rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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Dilma e o diabo 🔴

Dilma Vana Roussef, nossa mais fiel tradução da incapaz capaz de tudo. Sem pudor, e com o poder destrutivo de uma variante do coronavírus, governando, ela quase destruiu o Brasil em favor de uma causa muito particular.

A presidenta guarda uma intimidade muito grande com o “Coisa Ruim”. Em momentos difíceis,  ela invoca o Bicho. Essa simbiose só pode ser fruto de uma amizade muito antiga. Talvez um acordo. Nada pode ser duvidado de quem arrematou a refinaria de Pasadena. Nunca se sabe o que foi assinado, muito menos num remoto passado, numa encruzilhada qualquer. Não é de graça que qualquer pessoa chega ao poder.

Para derrotar o adversário do PT, Dilma prometeu “aliança até com o diabo”. Novamente, estreitando laços com o Cramunhão. Talvez fosse pela democracia. Não foi a primeira vez.

Querendo vencer a eleição de 2014, a “Querida” ameaçou botar em campo seu parceiro de todas as horas. Na ocasião, ela disse: “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. Eu acredito nisso. A propósito, ela alcançou seus desejos. Deve ser sido, de novo, pela democracia.

Minha indagação é a seguinte: Se Dilma tem coragem, e até desenvoltura, de recorrer ao Cão-Tinhoso em público, o que não faria no escuro do seu quarto? 

Embora a ex-presidente já tenha arriscado se comunicar em inglês, espanhol e francês, sem ao menos se fazer entender em português, não conseguiu evitar o “impeachment” — ou, como dizem, golpe. 

O impeachment e a não eleição para senadora talvez sejam parte dos benefícios que não entraram no pacote do acordo obscuro. Mas uma pessoa como ela ter chegado à Presidência! Isso é obra digna de feijões mágicos ou coisa do gênio da lâmpada.

Quando a Dilma falava em “pacto” social dava calafrios. O ato falho talvez revele porque a governanta presidiu o Brasil e era aplaudida em seus inesquecíveis discursos.

Enfim, têm pessoas que fazem de tudo para vencer eleições e sabemos que o que os move não é a vontade de ajudar o Brasil. Na briga pelo voto cristão tem candidato rezando pra Deus e acendendo a uma vela pro Cão.
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🔵 Corinthians - Série B (a arte de cair para cima)







Não seria um domingo qualquer. Apesar de eu ir a um jogo de futebol, não era uma partida normal e eu assistiria num local diferente. O Corinthians poderia ser rebaixado de divisão e eu torceria para que isso não ocorresse. Fui ao Parque São Jorge, clube do Corinthians.




Desci do ônibus na Estação Carrão e fui andando até o clube. Confiante, comprei um bandeirão na rua São Jorge.




O  espaço armado para a torcida era estrategicamente localizado ao lado da lanchonete. Havia mais gente do que eu esperava e, surpreendentemente, uma turminha da temida torcida uniformizada. O clima geral era bom e a expectativa, muito positiva. Alguns repórteres e fotógrafos esperavam, como sempre, entrevistar algum corintiano revoltado ou em prantos. Isso, provavelmente, venderia muitos jornais, revistas e renderia matérias icônicas. Seria uma boa aparecer na televisão, mas nunca nessa situação.




O Timão, em 2007, tinha uma equipe que não fazia jus ao apelido. Além de estar jogando muito mal, dependíamos de outro jogo. As garrafas de cerveja foram esvaziando, o álcool correndo no sangue da galera, os semblantes de preocupação se instalando, algumas unhas sendo roídas e os jornalistas se preparando para uma longa jornada de trabalho.




Final Grêmio 1 X 1 Corinthians e Goiás 1 X 0 Internacional. Caiu para a Segunda Divisão! Série B! Rebaixado! Isto não estava previsto para aquele 2 de dezembro. Mas o clima de incredulidade impedia a movimentação, exceto dos repórteres. Até voar a primeira cadeira. O clima de indignação tomou conta. Detalhe: a equipe e comissão técnica estavam muito longe (Porto Alegre) para a torcida descontar toda a sua fúria. O que havia ali ao lado: sala da diretoria, sala de troféus etc.




