Lista de Poemas
FANTASMAS DE MIM
Alongo-me
e me desterro silente
para alcançar o deserto;
às vezes,
até consigo congelar, nos ares,
a palavra volátil;
mas ainda assim,
e pior assim, tenho de me dar
com meus fantasmas
de mim.
e me desterro silente
para alcançar o deserto;
às vezes,
até consigo congelar, nos ares,
a palavra volátil;
mas ainda assim,
e pior assim, tenho de me dar
com meus fantasmas
de mim.
131
A CIDADE DO SER
A mesma cidade
em duas divididas,
sem que lhes houvessem
barreiras ou divisas;
ambas as partes
com avidez pela vida,
ambas as partes a se digladiarem
em sismas.
Quando chegou
a fatídica hora do cataclisma,
rugiram, das portas trancadas,
as dobradiças;
evidenciaram-se,
das entranhas sencientes,
as sombras abissas;
e ressoaram,
em palavras afiadas,
as mortiças.
Ao leito frio,
de sobressalto,
acordava um homem
velho e confuso,
a olhar pela janela,
no silêncio soturno da noite,
a cidade que ainda
adormecia.
em duas divididas,
sem que lhes houvessem
barreiras ou divisas;
ambas as partes
com avidez pela vida,
ambas as partes a se digladiarem
em sismas.
Quando chegou
a fatídica hora do cataclisma,
rugiram, das portas trancadas,
as dobradiças;
evidenciaram-se,
das entranhas sencientes,
as sombras abissas;
e ressoaram,
em palavras afiadas,
as mortiças.
Ao leito frio,
de sobressalto,
acordava um homem
velho e confuso,
a olhar pela janela,
no silêncio soturno da noite,
a cidade que ainda
adormecia.
203
PÁSSARO DE MORTE
... quando sucumbe
faminta a terra, a água das chuvas
e dos mares já não
lhe basta,
o verde
das matas e o azul dos céus
já não lhe bastam,
os cantos
e as cores dos pássaros de todos
os tipos já não lhe bastam,
as monalisas
e as beldades de um mundo inteiro
já não lhe bastam,
as tempestades
e os abismos mais profundos já
não lhe escabram:
somente
a morte, com seu frio, eterno
e manso beijo, consegue aliviar o seu
extremo cansaço!
124
COMO UMA BRISA
... não quero
ser o cão que perturba o teu
céu em silêncio,
nem o que
atravessa suas noites como
membro de uma matilha
em fúria:
permita-me
apenas ser como uma brisa
que ora te toca, ora te deixa, ora te ama,
ora te beija!
ser o cão que perturba o teu
céu em silêncio,
nem o que
atravessa suas noites como
membro de uma matilha
em fúria:
permita-me
apenas ser como uma brisa
que ora te toca, ora te deixa, ora te ama,
ora te beija!
156
VOU TE AMAR UM POUCO MAIS
... por que
eu deva lavar os olhos
depois de chorar
por ti?
Por que
eu devia deixar de ouvir
o mar depois de te ver nele
a navegar?
Por que
eu devia deixar de olhar
para a lua e para as estrelas de é lá
que tu estás agora?
Por que
eu deveria ser um cidadão comum
e, só porque tu morreste, procurar logo
novo abrigo e novo corpo para
foder e amar?
143
A FALHA DO CÃO NIILISTA
... humano como qualquer
outro!
... seus olhos firtos,
seus seios lindos, seu corpo deliciosamente
curvilíneo, a firmeza nos gestos
e na fala,
uma musa a tratar
um velho niilista poeta como
um anjo-menino;
seus gestos
diziam, suas mãos diziam,
sua boca dizia, seu sexo dizia
e o niilista a tudo queria,
e tanto,
e por tanto tempo esperou que,
mesmo sendo um cão, ali naquele momento,
diante de tanta formosura
e disposição,
vacilou!
194
O SER EXISTENCIALISTA
Penso que erraram os grandes imperativistas, ao tratarem do "Ser" e das coisas onde ele está inserido, isso se dá porque, em seus excelsos discursos, preteriram a análise da abnormidade que surgiu em misteriosa singularidade no Cosmo, e concentraram-se tão somente em seus estudos sobre o "Ser", e o que dele emerge ou o que nele adentra; na verdade, tudo que há concretamente passou a nos servir, abstratamente, de alguma forma, compondo toda a cena ao modo único que as percebemos com nossas egolatrias sencientes e inalienáveis, assim, não mais há dissociabilidade entre abnormal e as coisas em que ele está inserido, pois estas se condenam a seus modos de ver e a seus poderes de inaugurações cernientes; as raízes de nossas existências são muito mais profundas, e delas é que surgem as árvores, - avaliadas nas exaustivas reflexões daqueles que se propuseram a este estudo -, com suas magníficas imagens postas num grandioso e vil palco a que chamamos de vida. Bem sei que podereis dizer que sou louco e que não me entendeis, e eu compreendo isso por uma simples questão: de nossos galhos e folhas a alcançaremos céus figurados, não podemos contemplar as raízes acidentais, ou sequer supor um antes delas ou, ainda, um depois da morte de nossos frondosos egos, a não ser que também, de alguma forma, criemos algo para nos servir, como os deuses dos paraísos idílicos onde nos imaginamos poder morar algum dia, ou os demônios dos infernos entenebrecidos onde nos podemos ser castigados por pecados que não podem haver, exteriorizados, à grande e indecifrável singularidade que nos gerou.
Eu poderia dizer que somos incautos, despercebidos ou descautelosos, diante uma visão mais honesta de nós mesmos; poderia dizer que samos, e que nos atemos, a um poder de escolha - que só existe em nossas folhas a bailarem em nossos ares inaugurados, - para tentar nos explicar posturas quaisquer, de acertos ou de erros, de ilustres enlevos ou de abissais quedas; poderia dizer que fomos, - e até creio nisso, discordando tão somente da forma como ocorreu, do modo como nos ligamos a elas, e das consequências de tal singularidade ocorrida - , jogados num mundo de coisas, preterindo a visão do apagamento violado, que um dia voltará a haver independente das abstrações neandertais; poderia continuar mostrando, exaustivamente, como tentamos nos livrar, individualmente, do que chamamos de mal", sobretudo quando usamos o verbum volat, com o qual egozijamos com nossos "eus" nossos enredos, sonhos, idolatrias, glorificações, entre uma infinidade de inaugurações que vivemos a nos fabricar de modo singelo, enquanto defecamos todo tipo de misérias verborrágicas e de ações mortais, - que também nos pertencem-, a nossos dissidentes irmãos de abnormidade; mas estou cansado e com vontade de me desterrar definitivamente, - como se me fosse possível, - ao deserto silente.
Por isso, vou dizer apenas o que penso que somos: tão somente células de uma mesma singularidade, estranha e indecifrável por natureza de condenação nos limites da infinda barreira dentro da qual não mais podemos ver concretudes do apagamento de antes de nossos adventos. sem que inauguremos abstrações a nossos modos de ver e de perceber; e é disso que tenho dito sem que podeis entendeis.
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!



Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*