Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
a mão branda, a boca mais linda, o sexo mais ardente,
o sonho mais lindo, a fantasia mais louca e a navalha mais afiada que me abriu uma ferida tão grande e doída,
que fez com que eu me transformasse em uma terrível fera noturna!
152
A MULHER DO PRÓXIMO
De frente de minha casa, mora uma mulher que, toda tardinha, senta-se na beira do passeio da casa dela;
e eu, mais ou menos no mesmo horário, sento-me no passeio de minha casa de frente para a casa dela.
Como somos ambos casados, temos muita discrição e cuidado, deixantudo tudo ao acaso dos olhares;
vez em quando um sorriso, vez em quando uma cruzada de pernas, vez em quando um pedaço da calcinha,
vez em quando um sonho molhado, vez em quando uma esperança que jamais será frutificada,
vez em quando uma escondida e excitante punheta espumada!
137
ÁRVORE SECA
Aprendi a suportar
tudo nesta vida,
a dura lida,
as dificuldades,
os desejos promíscuos,
os sonhos impossíveis,
as esperanças perdidas,
o amor fugidio;
mas a duas coisas
ainda não aprendi a suportar:
a ausência dela e esse escarro em rios
secos que cresce eem meu corpo, em meu rosto
e em todo o meu corpo,
levando-me, ainda vivo
(e antes assim não fosse) à franca
e inevitável decadência de minha própria
carne!
170
À BORDA DA EXISTÊNCIA
Vede-vos, irmãos, os reflexos perante o espelho,
fazei a barba aos cuidados da lâmina, vesti o melhor terno, arrumai o cabelo
e maqueai-vos, a rímeis, as máscaras;
e, a rimas, o regozijo da palavra para vos irdes ao esplende baile na grande jaula circular da vida.
Lá, estarei vos esperando, irmãos meus, juntamente com toda nossa família sapiens.
181
MARCAS DO QUE SE FOI
Vou agora às mesmas planícies que guardam os segredos e as magias de minha tenra infância perdida;
tentando deixar-me, às costas - por exíguo destempo possível - o desalinho das feras sapiens.
E lá, mesmo que caiam fortes chuvas sobre a terra, as matas e os arbustos,
vou ruflar as pequenas asas azuis, libertar a indecifrável alquimia dos sonhos pueris e permitir que minha alma vazia se colora, libertamente, com lápis-cera.
165
FLOR DE INVERNO
... era aquela flor, em forma angelical,
que nos distinguia dos demais humanos, imaginando que pudéssemos conquistar infinitos e sublimidades sem iguais
e que, por me fazer amá-la tanto e depois partir para a fria e infinita hospedagem da morte,
deixou-me sozinho a carregar ilusões e pesos humanos neste mundo de figuração junto ao lamaçal!
154
ADÁGIO IN G MINOR
Lutando contra o pesadelo de tua ausência,
ando-me ao seco e endurecidos chão do deserto,
onde tenho como companhia apenas o sol escaldante, o frio cortante da noite
e o rede vento que, aos poucos, vai me esvaindo em sua delicada e solitária teia!
124
FLOR DE INVERNO
... era aquela flor, em forma angelical,
que nos distinguia dos demais humanos, imaginando que pudéssemos conquistar infinitos e sublimidades sem iguais
e que, por me fazer amá-la tanto e depois partir para a fria e infinita hospedagem da morte,
deixou-me sozinho a carregar ilusões e pesos humanos neste mundo de figuração junto ao lamaçal!
118
A TERCEIRA MARGEM
... da terceira margem, vou jogar uma corda,
quando chegar a hora, agarre-a
- o amor é isso: uma corda sobre a correnteza da vida -
e eu te conduzirei!
139
A MULHER DO PRÓXIMO
De frente de minha casa, mora uma mulher que, toda tardinha, senta-se na beira do passeio da casa dela;
e eu, mais ou menos no mesmo horário, sento-me no passeio de minha casa de frente para a casa dela.
Como somos ambos casados, temos muita discrição e cuidado, deixantudo tudo ao acaso dos olhares;
vez em quando um sorriso, vez em quando uma cruzada de pernas, vez em quando um pedaço da calcinha,
vez em quando um sonho molhado, vez em quando uma esperança que jamais será frutificada,
vez em quando uma escondida e excitante punheta espumada!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*