Lista de Poemas

Falso

Enganos e mal entendidos
É disso que a minha vida é feita
Foi assim que minha história foi criada
Só me resta agora conviver com isso

Não consigo mais olhar ao meu redor
Sem pensar em como consegui isso tudo
Falácias e mentiras
Tudo feito sem nenhum pudor

Acho que sempre fui assim
Uma pessoa por si e mais ninguém
Vivendo tudo numa distopia social
Enganando a todos… Sem nenhum porém

Passo por agora o horror desses momentos
A máxima de minhas fraudes
Uma por uma, é assim que me atormento
Pois tudo que ganhei com isso foi essa ilusão

Breves felicidades, curtos ganhos
Tudo desabou com esses poucos sustentos
Sobraram as sombras do que eu era
Reflexos do que me fazia ser

Quem chega nesse ponto sabe muito bem
Não há volta, não há reparo
Não adianta o desespero e o lamento
Tudo foi feito, tudo foi falso

Recomeçar de novo é o que resta?
Mas quem poderia estender a mão?
Quem ajudaria o mais mefítico dos demônios?
Se até deus o abandonara…

Tão pouco perdão há nesse mundo
Quão presunçoso seria pensar em ter algum?
Nem mesmo eu me permitiria ter
Pelo menos com isso serei honesto…
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Destino

Contemplando essa imagem áurea
De algo improvável, inconsequente
Uma possibilidade de um universo descontente 
Pois é do destino, visão que muito me assola
Mas que há pouco num pequeno gesto
Agora me abraça, num ato caótico e expresso
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Mudança

Que sentimento é esse
Sensaçao de algo novo vindo 
Algo que muda tudo impetuosamente
Tudo que eu conheci, virando rastros do passado

Talvez não esteja preparado para isso
Mas é o que me resta 
Mudar com a mudança
Conservando somente meu desejo 

A mudança pode vir, pode levar tudo
Ela vai vir sim com esse parecer novo
Mudará o meu redor e meu interior
Mas nunca irá mudar meu Eu 

Serei estagnado sim
Nos meus valores latentes 
De não poder ver o injusto praticado
De não aceitar essa gente que com a mudança se brinca 
De não suportar esse mundo que no conforto da constância permanece 

Transforme, mude e se desenvolva sem medo
Olhe para trás, recorde e relembre do seu espírito sem preconceito 
Com a mudança temos que ter o novo mas sem sepultar o velho
Com a mudança mudaremos para o que é certo
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Voto Constrito

Já estou partindo, assim, caminhando
Para o lugar onde exerço meu direito
A dádiva base dessa tal república
A tão falada faculdade do votar

Escolhi meu senhor, o homem certo
O homem sem erro, um homem correto
Esse é meu senhor a quem vou dar meu voto

Caridoso, me permitiu criar meu espaço
Tem boa memória, sabe bem onde eu moro
Também é um amigo, ajuda mais que um Ácoro

Escolhi meu senhor
Ele gosta de gente de palavra
Por isso me escolheu
Porque sabe que eu não volto com ela
Votarei nele sim, pois o resto é balela

Todos votam certo, sem olhar para trás
Pois sem meu senhor no topo a gente não vive!
Somos dependentes dele, desse homem respeitoso

Voltarei para minha casa já que terminei de votar
Meu senhor veio me cumprimentar, estranho
Sempre atarefado mas veio gastar seus segundos comigo
Que senhor bondoso, falei a quem dei meu voto com um grande sorriso!
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Passos

À beira do vazio
Um lugar ou uma ideia
Destinado aos destinados
Sem tempo, sem areia

Cada passo é um momento
Nada previsto, nada criado
No lapso do vazio ao existente
Não se sabe se aquilo foi presente

Incertezas, desconfianças
Prendendo nossas gastas solas
Esperança e liberdade
Somente no que se faz pleno a nulidade

Assim são feitas as constantes
Adjuntas ao mutável
Transformando o nosso meio
Num futuro complexo, imaginário

Tudo foi sim premeditado
Portanto, como não existe seu desejo?
Nesses ramos sem fim vislumbrado
Dessa gloriosa árvore do destino
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Memórias

Revivendo o passado
De novo, o novamente
Num passo quase que constate
Infectando minha mente

Esse momento se repete
Não consigo esquecer
Assim como tantos outros
O que me resta é lamentar, sofrer

Memórias para que?
Se nelas só mostram o repugno do meu ser
Eu só queria entender
Que castigo é esse de me fazer rever?

