rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔵 A terapia dos dinossauros







No Dinossauros Rock Bar, em Pinheiros, São Paulo, subiam ao palco cada um dos integrantes da banda Dinossauros. Notei que entre os músicos estavam duas figuras conhecidas: José Luís Tejon Megido (violão e voz), jornalista, publicitário, escritor e exemplo de superação, entre outras atividades e Roberto Shinyashiki (guitarra), psiquiatra, escritor e palestrante. Sendo que o segundo é um manjado escritor e palestrante de, digamos, auto-ajuda.




No princípio, achei que aquela cena toda se tratava de uma “pegadinha” ou um “telegrama animado”. Pronto, um simples chope ao som de “rock and roll” havia se transformado num momento catártico do tipo terapia em grupo. Então, meu propósito era descobrir onde estavam as câmeras, microfones e para que emissora seria a transmissão da armadilha, bem como quem era o apresentador da palhaçada toda. 




Sempre fugi de “coachs” animadões. Eles entram no palco pulando, vomitando um lote de frases feitas e afirmando que você é um vencedor (sabendo que muitos ali vieram de ônibus) e logo você se vê abraçando uma pessoa estranha ao lado, chorando, batendo palmas e gritando “u-hu”. Eu tinha que escapar daquela arapuca. Nunca imaginei que um simples sábado de noite poderia ser convertido numa enfadonha e inesperada convenção  do Anhembi. Para alguém tímido, esse tipo de evento deve ser evitado.




As horas passavam, a banda voltava a tocar (após os intervalos), entretanto nada diferente acontecia. Quando reparei, minha paranoia não se realizou, ficou apenas na minha cabeça. Chope, banda ao vivo, conversas e risos..., tudo o que eu esperava de um bar de rock sábado a noite.




Os palestrantes de superação e auto-ajuda tocaram e cantaram direitinho, eu não precisei me submeter a nenhuma cura holística. Nunca encontrei alguma alma penada procurando uma  jornada interior num boteco de rock. Isso pode ser facilmente encontrado lá pelos lados da Vila Madalena, mas essa aventura deve ser evitada.




No meio de gente mentindo em alto e bom som, gargalhando exageradamente, enfim, fingindo ser alguém, interpretando no teatro da vida, entre cinzeiros sujos e copos vazios, muitos tinham mais a revelar num banquinho de bar do que num divã. Os psiquiatras não poderiam estar em um ambiente mais confessional que num barzinho, sob o efeito do álcool e num sábado de noite.
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🔵 Sai, capeta







Um sábado de noite. Uma pista de dança. Músicas com vozes guturais. Uma tribo urbana: os góticos. A casa noturna tinha um nome pouco convidativo: Morcegóvia, o figurino da galera dava credibilidade ao nome da casa. Entretanto, o nome anterior da lendária casa noturna era bem mais assustador: Madame Satã.




Frequentei algumas vezes o lugar, de modo que os góticos começaram a ficar mais parecidos com os humanos, e as garotas vestidas com roupas emulando o século XIX (Inglaterra Vitoriana), contrastando com meu “jeans” e camiseta, eram bem interessantes.




O som facilmente transportava para um estado alterado de consciência, e a atenção focada nas danças repetitivas geravam noção periférica restrita. O conjunto de estímulos facilmente levava muitos a um estado de transe. A farta oferta de álcool completava o serviço imundo. Pronto, um bando de jovens com os dois pés em outra dimensão e “abraçados” com entidades obsessoras. Nesse clima, iluminado apenas pela luz estroboscópica, tive a impressão de que o porão, que servia de pista de dança, estava mais frequentado do que meus olhos podiam enxergar.




