rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔵 Corinthians - Série B (a arte de cair para cima)







Não seria um domingo qualquer. Apesar de eu ir a um jogo de futebol, não era uma partida normal e eu assistiria num local diferente. O Corinthians poderia ser rebaixado de divisão e eu torceria para que isso não ocorresse. Fui ao Parque São Jorge, clube do Corinthians.




Desci do ônibus na Estação Carrão e fui andando até o clube. Confiante, comprei um bandeirão na rua São Jorge.




O  espaço armado para a torcida era estrategicamente localizado ao lado da lanchonete. Havia mais gente do que eu esperava e, surpreendentemente, uma turminha da temida torcida uniformizada. O clima geral era bom e a expectativa, muito positiva. Alguns repórteres e fotógrafos esperavam, como sempre, entrevistar algum corintiano revoltado ou em prantos. Isso, provavelmente, venderia muitos jornais, revistas e renderia matérias icônicas. Seria uma boa aparecer na televisão, mas nunca nessa situação.




O Timão, em 2007, tinha uma equipe que não fazia jus ao apelido. Além de estar jogando muito mal, dependíamos de outro jogo. As garrafas de cerveja foram esvaziando, o álcool correndo no sangue da galera, os semblantes de preocupação se instalando, algumas unhas sendo roídas e os jornalistas se preparando para uma longa jornada de trabalho.




Final Grêmio 1 X 1 Corinthians e Goiás 1 X 0 Internacional. Caiu para a Segunda Divisão! Série B! Rebaixado! Isto não estava previsto para aquele 2 de dezembro. Mas o clima de incredulidade impedia a movimentação, exceto dos repórteres. Até voar a primeira cadeira. O clima de indignação tomou conta. Detalhe: a equipe e comissão técnica estavam muito longe (Porto Alegre) para a torcida descontar toda a sua fúria. O que havia ali ao lado: sala da diretoria, sala de troféus etc.




Ao primeiro sinal, a revolta foi geral. Como o clube era o único objeto “danificável” que representasse a revolta corintiana por perto, em pouco tempo a rua São Jorge, 777 estava lotada de “corintiano, maloqueiro e sofredor (graças a Deus)” e policiais. 




Os jornalistas estavam à caça de uma imagem de alguém chorando, xingando ou quebrando tudo. Conclui que não seria uma boa sair na capa do Lance com a legenda: Vive um drama! Tampouco me orgulharia ser reconhecido como o “cara do Globo Esporte”. Me afastei de tudo aquilo. 




Eu até que demorei para sair do pior lugar para estar naquele momento: a representação do fracasso futebolístico, o clube. Para piorar, o bandeirão ficou com essa “marca”, além de ter caído o preço majorado pela esperança.
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O quadro do médico/diabo 🔵

Esta história parece um conto fantástico do Edgar Allan Poe, um surpreendente episódio de Além da Imaginação ou um capítulo horripilante de Contos da Cripta, entretanto é uma aventura verdadeira. A passagem foi tão inacreditável, que para escrevê-la tive que recorrer ao meu irmão para confirmar se o que meus olhos testemunharam foi o mesmo que os dele. Tudo aconteceu há uns 40 anos, portanto na infância, por isso a desconfiança se aquilo realmente ocorreu ou é uma construção de uma imaginação fértil. 

Entre um amigo, meu irmão e eu, alguém teve a mente devidamente desocupada para sugerir a invasão de uma casa abandonada. A residência antiga tinha um aspecto bem fantasmagórico. Seus antigos ocupantes estavam todos mortos, porém a mobília permanecia em seu interior. Tudo isso agregava com a atmosfera assustadora.

Então, com idade insuficiente e coragem (ou curiosidade) de sobra, enfrentamos a velha casa que guardava mistérios e lendas. Chegando lá, o ranger da porta, a escuridão e o assoalho de madeira não foram suficientes para nos dissuadir da infeliz ideia e recuarmos.

