Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

114

Pesadelos



O Cosmos ousou sonhar,
Encarnou o Homem,
Em pesadelo se tornou,
à consciência largada.
Eu cidadão do Mundo,
Feito de Estrelas a estrear,
Percorro o caminho,
Esbatido ao luar,
Onde as sombras,
Abordam o meu passar,
Largando estridentes uivos,
De pesar.
Ladeiam-me constantes,
Vomitam jactos de fogo,
Das entranhas infernais,
O caminho em ponto de fuga,
A estrada da vida empinada.
Noite cerrada e escura,
As cores perdidas em parte incerta,
Ofegante percorro desalmado,
Este labirinto malfadado.
Ansioso pelo acordar,
Luminoso dum raio de Sol,
Por mim encarnado.

Lx, 7-3-2010
662

Ao Longe



Estou tão longe,
E cada vez mais longe.

Estou longe da dúvida,
Estou tão longe,
Estou submerso nas profundezas,
Do mar calmo e silencioso,
Cada vez mais longe.

Estou longe da luz,
Estou tão longe,
Estou longe do Alfa,
Da razão existencial,
Cada vez mais longe.

Estou longe do berço estelar,
Estou tão longe,
Estou longe da realidade,
Mecânica e promiscua,
Cada vez mais longe.

Estou longe do próximo,
Reflexo da minha intolerância,
Estou tão longe,
Longe dos sorrisos,
Há tanto esquecidos,
Cada vez mais longe.

Estou longe do paraíso,
Estou tão longe,
Cada vez mais longe,
Do sonho um dia,
Idealizado e terno,
Tão longínquo Eu Sou.

Lx, 12-6-2010

799

A Doença Do Corpo – A Morte



Quando a força se esvai,
Aos poucos e poucos,
Lentamente, devagar.
Quando ainda ontem podia andar,
Enérgico, esbelto e assaz,
Egocêntrico, egoísta e jovem,
Inteligente, equilibrado e mordaz,
Atlético, imortal e feliz.
Hoje jaz deitado e entrevado,
Impotente, enfezado e sujo,
Indesejado, insalubre e dorido,
Introvertido, Infeliz e mortal.
Desiste ingloriamente resignado,
Desmiolado, rejeitado e esquecido,
Desonrado, desconhecido e cansado,
Autómato não autónomo,
Monótono de olhar estarrecido,
Vazio, baço e sem claridade.
A carne já em chaga,
Purulenta e decomposta,
Exposta aos elementos finais,
Putrefacta,
Pela terra a arfar,
E o cheiro Deus meu,
E o cheiro que exala!

Lx, 8-9-2009
737

Áurea Solar




O Sol brilha quente,
Lisonjeador e afortunado,
Aquece as almas doridas,
Afaga-nos o corpo desnudado.

Ente querido criador,
Dás esperanças esperançado,
Às vidas que permitiste gerar,
Deambulando sob alçado.

Pela Terra a quem poupaste,
Ser teu regaço de chamas,
Agora esventrada à dor atroz,
Lancinante em voraz agonia.

Decalcada de almas sós,
Embriagadas com mil quimeras,
Voláteis sentimentalistas,
Vagueiam proscritas e infames.

Rogamos-te ó Sol,
Carrasco de primogénitos,
Tal como outrora precioso,
Ergamos as mãos ao alto.

Em uníssono suplicamos,
A luz da tua indulgência,
Apaziguadora e terna,
Sobre os nossos corações.

Frios e cansados,
Há muito quebrados,
Ansiosos pela fulgura,
De estrela mãe tão pura.

Lx, 3-10-2008
674

Prenúncios Do Ocaso Cognoscível



O relógio biológico adianta-se inexoravelmente, ao sabor do aumento no rácio do meu entendimento esclerosado.
Indubitavelmente a caminho da perdição cognitiva ambivalente.
A caminho da falência do pensamento racional, onde a demência por fim reinará triunfante e aleatória.
O pensamento ordenado só é sustentável durante a vida organizada e presencial.
A irracionalidade do caos vinga acima de tudo, e é eterna com os elementos fundamentais imutáveis nos seus princípios.
O peso do ideal retórico existencial inerente à condição humana, é a sua prisão espiritual, onde a metafisica padece à sua mercê.
A liberdade incondicional do pensamento puro, só subsiste para além do corpo, no silêncio profundo do esquecimento.