Não há nada de bom
Pois este conceito está nublado
Na minha consciência que só vê o errado
Na minha cabeça que não larga o passado

Não quero mais essa amargura
Não preciso mais dessa nostalgia
Quero criar algo novo
Por mais que seja assim, efêmera 

Iluminarei esse vazio
Talvez ache algo que me prenda
Algo que de vez me salve
Algo que me faça parar de lamentar

Não irei cair nessa
De vez já me perdi no sombrio
Não há barganha que me tire desse eco

Já está tudo corrompido
Minhas lembranças, minhas memórias
Sim, meu tempo vivido 

Não terei nada do que reclamar
Se por fim, eu de nada fazer
Nenhum erro a cometer

Essa será minha memória
Uma esperança virgem
Que há tempos se converteu
Para um conceito pútrido 
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Saber

Sabe disso? E daquilo?
Sabe como vai ser?
Sabe o por quê?


A vida é feita do saber
Pois quanto mais a gente sabe,
Mas sabemos o que é o viver

Você não sabia?
Você ainda não sabe?
Ainda mais nessa sua idade?

Você já deve ter ouvido,
Já deveria ter aprendido
Já deveria ter entendido
Como consegue seguir assim,
Sem esse importante conhecimento?

Acho que me exaltei, a vida não é só o saber
Pois quanto mais você se empenha para entender 
Menos vive sua vida,  a única graça dada a você
Pois agora foi toda gasta nessa grande busca pelo saber
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O que tenho a dizer?

Por que começar a escrever?
O que mais tenho a dizer?
Sendo essas palavras, sem sentido
Não tendo nada por si contido

Não sei mais o que fazer
Nada mais a tecer
Compreendendo por um único momento
Um flash de objetivo

Por que continuo a indagar?
Sendo também o questionar
Esse vazio a afirmar
E nada mais a dizer

Com o pressuposto de resolver
Tal quebra-cabeça sem nem poder
Tê-lo então concluído
Por que não parar?

Quando terminei de escrever?
Percebo que tinha algo a dizer
Que naquelas Palavras sem sentido
Havia a essência de algo por si perdido

Desculpe…
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Vida

A vida é algo estranho não é?
Está a nossa volta, está sempre com a gente
Somos exemplos dela, seres viventes

Algo belo, fascinante
Aparece de várias formas, de várias maneiras
A vida é assim, algo quase inerente

Quase por quê? Pois bem eu lhe falo
Ela pode não ser tão duradoura
Tão pouco respeitosa
Ela vai e vem, ela é mesmo uma figura

Há quem adora a vida
Há também os que abominam
E no meio desses dois lados
Também há os que só a contemplam

Pois essa é a vida, sem alma e nem corpo
Sem coração, sem pensamentos
Pois não é a vida que faz a vida
Confuso isso? Calma que eu já te conto

Somos nós que pesamos a vida
Nós mesmos que a condecoramos
Com cada detalhe, conforme a vivemos

A vida não é injusta, nós que somos
Pois a gente que faz ela, sem coro e sem respeito
“A vida então como ela é, apenas dá o troco”
Não, não meu amigo… Nós que a indispomos

Pois a vida é estranha
Ela pode vir até mesmo aos mais tolos
Mas de nada posso culpar algo assim
A vida é mesmo fantasiosa...
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Dependência

Nossa, minha nossa
O que eu farei agora?

Tão perdido, tão perdido
Acho que estou enlouquecendo

O que eu faço, sério, o que eu faço?
Não percebe o tamanho desse estrago

Agora já era, não dá mais
Aliás dá sim,
Por favor me deixe me levar um pouco mais

Um pouco mais de quê? Ainda pergunta isso?
Você sabe muito bem qual é o vício!

Então por favor, por favor…
Nesse caso, se aproxime mais um pouco
Sim, sem nenhum pavor

Mas o que? Ainda não percebe?
Está na minha frente, sim acontece…

Não te disse antes? Que é você a quem eu também dependo?
Sim, isso mesmo… essa é minha outra adição, meu único caso

Pois estar com você vale mais que qualquer outro ofício
É melhor assim, do que ter que me recorrer àquele vício...
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