Lista de Poemas
Chorão — Marginal Alado 🔘
Excelente o documentário “Chorão - Marginal Alado”. Documentário, que deveria ser um filme, tem mais a característica de uma biografia do vocalista da banda “Charlie Brown Jr.”. Embora, além do ótimo baixista Champignon, a banda tivesse bons músicos, quem se destacava era o Chorão — muito pela personalidade explosiva. Ele foi um roqueiro de verdade, com a tal “atitude” antes de a palavra virar modinha e esvaziar-se.
Alexandre Magno Abrão, o Chorão, iniciou como “bandleader” “metendo o pé na porta”. Ele subiu no palco para “brincar”, enquanto o vocalista ia ao banheiro. Cantou uma do “Suicidal Tendencies”, a galera pirou e ele ficou em cima de um palco até o fim da vida.
O documentário passeia por diversas fases do músico, bem como do “Charlie Brown”. “Brother” ou marrento — Marcelo Camelo, João Gordo e Champignon conheceram a fúria de Chorão —, o cara foi a tradução do (mau) comportamento de um roqueiro. O filme enriquece muito e ganha aspecto de documentário clássico com depoimentos da esposa, filho, amigos, inimigos e músicos (a banda “Charlie Brown Jr.”, Marcelo Nova, João Gordo, Zeca Baleiro etc).
Chorão, o Marginal Alado, cantava e discursava com a linguagem da molecada (preferencialmente aquela que os pais não compreendem). Usando mais palavrões do que vírgulas e dando conselhos tão óbvios quanto livro de autoajuda de banca de jornal, ele falava direto, como quem conhecia os atalhos, sem parecer piegas. O roqueiro e skatista foi a síntese do “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.
Apesar de aparentemente possuir tudo o que uma pessoa quer ter, algo o deixava introspectivo. Essa introspecção escancarou a solidão no centro da multidão. O marginal entrou demais para a sociedade que ele gostaria de estar distante. Tudo isso levou à fuga mais destrutiva: drogas. Essa combinação era perfeita para resultar no óbvio. Sim, a tendência suicida venceu novamente.
Eu não considero “spoilers” fatos tão conhecidos porque foram muito noticiados, mas quem ainda não sabe da história completa, o documentário traz algumas surpresas.
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Vingança 🔴
Alexandre de Moraes é movido pela vingança, não pela justiça. O símbolo da Justiça tem os olhos vendados significando que é cega, ou seja, não vê quem julga. Contudo, com Alexandre não é assim: ele persegue os que ele escolhe como inimigos pessoais.
Várias pessoas ligadas a Jair Bolsonaro já foram presas injustamente ou sofreram perseguição. As ordens do ministro são tão kafkianas que são ignoradas e descumpridas. Cumpri-las é ironicamente “rasgar” a Constituição. Sua obsessão é grudar alguma punição no deputado federal Daniel Silveira. Nesse jogo de xadrez entre o ministro do STF e o presidente, Daniel está em disputa.
Parece cada vez mais lógico que Alexandre mantém uma imaginária “faca no pescoço” daqueles que corroboram suas absurdas decisões.
Outro ministro, que nunca saberá sua razão existencial sem a figura do Bolsonaro, é Luís Roberto Barroso. Por ter um vocabulário razoável e arranhar um inglesinho intermediário, ele consegue ofender outras pessoas facilmente e até impressionar os mais distraídos e limitados cognitivamente.
Barroso ficou encantado com a investida mediúnica única de João de Deus (me livre!), foi facilmente convencido de que Cesare Battisti era inocente e (des)informou, quando disse que Nicolás Maduro é de, vá lá, direita. Com esse histórico, não dá para acreditar numa só palavra que o sujeito diz.
Lewandowski tropeçou na interpretação do texto do “impeachment” de Dilma, deu um “duplo twist carpado” na lei, separando as votações e tornando a petista elegível. Depois, o povo mineiro fez justiça, não a elegendo senadora.
O TSE, que conta com a turminha do STF, diz que as urnas são seguras, entretanto tentam manter o Exército longe da “sala misteriosa”. A resistência em realizar eleições claras, torna todo o processo suspeito.
A recente exposição do STF não foi boa para a Corte. Imaginava-se que os melhores magistrados alcançavam o Tribunal. No entanto, não é necessário nem ser juiz. Sinceramente, pelo nível, eu refletiria muito se seria vantajoso contratá-los para resolver uma pendenga de internet no PROCOM.
Várias figuras suspeitas usam a palavra “democracia” como um coringa legitimando tudo e todos. Conclusão: quando sacarem a palavra “democracia”, preste atenção qual é a pegadinha.
Várias pessoas ligadas a Jair Bolsonaro já foram presas injustamente ou sofreram perseguição. As ordens do ministro são tão kafkianas que são ignoradas e descumpridas. Cumpri-las é ironicamente “rasgar” a Constituição. Sua obsessão é grudar alguma punição no deputado federal Daniel Silveira. Nesse jogo de xadrez entre o ministro do STF e o presidente, Daniel está em disputa.
Parece cada vez mais lógico que Alexandre mantém uma imaginária “faca no pescoço” daqueles que corroboram suas absurdas decisões.
Outro ministro, que nunca saberá sua razão existencial sem a figura do Bolsonaro, é Luís Roberto Barroso. Por ter um vocabulário razoável e arranhar um inglesinho intermediário, ele consegue ofender outras pessoas facilmente e até impressionar os mais distraídos e limitados cognitivamente.
