O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Todo irmãozinho atormenta a vida dos mais velhos. E eu, como um irmão menor comum, cumpri o meu papel, enchi a paciência da minha irmã.
Não sei se o mais irritante era a minha voz infantil ou as “groselhas” que eu disse, também infantis, Eu, exercendo os meus direitos universais de criança, falei até ser neutralizado com um direto de direita. Confesso, fiz uma doação de sangue compulsória. Como a sala de minha casa não era um ambiente apropriado para o que poderia ser interpretado como um gesto altruísta, nem havia o recipiente adequado, o chão recebeu uma enxurrada de A .
Também tenho que admitir, chorei. A cena deve ter sido bem dramática: ajoelhado e chorando, espalhei o líquido vermelho na barra da calça da minha irmã, gastando o meu pequeno dicionário de impropérios.
No meu respeitoso cartel de combates, essa foi a única vez que alguém me deu um soco; pela educação, bem como os modos de minha irmã mais velha, acredito que essa deve ter sido a solitária oportunidade que ela “enfiou a mão na cara” de um outro ser humano. Se bem que eu não era dotado de tanta humanidade assim. Uma criança e uma adolescente pode ser uma combinação explosiva. E foi. Se alguém ali tivesse o mínimo de conhecimento jurídico, eu teria sido recolhido dali direto para a FEBEM (atual Fundação CASA). Porém, fui poupado de mais esta humilhação.
Poderia durar apenas uns dias, entretanto demorou décadas para essa mágoa cicatrizar. Confesso aqui, toda vez que andei armado pensei em me vingar daquele direto de direita. Contudo, não o fiz. Achei que seria deprimente demais confessar o porquê do assassinato e, além de tudo, ser aprendido. Preferi esconder esse rancor, guardar a mágoa e manter o silêncio, acreditando que a outra parte adotaria igual comportamento. Sem testemunhas, botei fé que o ocorrido permaneceria guardado a 7 chaves e enterrado. No entanto, não foi isso o que aconteceu e desde então mantenho conspurcado o meu desempenho nos ringues amadores.
Sei que esse embaraçoso episódio foi vergonhoso o bastante para ser eternizado numa crônica, mas finalmente me livrei desse fardo. Agora eu me sinto bem mais leve. Já era tempo. Graças a Deus...
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🔴 Fazendas aqui, florestas lá
EUA — a agricultura “invade” áreas de conservação ambiental.
Alemanha — destrói floresta de 12.000 anos para extração de carvão; alguns vilarejos, que estavam no caminho, também não foram poupados.
Não só faltou quórum, como houve falta de “tweets”, também faltou o barquinho da Greta e o deslocamento da brava lancha do Greenpeace. Algo tão grave, e o que se viu foi o ensurdecedor silêncio dos “lacradores” de ocasião. Esses “lacradores” (que eu citarei os nomes), além das suas respectivas profissões, encontraram no falso ambientalismo um meio de vida. A perseguição travestida de preocupação ambiental garante a subsistência desses aproveitadores. É um meio de vida e a sinalização de virtude num só tuíte.
ONGs, ambientalistas, Emmanuel Macron, Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg ficam calados. Devem estar cansados de se meter na Amazônia. Ora preservando “nossas girafas, ora postando fotos antigas de queimadas, esses personagens aproveitam os dividendos de acenar para uma falsa preocupação e de quebra mostram para o mundo que são anti-Bolsonaro. Nunca foi para salvar o planeta, se fosse, a poluição provocada pela China e os mega-incêndios ao redor do mundo incomodariam e acionariam os ativistas citados. No entanto, eles só se interessam pelo Brasil. Por quê?
Com a pandemia e a guerra, nossos “heróis” tomaram um choque de realidade, pararam de tentar mudar o mundo e se ensimesmaram. O instinto de sobrevivência se impôs sobre uma agenda secundária. Certas reivindicações voltaram a ser supérfluas. Quem vivia de “lutar” por pautas claramente secundárias, como banheiros trans, assustaram-se, pois a realidade se impôs como uma bigorna. E agora, fazer o quê?
