Paiz
[IV]
Pais não façam isso.
Paz não se compra, conquista.
Pais não comparem seus filhos.
Paz não é sinal de dever comprido.
Pais não olhem apenas para seu poder
Paz aparece quando o diálogo acontece
Pais a vida é maior que tarefas domésticas
Paz não está em um almoço servido
Pais vocês também erram
Paz estar em aceitar que errou
Pais a última palavra não é a sua.
Paz é entender que a última palavra não existe.
Imaginação
[XXI]
Me invade com teu carinho ausente
Me persegue com teus rastros inexistentes
Me abraça com teus braços invisíveis
E me beija, como se fosse possível.
ÃME
[XIII]
Eita, que eu queria poder, ter o poder,
De escrever, de transportar o sentimento
Através das palavras
Mas não consigo, fico engasgada
Só de pensar em descrever
Como diria o rei “ como é grande o meu amor, por você”
Frase dita também por Ela
Que deu a luz, a minha luz, que deu a luz, a mim.
Mãe. Seria um anagrama para ame?
Ame tudo aquilo que seja capaz de amar
Ame tudo aquilo que não quer ser amado
Ame tudo aquilo que acha que é não amado
Não existe adjetivo que caracterize
Advérbio de tempo, espaço, lugar...que ajude a entender
Substantivo ou verbo
Não há língua que consiga expressar
Nem aquelas três fúteis palavras.
Enfim
Mãe, é isso
“Só isso”
Apenas,
Mãe.
Não tenho certeza do título
[XXXI]
Minhas mãos se confundem com as suas, em imaginação
É fácil evitar ceder, quando a realidade é tudo que tenho
Por isso que espero a noite, pra cair em desilusão
E me confundir mais uma vez em carinhos que me provenho
E tu nunca vai saber, provavelmente não vai concordar.
Mas não tenho pressa pra ti convencer
Me deleito com a sua incerteza
Na verdade é isso que me faz querer
Inimigo
[XXX]
Tento encontrar meu sentido aqui na vida.
Você já?
Eu não sei. Às vezes me prendo a pensamentos nada confiáveis.
Fico me perguntando o que minha Alma quer.
Percorro mundos, atrás do viés da minha vida.
E tento costurar minhas cicatrizes com minhas mão trêmulas.
E me entorpeço em doses altas de sofrimento
E tento me aliviar em curtidas e compartilhamentos
Imagino, entre minhas quatro paredes meu destino
E choro a luz do dia, buscando algum alívio.
Ainda...
[X]
Gostaria de dizer o que sinto
Mas não consigo
Pois todo louco tem uma dor.
Dor não sentida
Dor não vivida
Ou que jamais será
Mas o “ainda” explica
A ansiedade sentida, dessa dor, que nunca chegará.
Irmã
[XIV]
Só queria poder te abraçar
Dizer que tu é especial
Pois não precisa se preocupar
Tudo vai ficar bem no final
E nós poderemos brindar
O nosso reencontro de almas
Não sei como, mas já te conheci.
Antes de tudo isso aqui.
Por isso nutro em te....
Esse sentimento, tão humano.
Que não vai ser um “eu te amo”,
A transmitir.
Eu
[III]
Eu erro, para aprender
Eu escrevo, para dormir
Eu medito para não me perder
Eu me perco para sumir
Eu atravesso meus próprios mares
Eu me satisfaço com minhas ideias
Eu odeio isso de ideologia
Eu sou minha própria primavera
Não cabe a mim, me compreender
Não cabe a você me entender
Não cabe a mim lhe satisfazer
Não, não é você que vai me corromper
Não me procure em grandes palavras
Não me encontre em bons livros
Não me perca em poesias
Não me beba sem concedimento
Não me queira.
Não me ache.
A arte de se esconder
[XXIX]
Sabe, as pessoas abafam tudo o que sentem.
Por dias e anos da sua vida.
Elas camuflam paixões com medo da dor
Escondem emoções com medo de perder o controle
Guardam um “eu te amo” apenas para amores passageiros
Mas têm vergonha de dizer que ama a um familiar companheiro.
Mas não se preocupe, existe um dia reservado para expressar esses sentimentos.
O dia da morte.
Nesse dia a pessoa traz à superfície tudo que sente.
De repente tornou-se conveniente.
Mas de nada adianta.
Não preciso lhe dizer o porquê.
Mas se você anda preocupado em se esconder
Meus parabéns.
Vai morrer sem ao menos saber viver.
Ainda sobre quem...
[XXVIII]
É engraçada a maneira como você ainda me rouba
Cômico perceber que tu ainda tira minha paz
Saber que tua brincadeira tinha um fundo de verdade
Saber que tudo não passava de vaidade.
E fingir todos os dias, viver de realidade
Eu já não te sinto.
Mas você ainda está presente.
E minha raiva é ainda mais engraçada,
que minha tristeza disfarçada e
minhas falas decoradas.
Mas a verdade é que tu virou fantasma
E eu virei uma vítima.
De coragem, camuflada.