Falsa ilusão em que mergulhei,
Terei eu a humildade dos mestres,
Para reequacionar o sentido da vida,
Há tão pouco tempo julgado desvendado,
E novamente e sempre posto em causa,
Na sua essência tangente mais viral.
Falsa modéstia que me encheu a alma,
Orgulhosamente só julguei perscrutar,
O silêncio da transumância cósmica,
Que me sufocou de presunção alienada,
Não me serviu de nada a luz epifania,
Que um dia julguei ter em mim incidido.
Falsa ausência de arrogância que esconjuro,
A maldição da indiferença absorta que instaurei,
A noção do ridículo que me absorve de comoção,
As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam,
As noites mágicas transcendentes que idealizei,
Para morrerem na infinidade das probabilidades.
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Reservados Todos os Direitos de Autor
“ Poesia Eterna Parte II”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1311039031514
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
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“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
Dissequei a alma aos bocados,
E nada sobrou,
Procurei desesperançado,
E nada ficou,
Sonhei com flores frondosas,
E todas murcharam,
Naveguei por mares agitados,
E eles serenaram,
Fugi da vida inteira,
E ela partiu,
Viajei ao meu interior,
E reflecti,
Melancolicamente embevecido indaguei,
E nada encontrei,
Desejei ousar o mundo,
E eu aqui encarcerado,
As nuvens sorriram-me alegres,
E eram apenas miragem,
As estrelas ao alto piscavam,
E eu em espanto serenei.
Lisboa, 27-9-2013
584
A Teia
A teia onde me emaranhei,
Numa floresta de enganos,
Onde a memória incendiei,
À sombra dum velho plátano.
A teia da vida que se me escapou,
Depauperada de extremos convictos,
Fez-me naufrago, não me poupou,
Vivo deserto sem quaisquer méritos.
A teia de que me tentei libertar,
Era afinal a razão do meu ser,
O mundo vil que ousava tentar,
Defendia-me do meu anoitecer.
A teia onde enredei a paixão,
Loucuras destemidas recriadas,
A espera gargântua do caixão,
De exangues dores primadas.
Lisboa, 26-9-2013
571
Só Hoje Querida
Para L./FB
Afaga-me bem apertadinho,
Só hoje.
Beija-me muito e de seguida,
Só hoje.
Fala-me de coisas só nossas,
Só hoje.
Ri-te compassiva para mim,
Só hoje.
Ilumina a minha longa noite,
Só hoje.
Sê a minha alma gémea,
Só hoje.
Unamo-nos ambivalentes,
Só hoje.
Sussurra-me ao ouvido,
Só hoje.
Meiga-me muito, muito,
Só hoje.
O dia em que tombarei de vez,
E partirei perpetuamente esmorecido.
Lisboa, 21-9-2013
562
Acordar
Acordei uma vez mais,
Desimpedido de viver,
Deambulei incrédulo,
Ao sabor do tempo,
Do meu arcar.
Acordar até quando,
Definhando impotente,
Mergulhado em mar alto,
Ao sabor da corrente,
Do meu fado.
Acordar devagar,
Aos bocadinhos,
Para não estranhar,
O bulício recorrente,
Dos meus suplícios.
O derradeiro acordar derramado chegará sucinto…
Bem-vindo.
Lisboa, 21-9-2013
557
Agnóstico Fractal
Não acredito no paraíso bom,
Não acredito no mal infernal,
Não acredito na verdade absoluta,
Não acredito na mentira poluta,
Não acredito em vós,
Não acredito em mim,
Não acredito no autor,
Não acredito no crítico,
Não acredito no amor,
Não acredito na fraternidade,
Não acredito no mar,
Não acredito até no luar.
Acredito na indiferença relativista,
Dum Universo fractal,
Irredutível.
Acredito no acaso aleatório,
Duma corda quântica a vibrar,
Inflexível.
Acredito no laço da forca,
Num pescoço vincado,
Inviolável.
Lisboa, 21-9-2013
497
O Fantoche
O fantoche que vive em mim desapontado,
Numa casa de bonecos acorrentados,
Escondidos num sótão mal iluminado,
Cansados de fingir serem afortunados.
O fantoche que um dia ousou sonhar,
Ser um ser tão real como um menino,
Ingénuo e imaturo no seu brincar,
Julgado pelo seu representar genuíno.
O fantoche que desbotou amarrotado,
Cheio de enfado sorriu pela última vez,
Foi posto à parte em repouso abandonado,
Ficou indefeso, exilado na sua invalidez.
