Cidade velha
[XVI]
E se a dor da imortalidade for eterna?
Todas as cores perderiam uma graça suprema
Pois eu desejo não apenas pequenos verões.
Mas toda a graça de uma primavera.
Por mais que você seja ábsono
Lhe desejo o amarelo-outono
E um entardecer de uma cidade velha
Eu no espelho
[XXV]
Queria não sentir minhas dores.
Mas não me permito enxergar além de mim.
Às vezes me cobro para ser eu mesma.
E as vezes volto atrás, sem a certeza do que sou.
Talvez meu mundo paralelo seja melhor
E talvez lá, eu seja mais feliz.
Nutro, cada cena imaginativa com positividade.
Camuflando os pixels da minha realidade
Pois acredito em poucas verdades e algumas mentiras
Seria essa minha sina?
Breve rascunho...
[XV]
Que os tempos futuros, sejam, como os tempos futuros.
Sempre atuais.
Garoto menino
[XXIII]
Garoto menino.
Me diz, qual a sensação?
De me ter. Ou ter meus pensamentos
Me ganha, quando rouba toda minha criatividade
Meus substantivos são seus
Faz, valer a pena, cada artigo que pus antes do teu nome
Corresponde a cada adjetivo que te dou
Seja presente no meu presente imperfeito
E a cada ponto final que ponho, me dê um novo início.
Sane com minhas dúvidas. Quando eu for arguição
Me permita derreter em palavras
E por favor seja meu dicionário de inspiração
Não seja perfeição
Mas também não seja ilusão
Então? Menino garoto, qual a sensação?
É sobre ser só...
[XXVI]
É sobre solidão
É sobre ser só
É sobre dividir
É sobre compartilhar
E se doar para cada mundo amigo
É sobre partilhar cada pedacinho bom meu
E não receber de volta
É sobre entender que tudo tem sua hora
É sobre sofrer um pouco hoje
E chorar um pouco amanhã
E sorrir no fim de um dia, sem perceber
E ficar mal, na sequência
E viver cada dilema.
Sou ela.
[XXVII]
Ela gentil, mas está cansada
Ela mente, mas tem suas razões
Ela chora, mas se esconde
Ela canta, uma canção sobre solidão
Ela rir, enquanto conversa
Ela vive, tentando se sentir completa
Ela procura, seu eu perdido
Ela tem o tom do coração partido
Ela pinta sua vida, com lágrimas em aquarela
Ela cria expectativas e se decepciona, na mesma frequência.
Ela se libera em poemas
Pra esquecer de suas mazelas.
Meu ser gêmeo, sem ser.
[VIII]
Não me sobram palavras para você
Você me enxerga sem abrir os olhos
Me toca mesmo a distância
Seu abraço quente de palavras frias
Seu jeito tão seu, que qualquer ser, arrepia.
Mesmo em um mar nada calmo
Você consegue equilibrar, meu barco.
Mesmo em verões frios, sua primavera, chega antes do outono
Você é meu ser para sempre
Meu eterno ser gêmeo, sem ser.
O verdadeiro dono das minhas palavras bonitas
Mesmo sem admitir
É tu…
Ser em ti
Ser em mim
Um poema para um poema
[VI]
Me sinto mais um vez sufocada
Por um sentimento sufocante
Ardente…
Corre em minhas veias.
Não há nada no mundo que pare.
Preciso, mais que nunca, cair em desilusão.
Me transbordar em palavras.
Ser verbo e substantivo.
Ser adjetivo e artigo.
De mim mesma
De alguém?
Desses versos, com certeza.
Proseando
[II]
Você não se entrega para a vida, a vida se entrega à você.
É inconstante o balançar do corpo, quando a mente não entende e não vê.
Eu tiro os meus dias para poder entender e processar aquilo que nunca foi dito.
E quando a noite cai, o silêncio do grito é audível.
Me considere estúpida. Me chame de imbecil.
Mas não ponha em mim a culpa de ser um pouco viril.
A entrega é constante, como o vento errante, que erra por ser gentil.
Só pra você saber...
[XXIV]
A palavra que eu queria você roubou.
Mas parece que eu não precisava dela.