Os pertences intactos davam a clara ideia de que a antiga moradia não fora saqueada nem serviu de abrigo a moradores de rua ou usuários de drogas. Mas uma coisa intrigava: havia um maquiavélico laboratório, que provavelmente pertencia ao médico falecido. Maquiavélico porque nele constavam recipientes com substâncias destruidoras. Exemplo: ácido sulfúrico.

Observando cada detalhe e exclamando qualquer descoberta que reconstituísse os estranhos hábitos dos moradores excêntricos, alguém viu, apontou e avisou com voz trêmula e apavorada um objeto que faria nos arrepender de ter entrado naquela casa abandonada: um quadro com uma pintura do diabo (com traje de médico) tratando um paciente. Aquela pintura trazia várias dúvidas: quem (e com qual inspiração) se sujeitaria a retratar tão horrorosa cena?  A imagem é real ou veio da “inspiração” do artista? Quem se sentiria à vontade tendo um quadro com aquela figura decorando a sala da residência?

Aquilo foi o bastante para concluirmos a triste experiência e decretarmos que aquela edificação era realmente mal-assombrada. Acontecimentos estranhos e desastrosos se sucederam 

Tempos depois, tudo foi derrubado e alguém recolheu o quadro. Algumas lojas populares foram construídas no terreno de esquina (encruzilhada), de modo que alguma loja ocupa o exato local do “quadro do médico/diabo”.
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Bolsa Família 🔵







Cada estande ou palestra só tinha um assunto: dinheiro; os papos com amigos e parentes giravam em torno de um único tema: investimento; eu gostava de visitar dois lugares: corretora e Bovespa; meu computador era ligado quando abria o pregão e desligado ao término da transação de papéis; bancas de jornal, programas de rádio e “sites”, praticamente tudo o que remetesse ao mercado bursátil era do meu interesse; até o “economês” foi instalado no meu vocabulário.




Entrei nessa no auge da crise de 2008. Não deixou de ser uma estratégia, pois o mercado estava em baixa (barato). Acontece que os outros investidores estavam saindo correndo, talvez da vida. Contrariando o conhecido “efeito manada”, o mercado acalmou. A longo prazo compensava.




O Mercado de Capitais era meu novo videogame, a diferença eram os valores que eu ganhava ou perdia em compras e vendas que foram realizadas com a volúpia e a facilidade de um toque no teclado do computador on-line. Eu fui um investidor classificado como “agressivo”. Meus “day trades” (compra e venda) talvez revelassem mais um sinal patológico de ansiedade do que uma aversão ao risco de “dormir comprado”.




Eu percorria corredores, entrava em estandes, assistia a palestras e pegava brindes na Expomoney, a Disneylândia de um legítimo porco capitalista.




“Initial Public Offering” (IPO), dividendos, “day trade”, bastava decorar algumas palavras e expressões (várias em inglês) e falar um “economês” castiço e demonstrar alguma desenvoltura no universo de compra e venda de ações, para servir-se na mesa de café-da-tarde que a corretora dispunha aos investidores. Para dispor do maravilhoso banquete, bastava mimetizar o Sardenberg ou, inclusive, a Miriam Leitão. Nesse debate, eu pude, enfim, aplicar meus conhecimentos da Crise de 1929.




Observando a voracidade como os outros investidores atacavam a mesa de comida, tive a absoluta impressão de que não era só eu que, apesar da roupa social, dava prejuízo à corretora. Acredito que naquele auditório só havia picaretas fingindo ser Warren Buffet, inclusive a turma da mesa diretora. Nem alta da Petrobras e Vale eram mais importantes que aquele sanduíche de presunto e queijo. Pelo menos naquele momento.




Éramos uma turma brincando de gente séria. Igual a políticos, fingíamos estar preocupados com o futuro da nação. Na verdade, como interesseiros que éramos, tudo o que nos unia eram: a ganância, o medo e a fome.
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Conto do vigário 🔵

Um sujeito deixou cair, acidentalmente, um maço de notas bem na minha frente. Vou iniciar novamente, porque a história não é bem assim. Este início seria como a vítima deveria interpretar o incidente.