Barroso ficou encantado com a investida mediúnica única de João de Deus (me livre!), foi facilmente convencido de que Cesare Battisti era inocente e (des)informou, quando disse que Nicolás Maduro é de, vá lá, direita. Com esse histórico, não dá para acreditar numa só palavra que o sujeito diz.
Lewandowski tropeçou na interpretação do texto do “impeachment” de Dilma, deu um “duplo twist carpado” na lei, separando as votações e tornando a petista elegível. Depois, o povo mineiro fez justiça, não a elegendo senadora.
O TSE, que conta com a turminha do STF, diz que as urnas são seguras, entretanto tentam manter o Exército longe da “sala misteriosa”. A resistência em realizar eleições claras, torna todo o processo suspeito.
A recente exposição do STF não foi boa para a Corte. Imaginava-se que os melhores magistrados alcançavam o Tribunal. No entanto, não é necessário nem ser juiz. Sinceramente, pelo nível, eu refletiria muito se seria vantajoso contratá-los para resolver uma pendenga de internet no PROCOM.
Várias figuras suspeitas usam a palavra “democracia” como um coringa legitimando tudo e todos. Conclusão: quando sacarem a palavra “democracia”, preste atenção qual é a pegadinha.
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A forma e o conteúdo — Lula entra para a História 🔴
A forma como Lula fala com as plateias é eficaz; o conteúdo, por sua vez, revela que ele desenvolve um raciocínio fraco. Na forma, ele envolve o ouvinte com comparações e metáforas futebolísticas, insiste em lembrar dos tempos de pobreza e fome — como se fossem recentes, quando, de fato, são remotas. Esse sofisma aproxima os ouvintes mais distraídos; o conteúdo entrega toda a farsa. Se esforçando para puxar votos como se não houvesse amanhã, o velho sofista dá um tiro no pé — como um “sniper” à queima-roupa,
Quando Lula resolveu ser Lula, sem os truques do marqueteiro, escaparam verdades inconfessáveis: controle das mídias e pró-aborto. Recentemente, numa fala infeliz (porém sincera), o ex-presidente disse sobre Bolsonaro: “não gosta de gente, mas de policial”. Com declarações como esta, o líder do PT passará as eleições se explicando e se desculpando.
“Sincericíos” não são novidades entre políticos. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, “escreveu na rocha” que quem se aposenta antes dos 50 anos é vagabundo. FHC tentou se explicar, mas colou que ele chamou todos os aposentados de vagabundos.
Marta Suplicy, quando foi prefeita de São Paulo, também sofreu um curto-circuito entre o que pensou e o que disse. Metida num modelito com a cara dos Jardins (região nobre da Capital), a madame se arriscou na periferia paulistana. Para quem perdeu tudo na inundação, ela recomendou: “relaxa e goza”. Assim, a ex-petista enterrou sua chance de reeleição.
Lembrando e acrescentando, Lula se comunica a uma turma que odeia agentes de segurança pública. Em discurso, muito à vontade, soltou: “Bolsonaro não gosta de gente, ele gosta de policial”. Vendo que a frase pegou muito mal e fatalmente custaria muitos votos, ele aproveitou a primeira oportunidade e pediu desculpas.
Falas desastrosas são o resultado da dissonância cognitiva, ou seja, a verbalização daquilo que o político realmente acredita, mas não convém ser dito. A rapidez do que o político pensa e o que ele fala não permite a mudança, gerando o revelador ato falho.
Desse modo, fica: FHC chama aposentados de vagabundos, Marta Suplicy não é empática e é fútil e Lula pensa que policial não é gente. Esse raciocínio gruda na imagem do político e resume ser pensamento rasteiro ou, no mínimo, sua inabilidade para enganar.
Quando Lula resolveu ser Lula, sem os truques do marqueteiro, escaparam verdades inconfessáveis: controle das mídias e pró-aborto. Recentemente, numa fala infeliz (porém sincera), o ex-presidente disse sobre Bolsonaro: “não gosta de gente, mas de policial”. Com declarações como esta, o líder do PT passará as eleições se explicando e se desculpando.
“Sincericíos” não são novidades entre políticos. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, “escreveu na rocha” que quem se aposenta antes dos 50 anos é vagabundo. FHC tentou se explicar, mas colou que ele chamou todos os aposentados de vagabundos.
Marta Suplicy, quando foi prefeita de São Paulo, também sofreu um curto-circuito entre o que pensou e o que disse. Metida num modelito com a cara dos Jardins (região nobre da Capital), a madame se arriscou na periferia paulistana. Para quem perdeu tudo na inundação, ela recomendou: “relaxa e goza”. Assim, a ex-petista enterrou sua chance de reeleição.
Lembrando e acrescentando, Lula se comunica a uma turma que odeia agentes de segurança pública. Em discurso, muito à vontade, soltou: “Bolsonaro não gosta de gente, ele gosta de policial”. Vendo que a frase pegou muito mal e fatalmente custaria muitos votos, ele aproveitou a primeira oportunidade e pediu desculpas.
Falas desastrosas são o resultado da dissonância cognitiva, ou seja, a verbalização daquilo que o político realmente acredita, mas não convém ser dito. A rapidez do que o político pensa e o que ele fala não permite a mudança, gerando o revelador ato falho.
