rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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Vingança 🔴

Alexandre de Moraes é movido pela vingança, não pela justiça. O símbolo da Justiça tem os olhos vendados significando que é cega, ou seja, não vê quem julga. Contudo, com Alexandre não é assim: ele persegue os que ele escolhe como inimigos pessoais.

Várias pessoas ligadas a Jair Bolsonaro já foram presas injustamente ou sofreram perseguição. As ordens do ministro são tão kafkianas que são ignoradas e descumpridas. Cumpri-las é ironicamente “rasgar” a Constituição. Sua obsessão é grudar alguma punição no deputado federal Daniel Silveira. Nesse jogo de xadrez entre o ministro do STF e o presidente, Daniel está em disputa.

Parece cada vez mais lógico que Alexandre mantém uma imaginária “faca no pescoço” daqueles que corroboram suas absurdas decisões.
Outro ministro,  que nunca saberá sua razão existencial sem a figura do Bolsonaro, é Luís Roberto Barroso. Por ter um vocabulário razoável e arranhar um inglesinho intermediário, ele consegue ofender outras pessoas facilmente e até impressionar os mais distraídos e limitados  cognitivamente.

Barroso ficou encantado com a investida mediúnica única de João de Deus (me livre!), foi facilmente convencido de que Cesare Battisti era inocente e (des)informou, quando disse que Nicolás Maduro é de, vá lá, direita. Com esse histórico, não dá para acreditar numa só palavra que o sujeito diz.

Lewandowski tropeçou na interpretação do texto do “impeachment” de Dilma, deu um “duplo twist carpado” na lei, separando as votações e tornando a petista elegível. Depois, o povo mineiro fez justiça, não a elegendo senadora.

O TSE, que conta com a turminha do STF, diz que as urnas são seguras, entretanto tentam manter o Exército longe da “sala misteriosa”. A resistência em realizar eleições claras, torna todo o processo suspeito.

A recente exposição do STF não foi boa para a Corte. Imaginava-se que os melhores magistrados alcançavam o Tribunal. No entanto, não é necessário nem ser juiz. Sinceramente, pelo nível, eu refletiria muito se seria vantajoso contratá-los para resolver uma pendenga de internet no PROCOM.

Várias figuras suspeitas usam a palavra “democracia” como um coringa legitimando tudo e todos. Conclusão: quando sacarem a palavra “democracia”, preste atenção qual é a pegadinha.
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Entrando numa fria 🔵

Uma inocente guloseima infantil pode dar cadeia. Culpa da irresponsabilidade do excesso de cuidado.

Eu juro que apenas queria comprar um gelinho, vendido num Fusca azul. Mas minha mãe afirmava que aquele carrinho vendia drogas e raptava crianças. Hoje, me afastaria, até correria apavorado, se avistasse o fusquinha azul dobrando a esquina.

Gelinho (geladinho ou sacolé) pode ser definido como sorvete de pobre. Consiste em um suco (diversos sabores) congelado num saquinho. Pois bem, o veículo, a cor e o local afastado, onde ficava, já eram muito suspeitos, juntamente com a denúncia da minha mãe, o conjunto tornava-se algo que eu deveria manter distância devido a periculosidade. Atualmente, eu compararia todo aquele método na porta da escola a um serial killer americano.

Na segunda série, em outro colégio a mesma maldade foi aplicada como estratégia para economizar alguns centavos. Dessa vez a vítima foi a pobre velhinha que vendia gelinho em frente ao colégio. 

Eu fico imaginando a senhorinha levantando às cinco da madrugada, preparando o suquinho, embalando, congelando, acomodando o produto no isopor e empurrando o carrinho de feira até a escola. Todo esse trabalho para receber a acusação de tráfico de drogas. Pior, dessa vez o doce também era servido na modalidade “água de fossa”. Calculando que esse sabor não era bom, passei o ano à base de merenda escolar.

