Só a Ti te Amei
Só a ti te amei como a mais ninguém,
E vivo de e para ti apenas chorando,
Chorando só em silêncio por alguém,
Que tanto desejei chamar implorando.
Só a ti te amei louco cheio de paixão,
O quanto eu amei-a meu bom Deus,
Não sei se resisto à tua doce tentação,
Não te quero nunca vir a dizer adeus.
Só a ti te amei minha quimera divina,
Cantar-te em versos em bela sinfonia,
És sol que me acalenta minha heroína,
A paixão toda que te guardo em volúpia.
Só tu verdadeiramente contas afinal,
Nem a minha vida alguma coisa vale,
Quando rumarmos os dois ao teu sinal.
Só tu efectivamente me interessas,
Dar-te-ia feliz a vida por um beijo teu,
E abraços apertados como premissas.
Só Tu e Eu – Parte II
Só Tu e Eu recordaremos aquele doce beijo tão ansiado,
Descansaríamos nos braços um do outro eternamente,
A melancolia exacerbada que nasceu da nossa paixão,
Por nela estarmos loucamente perdidos de comoção,
Só Tu e Eu nos entregaremos um ao outro em pura magia,
Por aquele tão grande nosso Amor impar de fiel perdição.
Não quero abdicar nunca em sonhar este jubileu do amor,
Para quando ansiosos realizar estes desejos recalcados.
Só tu e eu imbuídos no calor dos nossos corpos profanados,
Consumidos em fogo ardente na nossa cega paixão imensa,
Não te quero perder nunca nem os teus afectos perfumados,
Não te quero largar nunca minha estimada solene aventura.
Só Tu e Eu em eterna comunhão partilhamos benevolência,
Estou dependente deste anseio por ti que me consome,
Este amor implícito discricionário por nós não consumado,
Sonho pendente que me aquece aqui perdido nas sombras.
Nos Teus Lábios
Nos teus lábios sábios procuro a paz serena,
E não consigo ocultar mais essa minha vontade,
Doces beijos dados por amor em tarde amena,
Num qualquer jardim em flor em tua bondade.
Nos teus doces lábios mato meu são desejo,
Exaltando no teu peito cortês o mistério do amor,
Entre todas as mulheres gentis só a ti cortejo,
Glorificando tua beleza flamejante com primor.
Nos teus mélicos lábios me quero perder,
Sem esconder na minha alma tão inquieta,
O medo destemido de por ti me ensandecer.
Nos teus ternos lábios onde nasceu o amor,
Que transbordam com tuas palavras benditas,
Que derramam o teu beijar cheio de esplendor.
Perco-me Sem Ti
Perco-me sem ti minha amada,
Já sinto a escuridão a chamar,
Pela minha longa madrugada,
Desgostoso por não te desfrutar.
Perco-me sem ti meu amor,
A ânsia sôfrega pelo teu peito,
Que me deixa em pleno rubor,
À tua espera em nosso leito.
Perco-me sem ti a mais querida,
Não subsisto sem a tua doce beleza,
Tão bem em espírito retratada e mantida,
Que emanas curando a minha fraqueza.
Perco-me sem ti minha adorada,
Vejo-te passar nas altas nuvens,
E matar-me a sede alucinada,
Em gotas de chuva de parabéns.
Serei Sempre Teu
Serei para todo o sempre teu,
No esquecimento dos tempos,
Só levarei o teu amor meu,
Pelo horizonte de eventos.
Serei eternamente sempre teu,
Quando o destino te roubar de mim,
E a tristeza cair escura como breu,
No meu bobo coração de arlequim.
Serei o único vero somente teu,
És o meu consolo no desalento,
Criei-te etérea em pleno apogeu,
Para encheres meu pensamento.
Serei permanente amor teu,
Quase que te consigo tocar,
És um trágico segredo meu,
Desejo fatal na alma a crepitar.
Senti-me Despido
Eu senti-me despido hoje à tua frente,
Ulteriormente declarar-me-ei rendido.
Tacitamente por ti sofro demente,
Enquanto bailas para mim tal cupido.
Algures em meu ledo coração tocaste,
Maior desejo ainda por ti me soltaste,
Ondulas em meu pensar que esmiuçaste.
Anos sem fim à tua espera sofri,
Muito tempo no deserto percorri,
Intenso fogo invadiu meu coração,
Gozei sempre triste o que perdi,
Anos e anos somente só sem ti.
