rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔴 Cancelamento da derrota







Nem Governo de São Paulo, muito menos a uma Presidência da República. João Doria achou que bastava se escolher, no entanto nem o PSDB, seu partido, acreditou na candidatura.




O político que representaria a terceira via dos sonhos para o “stablishment” é o Eduardo Leite.  Discreto, ele é muito parecido com os social democratas europeus, portanto perfeito para cumprir as agendas da Organização das Nações Unidas (ONU), obedecer todas as diretrizes ambientais, demarcar terras indígenas, enfim, obedecer tudo o que vem do exterior, mesmo a ordem sendo de países muito poluidores. Entretanto, por trás daquele rosto inocente há um ditador, foi o que vimos durante a pandemia. Para impedir a contaminação, o, então, governador do Rio Grande do Sul lacrou corredores de supermercados.




Voltando a falar do ex-governador de São Paulo. Na despedida da candidatura, o tom da fala, a expressão, os gestos, exatamente tudo foi calculado e planejado a fim de atingir um efeito esperado e repercutir como almejado. Contudo, o tiro saiu pela culatra. O telespectador não cai mais nessas estratégias, em grande parte por causa da internet. Tudo em João Doria soou falso, portanto, não colou.




O coronavírus já foi expressamente festejado como “presente de Deus para a esquerda”, segundo Jane Fonda e Lula agradeceu pela natureza ter criado o vírus, mas, mesmo sem a cara de pau de dar glórias à vinda do vírus, Doria vislumbrou a oportunidade e fez muito para derrubar o governo de Bolsonaro. O governador, que quis ser o “pai da vacina”, não passa de um lobista chinês. O que chamam de trajetória política, eu entendo como plano nefasto ou, no mínimo, estratégia mirabolante. O Brasil, nas garras do João Doria, seria mera mercadoria. 




Agora, resta ao “stablishment” apostar na Simone Tebet. Lançada, finalmente, como a terceira via, pesquisando bem é fácil descobrir que ela não tem nada de novo e tem relações muito perigosas.




Dissimulados, muitos tentam se lançar como a tal terceira via (nem esquerda nem direita). Essa tentativa ensaboada de parecer novidade não engana mais. Desse modo, Jair Bolsonaro surfa, apresentado-se rústico; o povo, notando a edulcoração e artificialidade dos candidatos de sempre, vota no doidão.
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🔵 Colheita maldita




Não é recomendável nenhum jeito para se começar a fumar, entretanto eu descobri na prática como não se deve tentar aprender. Pensando bem, é possível que essa experiência tenha afastado toda a tendência de viver viciado em tabaco.




Foi numa cidadezinha nas montanhas do Rio Grande do Sul. É um perigo passar as férias, com um moleque de 14 anos, numa fazenda com plantação de fumo. Parece óbvio que, com a curiosidade intrínseca à idade, o pirralho quererá consumir o produto “in natura”.




Um garoto da cidade vivendo o turismo rural e com uma farta oferta de entorpecente era uma combinação explosiva. O que antes eu apenas presenciara nos caixas de padarias, agora poderia ser calculado em hectares.




Ah, as belezas da natureza e as delícias da fazenda! Contudo o perigo estava lá, dia e noite, plantado, defumando, me provocando quando desfila num carro de boi. Mas chegaria a hora em que eu e a matéria-prima da Souza Cruz nos encontraríamos.




Certo dia, cansado da rotina do campo a ponto de sentir saudade do prédio da Fiesp, depois de cortar lenha a machadadas, eu e meu amigo resolvemos visitar as folhas de fumo que descansavam no defumador. No nosso mal-formado juízo, o produto já estava pronto para consumo. 




Abrindo aquele cômodo, foi legal ver aquelas folhas, que recheariam os cigarros, enfileiradas. Confesso que eu ainda preferiria encontrar aquela salinha cheia de biscoitos São Luiz. Mas era chegado o momento de eu virar um “adulto” na marra. Ter ido passar as férias cercado por um latifúndio de tabaco, só  poderia ser um sinal do destino!




