rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Vikings — Minnesota 🔵

Eu já estava acostumado a assistir à finalíssima do futebol americano (Super Bowl). Então já era tempo de eu escolher uma equipe para torcer. O futebol americano é bem legal e fácil entender o básico, mas a regra completa é muito complicada. 

Pois bem, já estava me empanturrando de frango frito, vibrando com “touchdowns”, infiltrações, lançamentos do “quarterback”, me segurando para não levar a mão ao peito no hino americano. Ou seja, quase agindo como um “redneck”.

Eu escolhia um time para torcer por causa de qualquer detalhe e foi assim que pincei o Minnesota Vikings. Escolhi esse o time roxo, branco e ouro, porque tem um símbolo legal que remete a uma historia que gosto bastante. Para a fantasia de torcedor não bastava um balde de frango frito e um comportamento importado, era urgente um figurino adequado. Adquiri boné e camiseta da distante equipe.

Os primeiros jogos foram decepcionantes. O time era um saco de pancadas, eu me senti torcendo para a infrutífera Portuguesa de Desportos. Devia ser apenas uma fase ruim, isso também acontece com o Corinthians. Para afundar de vez meu entusiasmo inicial, fui verificar o histórico do Vikings. Constatei que era apenas um time com um escudo legal.

A franquia tem um passado OK e, algum dia, será vencedor, mas quando eu for escolher um time para torcer, vou antes examinar o desempenho, dessa maneira sortearei algo como o New Engjand Patriots. Aí encherei a pança de frango frito e hambúrguer. Decidi acabar de vez com aquela farsa: doei o boné para o meu sobrinho e fiquei com uma camiseta de estampa legal.

Eu não conseguia enganar nem a mim. Não se escolhe para quem torcer, isso é coisa de gente que torce para um time em cada estado. Como nasci corintiano, no Rio Grande do Sul torço para o Corinthians; no Rio de Janeiro sou corintiano; na Argentina, no Japão etc, não importa onde. Esse tipo de coisa não se escolhe.

Como não tinha a quem recorrer, disfarçadamente abandonei aquela palhaçada e, conformado com a pecha de “maloqueiro e sofredor” e sabendo que não iria além do Parque São Jorge, nascido corintiano, fiquei somente com o sofrimento genuíno.






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A forma e o conteúdo — Lula entra para a História 🔴

A forma como Lula fala com as plateias é eficaz; o conteúdo, por sua vez, revela que ele desenvolve um raciocínio fraco. Na forma, ele envolve o ouvinte com comparações e metáforas futebolísticas, insiste em lembrar dos tempos de pobreza e fome — como se fossem recentes, quando, de fato, são remotas. Esse sofisma aproxima os ouvintes mais distraídos; o conteúdo entrega toda a farsa. Se esforçando para puxar votos como se não houvesse amanhã, o velho sofista dá um tiro no pé — como um “sniper” à queima-roupa,

Quando Lula resolveu ser Lula, sem os truques do marqueteiro, escaparam verdades inconfessáveis: controle das mídias e pró-aborto. Recentemente, numa fala infeliz (porém sincera), o ex-presidente disse sobre Bolsonaro: “não gosta de gente, mas de policial”. Com declarações como esta, o líder do PT passará as eleições se explicando e se desculpando.

“Sincericíos” não são novidades entre políticos. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, “escreveu na rocha” que quem se aposenta antes dos 50 anos é vagabundo. FHC tentou se explicar, mas colou que ele chamou todos os aposentados de vagabundos.

Marta Suplicy, quando foi prefeita de São Paulo, também sofreu um curto-circuito entre o que pensou e o que disse. Metida num modelito com a cara dos Jardins (região nobre da Capital), a madame se arriscou na periferia paulistana. Para quem perdeu tudo na inundação, ela recomendou: “relaxa e goza”. Assim, a ex-petista enterrou sua chance de reeleição.