Ao primeiro sinal, a revolta foi geral. Como o clube era o único objeto “danificável” que representasse a revolta corintiana por perto, em pouco tempo a rua São Jorge, 777 estava lotada de “corintiano, maloqueiro e sofredor (graças a Deus)” e policiais. 




Os jornalistas estavam à caça de uma imagem de alguém chorando, xingando ou quebrando tudo. Conclui que não seria uma boa sair na capa do Lance com a legenda: Vive um drama! Tampouco me orgulharia ser reconhecido como o “cara do Globo Esporte”. Me afastei de tudo aquilo. 




Eu até que demorei para sair do pior lugar para estar naquele momento: a representação do fracasso futebolístico, o clube. Para piorar, o bandeirão ficou com essa “marca”, além de ter caído o preço majorado pela esperança.
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Cícero Miranda, meu quintal 🔵

Quem foi Cícero Miranda? Eu joguei e assisti muitos jogos no campo de “várzea” da rua Francisco Gonzaga Vasconcellos, mas só agora tive a curiosidade de saber: quem foi o cara   homenageado com o nome do estádio municipal na Vila Galvão, Guarulhos?

Com capacidade para 3.000 torcedores, as arquibancadas, por mais que estivessem cheias, nunca preenchiam sua totalidade. As maiores rivalidades atraíam famílias de jogadores e as “figuras” do bairro. As famílias sempre chegavam com alguém bêbado (ou todos). Durante a partida, as crianças eram recrutadas para buscar mais cerveja no bar; voltavam com uma garrafa de cerveja numa mão e um sorvete, um pacotinho de salgadinho ou uma garrafa de refrigerante na outra mão.

Os jogos eram animados com muito batuque, gritos, xingamentos, brigas e, às vezes, tiros. Ameaçar de morte era comum, não tinha idade para sentir-se encorajado, desde que fizesse parte de alguma família bêbada. Às vezes, no auge da indignação, saia um disparo de arma de fogo. O bandeirinha sofria muito, pois era obrigado a suportar ofensas, piadas e ameaças durante 90 minutos. Com certa frequência, o trio de arbitragem fugia da praça esportiva escoltado pela polícia. Enfim, o que significava, para a torcida, um simples final de semana ensolarado com cerveja e futebol, para a arbitragem aquilo era o Coliseu durante o Império Romano.

Certo dia, uma briga generalizada veio avançando em nossa direção. A expectativa era dramática, pois a turba ameaçava nos sequestrar para uma confusão que não sabíamos sequer o motivo. E o quebra-pau chegando perto. A imagem de instrumentos de percussão e outros objetos voando foi intimidadora, mas tínhamos que tomar alguma atitude: ou entrar na briga ou fugir. Sem saber qual atitude tomar, meu amigo atravessou o tsunami na maior calma, equilibrando um copo de cerveja, saindo incólume do outro lado. Tive que fazer o mesmo.

Se é que dá para dizer, isso era chamado de lazer.

Anos depois, de outra cidade, enviei um e-mail à Secretaria de Cultura de Guarulhos; quando já havia me esquecido, recebi a resposta: Cícero Miranda foi o antigo proprietário das terras do estádio. Mas já não me interessava saber quem foi Cícero Miranda, bastava continuar lembrando do que foi o Cícero Miranda.



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Velhão — Conspiração do Jogo 🔵

Parece que estamos no cenário do início de um filme de terror. Se o destino for uma residência afastada sei que o enredo é o pior para todos nós. Estamos subindo a serra cortando uma floresta escura e densa. Para completar o enredo maldito, chegaremos numa mansão linda, porém sinistra; contaremos com a companhia de um cachorro raivoso e sinistro que late olhando para o vazio; e uma vizinha misteriosa carregará a expressão amedrontadora de quem sabe o que ocorreu na casa e a besteira que nós (forasteiros) estamos nos metendo.