Escolhemos o vegetal, enrolamos e acendemos o “charuto”. Que mal poderia fazer se era uma erva natural? Traguei como o cowboy da  Marlboro, e tossi como eu mesmo. Abruptamente, voltei a realidade e, achando a erva muito amarga e tóxica, comecei a achar o chimarrão palatável. 




O que tinha tudo pra ser um rito de passagem perfeito, marcando exatamente o final da infância e o início da vida adulta, foi um episódio traumático. Depois, vim a saber que nenhuma forma de aprender a fumar é interessante. Talvez, a terrível aventura tenha servido para encerrar a curiosidade. Ah, eu continuei viciado em biscoitos São Luiz.
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🔵 Me escondi no Gruta







Apesar de um dia inteiro na rua, jogando bola e empinando pipa, imundo de dar dó — ou uns trocados — não resisti em prontamente aceitar o convite para uma pizza. Minha irmã e meu cunhado, não sei se tocados pelo sentimento da caridade, solidariedade ou simplesmente por não ter o que dizer para despistar o pirralho maltrapilho, resolveram arriscar o convite. Eu, calculando que a proposta poderia não se repetir, não declinei da surpreendente oferta.




Fomos à melhor pizzaria do bairro (na época). Hoje, tenho certeza que eu não reunia condições sequer para frequentar o boteco mais sujo que encontrasse, muito menos ousar pisar a calçada do restaurante. Entretanto, a fome bloqueou o raciocínio, de modo que, orgulhosamente, subi a escada, puxei a cadeira e aguardei os serviços como um rei.




Estávamos apenas nós no salão, mas eu não me intimidei e, guiado pelo estômago, monopolizei a redonda. O único detalhe que incomodou e, ao mesmo tempo, divertiu foi o fiel acompanhamento, a cada mordida, do garçom. Isso deu a sensação de que estávamos sendo observados, o que não deixava de ser verdade. Porém, será que a “marcação” do garçom não era por que a minha apresentação destoava muito das condições da casa? Talvez achassem que o casal estivesse enchendo a barriga de um morador de rua. Sendo mais verossímil a segunda suspeita, talvez atribuíssem a mim a debandada dos clientes, por isso a baixa frequência daquele sábado de noite.




Concordo que meu traje, bem como meu asseio não eram adequados para a ocasião, mas eu estava no bairro que me presenciou caindo de bicicleta, rachando a cabeça num jogo de futebol, sangrando ao arrancar a “tampa” do dedão do pé, tropeçando na arquibancada da escola e quebrando um dente no paralelepípedo. Eu encarei a ida àquele restaurante italiano como algo corriqueiro, não como um grande evento, pois aquelas ruas, vielas, praças e avenidas testemunharam o meu crescimento. 




Agora, eu pisava no Gruta Vermelha — a espelunca que chegou depois de mim — e não era pra me esconder nem para ficar com vergonha.
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🔴 “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”







Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, teve a sua vociferação raivosa interrompida. Um pobre fotógrafo teve sua paz impedida por alguém que suplicou que arrancasse a garrafinha do pré-candidato. O tomador de imagens, atribulado com a difícil tarefa de flagrá-lo com uma aparência bonachona, deve ter tremido de medo, quando o chefe, vermelho como um peru, inchado, suado, fala pastosa e olhos fixos e esbugalhados, perguntou: “Você é fotógrafo ou tomador da minha água?”




O fotógrafo Ricardo Stuckert, em Porto Alegre, representou o povo brasileiro. Tivemos uma difícil oportunidade, antes das eleições, de observar o demiurgo, sem o edulcorante marqueteiro, em estado natural.




Sem dependermos somente das mídias tradicionais, na internet podemos ver (e rever) o petista cometendo seus “sincericídios”: chutando quaisquer números, brigando com sua equipe, reclamando do público etc. Sem a mágica marqueteira, o recém-casado não consegue ser gente boa.




