pmariabotelho

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n. 1965 PT PT

serei breve serei ave

n. 1965-10-22

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A espera

Não só a vida, também o tempo.
A questão da vida e do tempo não interessa absolutamente nada.
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
Em verdade, resume-se à longa espera do tempo novo.
Mas a espera ou as esperas que fazemos ao longo da vida, concluo que é um grande erro.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.

pmariabotelho
20210306
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Poemas

3

Dia mundial da poesia

Não tive tempo
Queria escrever, mas o tempo não me deixou
Hoje venci o tempo e as tempestades
Dei tranquilidade ao corpo e à alma
Procurei na noite abrigo e no teu beijo o aconchego do nosso lar
Tempo estranho tempo maduro
As flores que agora dão fruto no teu quintal
Chamamos de primavera flor
É puro o amor que ambos desfrutamos e merecemos
No dia mundial da poesia
Que pena, não tive tempo
Queria escrever, dizer vos o quanto vos amo, meus rebentos de roseira brava
Mas, o tempo não me deixou,
Que fosse apenas a admiração de todos os vossos espinhos carregados de tanta revolta e raiva
De juventude ou prenuncio de uma velhice sem idade
não foi possível
e então as vossas pétalas, macias e ternas ficaram tristes
Tudo passou e como sabemos tudo passa,
As pedras do teu jardim essas lá estão, ainda
e o roseiral entardeceu na oração de um Deus Maior
a natureza fez-se mulher e a noite chegou assim
sem máscaras
com a nudez perfeita
para o sonho
quiçá ainda infantil

pmariabotelho
tempoprimaveraflor
88

És tu que preenches a nossa alma de paz.

Tu preenches a nossa alma de paz.

O nosso olhar ganha visão periférica 

Tu és poderoso e nós pequenos

Mar e grãos de areia.

Revivemos quase sempre o verão.

Os mergulhos pelo fim da tarde

Quando todos recolhiam a toalha da praia, nós chegávamos. 

Mergulhávamos sem medo nas tuas águas frias

Em cada onda o corpo trespassava o teu por inteiro 

Sensação de liberdade 

Depois, ficávamos ali na areia fina da praia para ver o sol cair no mar

As gaivotas rodopiavam por cima das nossas cabeças

um frenesim faminto de peixe agora migalhas de pão

Não existe alma viva que não te admire e te tema

Que te respeite e admire

Caminhadas e longas conversas sobre a essência das coisas, 

E a essência sempre esteve lá

 

pmariabotelho

04032023 temponovo

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És tu que preenches a nossa alma de paz.

És tu que preenches a nossa alma de paz.
Em ti o nosso olhar ganha visão periférica e revivemos quase sempre o verão.
O tempo dos mergulhos pelo fim da tarde. Quando os outros levantavam a toalha da areia e voltavam para as suas casas, então, nós chegavamos.
Depois, ficamos ali, sentados, na areia fina da praia para ver o sol a cair no mar...
As gaivotas ficavam agitadas, na procura de migalhas de pão, ficavam rodopiando por cima das nossas cabeças, soltando gritos
A nossa infância mora nas tuas ondas...
Os castelos de areia, as caminhas, as corridas, a bola, as cartas, a merenda e a fogueira na praia...
O ano inteirinho, tu és fonte de energia vital.
A mãe e a café com leite na garrafa termos... O pão com manteiga e a barraca às riscas azul e branca. 
As longas conversas sobre a essência das coisas. O regresso a casa embalados na oração e nas canções do senhor António.
Meu Deus, que tempos de tanta alegria!

Alguns instantes que sejam perto de ti, bastam para saltar e correr durante semanas.

És tu que preenches a nossa alma de paz.
Não existe alma viva que não te admire e te tema
Que te respeite e admire
Senhor 
ai de mim
de nós 
sem ti

pmariabotelho
04032023 temponovo

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