Recomeçando: O picareta largou, propositadamente, uma imitação de pacote de dinheiro  (parecendo muito) no meu caminho. O comparsa, apressadamente, se aproximou, apanhou a “grana” e, arregalando os olhos para me impressionar, disse:

   — Olha! Ele deixou cair!

Claro, o truta estava querendo que eu caísse na dele.

Não sei o que exatamente os motivou a me elegerem a vítima perfeita: rico, ganancioso ou matuto. Podem ter sido as três características. Como erraram nessas avaliações, o golpe não foi bem sucedido.

Pois bem, concomitante a tentativa de me impressionar, eu respondia ao larápio de forma desapegada, irônica e quase monossilábica. Meio que saindo, desejando boa sorte e demonstrando total desinteresse na suposta bolada, frustrei o malfeitor. Demorou, mas o gatuno considerou que a abordagem não renderia frutos. Fim de expediente, “cliente” mal escolhido, era hora de desistir e ir embora.

O “Conto do Vigário” (origem do termo vigarista) é uma atividade criminosa muito antiga. Confesso que participei daquilo (até onde pude) com curiosidade antropológica, quase uma volta num passado paulistano, época em que, com o êxodo rural ou as imigrações, os caipiras ou os imigrantes desembocavam na cidade grande, respectivamente. 

Os sinônimos, antigos, quase em desuso, para aludir ao criminoso são propositais. Achando a cena improvável, pitoresca e teatral, participei do conto como quem interpreta um papel na peça da escola. Observei tudo, com a “expertise” de quem havia lido muito sobre “contos do vigário” e notórios ladrões, exemplos:  o conto da guitarra elétrica, bilhete premiado, lote na Lua, Pirâmide de Ponzi, Carlo Ponzi, Gino Amleto Meneghetti, Bandido da Luz Vermelha etc.

Depois da volta ao passado, da inesperada imersão em algo que eu só via em livros antigos, uma viagem na Terra da Garoa, na São Paulo da primeira metade do século XX, achei que estava indo longe demais, afinal eu estava lidando com um fora-da-lei. Só não fui à delegacia porque temi encontrar um delegado com lupa e cachimbo.

Na subida da avenida São João, olhei para trás. Os dois pilantras estavam confabulando, deveriam estar dividindo a féria do dia. Tudo terminou como suspeitei, conforme o que havia lido.
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Capítulo 1 — Oftalmologista 💊



Algumas complicações talvez fossem dificuldades oftalmológicas (mesmo que também motoras), afinal tudo surgiu juntamente à vista dupla. Como o relato, em casa, do que estava acontecendo não surtia efeito, fui ao médico oftalmologista, achando que a complicação era por causa da falta do uso dos óculos.




No consultório, o médico surgiu. A primeira impressão do que vi, me deixou ressabiado. A cara de fugitivo de manicômio não assustaria muito, contanto que o diagnóstico fosse preciso e animador. A real preocupação começou quando notei algo muito errado com o homem de branco. 




Com a proximidade da traquitana para “as vista”, ouvi os intermináveis estalinhos bilabiais que o doutor disparava. Certamente, numa distância socialmente aceitável eu não teria percebido o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Mas com a proximidade do exame oftalmológico eu ouvia muito próxima e com muita frequência a emissão dos estalinhos. Isso só me deixava mais nervoso. Era assustador ter que admitir, mas o responsável pelo tratamento talvez fosse beneficiado pela política antimanicomial. Pior, um fugitivo de algum sanatório para pacientes psiquiátricos de alta periculosidade. Lógico que fiquei apavorado ao constatar que o doutor precisava de tratamento urgente.




A espera causava angústia à medida que só aumentava a suspeita de que o resultado não seria nada animador, de modo que eu já lembrava (como num filme) dos excelentes dias vividos (até o atual  2009), adivinhando que dali pra frente tudo seria diferente.