Lembrando e acrescentando, Lula se comunica a uma turma que odeia agentes de segurança pública. Em discurso, muito à vontade, soltou: “Bolsonaro não gosta de gente, ele gosta de policial”. Vendo que a frase pegou muito mal e fatalmente custaria muitos votos, ele aproveitou a primeira oportunidade e pediu desculpas.

Falas desastrosas são o resultado da dissonância cognitiva, ou seja, a verbalização daquilo que o político realmente acredita, mas não convém ser dito. A rapidez do que o político pensa e o que ele fala não permite a mudança, gerando o revelador ato falho.

Desse modo, fica: FHC chama aposentados de vagabundos, Marta Suplicy não é empática e é fútil e Lula pensa que policial não é gente. Esse raciocínio gruda na imagem do político e resume ser pensamento rasteiro ou, no mínimo, sua inabilidade para enganar.
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Vingança 🔴

Alexandre de Moraes é movido pela vingança, não pela justiça. O símbolo da Justiça tem os olhos vendados significando que é cega, ou seja, não vê quem julga. Contudo, com Alexandre não é assim: ele persegue os que ele escolhe como inimigos pessoais.

Várias pessoas ligadas a Jair Bolsonaro já foram presas injustamente ou sofreram perseguição. As ordens do ministro são tão kafkianas que são ignoradas e descumpridas. Cumpri-las é ironicamente “rasgar” a Constituição. Sua obsessão é grudar alguma punição no deputado federal Daniel Silveira. Nesse jogo de xadrez entre o ministro do STF e o presidente, Daniel está em disputa.

Parece cada vez mais lógico que Alexandre mantém uma imaginária “faca no pescoço” daqueles que corroboram suas absurdas decisões.
Outro ministro,  que nunca saberá sua razão existencial sem a figura do Bolsonaro, é Luís Roberto Barroso. Por ter um vocabulário razoável e arranhar um inglesinho intermediário, ele consegue ofender outras pessoas facilmente e até impressionar os mais distraídos e limitados  cognitivamente.

Barroso ficou encantado com a investida mediúnica única de João de Deus (me livre!), foi facilmente convencido de que Cesare Battisti era inocente e (des)informou, quando disse que Nicolás Maduro é de, vá lá, direita. Com esse histórico, não dá para acreditar numa só palavra que o sujeito diz.

Lewandowski tropeçou na interpretação do texto do “impeachment” de Dilma, deu um “duplo twist carpado” na lei, separando as votações e tornando a petista elegível. Depois, o povo mineiro fez justiça, não a elegendo senadora.

O TSE, que conta com a turminha do STF, diz que as urnas são seguras, entretanto tentam manter o Exército longe da “sala misteriosa”. A resistência em realizar eleições claras, torna todo o processo suspeito.

A recente exposição do STF não foi boa para a Corte. Imaginava-se que os melhores magistrados alcançavam o Tribunal. No entanto, não é necessário nem ser juiz. Sinceramente, pelo nível, eu refletiria muito se seria vantajoso contratá-los para resolver uma pendenga de internet no PROCOM.

Várias figuras suspeitas usam a palavra “democracia” como um coringa legitimando tudo e todos. Conclusão: quando sacarem a palavra “democracia”, preste atenção qual é a pegadinha.
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O silêncio 🔵

Meu cunhado e eu nos deparamos com algo muito inusitado: uma câmara silenciosa. Quem já esteve na Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, sabe que não é anormal encontrar um objeto surpreendente. Mas aquela instalação era intrigante, inclusive provocativa. Como experienciar uma inédita ausência de sons no coração da cidade que não dorme?

Nada poderia surpreender quem estava numa exposição do filme Star Wars, por isso, no mesmo ambiente que Darth Vader e os Stormtroopers. Já acharia normal, até entediante, pedir licença ao R2-D2 ou ao C-3PO. Também já não me espantaria se o Mestre Yoda, caminhando com certa dificuldade, passasse ao meu lado. Em São Paulo, sobretudo nos finais de semana, era normal cruzarmos com criaturas bizarras (humanos ou interplanetárias).