Falando em recém-casado, amando e líder nas pesquisas, ele deveria estar mais alegre. Mas não é isso o que vemos, ao contrário, testemunhamos um sujeito raivoso, de mal com a vida e querendo se vingar da Humanidade. A pergunta é: por quê? Como eu não confio no DataFolha, só me resta botar fé na Janja. Nem a conheço, mas a julgar pela qualidade da garrafa de vinho encontrada em seu lixo, a moça não tem culpa do ódio.




Lula quer fazer uma campanha à Presidência sem o povo. Este, depois de ser furtado pelo ex-presidiário, o recebe sob xingamentos. Tendo mais este motivo para evitar contatos, o partido dos Trabalhadores (PT) tramou e inventou a “Caravana Digital”. Espécie de caravana imóvel, o evento mantém a salubridade de todos. Em ambientes controlados, plateia favorável e jornalistas amigos, o postulante atrabiliário segue intimidando e se escondendo. 




Concordo quando dizem que nunca foi tão fácil escolher. Se na campanha é assim, imaginem durante o mandato. O pré-candidato não tem promessas, tem ameaças.
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🔴 Fazendas aqui, florestas lá




EUA — a agricultura “invade” áreas de conservação ambiental.




Alemanha — destrói floresta de 12.000 anos para extração de carvão; alguns vilarejos, que estavam no caminho, também não foram poupados.




Não só faltou quórum, como houve falta de “tweets”, também faltou o barquinho da Greta e o  deslocamento da brava lancha do Greenpeace. Algo tão grave, e o que se viu foi o ensurdecedor silêncio dos “lacradores” de ocasião. Esses “lacradores” (que eu citarei os nomes), além das suas respectivas profissões, encontraram no falso ambientalismo um meio de vida. A perseguição travestida de preocupação ambiental garante a subsistência desses aproveitadores. É um meio de vida e a sinalização de virtude num só tuíte.




ONGs, ambientalistas, Emmanuel Macron, Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg ficam calados. Devem estar cansados de se meter na Amazônia. Ora preservando “nossas girafas, ora postando fotos antigas de queimadas, esses personagens aproveitam os dividendos de acenar para uma falsa preocupação e de quebra mostram para o mundo que são anti-Bolsonaro. Nunca foi para salvar o planeta, se fosse, a poluição provocada pela China e os mega-incêndios ao redor do mundo incomodariam e acionariam os ativistas citados. No entanto, eles só se interessam pelo Brasil. Por quê?




Com a pandemia e a guerra, nossos “heróis” tomaram um choque de realidade, pararam de tentar mudar o mundo e se ensimesmaram. O instinto de sobrevivência se impôs sobre uma agenda secundária. Certas reivindicações voltaram a ser supérfluas. Quem vivia de “lutar” por pautas claramente secundárias, como banheiros trans, assustaram-se, pois a realidade se impôs como uma bigorna. E agora, fazer o quê?




Se você pensa que está livre da choradeira de Emmanuel Macron, dos discursos teleguiados, na ONU, da manipulada Greta Thunberg, dos “posts” alarmistas de Leonardo DiCaprio, do pedido de socorro enganador de muitas ONGs (sem o “N”) e ambientalistas, não se engane, quando tudo retornar àquela calmaria, a Organização das Nações Unidas (ONU) sacará a Agenda 2030.
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💊 Capítulo 2 — Hospitalizado 💊




Eu me sentia estranho porque eu era um estranho. Quando resolvi sair do quarto, não sabia que iria encontrar um lugar que, para muitos, funcionava como um clube. Mas era um hospital.




Aquele uniforme amarelo claro desbotado, somado à minha crescente dificuldade para caminhar, portanto débil, dava a impressão de ser um louco ameaçador à solta.