Estava tudo armado para ocorrer o que de fato aconteceu. Uma moça linda, com um vestido preto e badulaques, entrou no centro do porão (pista) e iniciou alguns movimentos muito particulares. Ela era uma bruxinha moderna ou, no mínimo, uma praticante da religião neopagã   “Wicca”. Foi como se a bruxa caísse ajoelhada, se contorcendo no centro de um pentagrama cercado por velas. Os frequentadores da casa, como fiéis, idolatraram a moça convertida a uma divindade. Eu, entre eles, inocentemente poderia estar invocando forças ocultas. 




Ainda não cheguei à conclusão se aquilo foi um ritual pagão ou uma dança macabra, só sei que fui cooptado e, compulsoriamente, celebrei o que pode ter sido uma missa negra. Já não me surpreenderia se um sacerdote do Mal adentrasse o recinto carregando um cálice e servisse sangue humano. Se eu bebesse, fatalmente estaria entregue ao Reino das Sombras.




Um evento dá legitimidade ao ocorrido e corrobora a desconfiança de que aquilo não era mais uma pista de dança, e as forças presentes não eram positivas. Meu amigo usou esta história como “Testemunho” para se converter para uma igreja evangélica.




Definitivamente, esta não foi uma noite de sábado qualquer, e aprendi a não seguir qualquer canto de sereia.









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🔴 “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”







Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, teve a sua vociferação raivosa interrompida. Um pobre fotógrafo teve sua paz impedida por alguém que suplicou que arrancasse a garrafinha do pré-candidato. O tomador de imagens, atribulado com a difícil tarefa de flagrá-lo com uma aparência bonachona, deve ter tremido de medo, quando o chefe, vermelho como um peru, inchado, suado, fala pastosa e olhos fixos e esbugalhados, perguntou: “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”




O fotógrafo Ricardo Stuckert, em Porto Alegre, representou o povo brasileiro. Tivemos uma difícil oportunidade, antes das eleições, de observar o demiurgo, sem o edulcorante marqueteiro, em estado natural.




Sem dependermos somente das mídias tradicionais, na internet podemos ver (e rever) o petista cometendo seus “sincericídios”: chutando quaisquer números, brigando com sua equipe, reclamando do público etc. Sem a mágica marqueteira, o recém-casado não consegue ser gente boa.




Falando em recém-casado, amando e líder nas pesquisas, ele deveria estar mais alegre. Mas não é isso o que vemos, ao contrário, testemunhamos um sujeito raivoso, de mal com a vida e querendo se vingar da Humanidade. A pergunta é: por quê? Como eu não confio no DataFolha, só me resta botar fé na Janja. Nem a conheço, mas a julgar pela qualidade da garrafa de vinho encontrada em seu lixo, a moça não tem culpa do ódio.




Lula quer fazer uma campanha à Presidência sem o povo. Este, depois de ser furtado pelo ex-presidiário, o recebe sob xingamentos. Tendo mais este motivo para evitar contatos, o partido dos Trabalhadores (PT) tramou e inventou a “Caravana Digital”. Espécie de caravana imóvel, o evento mantém a salubridade de todos. Em ambientes controlados, plateia favorável e jornalistas amigos, o postulante atrabiliário segue intimidando e se escondendo. 




Concordo quando dizem que nunca foi tão fácil escolher. Se na campanha é assim, imaginem durante o mandato. O pré-candidato não tem promessas, tem ameaças.
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🔵 Criaturas da noite







A notícia correu alcançando ouvidos atentos. A novidade que um amigo agora era sócio de uma casa noturna no coração da Vila Olímpia (São Paulo) correu feito rastilho de pólvora. Para nós, que não curtíamos música “dance”, apenas iríamos prestigiar a balada, mas, rapidamente, surgiriam os “amigos” de ocasião.




E a ocasião não frustrou a previsão. Como era esperado, o telefone não parou de tocar. Os “amigos” de ocasião, sempre atentos, nunca perderiam essa boquinha. Estes, embora com algum atraso, mas vigilantes e atentos, trataram de manter acesa a chama de uma grande amizade. Para atender a sanha por uma pulseirinha VIP, um camarote e talvez um copo de whisky, meu ciclotímico amigo precisaria contratar um “call center”.




