MORTE SÚBITA
Sem súbito
sentido, o cão morre à beira
do precipício,
sem ter conseguido
contemplar e nem amar
as belíssimas cifras de teus
abismos.
ADÁGIO IN G MINOR
Lutando contra o pesadelo de tua ausência, ando-me ao seco e endurecidos chão do deserto, onde tenho como companhia apenas o sol escaldante, o frio cortante da noite e o rede vento que, aos poucos, vai me esvaindo em sua delicada e solitária teia!
ABOMINADOR
... odiosas chuvas minhas, delas correm todos os anjos e todos os puritanos, com a discreta tração das palavras, sempre bem pontuadas com flores, luzes e amarras; eu temo os subterrâneos refúgios destes pássaros, e me ando, assim, derrocado abaixo, com meu sudário desértico!
VERSOS QUE NÃO SE SABEM
Escrevi dezenove mil poemas entre coisas de amor, de desejo, de erotismo, de paixão e de loucura; e até hoje sinto que nada fiz e que tudo e qualquer coisa fica sempre em meu poema não escrito!
OBESIDADES
... quando as chuvas se transformaram em chuviscos fracos e flácidos de gotas tangentes; foi que pude perceber, naquele sincero estio de insanidades, que todo amor que outrora nos perjuramos com o verbo volátil nada mais era que o reverso vazio de nossas interiores e efêmeras fomes por imagens, devaneios e ilusões.
FRUTOS DO SOL
Sob os raios intensos do sol, lentros, estúpidamente enganados e soberbos andam os homens com suas senciências, com seus desejos, com seus impulsos e com suas pseudovastidões. Onde já se viu a real sabedoria das pedras? qnde já se achou alguma beldade que de fato supere a fragmentação sapiens? E eu aqui, distante de tudo e preso em mim, vendo céus figurados e planícies devastadas, sem poder fazer absolutamente nada!
EU PENSEI QUE ESTÁVAMOS EM UMA AVENIDA DE MÃO DUPLA
... se dizes que me ama, quem sou eu para duvidar do que tu escolhes e dizes, mas se digo que te amo, por que achas que podes de mim duvidar, como se eu andasse com máscaras sempre postas, com esplêndias e falsas cores e com um inválido par de asas pregados no corpo, no coração e na alma?
A MULHER DO PRÓXIMO
De frente de minha casa, mora uma mulher que, toda tardinha, senta-se na beira do passeio da casa dela; e eu, mais ou menos no mesmo horário, sento-me no passeio de minha casa de frente para a casa dela. Como somos ambos casados, temos muita discrição e cuidado, deixantudo tudo ao acaso dos olhares; vez em quando um sorriso, vez em quando uma cruzada de pernas, vez em quando um pedaço da calcinha, vez em quando um sonho molhado, vez em quando uma esperança que jamais será frutificada, vez em quando uma escondida e excitante punheta espumada!
INTERIORES
... quando se tentar ver a alma de alguém pela beleza e pelo corpo, costuma-se cometer um grande erro; quando se avalia a alma de alguém pelas palavras que proferem, é quase certo: o inferno está perto!
SEM ESPERANÇAS NO AMANHÃ
Ausentes nas novas auroras, na chuva que cai ou no vento que entoa a penumbra: bocas, mãos, corpos e inválidas asas em desvelos: ama-me assim (se é que me amas) em silente e sagrado segredo, em mares altos ou em baldios terreiros. Mas sem a palavra volátil, porque meus portos estão todos alagados, e meus guarda-chuvas estão todos quebrados: sente apenas (e escolhe), que posso ser teu, renascido e intacto, ou apenas (e novamente) um futuro pássaro angustiadamente prostrado.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*