Vivíamos os estertores do Regime Militar, se a frágil e trabalhadora idosa fosse “dedurada”, seria, facilmente, capturada, levaria uma surra- receberia algumas sessões de tortura no DOPS (até entregar os guerrilheiros e comunistas), terminaria jogada numa cela fétida, julgada e condenada por subversão à ordem e, com sorte, sua ossada poderia ser encontrada num cemitério clandestino. Tudo isso, para o complementar a aposentadoria, ganhando uns trocados! Eu acho injusto.

Na verdade, o perigo estava mais perto da que eu pensava. Minha mãe armazenava toda sorte de estupefacientes caseiros: acetona, esmalte, querosene e removedor de tinta. Eu ficaria entorpecido só de entrar na lavanderia de casa e respirar o ar dos produtos de limpeza.

Não aconteceu nada com os proprietários do Fusca azul, nem com a velhinha. Muitas vezes, eu trafiquei gelinho e consumi o produto. Hoje, estou limpo.
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Fora de sintonia 🔴

“Uma menina morreu, mas tem a festa”. Dessa vez não teve bala perdida para reclamar — sempre da polícia, afinal, rende indenização, além de servir de munição para demonizar a segurança pública. O acidente com o carro alegórico tornou a morte mera alegoria, dando passagem à festa.

No estilo “globeleza”, o jornalista Marcelo Cosme, da Globonews, exagerou ao tentar animar o telespectador com o clima de carnaval da emissora. Desesperadamente, a Globo lutou para lucrar com o carnaval fora de época. A alegria nada genuína, seguida da desastrosa fala, saíram mais pagãs que o “pé-na-jaca”  brasileiro.

O “fique em casa”, que alavancaria a audiência da televisão aberta, revelou-se desastroso quando, na prática, turbinou os “streamings” e a internet. A hipocrisia escancarou-se quando os mesmos que insistiam para você ficar em casa eram “flagrados” na rua.

Marcelo Cosme, dedicado funcionário que é, demonstrou estar em perfeita sintonia e cheio de “gueri-gueri” com a emissora e virou a chave: deu uma mudança de rota (180 graus). Saiu do modo coronavírus e entrou no clima do “ziziguidum, telecoteco e balacobaco”, afinal, mesmo fora de época, é carnaval.

O jornalismo do grupo carioca busca transformar (ou tentar) a sociedade conforme seus interesses. Maximizando e minimizando eventos, o jornalismo da Globo entrega matérias (coberturas) positivas (a favor) ou negativas (contra), fortalecendo a narrativa que importa e, em consequência a opinião pública. Entretanto, os acontecimentos morte e carnaval (festa) na mesma notícia “bugaram” o cérebro do jornalista. Saiu isso: “Tem preocupação, acidentes acontecem, uma menina morreu, mas tem festa, nê?”.

A Globo vem navegando (lacrando) de acordo com o vento. Todo o politicamente correto contradiz as práticas históricas que são relatadas por quem já trilhou aqueles estúdios.

Como acabou o carnaval, a Globo voltará a lamentar as mortes. Neste quesito, só não pode ser seletiva. Quanto à fala: está mais para ato falho que para acidente. Não foi acidente.
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Cícero Miranda, meu quintal 🔵

Quem foi Cícero Miranda? Eu joguei e assisti muitos jogos no campo de “várzea” da rua Francisco Gonzaga Vasconcellos, mas só agora tive a curiosidade de saber: quem foi o cara   homenageado com o nome do estádio municipal na Vila Galvão, Guarulhos?

Com capacidade para 3.000 torcedores, as arquibancadas, por mais que estivessem cheias, nunca preenchiam sua totalidade. As maiores rivalidades atraíam famílias de jogadores e as “figuras” do bairro. As famílias sempre chegavam com alguém bêbado (ou todos). Durante a partida, as crianças eram recrutadas para buscar mais cerveja no bar; voltavam com uma garrafa de cerveja numa mão e um sorvete, um pacotinho de salgadinho ou uma garrafa de refrigerante na outra mão.