O fantoche desterrado nas memórias,
Cheias de sons e músicas lamentosas,
Que ecoavam no vazio das solitárias,
Em que as noites vingaram majestosas.
Lisboa, 21-9-2013
508
Fronteiras
A ténue fronteira entre a vida e a morte,
A linha imaginária entre a luz e a sombra,
A bela e o monstro que vingam em nós,
A dicotomia dos ensejos bipolares sentidos,
A força incerta descabida de razão dúbia,
E a fraqueza da probabilidade incauta.
A ténue fronteira que nos separa a todos,
Uns dos outros indistintamente insanos,
As cores do arco-íris desligadas na palidez,
Dos corações quebrados em pétalas de rosa,
Que voam ressequidas pelo vento separadas,
Perdidas na fronteira vasta da voraz inquietude.
A amarga fronteira do não saber amar nunca,
Melancolicamente velado em leito de girassóis,
Frisando concomitantemente exacerbada dor,
Deliberada assaz e vilipendiada que me consome,
Perniciosa a fronteira que me esconde dissabores,
A frecha por onde entrei estando já de saída.
Lx, 15-9-2013
520
Desesperança
A desesperança do desespero que me impregna,
Totalitário e cacique omnipresente sem chama,
A ladainha onde invoco o destemor do irresoluto,
Depauperada alma que me abandonou à má sorte,
As desventuras fúteis em que não me encontrei,
As caras mimetizadas de mim que me rodeiam,
Os meus outros Eus igualmente sós e vagantes,
Serpenteando carentes em mundos paralelos,
Irracionalismo metodicamente enclausurado,
Que nos circunda em laivos de retórica insana.
A maravilhosa chuva de fogo que me consome,
Me acalma as ânsias deleitosas proscritas há muito,
Onde não reina ninguém nem vigora nada transcrito,
As interjeições que desapareceram do meu ser,
O absolutismo do meu parco parecer relativo,
As minudências fantasmagóricas enlouquecidas,
Onde me afogo nas alvoradas do meu ensandecer,
O aprofundar da transposição da última fronteira,
Cada vez mais irremediável na sua proximidade,
Cada vez mais inadiável na sua resolução final.
Lisboa, 9-9-2013
452
Relações Infectas
Nada de surpresas visitas inesperadas,
Nada de ridículas festas de aniversário,
Nada de hipócritas quadras natalícias,
Nada de descasamentos juramentados,
Nada de baptizados molhados,
Nada de tribunais equivocados,
Nada de finanças creditícias,
Nada de compras ansiosas,
Nada de férias sem ida,
Nada de viagens à volta,
Nada de ocas avarias,
Nada de velhas senis,
Nada de jovens sonhadores,
Nada de feias meretrizes,
Nada de enfados,
Nada de nada,
Quero ser apenas eu deitado numa cama vazia,
Deleitar-me na escuridão evasiva do meu quarto de partir,
E ter um visionamento, o meu, unidimensional do mundo.
Com despeito a inter-relações sociais, deixai-me desafogado,
Libertai-me das vossas dúvidas indefesas que são minhas,
Poupem-me aos lisonjeiros ardis difamatórios gratuitos,
Que invadiram difusas as nossas vidas sucintamente incongruentes.
Eu quero apenas ser só simplesmente a minha única amante,
Embebedar-me de mim em rodos caindo extenuado de tédio,
O dilúvio da subserviência afectiva que me contagiou de escárnio,
Submergiu no sol poente da minha intolerância prolixa recidiva.
A cura da insatisfação que me finta é o placebo do amor perdido,
As longas noites forradas de opaca e opulente transmigração utópica,
A chuva fina cristalina que paira sobre mim deitado, frio e hirto…
O fim aproxima-se pronto, a passos largos e irrevogavelmente,
Virá afogar de vez qualquer ânsia ainda remanescente,
Serei vingado fluindo serenamente em eterna paz.
Lx, 11-9-2013
476
Isto é o Fim
Será isto o fim?
A minha visão turva da realidade,
As crianças todas sem mães,
A insustentável cruel caminhada,
O romance atrozmente assassinado,
A torrente de lava a esventrar,
Os corpos a definharem sós,
O perpétuo sonho submisso,
A inimaginável dor omissa,
As valas abertas não reclamadas,
O desejado além desmoronado,
As inconfidências mal julgadas,
A implosão dos sonhos almejados,
A imortalidade da ausência de sentido,
O inflectir irreversível da vida,
O triunfo do esquecimento,
O exaltar dos espaços infinitos,
O telúrico caos quântico final,
O extinto amor trespassado,
A consciência ausente eternamente.
Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.