Desse modo, fica: FHC chama aposentados de vagabundos, Marta Suplicy não é empática e é fútil e Lula pensa que policial não é gente. Esse raciocínio gruda na imagem do político e resume ser pensamento rasteiro ou, no mínimo, sua inabilidade para enganar.
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Conto do vigário 🔵
Um sujeito deixou cair, acidentalmente, um maço de notas bem na minha frente. Vou iniciar novamente, porque a história não é bem assim. Este início seria como a vítima deveria interpretar o incidente.
Recomeçando: O picareta largou, propositadamente, uma imitação de pacote de dinheiro (parecendo muito) no meu caminho. O comparsa, apressadamente, se aproximou, apanhou a “grana” e, arregalando os olhos para me impressionar, disse:
— Olha! Ele deixou cair!
Claro, o truta estava querendo que eu caísse na dele.
Não sei o que exatamente os motivou a me elegerem a vítima perfeita: rico, ganancioso ou matuto. Podem ter sido as três características. Como erraram nessas avaliações, o golpe não foi bem sucedido.
Pois bem, concomitante a tentativa de me impressionar, eu respondia ao larápio de forma desapegada, irônica e quase monossilábica. Meio que saindo, desejando boa sorte e demonstrando total desinteresse na suposta bolada, frustrei o malfeitor. Demorou, mas o gatuno considerou que a abordagem não renderia frutos. Fim de expediente, “cliente” mal escolhido, era hora de desistir e ir embora.
O “Conto do Vigário” (origem do termo vigarista) é uma atividade criminosa muito antiga. Confesso que participei daquilo (até onde pude) com curiosidade antropológica, quase uma volta num passado paulistano, época em que, com o êxodo rural ou as imigrações, os caipiras ou os imigrantes desembocavam na cidade grande, respectivamente.
Os sinônimos, antigos, quase em desuso, para aludir ao criminoso são propositais. Achando a cena improvável, pitoresca e teatral, participei do conto como quem interpreta um papel na peça da escola. Observei tudo, com a “expertise” de quem havia lido muito sobre “contos do vigário” e notórios ladrões, exemplos: o conto da guitarra elétrica, bilhete premiado, lote na Lua, Pirâmide de Ponzi, Carlo Ponzi, Gino Amleto Meneghetti, Bandido da Luz Vermelha etc.
Depois da volta ao passado, da inesperada imersão em algo que eu só via em livros antigos, uma viagem na Terra da Garoa, na São Paulo da primeira metade do século XX, achei que estava indo longe demais, afinal eu estava lidando com um fora-da-lei. Só não fui à delegacia porque temi encontrar um delegado com lupa e cachimbo.
Na subida da avenida São João, olhei para trás. Os dois pilantras estavam confabulando, deveriam estar dividindo a féria do dia. Tudo terminou como suspeitei, conforme o que havia lido.
Recomeçando: O picareta largou, propositadamente, uma imitação de pacote de dinheiro (parecendo muito) no meu caminho. O comparsa, apressadamente, se aproximou, apanhou a “grana” e, arregalando os olhos para me impressionar, disse:
— Olha! Ele deixou cair!
Claro, o truta estava querendo que eu caísse na dele.
Não sei o que exatamente os motivou a me elegerem a vítima perfeita: rico, ganancioso ou matuto. Podem ter sido as três características. Como erraram nessas avaliações, o golpe não foi bem sucedido.
Pois bem, concomitante a tentativa de me impressionar, eu respondia ao larápio de forma desapegada, irônica e quase monossilábica. Meio que saindo, desejando boa sorte e demonstrando total desinteresse na suposta bolada, frustrei o malfeitor. Demorou, mas o gatuno considerou que a abordagem não renderia frutos. Fim de expediente, “cliente” mal escolhido, era hora de desistir e ir embora.
O “Conto do Vigário” (origem do termo vigarista) é uma atividade criminosa muito antiga. Confesso que participei daquilo (até onde pude) com curiosidade antropológica, quase uma volta num passado paulistano, época em que, com o êxodo rural ou as imigrações, os caipiras ou os imigrantes desembocavam na cidade grande, respectivamente.
Os sinônimos, antigos, quase em desuso, para aludir ao criminoso são propositais. Achando a cena improvável, pitoresca e teatral, participei do conto como quem interpreta um papel na peça da escola. Observei tudo, com a “expertise” de quem havia lido muito sobre “contos do vigário” e notórios ladrões, exemplos: o conto da guitarra elétrica, bilhete premiado, lote na Lua, Pirâmide de Ponzi, Carlo Ponzi, Gino Amleto Meneghetti, Bandido da Luz Vermelha etc.
Depois da volta ao passado, da inesperada imersão em algo que eu só via em livros antigos, uma viagem na Terra da Garoa, na São Paulo da primeira metade do século XX, achei que estava indo longe demais, afinal eu estava lidando com um fora-da-lei. Só não fui à delegacia porque temi encontrar um delegado com lupa e cachimbo.
Na subida da avenida São João, olhei para trás. Os dois pilantras estavam confabulando, deveriam estar dividindo a féria do dia. Tudo terminou como suspeitei, conforme o que havia lido.
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Turnê da vergonha 🔴
Lula e sua turma devem rir muito. O líder dos sindicalistas pegou Geraldo Alckmin pela mão e está “obrigando-o” a frequentar os eventos mais constrangedores. Vestindo de vez a fantasia de picolé de chuchu, o ex-governador esteve visivelmente envergonhado ao participar dos eventos ligados à esquerda raivosa e ao próprio Lula. Este circula à vontade por ambientes hostis ao socialista fabiano.
