A arte de se esconder
[XXIX]
Sabe, as pessoas abafam tudo o que sentem.
Por dias e anos da sua vida.
Elas camuflam paixões com medo da dor
Escondem emoções com medo de perder o controle
Guardam um “eu te amo” apenas para amores passageiros
Mas têm vergonha de dizer que ama a um familiar companheiro.
Mas não se preocupe, existe um dia reservado para expressar esses sentimentos.
O dia da morte.
Nesse dia a pessoa traz à superfície tudo que sente.
De repente tornou-se conveniente.
Mas de nada adianta.
Não preciso lhe dizer o porquê.
Mas se você anda preocupado em se esconder
Meus parabéns.
Vai morrer sem ao menos saber viver.
Sou ela.
[XXVII]
Ela gentil, mas está cansada
Ela mente, mas tem suas razões
Ela chora, mas se esconde
Ela canta, uma canção sobre solidão
Ela rir, enquanto conversa
Ela vive, tentando se sentir completa
Ela procura, seu eu perdido
Ela tem o tom do coração partido
Ela pinta sua vida, com lágrimas em aquarela
Ela cria expectativas e se decepciona, na mesma frequência.
Ela se libera em poemas
Pra esquecer de suas mazelas.
Ainda sobre quem...
[XXVIII]
É engraçada a maneira como você ainda me rouba
Cômico perceber que tu ainda tira minha paz
Saber que tua brincadeira tinha um fundo de verdade
Saber que tudo não passava de vaidade.
E fingir todos os dias, viver de realidade
Eu já não te sinto.
Mas você ainda está presente.
E minha raiva é ainda mais engraçada,
que minha tristeza disfarçada e
minhas falas decoradas.
Mas a verdade é que tu virou fantasma
E eu virei uma vítima.
De coragem, camuflada.
Good News
[XXII]
Me dê boas notícias.
Ou me dê a chance de imaginar elas.
Garota complexa
[XIX]
Essa garota complexa
Não precisa dizer “o que é” ou “o que quer”.
Sua complexidade não precisa de aceitação
Ela se explica, com sua liberdade
Pois, essa garota complexa,
Busca lealdade, até na mais passageira relação
Ser de verdade é algo modesto
E ela adora isso
Veio ao mundo para acontecer, para as pessoas.
E para se mensageira
De mensagens únicas
Já que, vive além da beleza
De ser, essa garota complexa, mas, antes de tudo verdadeira.
Eu no espelho
[XXV]
Queria não sentir minhas dores.
Mas não me permito enxergar além de mim.
Às vezes me cobro para ser eu mesma.
E as vezes volto atrás, sem a certeza do que sou.
Talvez meu mundo paralelo seja melhor
E talvez lá, eu seja mais feliz.
Nutro, cada cena imaginativa com positividade.
Camuflando os pixels da minha realidade
Pois acredito em poucas verdades e algumas mentiras
Seria essa minha sina?
Mundo-coelho
[XX]
Existe uma grandeza, em cada pequeno mundo
E ela que tateia os meus sentidos
Me eleva até as pontas dos pelos
Do mundo-coelho de Sofia
Essa grandeza me acolhe com sabedoria
Me faz querer ser um pouco
Dessa grandeza escondida.
Garoto menino
[XXIII]
Garoto menino.
Me diz, qual a sensação?
De me ter. Ou ter meus pensamentos
Me ganha, quando rouba toda minha criatividade
Meus substantivos são seus
Faz, valer a pena, cada artigo que pus antes do teu nome
Corresponde a cada adjetivo que te dou
Seja presente no meu presente imperfeito
E a cada ponto final que ponho, me dê um novo início.
Sane com minhas dúvidas. Quando eu for arguição
Me permita derreter em palavras
E por favor seja meu dicionário de inspiração
Não seja perfeição
Mas também não seja ilusão
Então? Menino garoto, qual a sensação?
Minhas regras
[XII]
Nem tudo que você vê, vai ser maestro da sua vida
Nem tudo que você vê, vai interferir na sua vida
Nem tudo que eles dizem é correto
Nem tudo que eles falam é verdade concreta e imutável
Porque nem tudo que você vê, tem que discordar.
Mas também, nem tudo, você tem que concordar
Por que você pode escolher suas guerras.
Você pode escolher ganhar as batalhas corretas.
Você pode nem precisar participar delas
Basta escolher....
Sim...?
[VII]
Não me dê estrelas, quando eu quero a lua
Não me dê a lua, quando se têm constelações
Não me permita ser o que não sou
Não se espante com meu coração gelado
Não se assuste com meu repentino calor
Não fuja da intensidade do meu amor
Não me queira como investigado
Não me olhe como se fosse o fim
Não me olhe quando digo um não
Não me busque na superfície
Não me procure quando eu sumir
Não apareça se eu não chamar
Não me escute, se quiser me amar.