Nascido
Jamais me esquecerei,
Que me fizeram,
Nascer um Dia,
Simplesmente,
Infindável.
Lx, 18-7-2000
Memórias
pintadas de fresco,
Visões
apocalípticas,
Lufadas
de ar fresco,
Prisões
paleolíticas.
Ventos
sopram augurantes,
Sussurram-me
aos ouvidos,
Trazem
novas extravagantes,
Usurpam-me
os sentidos.
Contemplo
o horizonte embevecido,
Esquadrinho
todos os cantos,
O
Mar espraia-se enraivecido,
Pela
Lua namorar os campos.
Céu
e Terra tocam-se nos cumes,
Névoa
gerada ladeia as encostas,
Nas
casas ardem os lumes,
E
as mesas já estão postas,
O
pão abençoado,
Pelo
meio mais um trago,
O
mal exorcizado,
Ainda
longe de estar pago.
O
cão ladra para as pedras da calçada,
As
ladainhas já fecharam a Igreja,
Guarda-se
uma ovelha tresmalhada,
O
sino dobra e o mocho pestaneja,
A
aldeia dorme sossegada,
Que
Deus a proteja.
LX, 13-4-2000
A
Luz pavoneando-se espairece pelos vales como a beleza preenche todo o espaço
válido da estética, excepto o incorruptível vale das tormentas, sombrio e
soturno, somente à espera, de ser digno de ser atingido ou contemplado, por um
raio de luminosidade.
Mas
porque não se torna então essa reunião plausível e realista?
Essa
Luz tão contempladora, abrangente e resignante, a desejada por todos, mas tão
selectiva na sua longitude.
Pobres
almas daltónicas insensíveis a esse espectro de luz que exasperam nas
profundezas da escuridão eterna e irresoluta, antimatéria da Luz.
Porque
não só a Luz é bela ou é vida, as trevas e a escuridão são tão ou mais
inebriantes e enternecedoras que a mais profunda e doce Luz matriarcal.
Salvé
a penumbra absoluta, porque dela renasce a Luz ofuscante e genuinamente
verdadeira. Pois Ela nasceu do crepúsculo de toda a luminosidade profícua e
indulgente.
Tal
como na magnitude total da luminosidade precoce e envolvente, ou na escuridão
obscura e insalubre, o que ressalta da sua incompatibilidade e não sobreposição
são laivos de esperança, de liberdade, de negação e anticonformismo tal e qual genes
alterados e mutáveis.
Apóstolos
da diferença e do contraditório dialéctico, guerreiros anarquistas contra a
frivolidade ignóbil reinante.
Pois
deles depende a evolução Humana, tanto biológica como culturalmente.
LX,
17-6-2001
Vagueias
por aí,
Eu
no fundo sei,
Olhas-me
daí,
A
minha Alma te dei.
Sinto
no ar a tua presença,
A
tua dor veio com o vento,
Porque
estás tão tensa,
Não
ouves o meu lamento.
Não
chores mais,
Por
favor não,
Soltaram
os chacais,
E
já não comem à mão.
Não
te conheço o nome,
Não
sei quem serás,
Bastará
um olhar,
Um
terno sorriso,
Num
dia singular,
De
tempo conciso,
Nunca
saberás,
Sequer
que existo.
LX,
15-8-2003
Sonhos
enevoados,
Com
música delicada,
Sentidos
extenuados,
Com
luz apagada.
Ecos
uivam loucos,
Ressuscitam
o Passado,
A
Razão duns poucos,
Num
triste Fado.
Dolorosa
existência,
Pasma
aberração,
Traída
aparência,
Insolúvel
tentação.
Alma
dorida,
Coração
em pranto,
Estou
de partida,
Aqui
num canto.
Silêncio
companheiro,
Conforto
indagável,
Destino
matreiro,
Morte
imutável.
Projecções
futuras,
Contemplam
o Além,
O
outrora esconjuras,
O
esquecimento também.
Perdido
em profundo,
Mente
angustiada,
Navego
pelo fundo,
Fuga
abençoada.
Tormentos
em redor,
Obscuridade
translúcida,
Alertas
em temor,
Saudade
enternecida.
Arte
idolatrada,
O
Belo intocável,
Toca-se
a entrada,
Jamais
influenciável.
Fundou
a essência,
Universo
coerente,
Espasmo
à tangencia,
Unidos
em torrente.
Espaço
incomensurável,
Lamentosa
consciência,
Eternidade
implacável,
Amargosa
existência.
Chamamento
apelativo,
Ordem
eloquente,
O
caos imperativo,
O
vazio inconsequente.
Forças
indulgentes,
Esbatem
ao lado,
Perceptíveis
antes,
Hoje
inundado.
Força
invisível,
Acção
passiva,
Ser
sensível,
Dor
lasciva.
As
lágrimas secaram,
A
névoa levantou,
Os
anjos morreram,
A
Vida findou
O
nada vingou.
LX,
17-9-2002
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