Se você pensa que está livre da choradeira de Emmanuel Macron, dos discursos teleguiados, na ONU, da manipulada Greta Thunberg, dos “posts” alarmistas de Leonardo DiCaprio, do pedido de socorro enganador de muitas ONGs (sem o “N”) e ambientalistas, não se engane, quando tudo retornar àquela calmaria, a Organização das Nações Unidas (ONU) sacará a Agenda 2030.
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🔴 “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”
Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, teve a sua vociferação raivosa interrompida. Um pobre fotógrafo teve sua paz impedida por alguém que suplicou que arrancasse a garrafinha do pré-candidato. O tomador de imagens, atribulado com a difícil tarefa de flagrá-lo com uma aparência bonachona, deve ter tremido de medo, quando o chefe, vermelho como um peru, inchado, suado, fala pastosa e olhos fixos e esbugalhados, perguntou: “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”
O fotógrafo Ricardo Stuckert, em Porto Alegre, representou o povo brasileiro. Tivemos uma difícil oportunidade, antes das eleições, de observar o demiurgo, sem o edulcorante marqueteiro, em estado natural.
Sem dependermos somente das mídias tradicionais, na internet podemos ver (e rever) o petista cometendo seus “sincericídios”: chutando quaisquer números, brigando com sua equipe, reclamando do público etc. Sem a mágica marqueteira, o recém-casado não consegue ser gente boa.
Falando em recém-casado, amando e líder nas pesquisas, ele deveria estar mais alegre. Mas não é isso o que vemos, ao contrário, testemunhamos um sujeito raivoso, de mal com a vida e querendo se vingar da Humanidade. A pergunta é: por quê? Como eu não confio no DataFolha, só me resta botar fé na Janja. Nem a conheço, mas a julgar pela qualidade da garrafa de vinho encontrada em seu lixo, a moça não tem culpa do ódio.
Lula quer fazer uma campanha à Presidência sem o povo. Este, depois de ser furtado pelo ex-presidiário, o recebe sob xingamentos. Tendo mais este motivo para evitar contatos, o partido dos Trabalhadores (PT) tramou e inventou a “Caravana Digital”. Espécie de caravana imóvel, o evento mantém a salubridade de todos. Em ambientes controlados, plateia favorável e jornalistas amigos, o postulante atrabiliário segue intimidando e se escondendo.
Concordo quando dizem que nunca foi tão fácil escolher. Se na campanha é assim, imaginem durante o mandato. O pré-candidato não tem promessas, tem ameaças.
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🔵 Figuras
Acordar no sábado e descobrir que seus amigos começaram uma coleção de figurinhas de futebol sem te avisar é considerado alta traição. Como forca, cadeira elétrica ou injeção letal, além de não utilizados no Brasil, são castigos incompatíveis com o delito, as penas não foram aplicadas. Preferi adquirir, mesmo depois, o álbum e algumas figurinhas.
O meu senso de qualidade e valor financeiro ainda não estavam apurados, talvez por causa do orgulho infantil de obter “a grande novidade”. O fato é que: os cromos eram porcamente impressos, o álbum era interminável, havia times insignificantes, como o Tuna Luso e “prêmios” como: utilidades domésticas incompletáveis. Não bastasse a péssima qualidade do produto, o nome daquilo era... ‘Trá-lá-lá de Ouro’. O “de Ouro” talvez fosse para agregar valor à porcaria toda. Funcionou.
Viramos escravos do lixo e, pior, só pretendíamos largar aquela coisa quando terminássemos a coleção. Isso não se faz com uma criança, neste caso, três. Como todo estelionato, esse, atraiu pela cobiça.