Lx, 22-5-2007
627

Anseio Primaveril




O frenesim dos pardais,
Perfeito.
O desabrochar das flores,
Perfeito.
As andorinhas ao alto,
Perfeito.
O bafo quente do Sol,
Perfeito.
Os odores exalados do campo,
Perfeito.
O vestir das árvores tão verde,
Perfeito.
A brisa fresca ao fim do dia,
Perfeito.
A Primavera chegou uma vez mais,
Perfeita, desejada e bela.
Tocou indelével no meu coração,
E ele chorou de alegria,
Ao abrir a janela à vida,
Inundando de aura luz,
A alma perdida,
De comoção.

Lx, 23-3-2009

692

És tu



Onde estás?
Onde moras?
O que me tens para dizer?
Quando irás aparecer para me afagar, com o teu corpo quente, perfumado a mel, tão doce e gracioso a latejar cheio de vida.
Pousada numa nuvem branca, surgirás jovial, preenchendo de contentamento o deserto do meu ser, varrido pelo vento norte.
Cairás como chuva fecunda, no meu tapete de pétalas de malmequeres amarelos, ansioso pela tua chegada na bruma da madrugada.
A cor do sol nos teus cabelos dourados e raiosos, ondulados onde me afogaria no azul-marinho do teu olhar carinhoso e cristalino.
Senil e inebriado nos teus braços prostrado, seria para sempre o teu cúmplice apaixonadamente angustiado.
Quando será minha flor?
Quando virás minha amada?
Minha amiga olvidada,
Meu amor.

Lx, 15-4-2010
729

Só Mais Uma Vez



Só mais um olhar enternecido,
Só mais um.
Só mais um par de mãos entrelaçadas,
Só mais um.
Só mais um suspiro,
Só mais um.
Só mais uma última dança,
Só mais uma.
Só mais um arfar no meu ouvido,
Só mais um.
Só mais um beijo meigo,
Só mais um.
Só mais um entardecer juntos,
Só mais um.
Só mais uma música no ar,
Só mais uma.
Só mais um abraço apertado,
Só mais um.
Só mais um afago,
Só mais um.
Só mais um poema murmurado,
Só mais um.
Só mais uma noite de luar,
Só mais uma.

Lx, 15-4-2010
662

Viagens Celestiais



Quando a mente entra em estágio reflexivo, e se expande para além do corpo extra-sensorial, como que hibernando da razão.
Divagando escorreito para o infinito onde se esconde o vazio.
Desligado do mundo de encontro aos grandes espaços onde o vácuo é reinante e o silêncio inquebrável.
O sibilar da mente letárgica a entrar no cosmos épico, onde forças telúricas povoam intervalos ocos, criando novos mundos do todo primordial.
O sentir diluir-se na torrente plasmática universal, como parte integrante e interactiva, como consciência do tempo, do espaço e da matéria. Interagindo como reflexo da sua própria existência.
Sou apenas a imagem do Universo no espelho da vida, para afastar definitivamente a dúvida da sua própria identidade.
Desaparecendo num incerto dia na inatingibilidade dos elementos desprofanados.


Lx, 26-11-2006
769

Não-Humanos



Escoam os impropérios,
Pelos interstícios das suas vidas.
O boçal vil poluto,
Procria incessantemente,
Funestas crias,
Anti Darwinistas,
Mediático-dependentes,
Mentecaptos insalubres.
A verdade absoluta,
Encarnada nas suas cabeças,
Absortas e indigentes,
Desalmadas,
Imberbes de razão,
Pululam subservientes,
Afogadas na sua frugalidade primária.
Despidos de Arte e Beleza,
Desprovidos de consciência,
Subjugados pelos impulsos primitivos,
Incomodam o outrem,
Incessantemente e exaustivamente.
Um contágio de morte,
Subsiste na cidade.

Lx, 6-8-2010
687

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