Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... não quero ser o cão que perturba o teu céu em silêncio,
nem o que atravessa suas noites como membro de uma matilha em fúria:
permita-me apenas ser como uma brisa que ora te toca, ora te deixa, ora te ama, ora te beija!
167
A CIDADE DO SER
A mesma cidade em duas divididas, sem que lhes houvessem barreiras ou divisas;
ambas as partes com avidez pela vida, ambas as partes a se digladiarem em sismas.
Quando chegou a fatídica hora do cataclisma, rugiram, das portas trancadas, as dobradiças;
evidenciaram-se, das entranhas sencientes, as sombras abissas;
e ressoaram, em palavras afiadas, as mortiças.
Ao leito frio, de sobressalto, acordava um homem velho e confuso,
a olhar pela janela, no silêncio soturno da noite, a cidade que ainda adormecia.
211
VOU TE AMAR UM POUCO MAIS
... por que
eu deva lavar os olhos
depois de chorar
por ti?
Por que
eu devia deixar de ouvir
o mar depois de te ver nele
a navegar?
Por que
eu devia deixar de olhar
para a lua e para as estrelas de é lá
que tu estás agora?
Por que
eu deveria ser um cidadão comum
e, só porque tu morreste, procurar logo
novo abrigo e novo corpo para
foder e amar?
152
CHUVAS
Já tive amigos, ominosos marimbondos com aparências de inocentes pardais a se balouçarem
nos fios da vil existência tentando erigir montes sobre vazios;
já estive em jardins onde costuma haver fulgas flores, de acetinadas pétalas e cândidas palavras,
que se balouçavam ao vento, com venenosos espinhos sob suas alvas folhas,
o que não mais há porque promovi seus enterros nas solidão angustiante de meu desterro;
mas, do que quero falar neste momento, não é de amigos nem de flores; é que, às vezes, quero gritar, e tenho medo de alagar o deserto com minhas chuvas e cinzas!
162
LUZE-LUZES
Os homens, geralmente, temos medo de dizermos tudo aquilo que somos,
mas não nos privamos de dizer tudo o que nossos semelhantes são.
Assim, há um enigma nas verdades havidas por detrás dos verbos voláteis;
e árdua, diria eu impossível, é a tarefa de discernir, da essência trancada do ser, quando há sinceras fluorescências emitidas, ou quando são apenas sombras travestidas.
Por isso, cansado de lumes às avessas, e também de doar meus turvos e imanentes reflexos,
poderia eu dar uma severa ordem de restrição a meus semelhantes;
mas não farei isso porque eu sei, ou penso que sei, que, da abnomalia acidental que não se aceita em plenitude, ao fim, tudo se metamorfoseia em nada.
171
DESTA NÃO VOLTAREMOS
... os vigorosos, explêndidos e claros dias de outrora, em que nos amávamos como deuses alados
foram perdidos primeiramente em insane desventura e chuvas de fogo; e,depois, para lindos e negros braços da morte;
sim, as coisas eram mais coloridas, mais sublimes, mais harmoniosamente extáticas e infinitas
e, sempre que nos desentendíamos regressávamos da morte; mas esta é uma morte da qual nunca se regressa!
167
SOIS MENOS QUE AS PUTAS QUE AFAGAM
... de vez em quando, leio poesias que parecem escritas ___ por deuses,
que contêm narrativas de amores divinos ou erotismos e sensualidades além da condição ___ sapiens;
às vezes, eu vejo mais sombras nas entrelinhas das iluminuras literariamente ___ escritas
do que nas belas e fiéis escritas por alguns ___ rascunhadas.
167
FANTASMAS DE MIM
Alongo-me e me desterro silente para alcançar o deserto;
às vezes, até consigo congelar, nos ares, a palavra volátil;
mas ainda assim, e pior assim, tenho de me dar com meus fantasmas de mim.
140
MINHAS CHUVAS E TUAS MARGENS
... disseste que as águas das chuvas de fogo que te lancei forqm demasiado ___ violentas,
que queimaram seus olhos, seu corpo, suas geniltáalias ___ e sua alma pseudoluziada;
mas nem reparaste como foi apertado o laço, a compressão ___ e a violência
das tuas margens querendo contê-las, não é, ___ Senhora?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*