Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... neste momento, há alguém nascendo em alguma tosca ilusão,
há alguém nascendo em algum incêndio de palavras,
há alguém nascendo em alguma concupiscências entre bocas, corpos e mãos.
Neste mesmo momento,
há alguém morrendo em algum útero ressecado,
há alguém morrendo em alguma escola desleixada,
há alguém morrendo em algum leito enfeitado.
Sim, neste mesmo e exato momento em que me lês em tua tela mambembe,
onde costumas atirar brancas palavras voláteis
e beber de imagens, fantasias e libertinagens desvairadas.
176
O MAGNÍFICO TEATRO DA VIDA
Dançai ao palco das frêmitas imagens, nobilíssimos sapiens;
mas, por detrás das cortinas de enredos, gestos e palavras a que o olhar não toca,
deixai escondidos os pombais e as vulvas envenenadas,
que ali é onde reside a adelgaçada morte das ilusões vossas.
214
COMO EU JÁ DISSE: METADE DA COISA É MARAVILHOSA. A OUTRA METADE É PESADELO!
... não me cansa amar,
o que tem me deixado exaurido é não aprender a amar,
o que me cansa e me faz temer no caminho
são os constantes desentendimentos, crises de ciúme
e adeuses das beldades em quem confio,
quando juram que sublime e lealmente me amam,
enquanto se esparramam e gozam em outros céus e em outras camas!
79
ASSOMBRAÇÕES
Ouço vozes que me assombram à madrugada:
são os fantasmas das pombas mortas,
de quando me pousavam as carnes, os sonhos e as vesanias,
enquanto eu - convexo cão - ladrava do sapiens o alvo bestiário.
160
O ENGANO SÓ OCORRE ATÉ A PASSAGEM DA PORTA DA SALA
Entre os secretos e escuros esconderijos meus,
ninguém,
nem os santos mais fiéis, nem os anjos mais perfeitos, nem as beladonas mais sublimes adentram,
sem saírem com uma estranha e doce sensãção de nausea,
devido ao fato de terem visto, entre calcinados sonhos, o abismo pegando fogo!
162
TENHO TE ZELADO MESMO APÓS TUA MORTE
A voz sufocada na caixa, a mesma voz com que encantou tantos anjos, tantos tentilhões e tanto mitos marítimos.
O corpo mergulhado na terra, o mesmo corpo que povoou tantos leitos com seus leites espumados.
Os doutores, os tentilhões soberbos, os fodedores moralistas ficaram de fora, os mesmo que não conseguiram aguentar dela as posteriores quedas mandando-ma sempre de volta.
A alma se perdeu na morte. a mesma morte que tantas vezes mostrei a ela com o nome de apagamento, sempre advertindo-a para economizarmos
palavras, esperanças vãs, amores irreais, fantasias insanas e nos firmamos juntos antes que (e foi) nos fosse tarde demais!
139
TEMPORARIAMENTE
Há uma flor morta grudada em minha ainda humana sina.
Eu ainda sinto minhas roupas sujas com os sonhos, com as porras e com as sombras que dividimos à caverna juntos,
junto com anjos, canários, pardais, andorinhas, araras e uma infinidade de outros seres que por ali adentravam,
eu ainda sinto os cortes dos arames farmpados que com que ela cortara meu corpo e meu coração com amor que me prometia com lindas canções de amor.
Eu ainda me lembro de como lutávamos juntos, com todas as nossas forças, sem nunca termos vencido,
para evitarmos
o suicício mútuo que definitivamente
nos separaria desta vã
existência!
166
OS ANJOS QUE DÃO LIÇÕES DE MORAL COM O VERBO VOLÁTIL
Para aqueles que gostam de pregar puritanismos, enquanto extasiam os olhos diante de curvilíneas imagens,
é muito comum amarem a mitos, a ídolos e até a algum demônio pseudopoeta,
mas sem jamais deixarem de lhes dar áreos sermções ou de lhes atirar afiadas pedras.
120
A ILHA
Que não me queiram interromper o deserto, onde enterrei insanos flashes de néons;
que não me queiram acordar as vãs ilusões e as incautas esperanças que abandonei em infinitos quebrados;
que não me queiram ressuscitar a puerícia perdida em campos de vermes e feras;
que não me queiram, enfim, alimentar mais a qualquer fome ou sede doentias
(com seus indecifráveis cantos e encantos) algum desses anjos puristas
que costumam cruzar os céus com suas harpas mágicas e com suas máscaras diluculares.
169
EU SEI LIDAR COM A COISA!
Entre imagens, sonhos, fantasias, devaneios e paredes excepcionalmente bem inaurugradas e pintadas,
entre ruas, jardins, mares, casas e leitos onde falam sobre o amor e sobre coisas libidinosas sem o menor receio de que suas mascaras caiam,
sigo como niilista, nasce sol, entra noite, hora megulhando na tediosa solidão que tem só quem sente a famigerada condição humana,
ora apenas me canibalizando, também humanamente, entre as calcinhas, os seios e as xanas das beladonas puristas,
sempre, claro, com o cuidado de lhes tapar a boca com a mão para que não contradigam, em uma cama, os belos ensinametos que dão em seus claríssimos e soberbos plantões!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*