Falsa ilusão em que mergulhei, Terei eu a humildade dos mestres, Para reequacionar o sentido da vida, Há tão pouco tempo julgado desvendado, E novamente e sempre posto em causa, Na sua essência tangente mais viral.
Falsa modéstia que me encheu a alma, Orgulhosamente só julguei perscrutar, O silêncio da transumância cósmica, Que me sufocou de presunção alienada, Não me serviu de nada a luz epifania, Que um dia julguei ter em mim incidido.
Falsa ausência de arrogância que esconjuro, A maldição da indiferença absorta que instaurei, A noção do ridículo que me absorve de comoção, As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam, As noites mágicas transcendentes que idealizei, Para morrerem na infinidade das probabilidades.
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“ Poesia Eterna Parte II”
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“ Amor Eterno - Antologia Poética”
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“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
Quando o irreal se confunde na mente submissa, São os duendes que soltamos no jardim de cristal, Quando sondamos o ideal roxo de beleza mistral, São os mistérios devolutos retratados em missal, As frias noites mágicas na longínqua lua Larissa.
Quando a magia nasce em nós primogénitos, Ao mero sabor das lágrimas caídas de espanto, Quando indiciávamos tanta alegria entretanto, Caindo inglórios almejando o libertário manto, Enredados por caminhos sórdidos e estreitos.
Quando a luz nos caiu aos pés lacerados, De tanto procurar o espirito encoberto, Quando a ilusão se perdeu no deserto, Ao ver a alma partir para estado incerto, A varinha de condão partira-se aos bocados.
A magia que vivia em mim morreu, Na minha criança desassossegada.
Lisboa, 9-9-2013
498
Órfão De Amor
Divagava dissonante nas suas contrariedades, Olhava de soslaio na penumbra com receios, Jogava às vidas dos outros nas suas variedades, Questionava a sua má sorte nos seus anseios.
Exorcizava o vazio nas suas mágoas deleitosas, Deambulava enfastiado em sordidez mesquinha, Chorava grandes odes sumidas desgostosas, Equacionava os entraves da solidão picuinha.
Deleitava-se desconfiante na sombra larga, Regozijava-se na incredibilidade do destino, Desamparado e tão mal-amado à ilharga, Soçobrava desalinhado mas tão cristalino.
Lisonjeado ficava pelo tempo ver passar, Dorido com as suas limitações afectivas, Ansiava correr de mãos dadas sem cessar, Receber os teus doces beijos em dádivas.
Lisboa, 27-8-2013
492
Isto é o Fim
Será isto o fim? A minha visão turva da realidade, As crianças todas sem mães, A insustentável cruel caminhada, O romance atrozmente assassinado, A torrente de lava a esventrar, Os corpos a definharem sós, O perpétuo sonho submisso, A inimaginável dor omissa, As valas abertas não reclamadas, O desejado além desmoronado, As inconfidências mal julgadas, A implosão dos sonhos almejados, A imortalidade da ausência de sentido, O inflectir irreversível da vida, O triunfo do esquecimento, O exaltar dos espaços infinitos, O telúrico caos quântico final, O extinto amor trespassado, A consciência ausente eternamente.
Lisboa, 27-8-2013
498
Possessividade
Para L./F.B.
Quero possuir-te literalmente pura e simples, Navegar ao sabor das curvas no teu corpo nu, Sentir o desejo da carne febrilmente apelativa, Esquadrinhar o teu revestimento de peles, Saborear os teus odores quentes a cacau, Escondidos no doce da tua boca de diva.
Quero-te só minha no teu sublime esplendor, Minha querida confidente estremunhada, Entrar consolante nos teus sonhos inviáveis, Rir juntos do caricato perfilhado com louvor, Partilhar a nossa fuga evasiva em debandada, Prometer-te juras de amor eterno inteligíveis.
Quero-te escondida do resto mundo cobiçador, Profanar as entranhas castas de prazer animal, Chamar louca e repetidamente apenas por ti, Descansar no teu quente regaço apaziguador, Aproveitar a tua áurea na minha vida minimal, Foste a única a chorar no dia em que parti.
Lisboa, 5-9-2013
514
Incerteza Crónica
A ausência de dúvidas que me profanou o espírito indigente, Fiquei à mercê do impagável preço da ignorância dúbia, Que se instalou indelevelmente no âmago do meu ser, A incerteza do meu desentendimento das suposições.
Mas eu vi em mim as transmutações imateriais, Que se desenrolaram no hipocampo do inverosímil, Quando atravessei a última fronteira do efémero, Onde espalhei o meu discernimento enviesado, Atulhado de idiossincrasias falidas de qualquer lógica, Onde naveguei perdido à tona afogado na grande ilusão.