A coleção foi bem, até certo ponto. Mas as horríveis panela de pressão, batedeira e liquidificador, enfim as utilidades domésticas, nunca completavam. A perspicácia tardia nos ajudou a concluir que havíamos sido enganados. Para dramatizar mais a situação, não encontramos mais ninguém com o material. A qualidade era tão desprezível, que não havia comércio, nem troca, nem “bafo” (jogo). “Morremos” com o material... Ir à banca de jornal e pedir o reembolso não era uma opção. A solução mais sensata foi admitir a derrota e abandonar o álbum incompleto.
Enquanto eu torrava meus surrados trocados no álbum de figurinhas pessimamente acabado, ridiculamente impresso e grudado porcamente com uma tóxica cola escolar, minha irmã desfilava com os impecavelmente acabados, cuidadosamente impressos e minuciosamente colados (autocolantes), mas enfadonhos ‘Amar é...’ e ‘Bem Me Quer’. Era muita humilhação.
Por mais que eu desqualificasse os álbuns femininos, faltavam argumentos para defender um produto de estelionato que chamava... ‘Trá-lá-lá de Ouro’.
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⚫️ Sucesso internacional
Ouvi que a cantora Anitta é sucesso internacional. Parabéns. O sucesso, atualmente, é medido por visualizações; vendas, esqueça. Dizem que a Anitta (a equipe dela) impulsionou o número de visualizações. Não precisava. Por curiosidade, eu talvez escute alguma composição musical da cantora. Talvez.
Ouvindo Quincy Jones no Spotify, trombei com a canção Desafinado de Newton Mendonça e Antonio Carlos Jobim. Isso, sim, é sucesso internacional. Eu já tive a feliz experiência de ver e ouvir alguém da Bossa Nova sendo paparicado pelos “gringos”, não o contrário. Agora, no Spotify, estava ouvindo música americana, de repente toca uma música brasileira de 1959.
A Anitta está garimpando o espaço dela. Ainda que seja numa dancinha do Neymar, na bandeira de escanteio, depois de um gol; no”Brazilian Day”; num festival (categoria “World Music”); até mesmo ganhando o “Grammy” de música latina, a cantora tem méritos. Mas impulsionar o número de visualizações é covardia. Chega a dar saudade da entrega de disco de ouro no Cassino do Chacrinha.
Meu “sucessômetro” é sintonizar o rádio e ser obrigado a ouvir uma música que você odeia; ligar a TV e deparar com a apresentação ao vivo daquele grupo que você não quer ver; passar em frente a Casas Bahia e ter que aguentar a canção antes, durante e depois da passagem em frente à loja; e ir dormir lembrando toda a melodia. Não tem como fugir nem negar, a música chiclete, isso é sucesso.
Visualizações não significam sucesso, muito menos talento. É muito comum algum vídeo “trash” render uma enxurrada de cliques atrás de boas risadas: quem se lembra de Rebecca Black e seu “hit” Friday? Justamente, a má qualidade pode atrair audiência.
Os LP’s e CD’s eternizaram o fenômeno de levar às lojas quem realmente curtia alguma faixa do disco; diferentemente, o clique não custa nada, isso gera distorções.
Sinceramente, só conheço uma canção da Anitta, antiga. Atual, não conheço nenhuma nem estou com vontade de escutar alguma no Spotify ou Deezer. Talvez eu espere uma dancinha do Neymar ou algum “hit” grudar na minha cabeça.
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🔵 Colheita maldita
Não é recomendável nenhum jeito para se começar a fumar, entretanto eu descobri na prática como não se deve tentar aprender. Pensando bem, é possível que essa experiência tenha afastado toda a tendência de viver viciado em tabaco.
Foi numa cidadezinha nas montanhas do Rio Grande do Sul. É um perigo passar as férias, com um moleque de 14 anos, numa fazenda com plantação de fumo. Parece óbvio que, com a curiosidade intrínseca à idade, o pirralho quererá consumir o produto “in natura”.