Havia também uma exposição/homenagem à Bossa Nova. Ali, não cruzamos com nada estranho. A coisa mais esquisita, e que sempre pareceu que não era um ser deste mundo, era o João Gilberto, mas ele não estava lá.

Não sei se por curiosidade, desafio ou pura falta de alguma coisa melhor para fazer — talvez tudo isso —, o brinquedo, digo, a instalação nos convidou a desafiá-la. Aguardamos e entramos na intrigante caixa com duas cadeiras. Seguimos as orientações para, segundo a proposta da engenhoca, por assim dizer, ter uma perfeita experiência sensorial.

Realmente, o silêncio era ensurdecedor, mas, como sempre foi muito comum, surgiram muitos assuntos urgentes na minha cabeça e na ponta da língua. Os inadiáveis assuntos transbordaram, de modo que disparei a falar. Vendo que eu estava desperdiçando e estragando uma oportunidade única, cessei a verborragia. 

Entretanto, o diálogo interno insistia em conturbar o momento. A tentativa de aplicar técnicas de meditação apenas tornava inteligível o debate que rolava na minha caixa craniana. Talvez essa seja a grande surpresa do brinquedo, digo, instalação. O resultado pode ser muito mais embaraçoso: as monitoras, provavelmente, devem estar rindo. O riso se transformará em escárnio e desprezo quando saírmos atordoados da disruptiva experiência.

Concluí que a poluição sonora que sempre atribuí à capital paulista já estava introjetado na minha cabeça. Apesar de perceber que aquela caixa vedava as sirenes, as buzinas, os motores, o falatório e os demais sons, ou barulhos, ambientes, eu transportava comigo ideias, projetos, objetivos e grilos que nunca se silenciavam.
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Entrando numa fria 🔵

Uma inocente guloseima infantil pode dar cadeia. Culpa da irresponsabilidade do excesso de cuidado.

Eu juro que apenas queria comprar um gelinho, vendido num Fusca azul. Mas minha mãe afirmava que aquele carrinho vendia drogas e raptava crianças. Hoje, me afastaria, até correria apavorado, se avistasse o fusquinha azul dobrando a esquina.

Gelinho (geladinho ou sacolé) pode ser definido como sorvete de pobre. Consiste em um suco (diversos sabores) congelado num saquinho. Pois bem, o veículo, a cor e o local afastado, onde ficava, já eram muito suspeitos, juntamente com a denúncia da minha mãe, o conjunto tornava-se algo que eu deveria manter distância devido a periculosidade. Atualmente, eu compararia todo aquele método na porta da escola a um serial killer americano.

Na segunda série, em outro colégio a mesma maldade foi aplicada como estratégia para economizar alguns centavos. Dessa vez a vítima foi a pobre velhinha que vendia gelinho em frente ao colégio. 

Eu fico imaginando a senhorinha levantando às cinco da madrugada, preparando o suquinho, embalando, congelando, acomodando o produto no isopor e empurrando o carrinho de feira até a escola. Todo esse trabalho para receber a acusação de tráfico de drogas. Pior, dessa vez o doce também era servido na modalidade “água de fossa”. Calculando que esse sabor não era bom, passei o ano à base de merenda escolar.

Vivíamos os estertores do Regime Militar, se a frágil e trabalhadora idosa fosse “dedurada”, seria, facilmente, capturada, levaria uma surra- receberia algumas sessões de tortura no DOPS (até entregar os guerrilheiros e comunistas), terminaria jogada numa cela fétida, julgada e condenada por subversão à ordem e, com sorte, sua ossada poderia ser encontrada num cemitério clandestino. Tudo isso, para o complementar a aposentadoria, ganhando uns trocados! Eu acho injusto.

Na verdade, o perigo estava mais perto da que eu pensava. Minha mãe armazenava toda sorte de estupefacientes caseiros: acetona, esmalte, querosene e removedor de tinta. Eu ficaria entorpecido só de entrar na lavanderia de casa e respirar o ar dos produtos de limpeza.