Fui ao salão central daquele andar do hospital. A escadaria havia sido dominada pelos fumantes e convertida num irrespirável, embora animado, fumódromo. A cada aproximação, crescia o que parecia ser a reunião de elenco do “The Walking Dead” ou qualquer outro filme de apocalipse zumbi.




Notei um inexplicável orgulho de quem estava institucionalizado. Essas pessoas faziam questão de demonstrar conhecimento de como as coisas funcionavam ali, o dia a dia, horários, atalhos e quem é quem. Eu só queria sair dali. Aquela não era a minha realidade. Ali não era o meu lugar.




Aos poucos, os pacientes voltaram para seus quartos sem precisarem ser chamados, conhecendo a rotina, respeitando o horário do café, dos remédios ou exames. Ainda refletindo como alheio àquilo tudo, concluí que, ali dentro como aqui fora, sempre os mais inseguros precisam de uma turma para se “garantir”. Naquele ambiente, esse local era o fumódromo.




Para muitos, aquela janela do 12º andar já significou a solução de todos os problemas. Para mim, aquela ampla janela me separara, temporariamente, de tudo de bom que já vivi e as escadas (ou o elevador), de tudo de bom que viria.




Ficamos eu e uma budista, que parecia ser a única pessoa não institucionalizada, não fumante, ainda com uma vida do lado de fora daquele hospital, por isso, alguém que me entenderia. A budista acertou ao oferecer o que julgou possuir de maior valor. Compartilhou um mantra: nam myoho renge kyo.




Para quem achou que o máximo que ganharia naquela escada era muita fumaça na cara, um mantra ofertado por quem queria sair dali, parecia íntimo, especial, raro e revigorante.




“Todos têm a capacidade de superar qualquer dificuldade e de transformar seu sofrimento a cada instante”.




(Pensamento budista)
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🔴 “Dá que eu te dou outra”







Bolsoringa, corruptela das palavras Bolsonaro e Coringa, traduz o comportamento destruidor do Capitão. Cansado de ser enganado por políticos polidos, fala mansa,  ternos bem cortados  e respeitadores da chamada liturgia do cargo, articulando às escondidas, ciosamente costurando exitosos acordos e dialogando com a oposição, queria um presidente que chegasse chutando a porta, voando com os dois pés no peito, malucão, boquirroto e com um portfólio de piadas ruins (tiozão do churrasco).




O sujeito sem modos, até engraçado, de um autoritarismo folclórico, anacrônico é o presidente. O frequentador de programas “trash”, como o SuperPop, e zoado no CQC, chegou lá. No início, achei bem cômico aquele militar sisudo e mal ajambrado, nos aeroportos, sendo carregado nos ombros aos gritos de “1,2,3... 4,5mil... queremos Bolsonaro, presidente do Brasil”. Sinceramente, achei que era curtição da molecada a fim de colher algumas boas fotografias para o Facebook. Engano. O cara estava sendo conduzido ao “trono”. “Trono” que, segundo ele, só Deus tira ele de lá.




Tirá-lo de lá, ou pelo menos evitar sua reeleição, é a razão de viver (“leitmotiv”) de muitos. Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), velha imprensa e pessoas que ficam mais felizes quando chega o motoboy trazendo uma “meia frango com Catupiry, meia quatro queijos” do que quando chega água no Nordeste.




A resistência de ministros do STF, que esticam seus tentáculos ao TSE, joga o obscuro sistema eleitoral ainda mais em suspeita. Pavimentando o caminho para os antiBolsonaro e  complicando a vida dos apoiadores do Bolsonaro, os ministros fazem conluios, propagandas, reuniões e jantares com a oposição. Os conluios, manobras e muitas ilegalidades vão sendo realizadas escondidas nas frases contendo as palavras e expressões “democracia” (e derivadas), “republicano” e “Estado democrático de direito”.




A situação nunca esteve boa, e agora observamos a olho nu uma força-tarefa e a oposição se movimentando para sabotar e derrubar o governo atual. Com essas investidas, o maior prejudicado é o povo. E eles não estão nem aí. Por isso tem que ter alguém malucão lá: Bolsoringa.