Noites muito boas, reencontrando velhos amigos e encontrando, é claro, os “parças” (parceiros) no camarote, vestindo a pulseira VIP, exagerando no sotaque paulistano (como em novelas) e grudados em copos de whisky com energético. Mesmo não curtindo músicas de “DJ”, ir a uma balada de “playboy” foi quase uma experiência antropológica. 

                         

                                       *




Numa noite qualquer, fomos fiscalizar as ruínas da casa noturna da badalada Vila Olímpia. Foi triste voltar, com o sócio do que sobrou, na avenida Hélio Pellegrino, onde pessoas dançavam, bebiam, conversavam e sorriam. O cenário era de um ambiente bombardeado: imóvel escuro, tudo revirado, alguns vestígios de infiltração e arrombamento eram a evidente suspeita da 

frequência de moradores de rua e/ou usuários de drogas. O que tinha algum valor foi levado. Uma garrafa com um pouco de bebida foi a solitária prova de que alguém se divertiu nas noites de sábado dali.




Esse é o lado que nunca tinha testemunhado das casas onde todos se divertem. Muitos dos que frequentam esses lugares talvez estejam nessa situação: nas noites de sábado, conseguem disfarçar o aspecto, entretanto por dentro são somente ruínas.




Observação: os “amigos” de ocasião sumiram. Devem ter “colado”, morrendo de saudades, em outro amigo de infância “dono de balada”. Ah, esses “parças”, sempre querendo manter acesa a chama da amizade.
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🔵 Me escondi no Gruta







Apesar de um dia inteiro na rua, jogando bola e empinando pipa, imundo de dar dó — ou uns trocados — não resisti em prontamente aceitar o convite para uma pizza. Minha irmã e meu cunhado, não sei se tocados pelo sentimento da caridade, solidariedade ou simplesmente por não ter o que dizer para despistar o pirralho maltrapilho, resolveram arriscar o convite. Eu, calculando que a proposta poderia não se repetir, não declinei da surpreendente oferta.




Fomos à melhor pizzaria do bairro (na época). Hoje, tenho certeza que eu não reunia condições sequer para frequentar o boteco mais sujo que encontrasse, muito menos ousar pisar a calçada do restaurante. Entretanto, a fome bloqueou o raciocínio, de modo que, orgulhosamente, subi a escada, puxei a cadeira e aguardei os serviços como um rei.




Estávamos apenas nós no salão, mas eu não me intimidei e, guiado pelo estômago, monopolizei a redonda. O único detalhe que incomodou e, ao mesmo tempo, divertiu foi o fiel acompanhamento, a cada mordida, do garçom. Isso deu a sensação de que estávamos sendo observados, o que não deixava de ser verdade. Porém, será que a “marcação” do garçom não era por que a minha apresentação destoava muito das condições da casa? Talvez achassem que o casal estivesse enchendo a barriga de um morador de rua. Sendo mais verossímil a segunda suspeita, talvez atribuíssem a mim a debandada dos clientes, por isso a baixa frequência daquele sábado de noite.




Concordo que meu traje, bem como meu asseio não eram adequados para a ocasião, mas eu estava no bairro que me presenciou caindo de bicicleta, rachando a cabeça num jogo de futebol, sangrando ao arrancar a “tampa” do dedão do pé, tropeçando na arquibancada da escola e quebrando um dente no paralelepípedo. Eu encarei a ida àquele restaurante italiano como algo corriqueiro, não como um grande evento, pois aquelas ruas, vielas, praças e avenidas testemunharam o meu crescimento. 




Agora, eu pisava no Gruta Vermelha — a espelunca que chegou depois de mim — e não era pra me esconder nem para ficar com vergonha.
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🔵 O prefeito no motoclube







A motocicleta era emprestada, mas eu ia para o motoclube mesmo sem moto, sem correntes, sem jaqueta de couro e sem cara de mau. E, depois dessa noite, percebi que outras tribos estavam frequentando o local.