Um garoto da cidade vivendo o turismo rural e com uma farta oferta de entorpecente era uma combinação explosiva. O que antes eu apenas presenciara nos caixas de padarias, agora poderia ser calculado em hectares.
Ah, as belezas da natureza e as delícias da fazenda! Contudo o perigo estava lá, dia e noite, plantado, defumando, me provocando quando desfila num carro de boi. Mas chegaria a hora em que eu e a matéria-prima da Souza Cruz nos encontraríamos.
Certo dia, cansado da rotina do campo a ponto de sentir saudade do prédio da Fiesp, depois de cortar lenha a machadadas, eu e meu amigo resolvemos visitar as folhas de fumo que descansavam no defumador. No nosso mal-formado juízo, o produto já estava pronto para consumo.
Abrindo aquele cômodo, foi legal ver aquelas folhas, que recheariam os cigarros, enfileiradas. Confesso que eu ainda preferiria encontrar aquela salinha cheia de biscoitos São Luiz. Mas era chegado o momento de eu virar um “adulto” na marra. Ter ido passar as férias cercado por um latifúndio de tabaco, só poderia ser um sinal do destino!
Escolhemos o vegetal, enrolamos e acendemos o “charuto”. Que mal poderia fazer se era uma erva natural? Traguei como o cowboy da Marlboro, e tossi como eu mesmo. Abruptamente, voltei a realidade e, achando a erva muito amarga e tóxica, comecei a achar o chimarrão palatável.
O que tinha tudo pra ser um rito de passagem perfeito, marcando exatamente o final da infância e o início da vida adulta, foi um episódio traumático. Depois, vim a saber que nenhuma forma de aprender a fumar é interessante. Talvez, a terrível aventura tenha servido para encerrar a curiosidade. Ah, eu continuei viciado em biscoitos São Luiz.
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🔵 A Praça do Pôr do Sol
Saindo da FNAC Pinheiros, cinco da tarde, no inverno o Sol se escondia às cinco e vinte. Sábado, só sairia umas dez da noite, então não custaria me infiltrar entre uma turma que abraça árvores e aplaude o pôr do sol.
Não seria novidade, para quem passou a tarde entre uma “galerinha natureba” que acha que vai salvar o planeta e a si bebendo suco detox, usando canudo de papel, usando copo reutilizável, construindo móveis com madeira de reúso, armazenando água da chuva e reciclando lixo, mas queimando diesel. Para completar minha inserção no universo “esquerda de IPhone” e elevar meu ranking de “bichogrilisse” ao máximo, fugi, sem sucesso, das onipresentes “contações de histórias”. Eu fui à FNAC sabendo que de sábado era, infalivelmente, assim. A livraria ficava muito perto da Vila Madalena, portanto sabia onde eu estava pisando.
Cheguei a pé à Praça Cel. Custódio Fernandes Pinheiro. Tá, Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros. O lugar ganhou esse nome, porque é um dos raros locais agradáveis, em São Paulo, onde se pode acompanhar a fuga da bola de fogo até a última borda.
Não deu outra, em meio à “selva de pedra”, o corre-corre, o trânsito, as cracolândias e “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, aquele bando de gente aplaudia efusivamente — aos gritos de “ú-hú” — o pontual espetáculo da natureza que resolvia embasbacar diariamente os paulistanos para lembrar quem é que manda.
Depois da concessão à natureza, após lembrar o que há além dos apartamentos, dos automóveis, dos eletrodomésticos, dos eletroeletrônicos, enfim, das facilidades do dia a dia, todos voltam à rotina da cidade grande. A Praça do Pôr do Sol é só uma lembrança.
A Praça do Pôr do Sol está muito popular. Eu comecei a frequentar ali quando ainda era agradável, parei de ir ali quando um arranha-céu cobriu a réstia dos raios solares que brigavam com o vento gelado e a Praça ficou tão popular que a frequência e a sujeira transformaram o tranquilo e limpo local numa filial da Cracolândia.
