INTERIORES
... quando se tentar ver a alma de alguém pela beleza e pelo corpo, costuma-se cometer um grande erro; quando se avalia a alma de alguém pelas palavras que proferem, é quase certo: o inferno está perto!
A IMENSIDÃO DO NADA
Sou um cão líquido, eu reflito espelhos com a coragem de quem não se ousa olhar perante eles; eu comemoro os mortos porque eles não podem mais usar nenhum céu ou nenhum desaguadouro como eu, nem criarem mais nenhum palco, compor mais nenhum poema, ou se perderem em mais nenhuma ilusão; sim, eu espelho o inferno dos vivos, com seus abastemas e com suas vesanias tão faustas e coloridas, e eu comemoro com os mortos, beijando-os todos os dias com minha língua!
VERSOS QUE NÃO SE SABEM
Escrevi dezenove mil poemas entre coisas de amor, de desejo, de erotismo, de paixão e de loucura; e até hoje sinto que nada fiz e que tudo e qualquer coisa fica sempre em meu poema não escrito!
MINHA TOLA AMADA
Ela nunca teve pressa, imaginava que o mundo era nosso e que dele podíamos beber, comer, aproveitar e nos tornamos obesos, que sempre nos havia tempo para voltarmos para casa, e isso era tão insano como sua ideia de que nossa era a eternidade e de que o terreno em nada podia nos afetar: agora ela não mais pode ouvir eu adverti-la que deveríamos ter tomado mais cuidado, que, um dia, sempre chega o tarde demais!
A MORTE – ÚNICO REFÚGIO II
Tudo tem o molde, a cor e a estrutura formados pelo sapiens. exceto, digo eu, aquilo que não cabe em tua aprisionada visão do tudo, aquilo que representas o apagamento onde nenhuma imgagem, pensamento ou palavra humana pode se moldar!
TU MAIS LONGA QUE A PRÓPRIA VIDA!
Tentei te mostrar a liquidez do ser, tentei te mostrar que os vidros das janelas sapiens eram embaçados, tentei te mostrar que não há chuvas, raios ou tempestades sem fogo, tentei te mostrar que o amor que querias, tão puro e leal, era das coisas mais vaidosas que poderíamos almejar. A nada entendeste, ou fingiste não entender. Quando tentei te mostrar que o apagamento nos é o único, definitivo e seguro porto, tu partiste para além do início, do meio e do fim, onde dizia ser o único lugar onde poderíamos passar juntos a infinitude lado a lado!
NÃO-SER
... ausência de amor, ausência de sonho, ausência de dor, ausência de impulso, ausência de desejo, ausência de fantasias absurdas, ausência da angústia de existir, ausência de imagens, de espelhos e de senciências, ausência de tudo que é do humano, com o resgate inevitável do apagamento, das possibilidades e do caos!
A NÁUSEA
Primeiro o olhar, depois a dissimulação e o engano, seguido de paixão e de um amor dito eterno e leal, e o impulso começa imediatamente a entrar em ação: caverdas meladas e árvores em ereção; depois do êxtase, vem o ostracismo, a sensação de vazio, o ciúme, a posssividade, a desconfiança e um monte de lixo advindo do palco anterior onde se deitaram e se foderam sem estarem preparados: anestesia da razão, vesanias, medo, as aguas se turbam, chegam os vômitos verbais, o efeito-náusea chegou!
ANGÚSTIA E DOR
... imensa a dor de alguns de meus ___ versos, às vezes, chovo mares ___ e enegreço céus; em outras vezes, pulso despercebido e alguma estrela chora ___ escondida: é imensa a dor de alguns de meus ___ versos, às vezes, brotam de uma alma perdida, que simplesmente também ___ chora!
ESTAMOS CONDENADOS A NÃO CONTEMPLAR A VERDADE
Pobres sapiens nunca souberam o que é o eterno frio noturno, nem que as coisas nunca são conforme pensam, imageinam ou bordam com suas palavras e retinas, nem que a concepção de passado, de presente e de futuro que têm para nortearem suas vidas nunca passou sequer de uma ilusão, que seus deuses são falsos, pois como todas as demais coisas, não foi feito por outro motivo de lhes servir às vontades e à ânsia de serem eternos; sim, pobres coitados, estão condenados a acreditar em tudo aquilo que pensam reinaugurar, até que chegue, como medo do fim, o momento de voltarem a ser, não humanos, mas tudo aquilo que realmente nunca foram!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*