Lista de Poemas
O DESFILE DOS SOBERBOS
Margaridas e tentilhões fediam
ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas
pelos canteiros e terreiros
da cidade.
Dentre eles,
a fulga flor de inverno (com seu tridente
dourado), que vivia a cantarolar:
"sou pura, pura, pura",
como que se
não tivesse nascido entre as demais,
como se não conhecesse
o próprio rabo;
como se também
já não tivesse a vulva (por todo tipo
de pássaro que se imaginar)
já rasgada.
ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas
pelos canteiros e terreiros
da cidade.
Dentre eles,
a fulga flor de inverno (com seu tridente
dourado), que vivia a cantarolar:
"sou pura, pura, pura",
como que se
não tivesse nascido entre as demais,
como se não conhecesse
o próprio rabo;
como se também
já não tivesse a vulva (por todo tipo
de pássaro que se imaginar)
já rasgada.
111
JÁ QUASE NADA
... nem bocetas corridas,
nem ilusões vívidas,
nem esperanças exíguas,
as fantasmagóricas
miragens ao deserto e estas angustiantes
sombriedades,
que andais lendo
(em forma de mal traçadas poesias)
por aqui,
é que estão
ressecando-me todo
o ser.
nem ilusões vívidas,
nem esperanças exíguas,
as fantasmagóricas
miragens ao deserto e estas angustiantes
sombriedades,
que andais lendo
(em forma de mal traçadas poesias)
por aqui,
é que estão
ressecando-me todo
o ser.
87
ONDAS APOCALÍPTICAS
Num átimo,
o sonho se transforma:
os mares antes cheios
se secam em frios e angustiantes vazios;
choram, em espasmos invisíveis,
os desertos que ficam.
o sonho se transforma:
os mares antes cheios
se secam em frios e angustiantes vazios;
choram, em espasmos invisíveis,
os desertos que ficam.
132
EU ME CONSAGRO AO SUBLIME NIHILO!
Quando eu morrer
vai ser exatamente como quando
nasci:
alguns continuarão
a dizerem se amar reciprocamente,
alguns se foderão,
em traições abrasadas, um ao outro
debaixo das escadas,
alguns comporão mais
e mais poemas, mais e mais canções,
mais e mais figurações
em artes máximas,
alguns continuarão
exercendo a soberbia máxima
e angariando poder, status e genitálias
escaldadamente excitadas;
sim,
quando eu morrer
volto a ser exatamente como antes
de nascer,
deixando
toda essa ilusória loucura de lado
e voltando a ser absolutamente
nada!
vai ser exatamente como quando
nasci:
alguns continuarão
a dizerem se amar reciprocamente,
alguns se foderão,
em traições abrasadas, um ao outro
debaixo das escadas,
alguns comporão mais
e mais poemas, mais e mais canções,
mais e mais figurações
em artes máximas,
alguns continuarão
exercendo a soberbia máxima
e angariando poder, status e genitálias
escaldadamente excitadas;
sim,
quando eu morrer
volto a ser exatamente como antes
de nascer,
deixando
toda essa ilusória loucura de lado
e voltando a ser absolutamente
nada!
122
ILHADO
Que os voos
das borboletas flutuantes
e dos anjos farejantes
não me perturbem,
que, congeladas
ao mar e ao ar, minhas velas
e minhas asas
continuem ;
que, às luzes néon,
vendo a morte em esplêndidas imagens
e em faustas cores,
eu continue.
das borboletas flutuantes
e dos anjos farejantes
não me perturbem,
que, congeladas
ao mar e ao ar, minhas velas
e minhas asas
continuem ;
que, às luzes néon,
vendo a morte em esplêndidas imagens
e em faustas cores,
eu continue.