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🔴 Cancelamento da derrota
Nem Governo de São Paulo, muito menos a uma Presidência da República. João Doria achou que bastava se escolher, no entanto nem o PSDB, seu partido, acreditou na candidatura.
O político que representaria a terceira via dos sonhos para o “stablishment” é o Eduardo Leite. Discreto, ele é muito parecido com os social democratas europeus, portanto perfeito para cumprir as agendas da Organização das Nações Unidas (ONU), obedecer todas as diretrizes ambientais, demarcar terras indígenas, enfim, obedecer tudo o que vem do exterior, mesmo a ordem sendo de países muito poluidores. Entretanto, por trás daquele rosto inocente há um ditador, foi o que vimos durante a pandemia. Para impedir a contaminação, o, então, governador do Rio Grande do Sul lacrou corredores de supermercados.
Voltando a falar do ex-governador de São Paulo. Na despedida da candidatura, o tom da fala, a expressão, os gestos, exatamente tudo foi calculado e planejado a fim de atingir um efeito esperado e repercutir como almejado. Contudo, o tiro saiu pela culatra. O telespectador não cai mais nessas estratégias, em grande parte por causa da internet. Tudo em João Doria soou falso, portanto, não colou.
O coronavírus já foi expressamente festejado como “presente de Deus para a esquerda”, segundo Jane Fonda e Lula agradeceu pela natureza ter criado o vírus, mas, mesmo sem a cara de pau de dar glórias à vinda do vírus, Doria vislumbrou a oportunidade e fez muito para derrubar o governo de Bolsonaro. O governador, que quis ser o “pai da vacina”, não passa de um lobista chinês. O que chamam de trajetória política, eu entendo como plano nefasto ou, no mínimo, estratégia mirabolante. O Brasil, nas garras do João Doria, seria mera mercadoria.
Agora, resta ao “stablishment” apostar na Simone Tebet. Lançada, finalmente, como a terceira via, pesquisando bem é fácil descobrir que ela não tem nada de novo e tem relações muito perigosas.
Dissimulados, muitos tentam se lançar como a tal terceira via (nem esquerda nem direita). Essa tentativa ensaboada de parecer novidade não engana mais. Desse modo, Jair Bolsonaro surfa, apresentado-se rústico; o povo, notando a edulcoração e artificialidade dos candidatos de sempre, vota no doidão.
34
🔵 Livros, café e rock and roll
Depois de ver (e ouvir) os últimos lançamentos de CD’s e alguns mais antigos, nada mais óbvio que fazer a mesma coisa com os livros. Tratando-se de uma livraria, era tudo o que eu poderia fazer, certo? Errado.
Feito o “upgrade” musical e literário, alimentando o espírito, era hora de alimentar o corpo. Pedi um salgado e um café no Fran’s Café da FNAC da Avenida Paulista. Encontrei uma mesa vaga. Sorte, para um sábado. Coloquei o diminuto, embora caro, café da tarde na mesinha e sentei.
Os “roadies” “plugaram” os amplificadores e retornos, afinaram a guitarra e o baixo, ajeitaram os microfones e a bateria, pronto. Era só a banda entrar e tocar. O “pocket show” do ‘Doctor Sin’ compensaria o caro desjejum, dando até uma boa vantagem no custo-benefício.
***
São Paulo, 16 de janeiro de 1993, estádio do Morumbi. O Dr. Sin subiria ao palco, naquele inesquecível Hollywood Rock, antes das bandas Engenheiros do Hawaii, L7 e Nirvana, respectivamente. Todas as apresentações foram OK, mas o Nirvana, no auge, foi uma porcaria. Diz a lenda que João Gordo (Ratos de Porão) falou pro “consciente” Kurt Cobain (vocalista e guitarrista do Nirvana) que ele tocaria num festival patrocinado por uma marca de cigarros. Sabendo disso, ele avacalhou o show. Uma banda cover teria tocado bem melhor. Tocar num evento financiado pela indústria tabagista, com absoluta e comprovada certeza, era o menor dos problemas para Kurt. Foi uma inicial, visionária e clara sinalização hipócrita de virtude.
