como o próprio ar que aspira.

Alguns elementos inspiram
essa vigília:
- o odor imprevisível das marés
nada submissas
- as casinhas perdidas na imensidão
das campinas
- o aconchego colhido nas pessoas simples
numa cidadezinha qualquer de Minas
(por que me intrigam?)
- os últimos fragmentos do poente
deitando atrás da colina...

Engano a morte
como quem, ansiosamente,
procura a vida.


888

Mandaria flores


Mandaria flores
para Adalgisa -

"fosse ela a mulher
da minha vida".

Recitaria para Lina,
Pessoa -

"aprecisasse ela quem voa".

Faria uma canção para Cristina,
singela -

"qual Chico para Florbela".

Mas envio flores
para Anelise
funcionária da loja
de discos
com poemas de
Quintana -

"Ah, aqueles olhos doidivanas...".





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1 183

No lixo, o luxo



A franzina menina interrompeu,
bruscamente, a tarefa a qual,
atenciosamente executava, ao
deparar-se com um belo par de
brincos.
Demasiadamente grandes para o seu
tamanho, mas belos.
Colocou-os e verificou, num pedaço
de espelho, o resultado.
Sorriu satisfeita e por instantes foi
diva na fétida madrugada já que, subitamente.
como se lhe espetassem agulhas na consciência,
voltou à realidade.
O lixo, com seus restos de víveres e objetos
que vendidos permitiam a sobrevivência da
família era mais importante do que seu estúpido arroubo de vaidade.






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Tríades


O riso forçado
O gesto traído
O silêncio no lustre

A tristeza na perda
Uma flor sem perfume
Uma gaivota áptera

Um rio sem nascente
O homem sem história
Um artesão às escuras

A palavra pensada
A poesia no amigo
A paixão que cura.




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Haikai


Delírios de neve
Embriagados de vinho
A lareira acesa.




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Dar-te-ei todo o amor que tenho


Dar-te-ei
todo o amor que tenho
e se for pouco
(como penso)
posso resgatar todas
as noites de inverno
em que aportado
em uma aldeia qualquer
no tempo
sonhava o amor eterno.

Dar-te-ei
todo o amor que tenho
e se for pouco
(como penso)
multiplicá-lo-ei em versos
que tecerei madrugadas afora
degustando vinho ao relento.

Dar-te-ei
todo o amor que tenho
e se for pouco
(como penso)
talvez me reste cantar
com a voz desafinada, mas espontânea
dos apaixonados que esbanjam talento.


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Cenário


Escrevo como quem ama
por isso os meus versos
preparam a cama

Alvos lençóis
protegem nossos corpos
(versos exangues)
e os cobertores
(no frio)
são sonetos infames
que complementam o terceto
eu - tu - acalanto.

Escrevo como quem ama
e amando se descobre tantos
para uma única alma
revisitada com encanto.

Amo como quem escreve
as mesmas estórias
tantas vezes...

o cenário causando espanto.



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Telhados de vidro 1



I

Em terrível bombardeio
inquiriu-se o soldado:
- que valia tem o meio
se a dor já é prévio saldo?


II


Jovens: pueris sois vós
(retruca "o experiente")
não é prudente "ter voz"
(nem se apercebe que mente).


III


A velhice é coisa bela
que deve ser respeitada
pois revela sapiência
na calmaria da estrada.




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Andréa
Andréa

Boa noite! <br />Sou professora na escola PEI EE Dr. Antonio Furlan Junior. <br />Estou lendo leitura de fruição do seu livro: Fragmentos de Poesia em Campos de Girassóis. <br />Meu contato 16 988155376

Mário Massari:  nasceu em 21 de novembro de 1962 na cidade de Matão, mas é radicado em Sertãozinho, ambas as cidades localizadas no  interior do estado de Saõ Paulo - Brasil. 

Quando ainda aluno do curso de Graduação em Agronomia - UNESP, iniciou a publicação de seus poemas.

Livros: Cais - poemas (1987) , Não acordem os pássaros - contos (1994) , Achados e guardados - poemas (2002), Beirais - poemas (2007), Arabescos - poemas (2008) , Portos, olhares e ausências... - poemas (2009), Espelhos do tempo - poemas (2010), Borboletas no aquário - poemas (2011) e Antecedentes Postais - diários de naufrágios -  poemas - 2012. Participou, ainda, de diversas Antologias/Coletâneas.

É membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL.



site: www.mariomassari.no.comunidades.net 



http://twitter.com/mariomassari