Resultado: solicitação de tomografia computadorizada. Saí do oftalmologista que necessitava de ajuda médica e fui ao Hospital do Servidor Público. O doutor com tique nervoso estava no caminho correto. O que estava desencadeando os sintomas era neurológico, portanto grave. Dei o fora dali antes que eu saísse com TOC herdado do “médico maluco”.




Corri para o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), no Ibirapuera, a fim de realizar o exame solicitado. Atravessei a Avenida Tiradentes correndo. Não sabia que aquele seria meu último pique e ficaria internado por 2 meses (incluindo UTI).
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Entrando numa fria 🔵

Uma inocente guloseima infantil pode dar cadeia. Culpa da irresponsabilidade do excesso de cuidado.

Eu juro que apenas queria comprar um gelinho, vendido num Fusca azul. Mas minha mãe afirmava que aquele carrinho vendia drogas e raptava crianças. Hoje, me afastaria, até correria apavorado, se avistasse o fusquinha azul dobrando a esquina.

Gelinho (geladinho ou sacolé) pode ser definido como sorvete de pobre. Consiste em um suco (diversos sabores) congelado num saquinho. Pois bem, o veículo, a cor e o local afastado, onde ficava, já eram muito suspeitos, juntamente com a denúncia da minha mãe, o conjunto tornava-se algo que eu deveria manter distância devido a periculosidade. Atualmente, eu compararia todo aquele método na porta da escola a um serial killer americano.

Na segunda série, em outro colégio a mesma maldade foi aplicada como estratégia para economizar alguns centavos. Dessa vez a vítima foi a pobre velhinha que vendia gelinho em frente ao colégio. 

Eu fico imaginando a senhorinha levantando às cinco da madrugada, preparando o suquinho, embalando, congelando, acomodando o produto no isopor e empurrando o carrinho de feira até a escola. Todo esse trabalho para receber a acusação de tráfico de drogas. Pior, dessa vez o doce também era servido na modalidade “água de fossa”. Calculando que esse sabor não era bom, passei o ano à base de merenda escolar.

Vivíamos os estertores do Regime Militar, se a frágil e trabalhadora idosa fosse “dedurada”, seria, facilmente, capturada, levaria uma surra- receberia algumas sessões de tortura no DOPS (até entregar os guerrilheiros e comunistas), terminaria jogada numa cela fétida, julgada e condenada por subversão à ordem e, com sorte, sua ossada poderia ser encontrada num cemitério clandestino. Tudo isso, para o complementar a aposentadoria, ganhando uns trocados! Eu acho injusto.

Na verdade, o perigo estava mais perto da que eu pensava. Minha mãe armazenava toda sorte de estupefacientes caseiros: acetona, esmalte, querosene e removedor de tinta. Eu ficaria entorpecido só de entrar na lavanderia de casa e respirar o ar dos produtos de limpeza.

Não aconteceu nada com os proprietários do Fusca azul, nem com a velhinha. Muitas vezes, eu trafiquei gelinho e consumi o produto. Hoje, estou limpo.
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Dilma e o diabo 🔴

Dilma Vana Roussef, nossa mais fiel tradução da incapaz capaz de tudo. Sem pudor, e com o poder destrutivo de uma variante do coronavírus, governando, ela quase destruiu o Brasil em favor de uma causa muito particular.

A presidenta guarda uma intimidade muito grande com o “Coisa Ruim”. Em momentos difíceis,  ela invoca o Bicho. Essa simbiose só pode ser fruto de uma amizade muito antiga. Talvez um acordo. Nada pode ser duvidado de quem arrematou a refinaria de Pasadena. Nunca se sabe o que foi assinado, muito menos num remoto passado, numa encruzilhada qualquer. Não é de graça que qualquer pessoa chega ao poder.

Para derrotar o adversário do PT, Dilma prometeu “aliança até com o diabo”. Novamente, estreitando laços com o Cramunhão. Talvez fosse pela democracia. Não foi a primeira vez.