A composição do grupo parece favorável, mas eu entendo o truque. Algumas garotas atraem a gente para a armadilha mortal. Dessa maneira, provavelmente seremos esquartejados pelo maluco psicopata local, sobrando apenas o casal mais bonzinho, aposto. Já vi esse filme, eu sei como isso acaba.

Apesar do prólogo de filme B de horror “gore”, o que veio a seguir não foi tão trágico. Na verdade, estávamos somente cortando a Serra da Cantareira. Escura e fechada, sim, mas o “quintal” de casa. A montanha sagrada que deve ter significado deus e ficado responsável por poderes sobrenaturais e uma farta colheita para as antigas tribos guarulhenses. No entanto, o acidente geográfico apenas tinha o poder de manter Mairiporã afastada.

Eu já fiquei mais calmo quando tive certeza que o destino era uma das mansões ou barzinhos da Serra. O carro embicou num endereço estranho do topo da montanha. Eu já tinha estado naquela região. Atravessamos o tal do Complexo chamado Velhão — um antiquário, várias lojinhas, bares e restaurantes. A escadaria íngreme e comprida aumentava a expectativa e constituía o ambiente Medieval.

O abrir e fechar da porta (que pareceu um portal) nos transportou a outra dimensão. Além de estancar o frio, o interior do bar era musical e descontraído. Chegamos no lendário bar Conspiração do Jogo.

Contudo, tudo parecia perfeito demais. Não seria justo eu estar em boa companhia e num lugar incrível, enquanto, num sábado à noite outras pessoas assistiam ao Zorra Total ou ao Supercine. Aquele bar perfeito não me enganaria muito tempo, logo todos virariam vampiros sanguinários. Isso existe, eu sei de tudo. Já vi isso acontecer no filme do Quentin Tarantino, Um Drink no Inferno.

Aquela aparente perfeição só podia ser artificial, talvez efeito do álcool. Minhas desconfianças esvaíram com a oferta de jogos de tabuleiro: ludo, damas, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Master etc. Finalmente, eu havia desvendado toda a trama: a tal “conspiração do jogo” era nos capturar, num sábado à noite, prometendo uma casa noturna, com todas as suas benesses, e prender-nos numa mesinha com jogos de tabuleiro. Só faltava pijama, pipoca e um cobertor. Eu precisava escapar dali, antes que eu acabasse a noite jogando dominó.

No fim, tudo ocorreu sem grandes surpresas, numa espelunca qualquer, mas verdadeira. Bar modinha é facilmente reconhecível: um nome legal e ambiente descolado, para incluir tudo isso na conta. Boteco é inconfundível: sujinho, sempre rola uma discussão, mas a cerveja e o tira-gosto são baratos.
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Obrigado 🔵

Se a investida pacífica não fosse o suficiente, a próxima abordagem seria no velho e eficaz método Viking. Felizmente, nunca abrimos mão da extorsão civilizada, de modo que as coisas sempre ficavam melhores para todos.

Esgotados os piões, as bolinhas-de-gude e os “quadrados” (pipas) com cortante, restava a venda de doces. Era véspera de Natal, e como havíamos torrado moedas e algumas notas amassadas, era chegado o dia de exigirmos algumas guloseimas grátis. Jamais soube se por pena, gratidão ou achar aquela cena inusitada, éramos sempre atendidos. Certamente, o fato de a dona do humilde estabelecimento comercial, a japonesa, conhecer nossas mães contribuía muito.

A “venda da japonesa”, por mais acanhada que fosse, era o endereço escolhido para sempre trocarmos nossas economias por uma justa variedade de doces e um punhado sortido de balas. Assim, mal tratando os dentes, encerrávamos um dia de mãos cortadas, pés sangrando e hematomas.

Cobrar nossa porção de doces foi uma “tradição” inventada por nós. A “venda da japonesa” foi prontamente eleita como a vítima perfeita para obedecer nossa pequena tradição. Além dos motivos que eu já elenquei, o pequeno comércio foi o selecionado por estocar nossos exemplares favoritos de alimentos supérfluos, bem como abastecer-nos o ano inteiro (mediante pagamento).

