Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Dizem que (quando se ama) tudo vale aos aquiescidos leitos brancos,
onde se esporram esparramam em luminescências insones e extáticas carnes?
Ora, então o que fazer quando chega o tempo de navalhar sombras ou de chover chuvas de lágrimas?
E o que realmente resta enforcado aos desérticos vales, a não ser as interrompidas imensidões,
outrora plantadas (com palavras voláteis, ilusões espectras e porras espirradas) ao nada?
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EU SEI LIDAR COM A COISA!
Entre imagens, sonhos, fantasias, devaneios e paredes excepcionalmente bem inaurugradas e pintadas,
entre ruas, jardins, mares, casas e leitos onde falam sobre o amor e sobre coisas libidinosas sem o menor receio de que suas mascaras caiam,
sigo como niilista, nasce sol, entra noite, hora megulhando na tediosa solidão que tem só quem sente a famigerada condição humana,
ora apenas me canibalizando, também humanamente, entre as calcinhas, os seios e as xanas das beladonas puristas,
sempre, claro, com o cuidado de lhes tapar a boca com a mão para que não contradigam, em uma cama, os belos ensinametos que dão em seus claríssimos e soberbos plantões!
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EU QUERIA PODER MAIS, E EU QUERIA PODER ME CONTROLAR MAIS!
Não me considero uma, pois que sou niilista, mas há boas fontes.
E as escolhas por que caminhos trilhar, de que fontes frequentar e como delas beber
são inafiançavelmente de responsabilidade, para alívio, aprazer ou dor,
do centro do dasein de onde inexoravelmente se originam!
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O ENGANO SÓ OCORRE ATÉ A PASSAGEM DA PORTA DA SALA
Entre os secretos e escuros esconderijos meus,
ninguém,
nem os santos mais fiéis, nem os anjos mais perfeitos, nem as beladonas mais sublimes adentram,
sem saírem com uma estranha e doce sensãção de nausea,
devido ao fato de terem visto, entre calcinados sonhos, o abismo pegando fogo!
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EU SEI LIDAR COM A COISA!
Entre imagens, sonhos, fantasias, devaneios e paredes excepcionalmente bem inaurugradas e pintadas,
entre ruas, jardins, mares, casas e leitos onde falam sobre o amor e sobre coisas libidinosas sem o menor receio de que suas mascaras caiam,
sigo como niilista, nasce sol, entra noite, hora megulhando na tediosa solidão que tem só quem sente a famigerada condição humana,
ora apenas me canibalizando, também humanamente, entre as calcinhas, os seios e as xanas das beladonas puristas,
sempre, claro, com o cuidado de lhes tapar a boca com a mão para que não contradigam, em uma cama, os belos ensinametos que dão em seus claríssimos e soberbos plantões!
144
O FIM?
... o desejo é bom e gostoso,
o querer é fatalmente delicioso,
a soberba e o ego nos faz pensar que somos gloriosos;
mas nada, absolutamente nada, se equipara à sua mão encostada na minha
e ao amor que, independente da luz e da penumbra, vence o mundo.
125
VALES PROFUNDOS
Bocas regurgitam lumes tão sublimes que despertariam anjos e deuses
(se estes existissem),
enquanto úmidos ventres guardam orgíacos desejos e anguladas insânias,
em um tudo que se julga possível o "ser", que pensa poder fazer alguma diferença,
jogando incautamente suas faustas e falsas luzes em meio a nadas.
125
OS ANJOS NÃO EXISTEM
Já era essa estória de crer em anjos puristas que vivem em meio cáfilas de bocas e cus contaminados:
agora, ando vendo apenas (de minha janela ao deseto) os fervorosos labores das formigas terreiras,
as exíguas ilusões das santas sacramenteiras, e as recorrentes quedas das águias trepadeiras.
206
O DESFILE DOS SOBERBOS
Margaridas e tentilhões fediam ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas pelos canteiros e terreiros da cidade.
Dentre eles, a fulga flor de inverno (com seu tridente dourado), que vivia a cantarolar: "sou pura, pura, pura",
como que se não tivesse nascido entre as demais, como se não conhecesse o próprio rabo;
como se também já não tivesse a vulva (por todo tipo de pássaro que se imaginar) já rasgada.
120
EU ME CONSAGRO AO SUBLIME NIHILO!
Quando eu morrer vai ser exatamente como quando nasci:
alguns continuarão a dizerem se amar reciprocamente,
alguns se foderão, em traições abrasadas, um ao outro debaixo das escadas,
alguns comporão mais e mais poemas, mais e mais canções, mais e mais figurações em artes máximas,
alguns continuarão exercendo a soberbia máxima e angariando poder, status e genitálias escaldadamente excitadas;
sim, quando eu morrer volto a ser exatamente como antes de nascer,
deixando toda essa ilusória loucura de lado e voltando a ser absolutamente nada!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*