A melhor performance foi do “power” trio Andria Busic, Eduardo Ardanuy e Ivan Busic, o Dr. Sin. Dessa vez, eu não enfrentei longas filas, mega lotação, as dificuldades de permanecer em pé e a distância do palco. Assistiria ao show de maneira corriqueira, apenas comendo algo numa lanchonete, não sentado numa cafeteria.
Pouco mais de um ano depois, Kurt Cobain (líder do Nirvana) estourou os miolos. A banda entrou para a história. Livros e documentários foram lançados. O mundo até ficou politicamente correto como o suicida Kurt. No show do Nirvana, mesmo que avacalhado, quem foi, foi.
***
Anos depois, eu estava assistindo ao show da mesma banda do Hollywood Rock, só que tomando um café da tarde numa cafeteria de livraria. Foi um sinal de que a idade estava se impondo.
69
🔵 Eu poderia estar roubando, matando...
Eu apenas preciso que o transporte me leve do ponto A para o ponto B. Mas não é isso o que acontece. Sobretudo nos trens, vendedores oferecem comidas — à base de corante, aromatizante, conservante, acidulante e gordura vegetal — vencidas em troca do meu sagrado dinheirinho.
Eles surgem por baixo das catracas dos ônibus ou do fundo do vagão do Metrô ou trem ameaçando os passageiros com o seguinte discurso: “Eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou vendendo estas balas…”. Para despertar alguma empatia, a desgraça não podia ser pouca, então ele elencou um combo de mazelas para todos os seus familiares. Exemplos: unha encravada, câncer, desemprego e dívidas. De cara, sou levado a pensar: Que cara legal! Depois, penso: Que azar, mas ao menos ele tem alternativas, eu sou obrigado a cumprir meu horário na empresa. Finalmente, raciocino melhor e concluo: se ele poderia estar roubando ou matando, a vítima poderia ser eu. Isso foi uma ameaça.
Entretanto, enquanto eu fiquei filosofando, o vendedor — que tão generosamente optou por trabalhar em vez de roubar e matar —, ligeiramente, equilibrou um pacote de balas sobre minha coxa esquerda. Eu observei aquilo, confesso, ignorando a desastrosa estratégia de venda, esperando que o objeto fosse recolhido ou minha estação chegasse. Mas resolvi examinar a embalagem. Além de exibir um vencimento digno de interdição da Anvisa, o pacotinho denunciava que o doce viajou, em diversos colos, do Tucuruvi ao Jabaquara umas quatro vezes.
Dirigindo, também não escapo dos ambulantes. Percebo que não há nada por perto, quando sou retido pelo semáforo (sinaleira) vermelho. Durante algum tempo, foi uma coqueluche em São Paulo os circos-escolas. A iniciativa foi boa, contudo o que se viu foi a proliferação de mendigos malabaristas nos semáforos. Começaram a aparecer mímicos. Bastava acender a luz vermelha para a faixa de pedestres virar um picadeiro. No início, até que era legal, os mímicos, com a cara cheia de pó-de-arroz e usando um chapéu coco, coloriam o dia com ares de Cirque du Soleil; mas, pouco tempo depois, eu tinha vontade de, quando o farol verde abrisse, sair como um carro de Fórmula 1.
No trânsito, nas Marginais ou nas rodovias, por mais isolado que seja o local, sempre surge, do nada, um vendedor de videogame ou carregador de celular. Eu me pergunto: quem compra um videogame Polystation nessa situação (os em qualquer outra)? Nunca me passou pela cabeça, alguém resolvendo comprar um videogame no trânsito. Tem que ser muito desavisado e ter muita fé para crer que um aparelho da Polystation, adquirido nessas condições, vai funcionar.