A ameaça velada era anunciada pastosamente como “Natal”. Apesar do prejuízo iminente, éramos sempre atendidos com um sorriso oriental. Então, como quem vai ao caixa eletrônico ou ameaça com travessuras quem não ofertar gostosuras, começávamos a escolher a “oferta”. Invadíamos o comércio com as mãos vazias e saíamos carregando sacos cheios de produtos comestíveis. Aqui é Brasil!

Finalmente, consumindo, conferíamos o resultado da ameaça tácita. Entre pé-de-moleque, balas, paçoca, doce de leite, pipoca rosa e doce de amendoim, vinham doce de abóbora e maria-mole escondidos no fundo do pacote. Tudo bem, era de graça!

Aquilo era nosso São Cosme e Damião particular. A atitude não era nada santa, já que era posta em prática mediante intimidação e não incluía a reza — a desculpa é que era sincrética, já que era exercida por um católico e um luterano.

Essa foi uma época em que o Natal era, literalmente, mais doce.
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Turnê da vergonha 🔴

Lula e sua turma devem rir muito. O líder dos sindicalistas pegou Geraldo Alckmin pela mão e está “obrigando-o” a frequentar os eventos mais constrangedores. Vestindo de vez a fantasia de picolé de chuchu, o ex-governador esteve visivelmente envergonhado ao participar dos eventos ligados à esquerda raivosa e ao próprio Lula. Este circula à vontade por ambientes hostis ao socialista fabiano.

A mistura que, sob olhares desatentos, pariu um ornitorrinco, fez Alckmin ilustrar uma conspiratória dobradinha e ser flagrado num palanque — imitando Getúlio Vargas — tentando se comunicar com uma plateia de sindicalistas e respeitosamente, em pé, ouviu atentamente a Internacional Socialista — deve ter se emocionado, entretanto não convinha demonstrar.

Para o “Santo” seria uma via muito dolorosa, porém, de acordo com o conteúdo, não passa de um roteiro maldito. Assim, o ex-PSDB não ganha novos eleitores, pelo contrário, perde os antigos.

Geraldo está cumprindo o calvário amargo e constrangedor, embora não tenha  chegado ao exagero de  Roberto Requião. O paranaense, para agradar o petista, mastigou e achou boa a venenosa mamona.

               ***



Os sindicatos perderam a força de mobilização que já tiveram. No 1º de Maio, isso ficou evidente. Sem a contribuição sindical, não houve sorteio de apartamentos e carros, não houve ônibus, pão com mortadela, tubaína e cachê. Mas teve shows: Daniela Mercury, coitada, se submeteu a um número que parecia festinha de fim de ano de firma — aquelas em que a turma está mais interessada em beber chope e comer churrasco de graça. Conclusão, o evento esvaziou. Até o Alckmin conseguiu escapar desta.



Luiz Inácio Lula da Silva não queria discursar para aquela merreca de potenciais eleitores. Foi um constrangimento para ele, acostumado a “hipnotizar” multidões. Restou subir, discursar, desculpar-se com os policiais e prometer um arsenal de impossibilidades e ameaças.

Quem escapará ileso, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin ou Daniela Mercury?
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Fora de sintonia 🔴

“Uma menina morreu, mas tem a festa”. Dessa vez não teve bala perdida para reclamar — sempre da polícia, afinal, rende indenização, além de servir de munição para demonizar a segurança pública. O acidente com o carro alegórico tornou a morte mera alegoria, dando passagem à festa.

No estilo “globeleza”, o jornalista Marcelo Cosme, da Globonews, exagerou ao tentar animar o telespectador com o clima de carnaval da emissora. Desesperadamente, a Globo lutou para lucrar com o carnaval fora de época. A alegria nada genuína, seguida da desastrosa fala, saíram mais pagãs que o “pé-na-jaca”  brasileiro.

O “fique em casa”, que alavancaria a audiência da televisão aberta, revelou-se desastroso quando, na prática, turbinou os “streamings” e a internet. A hipocrisia escancarou-se quando os mesmos que insistiam para você ficar em casa eram “flagrados” na rua.