Bolsonaro não só é refratário a todo tipo de ofensa, como cresce em popularidade. Como não surtiu o efeito esperado, as ofensas são dirigidas aos seus eleitores. Recentemente, Paola Carosella chamou-os de “burros e escrotos”; Joice Hasselmann, usando a mesma tática desesperada e suicida, classificou-os como “asquerosos e lixo em forma de gente”. Todo esse “ódio do bem” revela o desespero, principalmente da política Joice. 




Antes, acreditávamos na infiltração de bandidos (disfarçados) utilizando as instituições a serviço do crime; hoje, ficamos surpresos com a “bandidolatria”. Eles estão aí.
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Chorão — Marginal Alado 🔘




Excelente o documentário “Chorão - Marginal Alado”. Documentário, que deveria ser um filme, tem mais a característica de uma biografia do vocalista da banda “Charlie Brown Jr.”. Embora, além do ótimo baixista Champignon, a banda tivesse bons músicos, quem se destacava era o Chorão — muito pela personalidade explosiva. Ele foi um roqueiro de verdade, com a tal “atitude” antes de a palavra virar modinha e esvaziar-se. 




Alexandre Magno Abrão, o Chorão, iniciou como “bandleader” “metendo o pé na porta”. Ele subiu no palco para “brincar”, enquanto o vocalista ia ao banheiro. Cantou uma do “Suicidal Tendencies”,  a galera pirou e ele ficou em cima de um palco até o fim da vida.




O documentário passeia por diversas fases do músico, bem como do “Charlie Brown”. “Brother” ou marrento — Marcelo Camelo, João Gordo e Champignon conheceram a fúria de Chorão —, o cara foi a tradução do (mau) comportamento de um roqueiro. O filme enriquece muito e ganha aspecto de documentário clássico com depoimentos da esposa, filho, amigos, inimigos e músicos (a banda “Charlie Brown Jr.”, Marcelo Nova, João Gordo, Zeca Baleiro etc).




Chorão, o Marginal Alado, cantava e discursava com a linguagem da molecada (preferencialmente aquela que os pais não compreendem). Usando mais palavrões do que vírgulas e dando conselhos tão óbvios quanto livro de autoajuda de banca de jornal, ele falava direto, como quem conhecia os atalhos, sem parecer piegas. O roqueiro e skatista foi a síntese do “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.




Apesar de aparentemente possuir tudo o que uma pessoa quer ter, algo o deixava introspectivo. Essa introspecção escancarou a solidão no centro da multidão. O marginal entrou demais para a sociedade que ele gostaria de estar distante. Tudo isso levou à fuga mais destrutiva: drogas. Essa combinação era perfeita para resultar no óbvio. Sim, a tendência suicida venceu novamente.




Eu não considero “spoilers” fatos tão conhecidos porque foram muito noticiados, mas quem ainda não sabe da história completa, o documentário traz algumas surpresas.
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🔵 14 Bis e as meninas dançarinas do Centro Cultural 🔵

Chegamos atrasados, mas o show não havia começado. A sorte foi não existir lugar para sentar. O jeito era ficar em pé ou sentado no chão... ao lado e da mesma altura do palco. Foi simplesmente o melhor lugar para se assistir a um show musical: o 14 Bis.




Foi muito interessante testemunhar a tensão de um show. Estávamos tão próximos que os impropérios  do Claudio Venturini e Marcão pareciam endereçados a nós. Entretanto, era o “roadie” que, entre fios e botões, recebia os xingamentos, procurando a regulagem ideal do som.