A mistura que, sob olhares desatentos, pariu um ornitorrinco, fez Alckmin ilustrar uma conspiratória dobradinha e ser flagrado num palanque — imitando Getúlio Vargas — tentando se comunicar com uma plateia de sindicalistas e respeitosamente, em pé, ouviu atentamente a Internacional Socialista — deve ter se emocionado, entretanto não convinha demonstrar.
Para o “Santo” seria uma via muito dolorosa, porém, de acordo com o conteúdo, não passa de um roteiro maldito. Assim, o ex-PSDB não ganha novos eleitores, pelo contrário, perde os antigos.
Geraldo está cumprindo o calvário amargo e constrangedor, embora não tenha chegado ao exagero de Roberto Requião. O paranaense, para agradar o petista, mastigou e achou boa a venenosa mamona.
***
Os sindicatos perderam a força de mobilização que já tiveram. No 1º de Maio, isso ficou evidente. Sem a contribuição sindical, não houve sorteio de apartamentos e carros, não houve ônibus, pão com mortadela, tubaína e cachê. Mas teve shows: Daniela Mercury, coitada, se submeteu a um número que parecia festinha de fim de ano de firma — aquelas em que a turma está mais interessada em beber chope e comer churrasco de graça. Conclusão, o evento esvaziou. Até o Alckmin conseguiu escapar desta.
Luiz Inácio Lula da Silva não queria discursar para aquela merreca de potenciais eleitores. Foi um constrangimento para ele, acostumado a “hipnotizar” multidões. Restou subir, discursar, desculpar-se com os policiais e prometer um arsenal de impossibilidades e ameaças.
Quem escapará ileso, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin ou Daniela Mercury?
A mistura que, sob olhares desatentos, pariu um ornitorrinco, fez Alckmin ilustrar uma conspiratória dobradinha e ser flagrado num palanque — imitando Getúlio Vargas — tentando se comunicar com uma plateia de sindicalistas e respeitosamente, em pé, ouviu atentamente a Internacional Socialista — deve ter se emocionado, entretanto não convinha demonstrar.
Para o “Santo” seria uma via muito dolorosa, porém, de acordo com o conteúdo, não passa de um roteiro maldito. Assim, o ex-PSDB não ganha novos eleitores, pelo contrário, perde os antigos.
Geraldo está cumprindo o calvário amargo e constrangedor, embora não tenha chegado ao exagero de Roberto Requião. O paranaense, para agradar o petista, mastigou e achou boa a venenosa mamona.
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Os sindicatos perderam a força de mobilização que já tiveram. No 1º de Maio, isso ficou evidente. Sem a contribuição sindical, não houve sorteio de apartamentos e carros, não houve ônibus, pão com mortadela, tubaína e cachê. Mas teve shows: Daniela Mercury, coitada, se submeteu a um número que parecia festinha de fim de ano de firma — aquelas em que a turma está mais interessada em beber chope e comer churrasco de graça. Conclusão, o evento esvaziou. Até o Alckmin conseguiu escapar desta.
Luiz Inácio Lula da Silva não queria discursar para aquela merreca de potenciais eleitores. Foi um constrangimento para ele, acostumado a “hipnotizar” multidões. Restou subir, discursar, desculpar-se com os policiais e prometer um arsenal de impossibilidades e ameaças.
Quem escapará ileso, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin ou Daniela Mercury?
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Vikings — Minnesota 🔵
Eu já estava acostumado a assistir à finalíssima do futebol americano (Super Bowl). Então já era tempo de eu escolher uma equipe para torcer. O futebol americano é bem legal e fácil entender o básico, mas a regra completa é muito complicada.
Pois bem, já estava me empanturrando de frango frito, vibrando com “touchdowns”, infiltrações, lançamentos do “quarterback”, me segurando para não levar a mão ao peito no hino americano. Ou seja, quase agindo como um “redneck”.
Eu escolhia um time para torcer por causa de qualquer detalhe e foi assim que pincei o Minnesota Vikings. Escolhi esse o time roxo, branco e ouro, porque tem um símbolo legal que remete a uma historia que gosto bastante. Para a fantasia de torcedor não bastava um balde de frango frito e um comportamento importado, era urgente um figurino adequado. Adquiri boné e camiseta da distante equipe.
Os primeiros jogos foram decepcionantes. O time era um saco de pancadas, eu me senti torcendo para a infrutífera Portuguesa de Desportos. Devia ser apenas uma fase ruim, isso também acontece com o Corinthians. Para afundar de vez meu entusiasmo inicial, fui verificar o histórico do Vikings. Constatei que era apenas um time com um escudo legal.
A franquia tem um passado OK e, algum dia, será vencedor, mas quando eu for escolher um time para torcer, vou antes examinar o desempenho, dessa maneira sortearei algo como o New Engjand Patriots. Aí encherei a pança de frango frito e hambúrguer. Decidi acabar de vez com aquela farsa: doei o boné para o meu sobrinho e fiquei com uma camiseta de estampa legal.
Eu não conseguia enganar nem a mim. Não se escolhe para quem torcer, isso é coisa de gente que torce para um time em cada estado. Como nasci corintiano, no Rio Grande do Sul torço para o Corinthians; no Rio de Janeiro sou corintiano; na Argentina, no Japão etc, não importa onde. Esse tipo de coisa não se escolhe.