190
SEM VAGA PARA FRACOS
A paixão é sempre como a paixão,
o desejo é sempre como o desejo,
o prazer e as gozadas são sempre
como o prazer e as gozadas,
os sonhos,
as fantasias e as teatrações
costumam ter, ao fundo, sempre a mesma
branca cor,
a rancor é sempre como o rancor,
e o lavor, e o horror, e o medo de se cair
em tremor;
na verdade,
até as dores não apresentam
tantos dissabores, dando-nos novos
filhos em arte parturiente;
por isso,
para amar de verdade,
é preciso um pouco mais,
é preciso supercar um pouco a margem
do que pensar ser humanamente
amor!
o desejo é sempre como o desejo,
o prazer e as gozadas são sempre
como o prazer e as gozadas,
os sonhos,
as fantasias e as teatrações
costumam ter, ao fundo, sempre a mesma
branca cor,
a rancor é sempre como o rancor,
e o lavor, e o horror, e o medo de se cair
em tremor;
na verdade,
até as dores não apresentam
tantos dissabores, dando-nos novos
filhos em arte parturiente;
por isso,
para amar de verdade,
é preciso um pouco mais,
é preciso supercar um pouco a margem
do que pensar ser humanamente
amor!
202
OS ANJOS NÃO EXISTEM
Já era essa estória
de crer em anjos puristas que vivem
em meio cáfilas de bocas
e cus contaminados:
agora, ando vendo apenas
(de minha janela ao deseto) os fervorosos
labores das formigas
terreiras,
as exíguas ilusões
das santas sacramenteiras, e as recorrentes
quedas das águias
trepadeiras.
de crer em anjos puristas que vivem
em meio cáfilas de bocas
e cus contaminados:
agora, ando vendo apenas
(de minha janela ao deseto) os fervorosos
labores das formigas
terreiras,
as exíguas ilusões
das santas sacramenteiras, e as recorrentes
quedas das águias
trepadeiras.
198
NO AMOR NÃO VALE TUDO!
NO AMOR NÃO VALE TUDO!
Dizem que
(quando se ama) tudo vale
aos aquiescidos leitos
brancos,
onde se esporram
esparramam em luminescências insones
e extáticas carnes?
Ora, então o que fazer
quando chega o tempo de navalhar sombras
ou de chover chuvas
de lágrimas?
E o que realmente
resta enforcado aos desérticos vales,
a não ser as interrompidas
imensidões,
outrora plantadas
(com palavras voláteis, ilusões espectras
e porras espirradas)
ao nada?
Dizem que
(quando se ama) tudo vale
aos aquiescidos leitos
brancos,
onde se esporram
esparramam em luminescências insones
e extáticas carnes?
Ora, então o que fazer
quando chega o tempo de navalhar sombras
ou de chover chuvas
de lágrimas?
E o que realmente
resta enforcado aos desérticos vales,
a não ser as interrompidas
imensidões,
outrora plantadas
(com palavras voláteis, ilusões espectras
e porras espirradas)
ao nada?
177
MANHÃS DE FOGO
... o primeiro
beijo que ganhei de uma mulher
foram nesses dedos
que agora
escrevem perdidos
por aqui:
a casa
antiga ainda guarda
na lembrança seus doces
lábios,
e a mente
recita a pureza que sempre
esperei regressar,
mas que,
até hoje, nunca mais
se derramou em
meu peito!
beijo que ganhei de uma mulher
foram nesses dedos
que agora
escrevem perdidos
por aqui:
a casa
antiga ainda guarda
na lembrança seus doces
lábios,
e a mente
recita a pureza que sempre
esperei regressar,
mas que,
até hoje, nunca mais
se derramou em
meu peito!
137
AO FIM DA ESTRADA
... serei
um caminho, uma luz
ou uma cruz,
ora cordeiro,
ora devorador,
ora um anjo sublime,
ora um demônio devorador,
ora ainda ao chão
ora ainda à transfiguração à nuvem;
toma
e alastra em mim a fronteira
do amor
até que me
vigore a grande noite
escura
e o silêncio
que não mais possa ser
agredido.
166
Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*