Querendo vencer a eleição de 2014, a “Querida” ameaçou botar em campo seu parceiro de todas as horas. Na ocasião, ela disse: “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. Eu acredito nisso. A propósito, ela alcançou seus desejos. Deve ser sido, de novo, pela democracia.

Minha indagação é a seguinte: Se Dilma tem coragem, e até desenvoltura, de recorrer ao Cão-Tinhoso em público, o que não faria no escuro do seu quarto? 

Embora a ex-presidente já tenha arriscado se comunicar em inglês, espanhol e francês, sem ao menos se fazer entender em português, não conseguiu evitar o “impeachment” — ou, como dizem, golpe. 

O impeachment e a não eleição para senadora talvez sejam parte dos benefícios que não entraram no pacote do acordo obscuro. Mas uma pessoa como ela ter chegado à Presidência! Isso é obra digna de feijões mágicos ou coisa do gênio da lâmpada.

Quando a Dilma falava em “pacto” social dava calafrios. O ato falho talvez revele porque a governanta presidiu o Brasil e era aplaudida em seus inesquecíveis discursos.

Enfim, têm pessoas que fazem de tudo para vencer eleições e sabemos que o que os move não é a vontade de ajudar o Brasil. Na briga pelo voto cristão tem candidato rezando pra Deus e acendendo a uma vela pro Cão.
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Rosas de Ouro — Uma noite alucinante 🔵

Tudo começou estranho. Em vez de boteco, bar com banda ao vivo, a quadra da escola de samba Rosas de Ouro. Eu deduzi que a noite seria longa, pois teria que fingir gostar dos batuques carnavalescos. Em nome do feriado e da festa, já arrisquei agitar os polegares e enroscar as pernas — como um gringo — ao ritmo do samba.

Dessa vez não tinha nem chope grátis no endereço beirando a Marginal Tietê. Quando começaram as performances das agremiações, logo vi que a noite seria realmente interminável. Rodopiando vinham porta-bandeiras da Gaviões da Fiel, Camisa Verde e Branco, Dragões da Real etc. cada vez que a porta-bandeira parava e oferecia o pavilhão eu tinha que beijar a bandeira e fazer uma reverência, conforme observei, quase como se fosse um objeto sagrado. Meu visualzinho, de quem “caiu” ali por engano, estava mais apropriado para uma ópera no Teatro Municipal. Notei que, quando a porta-bandeira chegava em mim, rolava uma cobrança tácita. Diante dessa pressão, eu beijaria até a bandeira do Palmeiras!

O meu maior temor se concretizou. Como meu amigo era integrante da principal torcida uniformizada do São Paulo, junto deles fiquei. Quando o evento terminou, eu, como um torcedor do time do Morumbi, ajudava a embarcar os instrumentos musicais no ônibus. Assim fui até a sede da tal torcida, sendo ameaçado de ser entregue como um corintiano infiltrado.

Fora a ameaça, sempre foi muito bom ver a cidade à noite, iluminada artificialmente. Voltando para a perigosa realidade de um corintiano entre são-paulinos, ajudei a subir aqueles instrumentos de percussão que eram surrados todas as vezes que o time tricolor marcava um gol no meu time alvinegro. Cumpri a função tranquilamente, porque eu sairia no lucro se continuasse disfarçado, mantendo minha incolumidade física.

Mesclando a beleza das escolas de samba e a cidade à noite com o temor das guerras de torcidas — em plenos anos 90 — foi uma noite fora de qualquer padrão, uma noite alucinante.
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Fora de sintonia 🔴

“Uma menina morreu, mas tem a festa”. Dessa vez não teve bala perdida para reclamar — sempre da polícia, afinal, rende indenização, além de servir de munição para demonizar a segurança pública. O acidente com o carro alegórico tornou a morte mera alegoria, dando passagem à festa.

