Proseando
[II]
Você não se entrega para a vida, a vida se entrega à você.
É inconstante o balançar do corpo, quando a mente não entende e não vê.
Eu tiro os meus dias para poder entender e processar aquilo que nunca foi dito.
E quando a noite cai, o silêncio do grito é audível.
Me considere estúpida. Me chame de imbecil.
Mas não ponha em mim a culpa de ser um pouco viril.
A entrega é constante, como o vento errante, que erra por ser gentil.
Breve rascunho...
[XV]
Que os tempos futuros, sejam, como os tempos futuros.
Sempre atuais.
Ex
[XIV]
O que você foi para mim?
Uma mescla de perda de tempo?
Pois tempo fiquei contigo.
Então você foi para mim, uma caixa de minutos?
Mas, o que você foi para mim?
Apenas um tempo vivido? Um passado resolvido?
O que você foi para mim?!
Amante? Amigo?
Apático? Desperdício?
Um nada ambíguo.
Cidade velha
[XVI]
E se a dor da imortalidade for eterna?
Todas as cores perderiam uma graça suprema
Pois eu desejo não apenas pequenos verões.
Mas toda a graça de uma primavera.
Por mais que você seja ábsono
Lhe desejo o amarelo-outono
E um entardecer de uma cidade velha
Meu ser gêmeo, sem ser.
[VIII]
Não me sobram palavras para você
Você me enxerga sem abrir os olhos
Me toca mesmo a distância
Seu abraço quente de palavras frias
Seu jeito tão seu, que qualquer ser, arrepia.
Mesmo em um mar nada calmo
Você consegue equilibrar, meu barco.
Mesmo em verões frios, sua primavera, chega antes do outono
Você é meu ser para sempre
Meu eterno ser gêmeo, sem ser.
O verdadeiro dono das minhas palavras bonitas
Mesmo sem admitir
É tu…
Ser em ti
Ser em mim
Um poema para um poema
[VI]
Me sinto mais um vez sufocada
Por um sentimento sufocante
Ardente…
Corre em minhas veias.
Não há nada no mundo que pare.
Preciso, mais que nunca, cair em desilusão.
Me transbordar em palavras.
Ser verbo e substantivo.
Ser adjetivo e artigo.
De mim mesma
De alguém?
Desses versos, com certeza.
É sobre liberdade...
[V]
Sonhos podem dizer a verdade?
Ou são fugas da realidade?
Será que eles expressam o nosso interior real?
Mas nem tudo pode ser tão literal
Queria eu, que eles fossem um pouco...
O pouco que aliviasse o sufoco....
Sonhos poderiam transbordar para realidade?
Assim não me preocuparia em ser.
Assim não me privaria de ser.
Por que sonhos são livres
São imparciais
São especiais
Liberdade transcendental
Liberdade individual e privada
Sonhos são feitos pela liberdade…
Liberdade presa em mentes individuais.
Lua em escorpião
[XI]
Esperando a profundidade do meu ser invadir
Para deixar registrado em palavras
Toda sensualidade existente na escuridão
Apesar de um coração frio, minha alma queima por dentro
Absorvendo tudo por onde passa
Com a certeza que não sou sua, sou da minha Lua
Que rege todo o meu jeito de me entregar
Pois sei que transbordo, quando meu mar enche
Que minha maré sobe quando minha Lua se aproxima
E aí...Eu nem sou mais minha.
Sinto o fogo da minha alma, queimar toda a razão
Vejo, literalmente eu derreter e ficar no chão
Pois ainda espero alguém
Alguém, que consiga domar
Essa minha Lua em escorpião.
A morada do sol
[XVIII]
Não são os teus olhos que mudaram
A visão amarela do entardecer afetou
A alma da mais pesada pessoa da cidade
Pois a cidade não mudou.
Talvez o sol mereça uma melhor morada
Do que esta, que também é minha casa
Mas não vim para falar de pedras e pessoas
Falo sobre o sentimento.
Aquele que pouco é sentido, sem saber
Mas que afeta, mais que o amarelo entardecer
É a dor de sobreviver
Em uma cidade que não valoriza o ser.
Varanda
[XVII]
ah! Nessa varanda
Inícios de fins
Céus amenos, em dias viris
Casa branca, casa amarela
Veja daqui, formar um bela aquarela
Em tempos nada gentis