Os jogos eram animados com muito batuque, gritos, xingamentos, brigas e, às vezes, tiros. Ameaçar de morte era comum, não tinha idade para sentir-se encorajado, desde que fizesse parte de alguma família bêbada. Às vezes, no auge da indignação, saia um disparo de arma de fogo. O bandeirinha sofria muito, pois era obrigado a suportar ofensas, piadas e ameaças durante 90 minutos. Com certa frequência, o trio de arbitragem fugia da praça esportiva escoltado pela polícia. Enfim, o que significava, para a torcida, um simples final de semana ensolarado com cerveja e futebol, para a arbitragem aquilo era o Coliseu durante o Império Romano.

Certo dia, uma briga generalizada veio avançando em nossa direção. A expectativa era dramática, pois a turba ameaçava nos sequestrar para uma confusão que não sabíamos sequer o motivo. E o quebra-pau chegando perto. A imagem de instrumentos de percussão e outros objetos voando foi intimidadora, mas tínhamos que tomar alguma atitude: ou entrar na briga ou fugir. Sem saber qual atitude tomar, meu amigo atravessou o tsunami na maior calma, equilibrando um copo de cerveja, saindo incólume do outro lado. Tive que fazer o mesmo.

Se é que dá para dizer, isso era chamado de lazer.

Anos depois, de outra cidade, enviei um e-mail à Secretaria de Cultura de Guarulhos; quando já havia me esquecido, recebi a resposta: Cícero Miranda foi o antigo proprietário das terras do estádio. Mas já não me interessava saber quem foi Cícero Miranda, bastava continuar lembrando do que foi o Cícero Miranda.



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Turnê da vergonha 🔴

Lula e sua turma devem rir muito. O líder dos sindicalistas pegou Geraldo Alckmin pela mão e está “obrigando-o” a frequentar os eventos mais constrangedores. Vestindo de vez a fantasia de picolé de chuchu, o ex-governador esteve visivelmente envergonhado ao participar dos eventos ligados à esquerda raivosa e ao próprio Lula. Este circula à vontade por ambientes hostis ao socialista fabiano.

A mistura que, sob olhares desatentos, pariu um ornitorrinco, fez Alckmin ilustrar uma conspiratória dobradinha e ser flagrado num palanque — imitando Getúlio Vargas — tentando se comunicar com uma plateia de sindicalistas e respeitosamente, em pé, ouviu atentamente a Internacional Socialista — deve ter se emocionado, entretanto não convinha demonstrar.

Para o “Santo” seria uma via muito dolorosa, porém, de acordo com o conteúdo, não passa de um roteiro maldito. Assim, o ex-PSDB não ganha novos eleitores, pelo contrário, perde os antigos.

Geraldo está cumprindo o calvário amargo e constrangedor, embora não tenha  chegado ao exagero de  Roberto Requião. O paranaense, para agradar o petista, mastigou e achou boa a venenosa mamona.

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Os sindicatos perderam a força de mobilização que já tiveram. No 1º de Maio, isso ficou evidente. Sem a contribuição sindical, não houve sorteio de apartamentos e carros, não houve ônibus, pão com mortadela, tubaína e cachê. Mas teve shows: Daniela Mercury, coitada, se submeteu a um número que parecia festinha de fim de ano de firma — aquelas em que a turma está mais interessada em beber chope e comer churrasco de graça. Conclusão, o evento esvaziou. Até o Alckmin conseguiu escapar desta.



Luiz Inácio Lula da Silva não queria discursar para aquela merreca de potenciais eleitores. Foi um constrangimento para ele, acostumado a “hipnotizar” multidões. Restou subir, discursar, desculpar-se com os policiais e prometer um arsenal de impossibilidades e ameaças.