Marcelo Cosme, dedicado funcionário que é, demonstrou estar em perfeita sintonia e cheio de “gueri-gueri” com a emissora e virou a chave: deu uma mudança de rota (180 graus). Saiu do modo coronavírus e entrou no clima do “ziziguidum, telecoteco e balacobaco”, afinal, mesmo fora de época, é carnaval.

O jornalismo do grupo carioca busca transformar (ou tentar) a sociedade conforme seus interesses. Maximizando e minimizando eventos, o jornalismo da Globo entrega matérias (coberturas) positivas (a favor) ou negativas (contra), fortalecendo a narrativa que importa e, em consequência a opinião pública. Entretanto, os acontecimentos morte e carnaval (festa) na mesma notícia “bugaram” o cérebro do jornalista. Saiu isso: “Tem preocupação, acidentes acontecem, uma menina morreu, mas tem festa, nê?”.

A Globo vem navegando (lacrando) de acordo com o vento. Todo o politicamente correto contradiz as práticas históricas que são relatadas por quem já trilhou aqueles estúdios.

Como acabou o carnaval, a Globo voltará a lamentar as mortes. Neste quesito, só não pode ser seletiva. Quanto à fala: está mais para ato falho que para acidente. Não foi acidente.
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Corinthians X Bahia 🔵

Sábado de sol, Pacaembu lotado. Jogo em casa, não tem como dar errado. Perfeito para meu cunhado, meus sobrinhos e eu irmos ao Estádio ver o Corinthians massacrar o visitante Bahia.

Estava tudo dando certo: o disputado estacionamento foi resolvido da melhor maneira; a difícil, e aparentemente esgotada, entrada foi, inexplicavelmente, solucionada. As pistas já apontavam, o espírito era de goleada: bandeiras, camisas e badulaques à venda; torcedores de diversas classes sociais. Depois de resolvidos os problemas, era só entrar no clima do “já ganhou” acompanhando canções, ou gritos de guerra, como: “Corinthians veio pra vencer”, “Porópopó” e “Caiu na rede é peixe lêlêaá, o Timão vai golear”. Com esse ambiente positivo, tudo dando certo e a vitória iminente contra o fraco Bahia, era só aguardar o momento de comemorar o primeiro gol. Só que não.

Dois detalhes saíram diferentes do combinado. Frustrando a mais básica das expectativas, nesse dia não houve nem um golzinho, muito menos, logicamente, vitória. Saímos do estádio com o peso da vergonha que só quem vai a um jogo conhece: tudo começa na saída de casa. 

A gente saiu com um certo ar de superioridade, como se fôssemos os próprios jogadores, arrogando sermos escolhidos por desfrutar da vitória, que a Humanidade apenas conhece de quatro em quatro anos. Voltaríamos para casa como confrades, retornando de uma experiência mística e hermética incompreendida por pessoas comuns.

Como perdemos nessa aposta, a volta para casa foi pesada. A cada metro mais próximo da residência, sentíamos toda a carga de enfrentar a pergunta acompanhada de um sorrisinho sacana: E aí, como foi o jogo? Isso é pior que pergunta de vestibular. 

Antes de encarar todos e ouvir a perguntinha vingativa, entramos em casa, tentamos estufar o peito e fingir que tudo foi excelente, mas é impossível mascarar que voltamos murchos e com aspecto de derrota. 

McDonald’s ou Habib’s são dois honrosos finais de sábado. Num outro jogo, tudo se repete; se for com vitória, o desfecho é outro. A empáfia vai até o fim. Nós achamos que vencemos algo; os outros fingem que acreditam para não estragar essa doce ilusão.

Estou envergonhado, mas tenho que revelar: Corinthians 0 X 1 Bahia
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Bingo! 🔵

A cada pedra cantada percebi que eu poderia ser o grande vencedor. A coincidência só podia ser um sinal de que, naquele dia, a sorte estaria do meu lado. Adquiri uma autoconfiança típica dos vencedores.

Sim, eu disputava um animado bingo de quermesse numa capela do interior. Com direito a velhas piadas como “dois patinhos na lagoa”, “idade de Cristo”, “uma boa ideia” e “vai começar o jogo”, travei a batalha entre idosos, alguns jovens e viciados numa jogatina legalizada.