Ver uma apresentação tão próximo do palco era uma experiência única, mas também frustrante, porque eu estava acostumado a assistir, de longe, a uma ilusão. Contudo, pelo contrário, o que testemunhei foi o conjunto musical, cujas letras falam de futuro, esperança e amor, distribuindo farto repertório de palavrões para o pobre funcionário. Sendo assim, a magia da música e seus significados perderam sua magia e tudo parecia uma fábrica de salsichas. Diria mais, eu paguei para testemunhar o Claudio Venturini e o Marcão agindo como quem briga no trânsito ou em um boteco. Jamais pagaria para isso. A decepção foi como visitar a cozinha de um restaurante francês e encontrar larvas, ratos e baratas.




No entanto, algo longe do concerto chamava mais a atenção. Duas moças dançavam, cabelos compridos soltos, roupas indianas e descalças. As duas pareciam estar num transe, numa dança pagã, reverenciado o Lua. Confesso, aquilo estava muito mais interessante que o show do 14 Bis e seu festival de reclamações.




O ineditismo e a inesperada performance foi notada pelo 14 Bis, de modo que o humilde roadie teve um descanso merecido. Suspeito até que o incrível número de dança ocupou a atenção do garoto. Enfim, o técnico, depois de “comer o pão que o diabo amassou”, teve seu  sossego, assistindo de graça a um show na hora do trabalho.




Justamente quando fiquei no pé do palco, teoricamente no melhor lugar, o melhor espetáculo estava na plateia.
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🔵 Andando com umas companhias esquisitas 🔵







Esse é o tipo de aventura que só se vive na Disney ou, com muita sorte e baixo orçamento, no Beto Carrero World. É provável que, com parcas finanças, você tenha visto no filme ‘O Mágico de Oz’. Porém, mesmo sem nenhuma moeda, vivi esta improvável e inesquecível saga.




Nas férias de verão, um trenzinho cheio de personagens (como a Carreta Furacão) surgia como opção de entretenimento infantil: Snoopy, Fofão, Mickey, Pica-pau, Cuca etc ficavam responsáveis de enganar os pirralhos. Mesmo quem não tinha dinheiro para embarcar no trem, queria participar da atração.  Entre os meninos menos endinheirados estava eu, também porque essa modalidade era mais divertida. Assim seguia o séquito de moleques com bicicleta ou correndo, interagindo com os bonecos.




No meio do périplo animado, o Fofão e o Snoopy ou o Mickey foram deixados para trás. Eu e uns 3 moleques, não lembro se ficamos no caminho ou em solidariedade aos personagens, ficamos caminhando pelas ruas do bairro numa configuração curiosa. Confesso, a imagem daquela odisseia foi uma das coisas mais tristes de se ver: algumas crianças conduzido personagens infantis perdidos.




A inusitada saga se estendeu pelas principais ruas e avenidas do bairro, intrigando os transeuntes e comerciantes da região. Três ou quatro garotos acompanhados do Fofão e outro animal de desenho animado caminhando com a certeza de quem sabe aonde vão, não é algo que se vê todo dia. Afinal, íamos ao ponto inicial do trenzinho. Nós, os “humanos” da expedição assumimos o dever moral de entregar nossos novos amiguinhos sãos e salvos.




Quanto mais longe, mais poética devia ser a inédita cena dos nossos heróis seguindo com um firme propósito. No trajeto, fomos conversando com os personagens. Certamente, aquele passeio já estava valendo muito mais que uma simples volta de trem.




O final da fábula teve uma triste coincidência. Como a busca terminou juntamente ao expediente, testemunhamos Fofão e Snoopy ou Mickey retirando suas respectivas cabeças com sorrisos estampados, revelando trabalhadores extremamente mal-humorados. A decepção foi que toda aquela alegria era uma farsa. Descobrimos, Fofão e Mickey ou Snoopy realizaram a epopeia profundamente entediados e querendo que aquele maçante imprevisto acabasse logo.




Essa jornada serviu para eu desconfiar de mascotes de equipes, vendedores fantasiados, animadores de parques de diversões e personagens de trens que sorriem o tempo todo. Descobri que meus novos amigos de “papel marché” e tecido eram uma fraude.
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