Como não tinha a quem recorrer, disfarçadamente abandonei aquela palhaçada e, conformado com a pecha de “maloqueiro e sofredor” e sabendo que não iria além do Parque São Jorge, nascido corintiano, fiquei somente com o sofrimento genuíno.
Pois bem, já estava me empanturrando de frango frito, vibrando com “touchdowns”, infiltrações, lançamentos do “quarterback”, me segurando para não levar a mão ao peito no hino americano. Ou seja, quase agindo como um “redneck”.
Eu escolhia um time para torcer por causa de qualquer detalhe e foi assim que pincei o Minnesota Vikings. Escolhi esse o time roxo, branco e ouro, porque tem um símbolo legal que remete a uma historia que gosto bastante. Para a fantasia de torcedor não bastava um balde de frango frito e um comportamento importado, era urgente um figurino adequado. Adquiri boné e camiseta da distante equipe.
Os primeiros jogos foram decepcionantes. O time era um saco de pancadas, eu me senti torcendo para a infrutífera Portuguesa de Desportos. Devia ser apenas uma fase ruim, isso também acontece com o Corinthians. Para afundar de vez meu entusiasmo inicial, fui verificar o histórico do Vikings. Constatei que era apenas um time com um escudo legal.
A franquia tem um passado OK e, algum dia, será vencedor, mas quando eu for escolher um time para torcer, vou antes examinar o desempenho, dessa maneira sortearei algo como o New Engjand Patriots. Aí encherei a pança de frango frito e hambúrguer. Decidi acabar de vez com aquela farsa: doei o boné para o meu sobrinho e fiquei com uma camiseta de estampa legal.
Eu não conseguia enganar nem a mim. Não se escolhe para quem torcer, isso é coisa de gente que torce para um time em cada estado. Como nasci corintiano, no Rio Grande do Sul torço para o Corinthians; no Rio de Janeiro sou corintiano; na Argentina, no Japão etc, não importa onde. Esse tipo de coisa não se escolhe.
Como não tinha a quem recorrer, disfarçadamente abandonei aquela palhaçada e, conformado com a pecha de “maloqueiro e sofredor” e sabendo que não iria além do Parque São Jorge, nascido corintiano, fiquei somente com o sofrimento genuíno.
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Obrigado 🔵
Se a investida pacífica não fosse o suficiente, a próxima abordagem seria no velho e eficaz método Viking. Felizmente, nunca abrimos mão da extorsão civilizada, de modo que as coisas sempre ficavam melhores para todos.
Esgotados os piões, as bolinhas-de-gude e os “quadrados” (pipas) com cortante, restava a venda de doces. Era véspera de Natal, e como havíamos torrado moedas e algumas notas amassadas, era chegado o dia de exigirmos algumas guloseimas grátis. Jamais soube se por pena, gratidão ou achar aquela cena inusitada, éramos sempre atendidos. Certamente, o fato de a dona do humilde estabelecimento comercial, a japonesa, conhecer nossas mães contribuía muito.
A “venda da japonesa”, por mais acanhada que fosse, era o endereço escolhido para sempre trocarmos nossas economias por uma justa variedade de doces e um punhado sortido de balas. Assim, mal tratando os dentes, encerrávamos um dia de mãos cortadas, pés sangrando e hematomas.
Cobrar nossa porção de doces foi uma “tradição” inventada por nós. A “venda da japonesa” foi prontamente eleita como a vítima perfeita para obedecer nossa pequena tradição. Além dos motivos que eu já elenquei, o pequeno comércio foi o selecionado por estocar nossos exemplares favoritos de alimentos supérfluos, bem como abastecer-nos o ano inteiro (mediante pagamento).
A ameaça velada era anunciada pastosamente como “Natal”. Apesar do prejuízo iminente, éramos sempre atendidos com um sorriso oriental. Então, como quem vai ao caixa eletrônico ou ameaça com travessuras quem não ofertar gostosuras, começávamos a escolher a “oferta”. Invadíamos o comércio com as mãos vazias e saíamos carregando sacos cheios de produtos comestíveis. Aqui é Brasil!
Finalmente, consumindo, conferíamos o resultado da ameaça tácita. Entre pé-de-moleque, balas, paçoca, doce de leite, pipoca rosa e doce de amendoim, vinham doce de abóbora e maria-mole escondidos no fundo do pacote. Tudo bem, era de graça!
Aquilo era nosso São Cosme e Damião particular. A atitude não era nada santa, já que era posta em prática mediante intimidação e não incluía a reza — a desculpa é que era sincrética, já que era exercida por um católico e um luterano.
Essa foi uma época em que o Natal era, literalmente, mais doce.
Esgotados os piões, as bolinhas-de-gude e os “quadrados” (pipas) com cortante, restava a venda de doces. Era véspera de Natal, e como havíamos torrado moedas e algumas notas amassadas, era chegado o dia de exigirmos algumas guloseimas grátis. Jamais soube se por pena, gratidão ou achar aquela cena inusitada, éramos sempre atendidos. Certamente, o fato de a dona do humilde estabelecimento comercial, a japonesa, conhecer nossas mães contribuía muito.
