Lista de Poemas

Vilipendiado





Roubaram-me a esperança no amor,
Desacreditei em fadas,
Roubaram-me a luz,
Divago na incerteza,
Roubaram-me o futuro,
Promissor desencantamento,
Roubaram-me o presente,
Tudo anseio latente,
Roubaram-me as memórias,
Tudo é passado,
Roubaram-me os sonhos,
Vivo em pesadelo,
Roubaram-me as estrelas,
Fiquei sem vista além-mar,
Roubaram-te de mim,
Fiquei desamparado,
Roubaram-me o sentido da vida,
Perfilhei a morte.


Lisboa, 21-10-2013

506

O Que Vem de ti





Um sorriso teu acaba com qualquer guerra santa
Uma só palavra tua quebra o coração mais duro,
Um suspiro teu embala qualquer nuvem branca,
Um abraço teu faz prever um bom certo futuro.

Os teus lábios trazem sabores tão doces do além,
As tuas carícias povoam os meus sonhos incolores,
O teu peito aberto cheio de amor sabe tão bem,
Encosto-me nele e afagas-me num embalo sem dores.

A tua cintura esbelta onde me amarro com força,
Não me quero libertar de ti nunca mais meu amor,
Deixa-me habitar o teu coração que me reforça.

A tua pele macia como reais sedas magistrais,
Não quero deixar nunca de a acariciar jamais,
O teu toque de midas que me enfeitiçou ademais.


431

Estou




Estou somente estando,
Por aqui andando,
Sem qualquer espanto,
Até quando.

Estou tão distante,
Tão puro divagante,
Viagem estonteante,
Eu que viajei adiante.

Estou sem estar,
Perdido ao andar,
Por caminhos vagos,
De corações dilacerados.

Estou à espera de ninguém,
De olhar vazio petrificado,
Passam perto tão distantes,
E eu aqui desfocado do bem.


Lisboa, 9-10-2013

475

Olhar Quem Passa





Lançado às feras domesticadas,
Senti-me cheio de nada conjugar,
Ninhadas ardilosas emboscadas,
Subjugaram-me ao mesmo lugar.

São perfeitos na imperfeição,
Exalando mitologias extravagantes,
Nunca chegam a ter noção,
Dos inexequíveis sonhos delirantes.

Delicias obliteradas precocemente,
Deambulantes sem entrosamento,
Percorrem como sempre tristemente,
Os caminhos traçados em momentos.

Cansei-me de olhar quem passava,
Não reconheci sequer imperfeição,
Enfadei-me conforme tudo estava,
Não encontrarei jamais a solução.


Lisboa, 20-10-2013

460

Invadido





Fui invadido por seres funestos,
Acamparam na orla da indigência,
Em que esmoreci quase prestes,
A perder a terna doce inocência.

A infâmia que me fizeram percorrer,
Catarse do meu descontentamento,
Vocifero em tempestades a correr,
Por delírios esventrados em pranto.

Pérfidas criaturas mesquinhas chegam,
Acorrentaram-me os sonhos retidos,
O meu coração gelado agora velam,
As ausências domaram embevecidos.

Infectado de morte conspurcado,
Largaram-me às feras ávidas,
Às aves necrófagas agoirentas,
Na tumba à porta cai aninhado.


Lisboa, 12-10-2013

464

Tuas Pérolas de Luz





As pérolas de luz que extravasam do teu coração,
Caiem sobre a terra ressequida que pisas tão leve,
Trazes-lhe vida quando as deixas cair por devoção,
Pérolas que transbordam da tua fonte que mata a sede.

Cada uma abre uma covinha onde nascem belas flores,
A cada teu passo ligeiro nasce uma bela de cada cor,
Passaste ao pé de mim hoje enchendo-me de louvores,
Deixas-te à tua ténue passagem um viçoso jardim em flor.

O meu deserto de alma floresceu à tua doce passagem,
Quem era afinal aquela diva da antiguidade mítica?
Seria Afrodite, ou eras tu minha imaculada miragem.

O teu jardim encheu-se de milagres em pura vidência,
Cantos mágicos alados deambulam soltos ao vento,
A alegria das crianças livres oferece-me clemência.