O imaginário popular, o visual estereotipadamente agressivo (muitas vezes anedótico) e a mística gerada pelos “Hells Angels”, criou uma impressão exagerada acerca de integrantes de motoclubes. Engenheiros, policiais, médicos, advogados etc transformam-se em cima da motocicleta e resolvem brincar de ‘Sons of Anarchy’.




Um senhor, que alternava sua vida entre candidato, deputado, prefeito e de vez em quando empresário de Guarulhos, chamado Paschoal Thomeu resolveu passar algumas horas mergulhando no submundo da noite alternativa. Tentou a sorte, para colher um punhado de votos no encontro de motociclistas.




Sinceramente, me enganei ao imaginar que o político encontraria ambiente hostil para lograr êxito no seu objetivo. Pelo contrário, apesar do seu visualzinho destoar bastante da frequência avessa aos representantes do “status quo” o velho prefeito se saiu bem.




Entre motos acelerando, cerveja barata, carne de segunda e rock and roll, Paschoal Thomeu se deslocou com desenvoltura. O magnata “colou” na nossa roda de amigos. Ele parecia disposto a se humilhar para conquistar mais alguns votos. Esquecendo-se do abismo social que separava o eterno chefe do Executivo Municipal da, aparentemente, escória da sociedade, ele estava disposto a agradar aquela turma.




Meu amigo, durante o dia um prestativo motoboy de farmácia, à noite no motoclube, se vestia do jeito mais repugnante (punk mesmo), talvez querendo chocar a Humanidade. Pois esse sujeito, fazendo um gesto banal, foi acender mais um cigarro. O candidato se aproximou e capturou o fumante. Num gesto rápido, parecendo ter prática naquilo, Paschoal Thomeu apanhou cigarro e isqueiro e se submeteu a um indiferente punk.




Sentindo que o momento lhe parecia bastante favorável, aceitou os serviços do inacreditável garçom. Vendo aquilo, acho que todos pensaram ser a ocasião ideal para pedir o asfaltamento de uma rua, a limpeza de um terreno ou o desentupimento de um córrego, mas aquela reunião de motociclistas já estava parecendo uma reunião de condomínio ou diretório partidário.




Após a evasão daquele intruso, o encontro do motoclube voltou a sua normalidade. Entre motos, cerveja, churrasco e rock ‘n’ roll, nossa rotina era bem melhor longe do Poder Público, mesmo que interesseiro.
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🔵 Figuras







Acordar no sábado e descobrir que seus amigos começaram uma coleção de figurinhas de futebol sem te avisar é considerado alta traição. Como forca, cadeira elétrica ou injeção letal, além de não utilizados no Brasil, são castigos incompatíveis com o delito, as penas não foram aplicadas. Preferi adquirir, mesmo depois, o álbum e algumas figurinhas.




O meu senso de qualidade e valor financeiro ainda não estavam apurados, talvez por causa do orgulho infantil de obter “a grande novidade”. O fato é que: os cromos eram porcamente impressos, o álbum era interminável, havia times insignificantes, como o Tuna Luso e “prêmios” como: utilidades domésticas incompletáveis. Não bastasse a péssima qualidade do produto, o nome daquilo era... ‘Trá-lá-lá  de Ouro’. O “de Ouro” talvez fosse para agregar valor à porcaria toda. Funcionou.




Viramos escravos do lixo e, pior, só pretendíamos largar aquela coisa quando terminássemos a coleção. Isso não se faz com uma criança, neste caso, três. Como todo estelionato, esse, atraiu pela cobiça.