A “venda da japonesa”, por mais acanhada que fosse, era o endereço escolhido para sempre trocarmos nossas economias por uma justa variedade de doces e um punhado sortido de balas. Assim, mal tratando os dentes, encerrávamos um dia de mãos cortadas, pés sangrando e hematomas.
Cobrar nossa porção de doces foi uma “tradição” inventada por nós. A “venda da japonesa” foi prontamente eleita como a vítima perfeita para obedecer nossa pequena tradição. Além dos motivos que eu já elenquei, o pequeno comércio foi o selecionado por estocar nossos exemplares favoritos de alimentos supérfluos, bem como abastecer-nos o ano inteiro (mediante pagamento).
A ameaça velada era anunciada pastosamente como “Natal”. Apesar do prejuízo iminente, éramos sempre atendidos com um sorriso oriental. Então, como quem vai ao caixa eletrônico ou ameaça com travessuras quem não ofertar gostosuras, começávamos a escolher a “oferta”. Invadíamos o comércio com as mãos vazias e saíamos carregando sacos cheios de produtos comestíveis. Aqui é Brasil!
Finalmente, consumindo, conferíamos o resultado da ameaça tácita. Entre pé-de-moleque, balas, paçoca, doce de leite, pipoca rosa e doce de amendoim, vinham doce de abóbora e maria-mole escondidos no fundo do pacote. Tudo bem, era de graça!
Aquilo era nosso São Cosme e Damião particular. A atitude não era nada santa, já que era posta em prática mediante intimidação e não incluía a reza — a desculpa é que era sincrética, já que era exercida por um católico e um luterano.
Essa foi uma época em que o Natal era, literalmente, mais doce.
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Fora de sintonia 🔴
“Uma menina morreu, mas tem a festa”. Dessa vez não teve bala perdida para reclamar — sempre da polícia, afinal, rende indenização, além de servir de munição para demonizar a segurança pública. O acidente com o carro alegórico tornou a morte mera alegoria, dando passagem à festa.
No estilo “globeleza”, o jornalista Marcelo Cosme, da Globonews, exagerou ao tentar animar o telespectador com o clima de carnaval da emissora. Desesperadamente, a Globo lutou para lucrar com o carnaval fora de época. A alegria nada genuína, seguida da desastrosa fala, saíram mais pagãs que o “pé-na-jaca” brasileiro.
O “fique em casa”, que alavancaria a audiência da televisão aberta, revelou-se desastroso quando, na prática, turbinou os “streamings” e a internet. A hipocrisia escancarou-se quando os mesmos que insistiam para você ficar em casa eram “flagrados” na rua.
Marcelo Cosme, dedicado funcionário que é, demonstrou estar em perfeita sintonia e cheio de “gueri-gueri” com a emissora e virou a chave: deu uma mudança de rota (180 graus). Saiu do modo coronavírus e entrou no clima do “ziziguidum, telecoteco e balacobaco”, afinal, mesmo fora de época, é carnaval.
O jornalismo do grupo carioca busca transformar (ou tentar) a sociedade conforme seus interesses. Maximizando e minimizando eventos, o jornalismo da Globo entrega matérias (coberturas) positivas (a favor) ou negativas (contra), fortalecendo a narrativa que importa e, em consequência a opinião pública. Entretanto, os acontecimentos morte e carnaval (festa) na mesma notícia “bugaram” o cérebro do jornalista. Saiu isso: “Tem preocupação, acidentes acontecem, uma menina morreu, mas tem festa, nê?”.
A Globo vem navegando (lacrando) de acordo com o vento. Todo o politicamente correto contradiz as práticas históricas que são relatadas por quem já trilhou aqueles estúdios.
Como acabou o carnaval, a Globo voltará a lamentar as mortes. Neste quesito, só não pode ser seletiva. Quanto à fala: está mais para ato falho que para acidente. Não foi acidente.
No estilo “globeleza”, o jornalista Marcelo Cosme, da Globonews, exagerou ao tentar animar o telespectador com o clima de carnaval da emissora. Desesperadamente, a Globo lutou para lucrar com o carnaval fora de época. A alegria nada genuína, seguida da desastrosa fala, saíram mais pagãs que o “pé-na-jaca” brasileiro.
O “fique em casa”, que alavancaria a audiência da televisão aberta, revelou-se desastroso quando, na prática, turbinou os “streamings” e a internet. A hipocrisia escancarou-se quando os mesmos que insistiam para você ficar em casa eram “flagrados” na rua.
Marcelo Cosme, dedicado funcionário que é, demonstrou estar em perfeita sintonia e cheio de “gueri-gueri” com a emissora e virou a chave: deu uma mudança de rota (180 graus). Saiu do modo coronavírus e entrou no clima do “ziziguidum, telecoteco e balacobaco”, afinal, mesmo fora de época, é carnaval.
O jornalismo do grupo carioca busca transformar (ou tentar) a sociedade conforme seus interesses. Maximizando e minimizando eventos, o jornalismo da Globo entrega matérias (coberturas) positivas (a favor) ou negativas (contra), fortalecendo a narrativa que importa e, em consequência a opinião pública. Entretanto, os acontecimentos morte e carnaval (festa) na mesma notícia “bugaram” o cérebro do jornalista. Saiu isso: “Tem preocupação, acidentes acontecem, uma menina morreu, mas tem festa, nê?”.
A Globo vem navegando (lacrando) de acordo com o vento. Todo o politicamente correto contradiz as práticas históricas que são relatadas por quem já trilhou aqueles estúdios.