(Acróstico)
Desejos Vãos
Como te queria tocar só uma vez mais,
Certificar que me amas ao meu leve toque,
Não há mais certezas nenhumas no mundo,
Do que a resposta a um tocar desejado.
Como te queria amar toda a noite,
E também durante todo o dia a sós,
Só ouvindo juras de amor perpétuas,
E o teu respirar ofegante sentido.
Como te queria beijar encantado,
Extasiado de prazer incontrolado,
Afastavas-lhe e face uma vez,
E depois logo mo suplicavas.
Como te queria amar eternamente,
Nem que para isso morresse um dia,
E te levasse saudosa no pensamento,
À boleia do teu doce último sorriso.
Como te queria para sempre comigo,
Mas não passa dum desejo absurdo,
As nossas vidas desencontraram-se,
E logo mas logo virão as despedidas.
Como te quero lembrar sempre,
No meu coração desocupado,
Fecharei a sua porta à chave,
E guardarei nele o meu amor achado.
Como não quero ter mais saudades,
Preencherei a minha ansiedade de ti,
Inspiro bebendo das tuas palavras,
Ai as vezes sem conta que as reli.
Como te queria aqui comigo,
Só ficar a contemplar-te,
Nem mais nem menos,
Do que só ser feliz.
Como te desejo meu amor,
Chega a doer de ser tanto,
Nunca abdicarei de ti,
Nem do teu calor.
Como não te posso possuir,
Resta-me o desejo ardente,
De te satisfazer nos meus braços,
Até à exaustão do amor por ti.
Como foge a tua lembrança,
Sem corpo nu para adorar,
Sem palavras tuas suspiradas,
Ao meu ouvido só reveladas.
Como és bela e adorável,
Rejubilas à tua passagem,
Entonteces-me os sentidos,
Acendes-me os desejos.
Como és bela minha querida,
Quando por ti tenho anseios,
Procuro-te a olhar as estrelas,
Para confortar a alma carecida.
Como és ternurenta amada,
Iluminas-me o árduo caminho,
Que me levará o pensar,
Ao teu corpo alvo de fada.
Ensinaste-me a Amar
Foste tu que me ensinaste a amar,
Num certo escuro dia frio de Inverno,
Bastou-me apenas o teu simples olhar,
Para teres meu coração teu subalterno.
Foste tu que me ensinaste a amar,
Com a tua pele macia angelical,
Sonho nela a minha mão pousar,
Desfrutar do teu prazer carnal.
Foste tu que me ensinaste a amar,
Apenas e só tu me encantaste,
Como adorei sempre te cortejar,
És pura paixão e amor sem contraste.
Foste tu que me ensinaste a amar,
O amor que surgiu em mim de rompante,
Só me fez somente querer-te agradar,
Todos os dias da minha vida restante.
Foste tu que me ensinaste a amar,
Pois não conhecia o seu sentido,
A única que me fez querer ousar,
Conseguir conquistar-te incontido.
Partida Para o Além
Partirei num certo dia igual,
Invocando a magia da vida,
Esquecerei a percepção dual,
E a solução final desavinda.
Partirei com o sonho mitigado,
Percursor do meu discernimento,
Fui vitima do anseio malfadado,
Louvado o meu desprendimento.
Partirei só, extinto e morto,
Sem remorsos à partida,
Desaparecido sem porto,
Liberto das agruras da vida.
Partirei vazio de alma,
Só ficará o meu fantoche,
A minha dor não me salva,
Mergulhado no deboche.
Lisboa, 30-10-2013
O Troar Do Último Fôlego
O desmoronar da insípida vida já chegou,
No meio intersticial insalubre onde vingou,
Troaram os canhões da verdade bem alto,
Ecoaram derradeiros ao desmontar o palco.
Ópio em que se tornou o simples respirar,
Na taciturna noite em que me deixei resvalar,
Embutido no tédio da oca imensidão vazia,
De que eu julguei ter emergido um certo dia.
O unanimismo das incongruências ilógicas,
Presenteiam-me a pobre mente desfalcada,
Num último adeus prostrado sem mágicas,
Onde padeço a mítica alma consumada.
Os sentidos desvanecem feridos de morte,
A memória escapa-se evaporada num suspiro,
Tudo deixou de fazer sentido e sem norte,
O alívio que emano nas trevas que inspiro.
Lisboa, 12-10-2013