A coleção foi bem, até certo ponto. Mas as horríveis panela de pressão, batedeira e liquidificador, enfim as utilidades domésticas, nunca completavam. A perspicácia tardia nos ajudou a concluir que havíamos sido enganados. Para dramatizar mais a situação, não encontramos mais ninguém com o material. A qualidade era tão desprezível, que não havia comércio, nem troca, nem “bafo” (jogo). “Morremos” com o material... Ir à banca de jornal e pedir o reembolso não era uma opção. A solução mais sensata foi admitir a derrota e abandonar o álbum incompleto.




Enquanto eu torrava meus surrados trocados no álbum de figurinhas pessimamente acabado, ridiculamente impresso e grudado porcamente com uma tóxica cola escolar, minha irmã desfilava com os impecavelmente acabados, cuidadosamente impressos e minuciosamente colados (autocolantes), mas enfadonhos ‘Amar é...’ e ‘Bem Me Quer’. Era muita humilhação.




Por mais que eu desqualificasse os álbuns femininos, faltavam argumentos para defender um produto de estelionato que chamava... ‘Trá-lá-lá de Ouro’.
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⚫️ Emojis ou emoticons







Não, ninguém deve ficar contente ou triste, ou melhor, dotado de ataraxia, não deve reagir ao receber o aparentemente inofensivo “emoji” Os emojis tem a nobre função de simplificar um pensamento. Com uma, quase infantil, imagem, o emissor exerce seu poder de concisão, desde a ofensa até o elogio. 




O emoji do cocô, ao qual me refiro, cumpre esta função, mas vai além; ofende, carregando o eufemismo patente ao exibir olhos e boca amigáveis. Quem envia a figura revela, ao mesmo tempo, covardia de enfiar a mão na cara e a intenção de rejeitar a pessoa ou o que ela diz.




Às vezes, a pessoa não tem o menor traquejo para zombar de outro ser vivo. Porém, essa criatura, que sempre foi vista como alguém incapaz de pisar numa formiguinha, destrói uma vida apenas com um desenho simples.




Seja para depreciação, seja para elogio, o envio da figurinha resolve dois problemas: o primeiro, dá coragem para ofender qualquer um e segurança, ao evitar o tapa imediato; o segundo, também traz a súbita coragem, entretanto, impossibilita um rápido “feedback”.




Em tempos de Rivotril, Dormonid, Diazepan e demais remédios “tarja preta”, bem como os tratamentos infantis, tentam aplacar o estrago que um emoji pode causar.




Entretanto, existe a ‘carinha feliz’ para salvar tudo. Esta outra figurinha traz consigo o poder de salvar o dia ou a vida de uma pessoa. Se “like” ou “deslike” tem o poder de liberar neurotransmissores responsáveis pelo prazer, os emojis “do bem”, dependendo de quem envia, exercem um resultado muito mais satisfatório.




A existência era mais simples com os emoticons. Bastavam alguns caracteres para gritar para o mundo o seu estado de espírito: alegre :-) e triste :-( . Havia outras modalidades, mas essas, apesar da tosquice extrema, não elevavam a baixa autoestima de ninguém.




Esta filosofia de boteco é um exercício sobre algo não levado a sério, até ignorado, mas que revela muito da alma humana. Muito parecido com o que já representaram os ‘bichinhos virtuais’ (Tamagochi) e os ‘caçadores de Pokemons’
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🔵 Nocaute doméstico







Todo irmãozinho atormenta a vida dos mais velhos. E eu, como um irmão menor comum, cumpri o meu papel, enchi a paciência da minha irmã.




Não sei se o mais irritante era a minha voz infantil ou as “groselhas” que eu disse, também infantis, Eu, exercendo os meus direitos universais de criança, falei até ser neutralizado com um direto de direita. Confesso, fiz uma doação de sangue compulsória. Como a sala de minha casa não era um ambiente apropriado para o que poderia ser interpretado como um gesto altruísta, nem havia o recipiente adequado, o chão recebeu uma enxurrada de A .