Como acabou o carnaval, a Globo voltará a lamentar as mortes. Neste quesito, só não pode ser seletiva. Quanto à fala: está mais para ato falho que para acidente. Não foi acidente.
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Velhão — Conspiração do Jogo 🔵
Parece que estamos no cenário do início de um filme de terror. Se o destino for uma residência afastada sei que o enredo é o pior para todos nós. Estamos subindo a serra cortando uma floresta escura e densa. Para completar o enredo maldito, chegaremos numa mansão linda, porém sinistra; contaremos com a companhia de um cachorro raivoso e sinistro que late olhando para o vazio; e uma vizinha misteriosa carregará a expressão amedrontadora de quem sabe o que ocorreu na casa e a besteira que nós (forasteiros) estamos nos metendo.
A composição do grupo parece favorável, mas eu entendo o truque. Algumas garotas atraem a gente para a armadilha mortal. Dessa maneira, provavelmente seremos esquartejados pelo maluco psicopata local, sobrando apenas o casal mais bonzinho, aposto. Já vi esse filme, eu sei como isso acaba.
Apesar do prólogo de filme B de horror “gore”, o que veio a seguir não foi tão trágico. Na verdade, estávamos somente cortando a Serra da Cantareira. Escura e fechada, sim, mas o “quintal” de casa. A montanha sagrada que deve ter significado deus e ficado responsável por poderes sobrenaturais e uma farta colheita para as antigas tribos guarulhenses. No entanto, o acidente geográfico apenas tinha o poder de manter Mairiporã afastada.
Eu já fiquei mais calmo quando tive certeza que o destino era uma das mansões ou barzinhos da Serra. O carro embicou num endereço estranho do topo da montanha. Eu já tinha estado naquela região. Atravessamos o tal do Complexo chamado Velhão — um antiquário, várias lojinhas, bares e restaurantes. A escadaria íngreme e comprida aumentava a expectativa e constituía o ambiente Medieval.
O abrir e fechar da porta (que pareceu um portal) nos transportou a outra dimensão. Além de estancar o frio, o interior do bar era musical e descontraído. Chegamos no lendário bar Conspiração do Jogo.
Contudo, tudo parecia perfeito demais. Não seria justo eu estar em boa companhia e num lugar incrível, enquanto, num sábado à noite outras pessoas assistiam ao Zorra Total ou ao Supercine. Aquele bar perfeito não me enganaria muito tempo, logo todos virariam vampiros sanguinários. Isso existe, eu sei de tudo. Já vi isso acontecer no filme do Quentin Tarantino, Um Drink no Inferno.
Aquela aparente perfeição só podia ser artificial, talvez efeito do álcool. Minhas desconfianças esvaíram com a oferta de jogos de tabuleiro: ludo, damas, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Master etc. Finalmente, eu havia desvendado toda a trama: a tal “conspiração do jogo” era nos capturar, num sábado à noite, prometendo uma casa noturna, com todas as suas benesses, e prender-nos numa mesinha com jogos de tabuleiro. Só faltava pijama, pipoca e um cobertor. Eu precisava escapar dali, antes que eu acabasse a noite jogando dominó.
No fim, tudo ocorreu sem grandes surpresas, numa espelunca qualquer, mas verdadeira. Bar modinha é facilmente reconhecível: um nome legal e ambiente descolado, para incluir tudo isso na conta. Boteco é inconfundível: sujinho, sempre rola uma discussão, mas a cerveja e o tira-gosto são baratos.
A composição do grupo parece favorável, mas eu entendo o truque. Algumas garotas atraem a gente para a armadilha mortal. Dessa maneira, provavelmente seremos esquartejados pelo maluco psicopata local, sobrando apenas o casal mais bonzinho, aposto. Já vi esse filme, eu sei como isso acaba.
Apesar do prólogo de filme B de horror “gore”, o que veio a seguir não foi tão trágico. Na verdade, estávamos somente cortando a Serra da Cantareira. Escura e fechada, sim, mas o “quintal” de casa. A montanha sagrada que deve ter significado deus e ficado responsável por poderes sobrenaturais e uma farta colheita para as antigas tribos guarulhenses. No entanto, o acidente geográfico apenas tinha o poder de manter Mairiporã afastada.
Eu já fiquei mais calmo quando tive certeza que o destino era uma das mansões ou barzinhos da Serra. O carro embicou num endereço estranho do topo da montanha. Eu já tinha estado naquela região. Atravessamos o tal do Complexo chamado Velhão — um antiquário, várias lojinhas, bares e restaurantes. A escadaria íngreme e comprida aumentava a expectativa e constituía o ambiente Medieval.
O abrir e fechar da porta (que pareceu um portal) nos transportou a outra dimensão. Além de estancar o frio, o interior do bar era musical e descontraído. Chegamos no lendário bar Conspiração do Jogo.
Contudo, tudo parecia perfeito demais. Não seria justo eu estar em boa companhia e num lugar incrível, enquanto, num sábado à noite outras pessoas assistiam ao Zorra Total ou ao Supercine. Aquele bar perfeito não me enganaria muito tempo, logo todos virariam vampiros sanguinários. Isso existe, eu sei de tudo. Já vi isso acontecer no filme do Quentin Tarantino, Um Drink no Inferno.