Sim eu ouvi o derradeiro falseado chamamento, Dos confins da torpe arbitrariedade sensorial, Que caminhando sem rumo nem qualquer esperança, Insinuando tropegamente a exaustão da ausência absoluta, Que nos espera indubitavelmente no purgatório do esquecimento, Faz assim jus ao seu temperamento frio e oco de imortalidade.
Lisboa, 27-8-2013
467
Até Quando II
Até quando o calma que emanas, Até quando. Até quando o teu rico esplendor, Até quando. Até quando aquele abraço chegado, Até quando. Até quando o teu sorriso melado, Até quando. Até quando a clausura sensorial, Até quando. Até quando a tua longa viagem, Até quando. Até quando por ti enamorado, Até quando. Até quando preso na tua inocência, Até quando. Até quando não me vires chamar, Até quando. Até quando contigo não me levares, Até quando. Até quando eu para aqui largado, Até quando, Onde paras tu? Meu cisne branco enlutado.
Lisboa, 16-8-2013
537
Exorcizai-me
Exorcizai-me dos meus pensamentos impuros, Exorcizai-me dos meus espectros malignos, Exorcizai-me dos abismos em que me perdi, Exorcizai-me dos gritos sofridos lancinantes, Exorcizai-me das vis tentações carnais, Exorcizai-me da alma chorada em chaga, Exorcizai-me dos demónios do existir, Exorcizai-me do inútil corpo falido, Exorcizai-me dos pesadelos genocidas, Exorcizai-me da mente enlouquecida, Exorcizai-me dos fantasmas que me habitam, Exorcizai-me da vida empolada em que morri, Exorcizai-me da sineta lúgubre que sempre ouvi, Exorcizai-me da indigência mental de que padeci, Exorcizai-me de todos os anjos da minha guarda, Exorcizai-me da busca de perguntas sem respostas, Exorcizai-me do vosso edílico jardim de enganos, Exorcizai-me do impoluto mas execrado iconoclasta, Exorcizai-me da moral e bons costumes profanados, Exorcizai-me finalmente e por fim também de Mim.
Lx, 31-7-2013
481
A Verdade Do Pensamento Inapto
O senso comum que transparece no correr dos anos, Galgando margens anteriormente intransponíveis, Emergindo num turbilhão de abstracções inverosímeis, Destacando-se na apreensão do inatingível evasivo, Que percorre intemporalmente as nossas almas errantes, Percorrendo por abismos insensatos e alienatórios, Encerrados na escuridão da ignorância absorta, Libertados doravante pela extinção da percepção ignota, Viajando no interior do âmago do entendimento elementar, Que assaz vive intrinsecamente ao nosso redor embutido, Perdido na fonte do pensamento puro que emana imortal, Gloriosamente alcançado e infielmente esquecido, Quando a razão do imperceptível surge em áurea luz, Que invade indelevelmente o espirito agora enaltecido, Que ficou associado eternamente ao Cosmos etéreo, Como parte integrante por direito e dele indissociável, A verdade que procuramos incessantemente vive em nós, No fundo da mente mais jocosa, exígua ou inebriante, Basta procurá-la afincadamente no fundo tortuoso e vazio, Que habita em nós e deixá-la florescer em terna alva luz.
Lx, 31-7-2013
576
Perdidos na Irrelevância
Perdidos ao acordar estremunhados, Na irrelevância quântica suspirada, Que navega em mares afogados, Arriados da essência imaculada.
Perdidos no frio do fim do caminho, Tão longo tortuoso e demorado, Que tentamos almejar em vão, Em longos anos isentos de carinho, Ignorando quando estar acabado, Ansiosos por lhes darem a mão.
Perdidos na magnitude do tropel, Em que vagueamos desligados, Todos os dias em demandada, Esquecidos do nosso papel, Dos dias límpidos perfumados, Da alegria nunca encontrada.
Lx, 31-7-2013
508
Sentir a Vida
Sentir a vida a escapar incomensurável, Vê-la desaparecer aos poucos bramindo, Ora devagarinho como o Sol a pôr-se, Ora mais apressadamente como o vento irado, Senti-la sair de mim em espasmos de espanto, Ao sabor do bater dum coração alado, Esvaindo-se no meu sangue derramado, De vermelho sublinhado e impuro torpor, Imiscuo-me na ardência da sua volatilidade, Ritmada e consequentemente inabalável, No seu estreito caminho para a perdição, A vida que ousou viver em mim está morta, Um nado morto abstruso que me habita, Deambula nua pelo meu corpo prostrado, Vinca as rugas na minha face trancada, Augura a minha degenerescência total, A falência do dueto Corpo-Alma inacabado, A vida delirante que me assiste o pensar frustrado, Sinto-a a despedaçar-se no muro que me envolve, Aconchega-me misericordiosa o garrote ao pescoço, Tão gentilmente e meiga ela me aconchega no fim, Quando dá o supremo acto fatídico por terminado.
Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.
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