Também tenho que admitir, chorei. A cena deve ter sido bem dramática: ajoelhado e chorando, espalhei o líquido vermelho na barra da calça da minha irmã, gastando o meu pequeno dicionário de impropérios.




No meu respeitoso cartel de combates, essa foi a única vez que alguém me deu um soco; pela educação, bem como os modos de minha irmã mais velha, acredito que essa deve ter sido a solitária oportunidade que ela “enfiou a mão na cara” de um outro ser humano. Se bem que eu não era dotado de tanta humanidade assim. Uma criança e uma adolescente pode ser uma combinação explosiva. E foi. Se alguém ali tivesse o mínimo de conhecimento jurídico, eu teria sido recolhido dali direto para a FEBEM (atual Fundação CASA). Porém, fui poupado de mais esta humilhação. 




Poderia durar apenas uns dias, entretanto demorou décadas para essa mágoa cicatrizar. Confesso aqui, toda vez que andei armado pensei em me vingar daquele direto de direita. Contudo, não o fiz. Achei que seria deprimente demais confessar o porquê do assassinato e, além de tudo, ser aprendido. Preferi esconder esse rancor, guardar a mágoa e manter o silêncio, acreditando que a outra parte adotaria igual comportamento. Sem testemunhas, botei fé que o ocorrido permaneceria guardado a 7 chaves e enterrado. No entanto, não foi isso o que aconteceu e desde então mantenho conspurcado o meu desempenho nos ringues amadores.




Sei que esse embaraçoso episódio foi vergonhoso o bastante para ser eternizado numa crônica, mas finalmente me livrei desse fardo. Agora eu me sinto bem mais leve. Já era tempo. Graças a Deus...
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🔴 Fazendas aqui, florestas lá




EUA — a agricultura “invade” áreas de conservação ambiental.




Alemanha — destrói floresta de 12.000 anos para extração de carvão; alguns vilarejos, que estavam no caminho, também não foram poupados.




Não só faltou quórum, como houve falta de “tweets”, também faltou o barquinho da Greta e o  deslocamento da brava lancha do Greenpeace. Algo tão grave, e o que se viu foi o ensurdecedor silêncio dos “lacradores” de ocasião. Esses “lacradores” (que eu citarei os nomes), além das suas respectivas profissões, encontraram no falso ambientalismo um meio de vida. A perseguição travestida de preocupação ambiental garante a subsistência desses aproveitadores. É um meio de vida e a sinalização de virtude num só tuíte.




ONGs, ambientalistas, Emmanuel Macron, Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg ficam calados. Devem estar cansados de se meter na Amazônia. Ora preservando “nossas girafas, ora postando fotos antigas de queimadas, esses personagens aproveitam os dividendos de acenar para uma falsa preocupação e de quebra mostram para o mundo que são anti-Bolsonaro. Nunca foi para salvar o planeta, se fosse, a poluição provocada pela China e os mega-incêndios ao redor do mundo incomodariam e acionariam os ativistas citados. No entanto, eles só se interessam pelo Brasil. Por quê?




Com a pandemia e a guerra, nossos “heróis” tomaram um choque de realidade, pararam de tentar mudar o mundo e se ensimesmaram. O instinto de sobrevivência se impôs sobre uma agenda secundária. Certas reivindicações voltaram a ser supérfluas. Quem vivia de “lutar” por pautas claramente secundárias, como banheiros trans, assustaram-se, pois a realidade se impôs como uma bigorna. E agora, fazer o quê?




Se você pensa que está livre da choradeira de Emmanuel Macron, dos discursos teleguiados, na ONU, da manipulada Greta Thunberg, dos “posts” alarmistas de Leonardo DiCaprio, do pedido de socorro enganador de muitas ONGs (sem o “N”) e ambientalistas, não se engane, quando tudo retornar àquela calmaria, a Organização das Nações Unidas (ONU) sacará a Agenda 2030.
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