No estilo “globeleza”, o jornalista Marcelo Cosme, da Globonews, exagerou ao tentar animar o telespectador com o clima de carnaval da emissora. Desesperadamente, a Globo lutou para lucrar com o carnaval fora de época. A alegria nada genuína, seguida da desastrosa fala, saíram mais pagãs que o “pé-na-jaca”  brasileiro.

O “fique em casa”, que alavancaria a audiência da televisão aberta, revelou-se desastroso quando, na prática, turbinou os “streamings” e a internet. A hipocrisia escancarou-se quando os mesmos que insistiam para você ficar em casa eram “flagrados” na rua.

Marcelo Cosme, dedicado funcionário que é, demonstrou estar em perfeita sintonia e cheio de “gueri-gueri” com a emissora e virou a chave: deu uma mudança de rota (180 graus). Saiu do modo coronavírus e entrou no clima do “ziziguidum, telecoteco e balacobaco”, afinal, mesmo fora de época, é carnaval.

O jornalismo do grupo carioca busca transformar (ou tentar) a sociedade conforme seus interesses. Maximizando e minimizando eventos, o jornalismo da Globo entrega matérias (coberturas) positivas (a favor) ou negativas (contra), fortalecendo a narrativa que importa e, em consequência a opinião pública. Entretanto, os acontecimentos morte e carnaval (festa) na mesma notícia “bugaram” o cérebro do jornalista. Saiu isso: “Tem preocupação, acidentes acontecem, uma menina morreu, mas tem festa, nê?”.

A Globo vem navegando (lacrando) de acordo com o vento. Todo o politicamente correto contradiz as práticas históricas que são relatadas por quem já trilhou aqueles estúdios.

Como acabou o carnaval, a Globo voltará a lamentar as mortes. Neste quesito, só não pode ser seletiva. Quanto à fala: está mais para ato falho que para acidente. Não foi acidente.
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Turnê da vergonha 🔴

Lula e sua turma devem rir muito. O líder dos sindicalistas pegou Geraldo Alckmin pela mão e está “obrigando-o” a frequentar os eventos mais constrangedores. Vestindo de vez a fantasia de picolé de chuchu, o ex-governador esteve visivelmente envergonhado ao participar dos eventos ligados à esquerda raivosa e ao próprio Lula. Este circula à vontade por ambientes hostis ao socialista fabiano.

A mistura que, sob olhares desatentos, pariu um ornitorrinco, fez Alckmin ilustrar uma conspiratória dobradinha e ser flagrado num palanque — imitando Getúlio Vargas — tentando se comunicar com uma plateia de sindicalistas e respeitosamente, em pé, ouviu atentamente a Internacional Socialista — deve ter se emocionado, entretanto não convinha demonstrar.

Para o “Santo” seria uma via muito dolorosa, porém, de acordo com o conteúdo, não passa de um roteiro maldito. Assim, o ex-PSDB não ganha novos eleitores, pelo contrário, perde os antigos.

Geraldo está cumprindo o calvário amargo e constrangedor, embora não tenha  chegado ao exagero de  Roberto Requião. O paranaense, para agradar o petista, mastigou e achou boa a venenosa mamona.

               ***



Os sindicatos perderam a força de mobilização que já tiveram. No 1º de Maio, isso ficou evidente. Sem a contribuição sindical, não houve sorteio de apartamentos e carros, não houve ônibus, pão com mortadela, tubaína e cachê. Mas teve shows: Daniela Mercury, coitada, se submeteu a um número que parecia festinha de fim de ano de firma — aquelas em que a turma está mais interessada em beber chope e comer churrasco de graça. Conclusão, o evento esvaziou. Até o Alckmin conseguiu escapar desta.



Luiz Inácio Lula da Silva não queria discursar para aquela merreca de potenciais eleitores. Foi um constrangimento para ele, acostumado a “hipnotizar” multidões. Restou subir, discursar, desculpar-se com os policiais e prometer um arsenal de impossibilidades e ameaças.

Quem escapará ileso, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin ou Daniela Mercury?
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