rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Pedro, apenas mais um youtuber?⚫️

Abri um vídeo de Pedro Rodrigues Filho no YouTube, onde ele tem um canal. Prestei muita atenção no que ele dizia. Eram basicamente conselhos de um senhorzinho, do alto de sua sabedoria de vida, que acumulou nos 65  anos de sobrevivência. Ele tem a voz fraquejada, meio chorosa, própria de quem levou muitas caneladas da vida, por isso, conhece seus atalhos.

Quem é Pedro Rodrigues Filho? Trata-se de Pedrinho Matador, lendário ‘serial killer’, egresso do sistema prisional,  onde ficou privado do convívio social por 42 anos, somadas as idas e vindas,  por mais de cem assassinatos  (auto-imputados ). Embora tenha sido condenado em 128 anos, no Brasil, a reclusão é de, no máximo, 30 anos. Pedro fez por merecer isso, ficando preso mais tempo, fazendo um “turismo carcerário”, tendo passado, também (lógico), pelo manicômio judiciário. Segundo ele, na cadeia, antigamente “o bagúio era lôco”. Ele é, no Brasil, quem mais matou e ficou preso.

Pedrinho falhou em sua primeira tentativa de assassinato. Aos 13 anos, após um desentendimento, empurrou um primo mais velho num moedor de cana! Resumindo muito, começou a matar aos 14 anos e pegou gosto pela coisa, cometendo, também outros tipos de crimes e homicídios dentro de cadeias. O maior destaque, foi quando mastigou parte do coração de seu  próprio pai, depois de matá-lo por vingança pela morte de sua mãe. Segundo ele, só matou quem mereceu. 

Em seu canal, no YouTube, o velho Pedro dá conselhos para a  molecada não entrar pro mundo do crime. Ele, no mínimo, conhece bem esse mundo. Ele chega a dizer, “o crime não é mais como antigamente”, como se antes houvesse ética. Até ele acha que essa gurizada está “abusada”. Pedrinho Ex-Matador (como está sendo chamado), ficou recluso de 1973 a 2007 e 2011 a 2018. Quando foi trancado, o mundo era analógico, não havia internet; quando saiu, encontrou um admirável mundo novo, digital.

Agora, em 2019, ele está tendo que suportar os ‘haters’ (aqueles que odeiam tudo e todos, na internet) e os ‘hackers’ (os criminosos que invadem outros computadores conectados à rede). Recentemente, ele teve muitos inscritos “roubados” de seu canal no YouTube. Ele está bem integrado aos novos tempos, pois ficou muito indignado com o furto virtual.

Além do canal no YouTube, onde conta suas peripécias e espalha conselhos à humanidade, Pedro lançou um livro, logo terá um documentário, um tal de MC Duplex gravou o rap “Pedrinho Ex-Matador” e deve haver outros badulaques. Pedrinho é cult, Pedrinho é pop. 

O ilustre Ex-Matador reclamou do furto de milhares de inscritos do seu canal. Ele disse; “Você, que fez essa maldade, não tem coração?” Esse interesse por coração gera conotação dúbia. Quem furtou os seguidores do Pedrinho, devolva. Você  não sabe com quem está mexendo. O perigo é se ele resolver te seguir.












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Carta ao povo brasileiro 😁



Meu povo, sou acusado, injustamente, por meus opositores, de: peculato, caixa dois, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, compra de votos, falsificação de documentos, remessa ilegal de capital, fraude no imposto de renda, sonegação fiscal, evasão de divisas, uso indevido da máquina pública, desvio de verbas, desvio de merenda escolar, formação de quadrilha, golpe do baú, conto do vigário, proxenetismo, vadiagem, tráfico de drogas, violência doméstica, não pagamento de pensão, atropelamento, improbidade administrativa, apropriação indébita, enriquecimento ilícito, compras superfaturadas, recebimento de propina, contrabando, descaminho, falsificação, contrafação, roubo de carga, receptação de mercadorias roubadas, roubo, furto, estelionato, estupro, abuso de menores, corrupção de menores, atos libidinosos em local público, atentado violento ao pudor, pedofilia, extorsão mediante sequestro, latrocínio, violação de direito autoral, plágio, usurpação, dano, homicídio (triplamente qualificado), feminicídio, infanticídio, injúria racial, calúnia, difamação, crimes cibernéticos, induzimento ao suicídio, apologia do nazismo, lesão corporal, auxílio no aborto, abandono de incapaz, maus tratos, crime ambiental, omissão de socorro, atropelamento, crime contra a incolumidade pública, crime contra a saúde pública e prevaricação.

