Lista de Poemas

POEMA DO OLHAR PERDIDO

Às vezes meus olhos teimosos
Tentam encontrar algum olhar perdido.
Quando dou por mim estão distantes
Fitando as janelas dos trens
Divisando na multidão que vai e vem
Algum olhar indiscreto, inconstante.
Na mesa de qualquer restaurante
Dentro dos taxis cruzando a cidade
Na fila de espera do consultório
Em frente à televisão
Nas fotos das revistas que mostram o nada
Nos cães estirados nas varandas
Nas janelas abertas para a brisa da tarde
Na face de um outdoor na estrada
Nas igrejas e na chama da vela que arde
Entre os pares que se amam e enxergam.

Olhar tantos olhos é o que mais vejo
Indiferentes não me contentam.
Tu nem imaginas o quanto os invejo
Porque perdidos estão os meus
Que nunca te encontram.
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VARAIS

Toma-me por evidente
O conceito usual de ser bom.

Há quem leve como obsessão
O custo dessa cumplicidade
Em entender-se inútil e prestativo à bondade.

Para quem nunca viveu dessa pressa
O vil admoesta as intenções
Para sempre exige que se ponha
Ao vivo atento precavido à ruindade.

Tudo que dói da dor
Que perambula pelo nefasto da sala
E que desatenta despenca as incertezas
Ou se apossa e fecha as janelas
É um passo de maldade.
 
Por isso já moro fora de casa
Colado às cercas dos quintais
Lá onde as intempéries
Ficam mais perto da rua
E a realidade é transparente lençol
Seja de lama, asfalto ou areia
Estendido nos varais.
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O VENTO TE ALISA

             Paulo Sérgio Rosseto

Quem traz mais ilusão ao teu cotidiano
A noite ou o dia ambos repletos de magia;
Quando o sol acende o meridiano
Ou sempre que no ocaso descansa?

Quando afirma indaga ou das paixões duvida
Põe teus sonhos na precisão da balança
Vê se cabem naquilo que atende
E se adaptam à tua fantasia de vida

Lastime somente se perder o compasso
De resto é sorte que se rende ao acaso
E ininterrupta luta por harmonia

Deixa entender de onde vem tua brisa
O ar com quem divides o que respira
Os dias virão enquanto o vento te alisa

@psrosseto
@taperapua_editora

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POEMAR

Recrutarei outros conceitos para novos poemas.
A ideia usual até permaneceria comum e corriqueira
Afinal não se pode modificar tanto quanto se queira
Apenas com palavras, sejam novas ou as mesmas.
Poderei até vestir minha máscara com nariz vermelho
Pronto a continuar mentindo poesia por onde passar.
Acho chamam arte a esse sacrossanto exercício de poemar
Nesta cotidiana reflexão diante deste velho espelho.
Não, não importa em qual dia da semana ou do mês;
Continuarei viajante estradeiro, peregrino, caminheiro
Mas deixarei de ser estrangeiro – é isto o que a poesia faz –
Portador das laboriosas e estupendas capsulas de paz.
Se quiser vir comigo, traz tua virtuosa memória
Somaremos nossas rimas, rimaremos o desaparecimento
De todas as mazelas existentes no pensamento.
É, não há melhor remédio que remedeie as intrigas
Senão a velha verve e a rima de um bom cancioneiro.
Cruzaremos o mundo versejando sobre alegorias
Compondo estrofes para singelas cantigas
Depois descansaremos entre os hemisférios
E dormiremos livres nas páginas de algum livro
Sob os olhos entre as mãos de algum menino.
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PERMITA

Quando significar
Permita acontecer.
Ainda que esteja escuro
Não dê pra decifrar
Seja impossível ler
Permita significar
Quando acontecer.
 
Talvez coisa à toa.
Um repique qualquer.
Batuque de pé na mesa.
Talvez seja possível até
Estralar no céu da boca
Um pedacinho de lua
Com gosto de beleza.

Coisas insignificantes
Que fazem roer unhas
Desmantelam atitudes
Distraem os sentidos
Sem motivo qualquer.
Torna-se raro e sagrado
Como textos lidos.