447

Miséria de Filosofia





As centenas de dias passados e revisitados em vãs filosofias, num estado ébrio de triste exclusão, com pensamentos de cariz um pouco extravagante no cogitar e cheios de subjectividades quanto bastem, dias passados agora tão saudosamente relembrados, isentos de quaisquer constrições éticas e morais, enfim 100% livres e descomprometidos nas suas singularidades únicas.

Até nos momentos de silêncio, e sempre foram mais que muitos, eram carregados duma pura e cristalina introspecção avassaladora, tal como o visionamento mental duma cosmológica teoria do todo, ancestralmente guardada no âmago dos elementos fundamentais que nos constituem e que são eternos e possuem o grande segredo primordial induzido.

O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.


Lisboa, 30-10-2013

399

Inerte





Estou inerte à porta do discernimento,
Inactivo na insaciável razão de viver,
Apático no esquadrinhar inválido,
Indolente na minha mente induzida,
Imóvel saciado de improvidências,
Inanimado sucumbido à ignorância,
Parado no fim do abismo selado,
Sucumbo à dor indolor do enfado,
Desisto de bem ser amaldiçoado.

Vou com a chuva levada pelo vento,
Vou sem qualquer esperança relevada,
Vou só sem nenhuma companhia traçada,
Vou pisando o longo caminho que me embala,
Vou escondido do luar prateado espartejado,
Vou a lugar nenhum jamais perpetuado,
Vou com a chama da inverdade iletrada,
Vou para o nenhures insolvente,
Vou com a dor amarrada.


Lisboa, 2-11-2013

478

Isto é o Fim





Visto tudo é o fim,
Sem adeus algum,
Sem choros nem lágrimas,
Só o regozijar da alvorada,
Na despedida suspirada.

Levo-te só a ti apenas,
Na minha lembrança,
Dos sonhos que povoei,
Com a tua doçura,
Em bonança.

Ilusão descomprometida,
Que me compôs o coração,
Em noites turbulentas,
De ausência de paixão,
Sem guarida.


Lisboa, 2-11-2013

406

Ao Que Vim





Vim com as aves migradoras,
Voando com a Primavera,
Sequioso de ternuras,
Pousei firme terra.

Vim com a chuva debutante,
Dum amanhecer incerto,
Caio em gotas titubeante,
Logo por aqui ao perto.

Vim com um embalar de mãe,
Dando ao rebento guarida,
E a jamais ninguém,
Se limpou essa ferida.

Vim com as estrelas do céu,
Cadentes numa noite de verão,
Longínqua miragem permaneceu,
Iluminando-me todo ao serão.

Vim desfeito em perfídia,
Pelo meu obtuso pesar,
Anseio pelo fim do dia,
Recolhendo-me ao deitar.

Vim com as sete pragas,
Sem sequer pestanejar,
Profanei as cinco chagas,
Quebrei ao cair do altar.

Vim no choro ateado,
Pelas tristezas pesadas,
De mágoas inundado,
E promessas adiadas.

Vim da terra exumado,
Cantar-vos a vossa sina,
De terno desalmado,
Mas nada se vaticina.

Vim com a noite brusca,
Que se instalou em mim,
Longe de tudo ofusca,
Clamando pelo fim.

Vim uma vez contigo,
Deixaste-me feliz,
Deste-me um beijo,
Que ainda não desfiz.

Vim com as ondas do mar,
Vagarosas no seu jeito,
No seu leve deleitar,
Esmero de tão perfeito.

Vim com o vento norte,
Suspirado de boas-novas,
Desfraldei velas de porte,
De míticas caravelas alvas.

Vim raio de sol acolhedor,
Trazendo vida a granel,
O quadro tão enternecedor,
Criado sob o seu pincel.

Vim com as mãos vacilantes,
Para sempre te aconchegar,
Nos longos serões dançantes,
Em que o amor viu despertar.

Vim com a saudade tua,
Julguei sucumbir, definhar
, O sonho jurado sob a lua,
Para serenos juntos recriar.

Vim com as doze badaladas,
Encerrar mais um dia de dor,
Deitar-me debaixo das arcadas,
No meu desgosto apaziguador.




Lisboa, 9-10-2013

522

Comentários (1)

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Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.

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“ Poesia Eterna Parte II”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1311039031514


“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1405190889487

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O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.

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Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…