Não aconteceu nada com os proprietários do Fusca azul, nem com a velhinha. Muitas vezes, eu trafiquei gelinho e consumi o produto. Hoje, estou limpo.
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Óleo de Fígado de Bacalhau 🔴

A embalagem era medonha, o nome repugnante, o rótulo apavorante, a aparência do conteúdo péssima e o sabor horrível. O conjunto espantava qualquer um, mas diziam que, paradoxalmente, fazia bem. A vitamina vinha disfarçada com o eufemismo ininteligível de Emulsão Scott, mas a máscara desabava após uma observação mais detalhada. O rótulo exibia uma imensa e animadora relação de vitaminas, que não resistia ao asqueroso e pior nome que uma vitamina possuiu: Óleo de Fígado de Bacalhau. Para piorar — que sempre é possível piorar as coisas — o tônico trazia (e ainda traz)  a estampa de um senhor arrastando um imenso peixe nas costas. O sofrimento chega ao paroxismo quando o líquido é ingerido. De sabor horrível e viscosidade nojenta, o negócio é difícil de ingerir, a imagem do bacalhau abatido torna a tarefa quase impossível. Eu engolia isso como um ganso de “foie gras”. 

Hoje, apesar do péssimo nome e da figura exibida, o fortificante oferece os deliciosos sabores laranja e morango. Melhor assim...




                                *

Não bastasse ralar a perna, arrancar a tampa do dedão ou abrir a cabeça, o pior ainda estava por chegar. A continuidade da tortura tinha um nome: Merthiolate. Hoje, pode não parecer mais assustador que uma Benzetacil, mas o temido Mertiolate, que é um remédio, ardia mais que  uma fratura exposta. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, geração após geração herda um mundo mais confortável: sem grandes confrontos, com facilidade tecnológicas, grande oferta de alimentos e sem Óleo de (argh) Fìgado de Bacalhau sem sabor e Mertiolate que arde. Realmente, o mundo ficou muito melhor. 

Voltando mais, na Primeira Guerra Mundial: qualquer cidadão de classe média de hoje vive mais e melhor que um magnata há 100 anos. Dúvida? De novo, recorro a qualquer inovação tecnológica. O acesso ao celular e suas funções já encerra alguma ameaça de debate. E o Óleo de Fígado de Bacalhau e o Mertiolate? Se já existiam, eram bem piores. E a medicina devia ser bem amedrontadora. 












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Crenças de luxo 🔴

Dava muito trabalho e custava muito ostentar um estilo de vida exclusivo e ao menos aparentemente nobre; agora basta aderir a causas aparentemente nobres como: “Black Lives Matter” ou levantar uma bandeira progressista qualquer (quaisquer diversidades). Achar a Greta Thunberg “do caramba” já é um bom começo. Basta sinalizar virtude para parecer um ser humano melhor e mais engajado (mais preocupado com as classes menos favorecidas). 

O problema é quando a dissonância cognitiva deixa a diferença entre o que se pensa e o que se fala transparecer, ficando óbvio que a ostentação de uma bandeira progressista é resultado de uma elite culpada, pedágio intelectual ou o preço para pertencer a uma turminha. Transpondo todas as barreiras, é muito mais acessível frequentar o clube exclusivo e imaginário das “pessoas inclusivas e empáticas”. 

As crenças de luxo são o novo passaporte de livre acesso a este clube que confere “status” social. Entretanto, o preço comportamental é alto. Como nas máfias, é impossível sair sem algum estrago. Cancelamento, perda de patrocínios, perda de seguidores e isolamento social são as retaliações mais imediatas (antes reservadas aos inimigos).

Justiça seja feita àqueles que realmente atuam naquilo que pregam. É muito difícil um idiota útil ou uma vítima da doutrinação escolar persistir com as crenças de luxo quando chegam suas primeiras contas de luz, água, aluguel etc. Tudo isto, considerando, é claro, a honestidade.