Deixe levar pelas águas
As sobras não faltam.
Mesmo amores passam.
No tempo nada é único
Ruem como as estações.
Há quem sempre aproveite
Das ausências e excessos.
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FORA DE MIM

Minha vontade gostaria de morar
Na rua dos insensatos
Naquela vila tranquila
Que nem é cidade nem mato
Onde crianças brincam soltas
Correndo entre cães e gatos
E toda a gente desperta
Com a sinfonia dos galos
Cheiro de café com bolo
Pão quente, manteiga e broa
Onde se canta e se ri à toa
De tanto que tudo é farto
Vizinhas trocam sal e açúcar
Cebola, óleo emprestado
Tramam final de semana
Compartilham remédio e receitas
Num mundo imaginado

Num início e fim de curva de estrada
Descomparando o sol
Totalmente habitado
Dentro das minhas leis
Mas fora de mim irreconhecível
Vive um desertor deserdado
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IGREJA

                    Paulo Sérgio Rosseto

Sei que me carregas pela mão
E que me transformas pela fé
Que me aceitas sempre como eu sou
E que me amparas porque quer
Sei sou o menor dos filhos teus
Mas tua bondade me engrandece
Sobre tua mão me apoiarei
Pois tua verdade me enaltece

Nasça sempre em mim a piedade
Ao compartilhar a tua luz
Semeando a paz pela seara
Levarei tua palavra
Por onde o amor conduz

Não me bastaria tua bênçãos
Se não abençoasses meu irmão
Por isso quero ser teu instrumento
De misericórdia e união
Isto é ser Igreja num só templo
Fortificados na fraternidade
Então bem unidos viveremos
Repartindo o pão da caridade

@psrosseto

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ENDURECER-SE

Às vezes é bem preciso
Compor versos sem contexto
Fazer tudo pelo avesso
Errar o caminho da volta
Driblar velhos pretextos
Passar por outros acessos
Desentoar de vários gostos
Desdenhar de um desfecho
Rejeitar um falso apreço
Apreciar o que não possa
Acatar por ser anormal

Banalizar certas certezas
Refutar as asperezas
Rebuscar no que perdera
Rasurar o próprio papel
Cancelar o que não queira
Amar o que não tem nexo
Repensar uma promessa
Dimensionar a consequência
Começar um novo ciclo
Endireitar o próprio jogo

Assim se suporta o jugo
O ombro se torna terno
E a alma mais serena
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IGREJA

Sei que me carregas pela mão
E que me transformas pela fé
Que me aceitas sempre como eu sou
E que me amparas porque quer
Sei sou o menor dos filhos Teus
Mas Tua bondade me engrandece
Sobre Tua mão me apoiarei
Pois Tua verdade me enaltece

Nasça sempre em mim a piedade
Ao compartilhar a Tua luz
Semeando a paz pela seara
Levarei Tua palavra
Por onde o amor conduz

Não me bastaria a Tua benção
Se não abençoasses meu irmão
Por isso quero ser Teu instrumento
De misericórdia e união
Isto é ser Igreja num só templo
Fortificados na fraternidade
Então bem unidos viveremos
Repartindo o pão da caridade
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UM EXPRESSO NA LIVRARIA

Em meio aos milhares de livros
A moça de leve eleva até a boca
A borda da delicada xícara
E abraça com os lábios
O líquido que arrebate expresso
A espuma quente da beira da louça.
A fumaça lhe embaça as lentes
O negro néctar alveja ainda mais seus dentes

Ela sibila, cerra os olhos com candura
Enquanto sorve e disfarça a voz
Envolta em doce encantamento
Depois arrebatada de momento
Deita a chávena no colo do pires
Observando a vastidão da mistura
Vestígios do seu batom no café
Açodado por um torrão de chocolate
Como quem lesse placidamente as entrelinhas

E o moço revendo displicente as capas
Floridas dos mágicos títulos da livraria
Retém da memoria uma infância de rimas
Torrando as sementes de um vasto cafezal
Banhado pelo aroma de frases, valsas e poesia
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Comentários (2)

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Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques

quantas verdades com perfeição!

Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. 
      A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
      Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
      Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE. 

LIVROS RECENTES: 

CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021

Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.