Falsa ilusão em que mergulhei,
Terei eu a humildade dos mestres,
Para reequacionar o sentido da vida,
Há tão pouco tempo julgado desvendado,
E novamente e sempre posto em causa,
Na sua essência tangente mais viral.
Falsa modéstia que me encheu a alma,
Orgulhosamente só julguei perscrutar,
O silêncio da transumância cósmica,
Que me sufocou de presunção alienada,
Não me serviu de nada a luz epifania,
Que um dia julguei ter em mim incidido.
Falsa ausência de arrogância que esconjuro,
A maldição da indiferença absorta que instaurei,
A noção do ridículo que me absorve de comoção,
As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam,
As noites mágicas transcendentes que idealizei,
Para morrerem na infinidade das probabilidades.
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“ Poesia Eterna Parte II”
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“ Amor Eterno - Antologia Poética”
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“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
Partirei num certo dia igual,
Invocando a magia da vida,
Esquecerei a percepção dual,
E a solução final desavinda.
Partirei com o sonho mitigado,
Percursor do meu discernimento,
Fui vitima do anseio malfadado,
Louvado o meu desprendimento.
Partirei só, extinto e morto,
Sem remorsos à partida,
Desaparecido sem porto,
Liberto das agruras da vida.
Partirei vazio de alma,
Só ficará o meu fantoche,
A minha dor não me salva,
Mergulhado no deboche.
Lisboa, 30-10-2013
449
Isto é o Fim
Visto tudo é o fim,
Sem adeus algum,
Sem choros nem lágrimas,
Só o regozijar da alvorada,
Na despedida suspirada.
Levo-te só a ti apenas,
Na minha lembrança,
Dos sonhos que povoei,
Com a tua doçura,
Em bonança.
Ilusão descomprometida,
Que me compôs o coração,
Em noites turbulentas,
De ausência de paixão,
Sem guarida.
Lisboa, 2-11-2013
416
O Troar Do Último Fôlego
O desmoronar da insípida vida já chegou,
No meio intersticial insalubre onde vingou,
Troaram os canhões da verdade bem alto,
Ecoaram derradeiros ao desmontar o palco.
Ópio em que se tornou o simples respirar,
Na taciturna noite em que me deixei resvalar,
Embutido no tédio da oca imensidão vazia,
De que eu julguei ter emergido um certo dia.
O unanimismo das incongruências ilógicas,
Presenteiam-me a pobre mente desfalcada,
Num último adeus prostrado sem mágicas,
Onde padeço a mítica alma consumada.
Os sentidos desvanecem feridos de morte,
A memória escapa-se evaporada num suspiro,
Tudo deixou de fazer sentido e sem norte,
O alívio que emano nas trevas que inspiro.
Lisboa, 12-10-2013
438
Estou
Estou somente estando,
Por aqui andando,
Sem qualquer espanto,
Até quando.
Estou tão distante,
Tão puro divagante,
Viagem estonteante,
Eu que viajei adiante.
Estou sem estar,
Perdido ao andar,
Por caminhos vagos,
De corações dilacerados.
Estou à espera de ninguém,
De olhar vazio petrificado,
Passam perto tão distantes,
E eu aqui desfocado do bem.
Lisboa, 9-10-2013
482
Tenho Frio
Fiquei ao acaso entregue,
Ao destino abandonado,
Tenho tanto frio meu amor,
Embala-me no teu afago.
Condoído no desgosto,
Do nosso desencontro,
Tão desafortunado,
Num mito enregelado.
Sinto o frio do desamparo,
E só das tuas saudades,
Do sorriso com que ontem,
Me enfeitiçaste de harmonia.
Eu para aqui largado,
Só à tua espera,
Sonho acordado,
Na tua quimera.
Lisboa, 2-11-2013
519
Fatalidades
Fatalidade em que se tornou o meu destino,
Desavindo na plenitude da alma austera,
Vã procura de amor e carinho no divino,
Esquecidos na fundura duma cratera.
Fatalidade das águas do rio a correrem,
Pacientes a correr na sua previsibilidade,
Tão belas as águas cristalinas não saberem,
A desesperança da minha inútil saudade.
Fatalidade da beleza que emanas sem querer,
Aprofundadamente subtil de tons alternados,
Enfeitiçaste as nuvens do céu sem antever,
E elas abençoaram os desertos afortunados.
Fatalidade do longo caminho a percorrer,
Aos tropeções inebriado na cúpula do sentir,
Solitário na amargura do meu derradeiro ser,
Prescrito ao sabor da inocência ao me extinguir.
Lisboa, 30-9-2013
521
Soturna Noite
A longa noite mal iluminada,
Onde cerrei os olhos cansados,
Já ia longa a madrugada,
E eles ainda molhados.
A noite que me viu nascer,
Onde retorno todos os dias,
Faz-me lembrar as núpcias,
Quando nela vier a morrer.
A noite onde perscruto a paz,
No silêncio que me induz idolatrado,
Acaricia-me prostrado e fugaz,
O sono chega finalmente apressado.
A última noite esbatida eterna,
A grande ausência de sombra,
A longa solidão em mim tão terna,
Envolto em perene penumbra.
Lisboa, 26-9-2013
632
Irrelevância Contida
Irrelevante em absoluto eu sou,
Chacinado pela inconstância,
O enfado que o meu andar pisou,
Foi infeliz mera circunstância.
Quando nos deparamos com o vazio,
Da essência desmaterializada ao ínfimo,
E nos deparamos com o afundar do navio,
Na falência incrédula do ideal homónimo.
A vetusta pequenez do nosso orgulho,
Que nos alimenta com nada o nosso ego,
Resta-nos no indesejado último mergulho,
Que nos venham pregar o derradeiro prego.
Sou tão pequenino pois sou,
Irei para donde vim é certo,
O tempo à minha passagem soçobrou,
Acabando assim finalmente o incerto.
Lisboa, 27-9-2013
515
Fim Da Linha
O fim da linha alcançado,
O rosto da condição humana desvendado,
A viagem ulterior desmarcada,
O livro maldito incendiado,
A verdade desencontrada,
A vontade ludibriada.
O engano que é viver,
Ficou descoberto,
A trama a tecer,
Ficará em aberto,
Só no morrer,
Serei completo.
A voz tresmalhada despontou,
Por entre palavras soltas,
O meu coração falou,
Coisas loucas,
A criança em mim chorou,
Como poucas.
Lisboa, 27-9-2013
566
Serei Eu
Sou infeliz inacabado,
Deserdado de amor,
Alma inculta desavinda,
No meu coração desocupado,
Entregue apenas à austera dor,
Serei Eu ainda?
Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.