PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
501 155 Visualizações

FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

2763

INTERIORES

... quando
se tentar ver a alma
de alguém pela beleza
e pelo corpo,

costuma-se
cometer um grande
erro;

quando
se avalia a alma de alguém
pelas palavras que
proferem,

é quase
certo: o inferno está
perto!
139

A IMENSIDÃO DO NADA

Sou um cão líquido,
eu reflito espelhos com a coragem
de quem não se ousa olhar
perante eles;

eu comemoro os mortos
porque eles não podem mais usar
nenhum céu ou nenhum desaguadouro
como eu,

nem criarem
mais nenhum palco, compor mais nenhum
​​​​​​​poema, ou se perderem em mais
nenhuma ilusão;

sim, eu espelho
o inferno dos vivos, com seus
abastemas e com suas vesanias tão faustas
e coloridas,

e eu comemoro
com os mortos, beijando-os
todos os dias com
minha língua!
195

VERSOS QUE NÃO SE SABEM

Escrevi
dezenove mil poemas

entre coisas
de amor, de desejo, de erotismo,
de paixão e de loucura;

e até hoje
sinto que nada fiz e que tudo
e qualquer coisa fica sempre em meu poema
não escrito! 
191

MINHA TOLA AMADA

Ela nunca teve pressa,
imaginava que o mundo
era nosso

e que dele
podíamos beber, comer,
aproveitar e nos tornamos obesos,
que sempre nos havia tempo
para voltarmos para
casa,

e isso era tão
insano como sua ideia de que
nossa era a eternidade e de que o terreno
em nada podia nos
afetar:

agora ela
não mais pode ouvir eu adverti-la
que deveríamos ter tomado
mais cuidado,

que, um dia,
sempre chega o tarde demais!
174

A MORTE – ÚNICO REFÚGIO II

Tudo tem
o molde, a cor e a estrutura
formados pelo sapiens.

exceto,
digo eu, aquilo que não
cabe em tua aprisionada visão
do tudo,

aquilo
que representas o apagamento
onde nenhuma imgagem, pensamento
ou palavra humana pode
se moldar!
183

TU MAIS LONGA QUE A PRÓPRIA VIDA!

Tentei
te mostrar a liquidez
do ser,

tentei
te mostrar que os vidros
das janelas sapiens
eram embaçados,

tentei
te mostrar que não há chuvas,
raios ou tempestades
sem fogo,

tentei
te mostrar que o amor
que querias, tão puro e leal,
era das coisas mais vaidosas que
poderíamos almejar.

A nada entendeste,
ou fingiste não entender.

Quando tentei
te mostrar que o apagamento
nos é o único, definitivo e seguro
porto,

tu partiste
para além do início, do meio e do fim,
onde dizia ser o único lugar
onde poderíamos passar juntos
a infinitude lado
a lado!
183

NÃO-SER

... ausência de amor,
ausência de sonho,
ausência de dor,

ausência de impulso,
ausência de desejo,
ausência de fantasias absurdas,

ausência da angústia de existir,
ausência de imagens, de espelhos
e de senciências,

ausência
de tudo que é do humano,
com o resgate inevitável do apagamento,
das possibilidades e do caos!
130

A NÁUSEA

Primeiro o olhar,
depois a dissimulação e o engano,

seguido de paixão
e de um amor dito eterno
e leal,

e o impulso
começa imediatamente
a entrar em ação: caverdas meladas
e árvores em ereção;

depois do êxtase,
vem o ostracismo, a sensação
de vazio, o ciúme, a posssividade,
a desconfiança

e um monte
de lixo advindo do palco anterior
onde se deitaram e se foderam sem estarem
preparados:

anestesia da razão,
vesanias,
medo,

as aguas se turbam,
chegam os vômitos verbais,
o efeito-náusea chegou!
221

ANGÚSTIA E DOR

... imensa
a dor de alguns de meus
___ versos,

às vezes,
chovo mares
___ e enegreço céus;

em outras vezes,
pulso despercebido
e alguma estrela chora
___ escondida:

é imensa
a dor de alguns de meus
___ versos,

às vezes,
brotam de uma alma perdida,
que simplesmente também
___ chora!
171

ESTAMOS CONDENADOS A NÃO CONTEMPLAR A VERDADE

Pobres sapiens
nunca souberam o que é o eterno
frio noturno,

nem que
as coisas nunca são conforme
pensam, imageinam ou bordam
com suas palavras
e retinas,

nem que a concepção
de passado, de presente e de futuro
que têm para nortearem suas vidas
nunca passou sequer
de uma ilusão,

que seus deuses
são falsos, pois como todas as demais
coisas, não foi feito por outro motivo
de lhes servir às vontades
e à ânsia de serem
eternos;

sim, pobres coitados,
estão condenados a acreditar
em tudo aquilo que pensam reinaugurar,
até que chegue, como medo
do fim,

o momento
de voltarem a ser, não humanos,
mas tudo aquilo que realmente
nunca foram!
181

Comentários (7)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!