ILHADO
Que os voos das borboletas flutuantes e dos anjos farejantes não me perturbem, que, congeladas ao mar e ao ar, minhas velas e minhas asas continuem ; que, às luzes néon, vendo a morte em esplêndidas imagens e em faustas cores, eu continue.
O GRANDE ESPETÁCULO
Os vampiros levam fama de só acordarem ao som das ave-marias e de foderem (com) belas virgens às soturnas noites frias; mas ninguém os vê dentro (que talvez até mudassem de opinião sobre suas vertigens subjetivas): ali é que costumam manter suas mortes-vivas (ou vivas-mortes) em eternos amores, envenenados por lumes artificiais que lhes tomam as sombras vazias.
MANHÃS DE FOGO
... o primeiro beijo que ganhei de uma mulher foram nesses dedos que agora escrevem perdidos por aqui: a casa antiga ainda guarda na lembrança seus doces lábios, e a mente recita a pureza que sempre esperei regressar, mas que, até hoje, nunca mais se derramou em meu peito!
A CHAMA QUE NÃO SE APAGA
... uma ves tu disseste que, se um dia, a chama se apagasse entre nós não sobraria sequer lembranças ou destroços de nosso amor; e eu me lembro de te afirmar que estavas enganada e que, quando a morte te levasse antes de mim, como previste em teu revelador sonho, seria, mesmo em solidão e sombras eternas, que mais intensa, dedicada e slubimemente que eu iria continuar a te amar!
HÁ EM NÓS
Há em nós um pouco de pó estelar, um pouco de caos e ocaso, um pouco de quântica e de possibilidades factíveis ou absurdas; há em nós um pouco de amor, um pouco de ternura, um pouco de luz, muito de desejo e de aventura e, claro, há também em nós um pouco de sombras, um pouco de areia que já se pensou ser rocha e, sobretudo, um tanto demasiado de senciente loucura!
NA MACIEZ DO VERSO
... na maciez do verso e na solidão da noite, coloca-se o sôfrego cão ___ a sonhar, junto ao orvalho que, frio, se molha ao sereno do ___ luar, quando, na campa de meu próprio ___ deserto, ouso ao céu esmaltar e ao teu incenso imaginado ___respirar; então, olho para cima e vejo as estrelas a piscarem, como se ___ lhes corressem algo: são lágrimas de dor da ausência e de amor ___ querente!
ENVENENAMENTO
... com tanto veneno nas veias, não sei o porquê de meus sentidos ainda tão acesos, mas certamente não é devido a dilúvios e chuvas, e provavelmente seja pela força e robustez de um amor nuvem.
UM DESERTO REFLETIDO
Um clássico de Thaikovsky ou Mozart; às vezes, um jazz, samba ou roque a incitar-me (a mim, esse já-quase-nada-ser) para - quem sabe - um último espasmo teso, com alguma borboleta que desvoe, ou com alguma mariposa que não (mais) se vista com esplendes máscaras.
INALIENAVELMENTE
... fui concebido como abnomalia em meu centro; todo o resto do que pensam, sonham, dizem ou fazem não são para mim mais do que sombras de semelhantes abnormidades alheias!
O AMOR DOS SONHOS
Para se amar verdadeiramente e tal como dizem nos contos de fada que por aí inventam é preciso, em primeiríssimo lugar, não andarem sempre juntos e nãqo coabitarem com os amantes julgamo perfeitos, porque senão aquela levíssima sensação de embriagués cede lugar ao fétido cheiro que exala das bocas e dos banheiros em hora errada abertos!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*