Tão útil como um colar de pérolas é fingir que sente pelas crianças da África; eficaz como o bracelete de ouro é levantar um cartaz contra o derretimento das geleiras do Ártico; e tão transformador quanto a ostentação de um anel de diamantes é protestar contra as queimadas na Amazônia. O paroxismo da inútil, porém visível demonstração de virtude é a genuflexão contra o racismo. É claro que as pautas ambientais e humanitárias são legítimas quando reais, mas é claro que a mera ostentação dessas bandeiras viraram a nova moeda, como a Bitcoin ou a cota de carbono.

Adotar uma ou mais crenças de luxo traz o conforto do pertencimento e “estar bem na fita” e, andando na linha, evita cancelamentos. 

Bens materiais ficaram acessíveis, portanto ineficazes para distinguir sinais de riqueza. Enquanto a ralé se preocupa com saneamento básico, uma pracinha cuidada e água potável, os novos (e velhos) ricos reivindicam banheiros trans, defendem pautas ambientais e humanitárias inalcançáveis.

“Salvem as baleias”.
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Operação Cavalo de Troia 🔴

Não foi tão estranho Geraldo Alckmin externando um pensamento aliado ao de Luiz Inácio Lula da Silva; esquisito foi Alckmin tentando falar com as massas igual ao petista. Faltou voz, faltou carisma e faltou convicção. O ex-governador erra ao trocar de plateia; ele nunca será persuasivo querendo insuflar um bando de sindicalistas sedentos por sangue, como era quando se comunicava como um padre numa homilia. Geraldo tentou esconder o Alckmin que habita aquele corpo, mas foi mais “picolé de chuchu” como nunca.

Mas se engana quem acha que a intenção de Alckmin é unir forças com Lula para construir um país melhor. Político matreiro (“das antigas”), Alckmin está dando o seu jeito de infiltrar-se no Palácio do Planalto. Pelo voto, apesar das tentativas, não surtiu efeito. Vestir um colete estatizante não convenceu, pelo contrário, afastou aqueles, como eu, que pensavam que o PSDB era de direita. Não encontrou outra solução, juntou-se ao líder populista para tenra subir a Rampa. Até imitou o Getúlio Vargas, quando sacou um “Trabalhadores do meu Brasil”, esticando um “L” gaúcho. Mesmo imitando o velho caudilho, não pareceu popular nem populista.

Lula, como sempre, sabe o que está fazendo e deve estar dando boas risadas nos bastidores. Zé Dirceu não deixaria Lula dar um tremendo “ponto sem nó”. Quem já saiu perdendo mais foi o antigo peessedebista, entretanto estamos assistindo a uma briga de serpentes.

O PT já conseguiu retirar Geraldo Alckmin da calçada do Palácio dos Bandeirantes, deixando o caminho mais fácil para Fernando Haddad; Alckmin, na primeira oportunidade, puxará o tapete do presidente ou o “efeito Covas” poupará o trabalho sujo.

Isso tudo não passa de teoria da conspiração. Os caminhos tortos que possibilitaram a soltura e candidatura do velho líder petista não serão suficientes para torná-lo mandatário da Nação. Ambos enterraram suas carreiras políticas nacionais. Para Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva serão possíveis apenas as cadeiras de vereadores de Pindamonhangaba e São Bernardo do Campo, respectivamente.
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A Ilha da Fantasia 🔵

Aquilo não era uma ilha, mas era alguma cerveja cercada por muita sede. O imóvel era, injustamente, chamado de restaurante. Talvez por causa do salão grande com pé-direito alto e uma mesa de sinuca com feltro grudento, madeira estufada e tacos disformes.

Um deserto no meio do oásis: era isso o que aquele bar parecia representar para o dono. Quando fazia um belo dia de sol, para nós era um convite para prestigiar o estabelecimento comercial do Português, molhando a goela e beliscando um tira-gosto. Para o Português, significava trabalho. Isso era péssimo, motivo para uma preguiçosa reclamação. Se o dia fosse ensolarado, pior, pois interrompia seu planejamento diário: fazer nada pela manhã; de tarde, descansar; à noite, não fazer coisa nenhuma; depois, descansar. Naquele paraíso, a definição de bom e ruim era inversamente proporcional para o Português e sua clientela.