Quem escapará ileso, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin ou Daniela Mercury?
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A forma e o conteúdo — Lula entra para a História 🔴

A forma como Lula fala com as plateias é eficaz; o conteúdo, por sua vez, revela que ele desenvolve um raciocínio fraco. Na forma, ele envolve o ouvinte com comparações e metáforas futebolísticas, insiste em lembrar dos tempos de pobreza e fome — como se fossem recentes, quando, de fato, são remotas. Esse sofisma aproxima os ouvintes mais distraídos; o conteúdo entrega toda a farsa. Se esforçando para puxar votos como se não houvesse amanhã, o velho sofista dá um tiro no pé — como um “sniper” à queima-roupa,

Quando Lula resolveu ser Lula, sem os truques do marqueteiro, escaparam verdades inconfessáveis: controle das mídias e pró-aborto. Recentemente, numa fala infeliz (porém sincera), o ex-presidente disse sobre Bolsonaro: “não gosta de gente, mas de policial”. Com declarações como esta, o líder do PT passará as eleições se explicando e se desculpando.

“Sincericíos” não são novidades entre políticos. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, “escreveu na rocha” que quem se aposenta antes dos 50 anos é vagabundo. FHC tentou se explicar, mas colou que ele chamou todos os aposentados de vagabundos.

Marta Suplicy, quando foi prefeita de São Paulo, também sofreu um curto-circuito entre o que pensou e o que disse. Metida num modelito com a cara dos Jardins (região nobre da Capital), a madame se arriscou na periferia paulistana. Para quem perdeu tudo na inundação, ela recomendou: “relaxa e goza”. Assim, a ex-petista enterrou sua chance de reeleição.

Lembrando e acrescentando, Lula se comunica a uma turma que odeia agentes de segurança pública. Em discurso, muito à vontade, soltou: “Bolsonaro não gosta de gente, ele gosta de policial”. Vendo que a frase pegou muito mal e fatalmente custaria muitos votos, ele aproveitou a primeira oportunidade e pediu desculpas.

Falas desastrosas são o resultado da dissonância cognitiva, ou seja, a verbalização daquilo que o político realmente acredita, mas não convém ser dito. A rapidez do que o político pensa e o que ele fala não permite a mudança, gerando o revelador ato falho.

Desse modo, fica: FHC chama aposentados de vagabundos, Marta Suplicy não é empática e é fútil e Lula pensa que policial não é gente. Esse raciocínio gruda na imagem do político e resume ser pensamento rasteiro ou, no mínimo, sua inabilidade para enganar.
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Corinthians X Bahia 🔵

Sábado de sol, Pacaembu lotado. Jogo em casa, não tem como dar errado. Perfeito para meu cunhado, meus sobrinhos e eu irmos ao Estádio ver o Corinthians massacrar o visitante Bahia.

Estava tudo dando certo: o disputado estacionamento foi resolvido da melhor maneira; a difícil, e aparentemente esgotada, entrada foi, inexplicavelmente, solucionada. As pistas já apontavam, o espírito era de goleada: bandeiras, camisas e badulaques à venda; torcedores de diversas classes sociais. Depois de resolvidos os problemas, era só entrar no clima do “já ganhou” acompanhando canções, ou gritos de guerra, como: “Corinthians veio pra vencer”, “Porópopó” e “Caiu na rede é peixe lêlêaá, o Timão vai golear”. Com esse ambiente positivo, tudo dando certo e a vitória iminente contra o fraco Bahia, era só aguardar o momento de comemorar o primeiro gol. Só que não.

Dois detalhes saíram diferentes do combinado. Frustrando a mais básica das expectativas, nesse dia não houve nem um golzinho, muito menos, logicamente, vitória. Saímos do estádio com o peso da vergonha que só quem vai a um jogo conhece: tudo começa na saída de casa. 

A gente saiu com um certo ar de superioridade, como se fôssemos os próprios jogadores, arrogando sermos escolhidos por desfrutar da vitória, que a Humanidade apenas conhece de quatro em quatro anos. Voltaríamos para casa como confrades, retornando de uma experiência mística e hermética incompreendida por pessoas comuns.