Aquela aparente perfeição só podia ser artificial, talvez efeito do álcool. Minhas desconfianças esvaíram com a oferta de jogos de tabuleiro: ludo, damas, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Master etc. Finalmente, eu havia desvendado toda a trama: a tal “conspiração do jogo” era nos capturar, num sábado à noite, prometendo uma casa noturna, com todas as suas benesses, e prender-nos numa mesinha com jogos de tabuleiro. Só faltava pijama, pipoca e um cobertor. Eu precisava escapar dali, antes que eu acabasse a noite jogando dominó.
No fim, tudo ocorreu sem grandes surpresas, numa espelunca qualquer, mas verdadeira. Bar modinha é facilmente reconhecível: um nome legal e ambiente descolado, para incluir tudo isso na conta. Boteco é inconfundível: sujinho, sempre rola uma discussão, mas a cerveja e o tira-gosto são baratos.
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Cícero Miranda, meu quintal 🔵
Quem foi Cícero Miranda? Eu joguei e assisti muitos jogos no campo de “várzea” da rua Francisco Gonzaga Vasconcellos, mas só agora tive a curiosidade de saber: quem foi o cara homenageado com o nome do estádio municipal na Vila Galvão, Guarulhos?
Com capacidade para 3.000 torcedores, as arquibancadas, por mais que estivessem cheias, nunca preenchiam sua totalidade. As maiores rivalidades atraíam famílias de jogadores e as “figuras” do bairro. As famílias sempre chegavam com alguém bêbado (ou todos). Durante a partida, as crianças eram recrutadas para buscar mais cerveja no bar; voltavam com uma garrafa de cerveja numa mão e um sorvete, um pacotinho de salgadinho ou uma garrafa de refrigerante na outra mão.
Os jogos eram animados com muito batuque, gritos, xingamentos, brigas e, às vezes, tiros. Ameaçar de morte era comum, não tinha idade para sentir-se encorajado, desde que fizesse parte de alguma família bêbada. Às vezes, no auge da indignação, saia um disparo de arma de fogo. O bandeirinha sofria muito, pois era obrigado a suportar ofensas, piadas e ameaças durante 90 minutos. Com certa frequência, o trio de arbitragem fugia da praça esportiva escoltado pela polícia. Enfim, o que significava, para a torcida, um simples final de semana ensolarado com cerveja e futebol, para a arbitragem aquilo era o Coliseu durante o Império Romano.
Certo dia, uma briga generalizada veio avançando em nossa direção. A expectativa era dramática, pois a turba ameaçava nos sequestrar para uma confusão que não sabíamos sequer o motivo. E o quebra-pau chegando perto. A imagem de instrumentos de percussão e outros objetos voando foi intimidadora, mas tínhamos que tomar alguma atitude: ou entrar na briga ou fugir. Sem saber qual atitude tomar, meu amigo atravessou o tsunami na maior calma, equilibrando um copo de cerveja, saindo incólume do outro lado. Tive que fazer o mesmo.
Se é que dá para dizer, isso era chamado de lazer.
Anos depois, de outra cidade, enviei um e-mail à Secretaria de Cultura de Guarulhos; quando já havia me esquecido, recebi a resposta: Cícero Miranda foi o antigo proprietário das terras do estádio. Mas já não me interessava saber quem foi Cícero Miranda, bastava continuar lembrando do que foi o Cícero Miranda.
Com capacidade para 3.000 torcedores, as arquibancadas, por mais que estivessem cheias, nunca preenchiam sua totalidade. As maiores rivalidades atraíam famílias de jogadores e as “figuras” do bairro. As famílias sempre chegavam com alguém bêbado (ou todos). Durante a partida, as crianças eram recrutadas para buscar mais cerveja no bar; voltavam com uma garrafa de cerveja numa mão e um sorvete, um pacotinho de salgadinho ou uma garrafa de refrigerante na outra mão.
Os jogos eram animados com muito batuque, gritos, xingamentos, brigas e, às vezes, tiros. Ameaçar de morte era comum, não tinha idade para sentir-se encorajado, desde que fizesse parte de alguma família bêbada. Às vezes, no auge da indignação, saia um disparo de arma de fogo. O bandeirinha sofria muito, pois era obrigado a suportar ofensas, piadas e ameaças durante 90 minutos. Com certa frequência, o trio de arbitragem fugia da praça esportiva escoltado pela polícia. Enfim, o que significava, para a torcida, um simples final de semana ensolarado com cerveja e futebol, para a arbitragem aquilo era o Coliseu durante o Império Romano.
Certo dia, uma briga generalizada veio avançando em nossa direção. A expectativa era dramática, pois a turba ameaçava nos sequestrar para uma confusão que não sabíamos sequer o motivo. E o quebra-pau chegando perto. A imagem de instrumentos de percussão e outros objetos voando foi intimidadora, mas tínhamos que tomar alguma atitude: ou entrar na briga ou fugir. Sem saber qual atitude tomar, meu amigo atravessou o tsunami na maior calma, equilibrando um copo de cerveja, saindo incólume do outro lado. Tive que fazer o mesmo.
Se é que dá para dizer, isso era chamado de lazer.
Anos depois, de outra cidade, enviei um e-mail à Secretaria de Cultura de Guarulhos; quando já havia me esquecido, recebi a resposta: Cícero Miranda foi o antigo proprietário das terras do estádio. Mas já não me interessava saber quem foi Cícero Miranda, bastava continuar lembrando do que foi o Cícero Miranda.
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