O proprietário só queria evitar a fadiga e nós, representantes de uma terrível ameaça cheia de sede, um modesto refúgio. Para nós, uma inocente e geladíssima cerveja num dia ensolarado; para ele, o dia ensolarado não tinha o menor nexo causal com o bar cheio. O que era um dia bonito, para ele era um dia horrível que interromperia seu descanso.

A mesa de sinuca, com um pano parecendo uma toalha de mesa, representava algum desafio e pertencimento — por saber jogar naquela porcaria; o atendimento tinha um lado cômico — a gente tinha uma desculpa para sermos péssimos clientes, mas essa licença tácita nunca foi exercida; a preguiça, a indisposição, a inércia e a falta de visão empreendedora do Português vinha carregada de humor involuntário também; e o ambiente do bar incrustado no meio do mato, com uma represa, naturalmente agradáveis, concedia uma permissividade bucólica, quase uma licença poética.

O Português faleceu. Talvez agora ele tenha o descanso que nunca iria encontrar aqui na Terra.


*




Chegou o novo proprietário, prontamente apelidado de Capitão Roarke. O restaurante ganhou novos ares e se tornou parada “obrigatória” para lanchas da represa. Tudo mudou, chegávamos na Ilha da Fantasia (o restaurante) e íamos para a Távola Redonda (uma mesa velha, de madeira, redonda e isolada). Demonstrando tino para os negócios, O Anfitrião (Sr. Roarke) vinha dar as boas-vindas, sempre com o sorriso e a caixa registradora abertos.

PS: Os apelidos Ilha da Fantasia, Sr. Roarke e O Anfitrião são conhecidos por gente muito velha ou quem acumula cultura inútil.
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Por que eles odeiam a classe média? 🔴

Tornou-se célebre o discurso de ódio da filósofa Marilena Chauí. Em monólogo libertador, a, vá lá, filósofa exalou todo seu rancor e raiva contra a classe média. A manifestação vocal demoníaca foi proferida sob risos e aplausos concordantes de Lula e alunos da USP. Os alunos que aplaudiram também devem ser ricos ou pertencer à desprezada classe. Marilena Chauí, musa do PT, odeia tanto a classe média que tratou de abandoná-la, tornando-se rica. O vídeo, que já é um clássico, está disponível no YouTube.

Recentemente, foi a vez do Lula revelar o desejo de eliminar a classe média. Com um texto assustador, Lula definiu quantos aparelhos de TV essa classe social pode ter. Ato falho ou sinceridade crua, são dois bons motivos para temer um novo governo do bandido.

A classe média é a que mais sofre os solavancos da Economia. Sua mobilidade social tende para baixo por causa da insegurança do nosso país. Uma crise mais séria significa liquidação  e bazar de garagem na combalida classe. Tirar os filhos do curso de inglês, da natação, da escolinha de futebol, do “ballet” ou do colégio particular e, nos casos mais graves, vender o carro e a casa garantem a adimplência das contas e prestações, afinal quem rala para manter-se na classe média zela para não “sujar o nome”. 

Em termos financeiros, há uma amplitude grande que impossibilita aferir qual é a renda dessa tal classe média. De qualquer forma, a disparidade é tão gritante que revela o desconhecimento e distanciamento da realidade. Distanciamento que enganou Lula e o dirigiu ao “sincericídio”.

Sua (Lula) realidade é entre jatinhos (sempre de um amigo), vinhos premiados e praia particular, portanto, classe alta. Há muito tempo desconhecendo um carrinho popular e um cômodo puxadinho, o eterno presidenciável acredita que é rico quem a classe média pertence.

Eles odeiam a classe média porque ela não recorre ao BNDES nem recebe o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família), portanto, não depende de governo nenhum. Alguns serviços, apesar de pagos nos impostos, são readquiridos na iniciativa privada: plano de saúde, segurança privada e ensino particular.

É isso.



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