Como perdemos nessa aposta, a volta para casa foi pesada. A cada metro mais próximo da residência, sentíamos toda a carga de enfrentar a pergunta acompanhada de um sorrisinho sacana: E aí, como foi o jogo? Isso é pior que pergunta de vestibular. 

Antes de encarar todos e ouvir a perguntinha vingativa, entramos em casa, tentamos estufar o peito e fingir que tudo foi excelente, mas é impossível mascarar que voltamos murchos e com aspecto de derrota. 

McDonald’s ou Habib’s são dois honrosos finais de sábado. Num outro jogo, tudo se repete; se for com vitória, o desfecho é outro. A empáfia vai até o fim. Nós achamos que vencemos algo; os outros fingem que acreditam para não estragar essa doce ilusão.

Estou envergonhado, mas tenho que revelar: Corinthians 0 X 1 Bahia
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Diga aonde você vai,que eu vou varrendo 🔴

O STF deu uma mãozinha. Não, foi uma mãezona e deu uma mãozona. O Supremo Tribunal Federal retribuiu a generosidade e tornou Lula elegível. Os senadores fingem que os ministros possuem notório saber jurídico e a conduta ilibada e os ministros também fingem na hora do julgamento. Os resultados são inconstitucionalidades normalizadas.

Mas o assunto é outro. Com toda a ajuda a Lula, a imprensa não podia ficar de fora e colocou o ex-presid... em primeiro nas pesquisas. Fora a própria imprensa, pouca gente “comprou” essa ideia. Logo, quem duvidava das tais pesquisas era tachado de bolsonarista, que usava chapéu de alumínio ou acreditava  na teoria da Terra Plana.

Mas o maior erro foi atribuir aos pesquisadores a detecção de um cara, que tem medo de sair às ruas sem sua claque, quase vencendo em primeiro turno. Como nem o PT engoliu a lorota, resolveram trocar o marqueteiro. Aí “a casa caiu”. 

Como uma equipe que substitui o técnico líder do campeonato, o Partido dos Trabalhadores surpreendeu todos quando resolveu demitir o marqueteiro responsável que colocou um bandido no topo das principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. A atitude, que pune um vencedor, pareceria tresloucada se não confirmasse o que todos (bolsonaristas e petistas) já suspeitavam: isso é um manjado engodo para induzir os mais distraídos. 

O marqueteiro escolhido irá amargar a dura realidade, ou seja, a derrota. Tomado pelo medo  de enfrentar as ruas e os debates, Lula e seu novo marqueteiro terão que mentir como nunca — no caso de Lula: como sempre. 

A pesquisa informal chamada de “Datapovo” leva em consideração aquilo que vemos, não aquilo que ninguém constata no dia a dia. Os resultados apurados, quando não são colhidos na porta de um sindicato, são apenas números. Preferência irreal, não se sustenta a uma rápida pergunta ao taxista.

Ao candidato dos sindicalistas, só restará o consolo de não ter que fazer chover picanha.
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Bingo! 🔵

A cada pedra cantada percebi que eu poderia ser o grande vencedor. A coincidência só podia ser um sinal de que, naquele dia, a sorte estaria do meu lado. Adquiri uma autoconfiança típica dos vencedores.

Sim, eu disputava um animado bingo de quermesse numa capela do interior. Com direito a velhas piadas como “dois patinhos na lagoa”, “idade de Cristo”, “uma boa ideia” e “vai começar o jogo”, travei a batalha entre idosos, alguns jovens e viciados numa jogatina legalizada.

Pois bem, a profusão de “números bons” me levou a ficar “pela boa”. Ignorando as reclamações e desistências dos meus concorrentes, grudei os olhos na cartela, guardei o fôlego e fiquei na expectativa de soltar o grande grito.