Pois bem, a profusão de “números bons” me levou a ficar “pela boa”. Ignorando as reclamações e desistências dos meus concorrentes, grudei os olhos na cartela, guardei o fôlego e fiquei na expectativa de soltar o grande grito.

Não deu outra. Eu gritei com vontade: bingo! Berrei com potência e fiquei ouvindo os protestos da velha guarda. Triunfante, escapando do linchamento e pedindo passagem para ser notado, fui receber o merecido e grandioso prêmio. Cheguei como quem receberia um diploma; saí, meio sem-graça, como saem os que recebem uma medalha de “honra ao mérito”. 

O prêmio era um churrasco e um cuscuz. Tinha certeza que eu havia ganhado algo como um rádio de pilha ou um liquidificador. Não desmerecendo o animal sacrificado para satisfazer nossa necessidade de proteína, nem quem preparou a iguaria — que eu não sei escrever o nome —, mas eu me dediquei e mergulhei na jogatina esperando locupletar-me com o disputado torneio. De qualquer maneira, vitória era vitória e precisava disfarçar a decepção:  cabeça erguida, peito estufado e estampando um sorriso levemente envergonhado, evadi-me da quermesse, conformado pela benemerência daquele dia. 

Exceto o humilde objetivo, o certame foi muito disputado e ajudou na liberação da cota diária de adrenalina e, na vitória, dopamina, ocitocina, serotonina e/ou endorfina. Tudo isso, sem ser flagrado pela Polícia Civil ou Federal, nem me esconder embaixo da mesa ou no banheiro. Sim, quando a fiscalização estoura um cassino clandestino, imagino-me, fila indiana e cabeça baixa, saindo da casa e embarcando num camburão.

O prêmio não correspondeu às minhas expectativas, mas, tenho certeza, o cérebro liberou  os  mesmos neurotransmissores que derramaria se eu ganhasse uma Ferrari.
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Diga aonde você vai,que eu vou varrendo 🔴

O STF deu uma mãozinha. Não, foi uma mãezona e deu uma mãozona. O Supremo Tribunal Federal retribuiu a generosidade e tornou Lula elegível. Os senadores fingem que os ministros possuem notório saber jurídico e a conduta ilibada e os ministros também fingem na hora do julgamento. Os resultados são inconstitucionalidades normalizadas.

Mas o assunto é outro. Com toda a ajuda a Lula, a imprensa não podia ficar de fora e colocou o ex-presid... em primeiro nas pesquisas. Fora a própria imprensa, pouca gente “comprou” essa ideia. Logo, quem duvidava das tais pesquisas era tachado de bolsonarista, que usava chapéu de alumínio ou acreditava  na teoria da Terra Plana.

Mas o maior erro foi atribuir aos pesquisadores a detecção de um cara, que tem medo de sair às ruas sem sua claque, quase vencendo em primeiro turno. Como nem o PT engoliu a lorota, resolveram trocar o marqueteiro. Aí “a casa caiu”. 

Como uma equipe que substitui o técnico líder do campeonato, o Partido dos Trabalhadores surpreendeu todos quando resolveu demitir o marqueteiro responsável que colocou um bandido no topo das principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. A atitude, que pune um vencedor, pareceria tresloucada se não confirmasse o que todos (bolsonaristas e petistas) já suspeitavam: isso é um manjado engodo para induzir os mais distraídos. 

O marqueteiro escolhido irá amargar a dura realidade, ou seja, a derrota. Tomado pelo medo  de enfrentar as ruas e os debates, Lula e seu novo marqueteiro terão que mentir como nunca — no caso de Lula: como sempre. 

A pesquisa informal chamada de “Datapovo” leva em consideração aquilo que vemos, não aquilo que ninguém constata no dia a dia. Os resultados apurados, quando não são colhidos na porta de um sindicato, são apenas números. Preferência irreal, não se sustenta a uma rápida pergunta ao taxista.

Ao candidato dos sindicalistas, só restará o consolo de não ter que fazer chover picanha.
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