Não deu outra. Eu gritei com vontade: bingo! Berrei com potência e fiquei ouvindo os protestos da velha guarda. Triunfante, escapando do linchamento e pedindo passagem para ser notado, fui receber o merecido e grandioso prêmio. Cheguei como quem receberia um diploma; saí, meio sem-graça, como saem os que recebem uma medalha de “honra ao mérito”. 

O prêmio era um churrasco e um cuscuz. Tinha certeza que eu havia ganhado algo como um rádio de pilha ou um liquidificador. Não desmerecendo o animal sacrificado para satisfazer nossa necessidade de proteína, nem quem preparou a iguaria — que eu não sei escrever o nome —, mas eu me dediquei e mergulhei na jogatina esperando locupletar-me com o disputado torneio. De qualquer maneira, vitória era vitória e precisava disfarçar a decepção:  cabeça erguida, peito estufado e estampando um sorriso levemente envergonhado, evadi-me da quermesse, conformado pela benemerência daquele dia. 

Exceto o humilde objetivo, o certame foi muito disputado e ajudou na liberação da cota diária de adrenalina e, na vitória, dopamina, ocitocina, serotonina e/ou endorfina. Tudo isso, sem ser flagrado pela Polícia Civil ou Federal, nem me esconder embaixo da mesa ou no banheiro. Sim, quando a fiscalização estoura um cassino clandestino, imagino-me, fila indiana e cabeça baixa, saindo da casa e embarcando num camburão.

O prêmio não correspondeu às minhas expectativas, mas, tenho certeza, o cérebro liberou  os  mesmos neurotransmissores que derramaria se eu ganhasse uma Ferrari.
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Budismo high-society 🔵

Só poderia ser ali, a única casa em estilo oriental da região. A decoração “muito louca e os  sininhos na porta não deixavam mais dúvidas. Se fosse centro de macumba a localização seria em Itaquera, Cidade Tiradentes, Parelheiros ou qualquer bairro de periferia. Mas como era a religião dos ricos e famosos, o endereço do templo budista era no bairro de Perdizes, barro nobre de São Paulo.

Chegando lá, tive que encarar uma turminha que estampava o arquétipo perfeito de quem fazia mapa astral, jogava tarô, acreditava em ETs, bruxas, gnomos, energia, esse tipo de coisa. Ah, também viajava para lugares como São Tomé das Letras. Ninguém poderia descobrir, mas eu era um corintiano comum e superficial sem análises muito embasadas da existência, apenas à procura de uma cerimônia diferente da missa católica. Me adaptei como pude: só com meias, falei mansamente “namastê” (fazendo o gesto) até para o porteiro.

Me apresentei e segui todo o ritual. Como não conseguia ficar na posição de lótus, nem relaxar, nem meditar, me senti um impostor. Além disso, eu ficava com um olho fechado e o outro aberto, sempre alerta (ou tenso), verificando se alguém, como eu, se sentia ali ainda — no meio da metrópole. Enquanto os outros pareciam ter voado sobre montanhas, nadado em rios cristalinos, tomado banho de cachoeira e descansado cercados de verde, eu somente ouvia ônibus, motos, buzinas e uma impressora matricial que deveria estar preparando o meu boleto.

Terminada a improdutiva sessão, nossa guru questionou se todos haviam “viajado” para terras distantes. Como os outros, aquiesci para não frustrar a hippie de butique. Creio que alguns não obtiveram os resultados prometidos, mas, como eu, não quiseram admitir em público.

Não consegui escapar dali sem antes visitar a lojinha. Suvenires, estátuas, objetos de decoração e livros, muitos livros. Publicações ensinando a meditar me fizeram sentir menos estranho.

Finalmente, fugi da experiência esotérica. Saí da estranha casa e ganhei as ruas. Voltei para a minha realidade, os veículos, as buzinas e o preenchimento sonoro urbano.

“Há mais coisas entre os céu e a Terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”

(William Shakespeare)
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