Venho, com as mãos limpas, rosto erguido e cara-de-pau, digo, e olhando nos olhos, declarar: eu sou inocente. Depois de 51 anos de vida pública limpa, luta contra a Ditadura (nos Anos de Chumbo), luta incansável pela volta da Democracia, sofro perseguição política e linchamento público jamais vistos. Minha envergadura moral é ilibada, bem como o trabalho pelo povo tem sido incansável. Forças terríveis querem me derrubar, mas não conseguirão. A história irá me absolver e meus adversários voltarão ao pântano, de onde nunca deveriam ter saído.

Isso que vêm fazendo contra a minha pessoa, na tentativa de manchar minha biografia, é um acinte, com o intuito de um assassinato de reputação. Mas não lograrão êxito. Eu confio na justiça deste país. É, principalmente, um ataque ao Estado Democrático de Direito, às instituições, à Constituição e, por que não, à democracia. O Supremo Tribunal Federal, o Congresso (Senado e Câmara), entre outras, são instituições, imprescindíveis, guardiãs da democracia.

Terminando, e não fugindo das graves acusações que fazem a fim de atingir a minha pessoa, repilo tudo. Declaro que hoje meus assessores redigirão e publicarão uma nota de repúdio. Assim que eu tiver acesso aos autos, deslocarei um corpo jurídico, composto por cinco advogados. Advogados responsáveis por livrar, digo, defender os mais notórios ladrões, digo, políticos de Brasília.

Concluindo, é injusto o que meus inimigos políticos fazem com a minha pessoa. Sempre tive uma conduta republicana, preocupado com os mais pobres, os mais humildes e a pessoa humana, de um modo geral. Forças terríveis estão à solta, mas sucumbirão perante um servidor probo.

Obs: este discurso é um exagero, caso no Brasil houvesse corruptos. Esta é  uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
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Sei...

Tem um espertalhão solto. Talvez o termo “espertalhão” amenize a periculosidade do indivíduo. Acostumado a aplicar seus golpes no Nordeste (Ceará), enganando há muito tempo, de quatro em quatro anos ele expande sua conversinha fiada nacionalmente, agindo também na região Sudeste.

Como muitos adultos nunca sucumbiram à sua lábia vazia, mas viperina, o malfeitor resolveu abordar jovens. Sua equipe — ele chama quadrilha de equipe — identificou o ambiente, os hábitos e a linguagem dos jovens e definiu a estratégia. O velhaco começou a frequentar podcasts, soltar alguns palavrões e arriscar comentários das artimanhas dos joguinhos de videogame. Assim, o larápio conquistou mentes e corações.

Esse golpista chama-se Ciro Gomes e reaparece na versão “paz e amor”, querendo se dizer diferente de tudo o que aí está, praticamente a terceira via. O eterno candidato à Presidência é conhecido na praça como Cangaciro ou Tiro Gomes. Agora, as desavisadas vítimas o apelidaram de Ciro Games. Sim, com faro apurado, ele e sua equipe enxergaram nos joguinhos o novo doce para atrair crianças distante dos pais.

O cangaceiro de paletó, sem novidade, é estatista — imagina o Brasil um enorme welfare state —, assistencialista e tem soluções fáceis para problemas extremamente difíceis, inclusive insiste em sua ridícula proposta do SPC. Das entrevistas que apenas ouvi, até pude enxergá-lo explicando suas soluções “fáceis” com os dedos. Esse cara está sendo treinado pelo ex-marqueteiro de Lula, João Santana, e traz os interesses da China, que ele diz ser um modelo.

No clima da Lava Jato, Ciro disse: se Moro mandar prendê-lo, recebe a “turma” do, à época, juiz a bala. O ex-ministro da Fazenda disse que tomaria essa atitude se não houvesse feito nada errado. 

Em dezembro de 2021, a Polícia Federal realizou operação de busca contra o pré-candidato do PDT. Se Ciro recebeu a PF a bala, foi com bala Juquinha sabor morango ou laranja. De acordo com a ameaça do Cangaciro, podemos depreender que não foi a “turma” do Moro que realizou a operação e que o ex-governador do Ceará tem culpa.

De turma Ciro Gomes entende e, constatando que foi e continuará sendo infrutífero espalhar sua “proposta” entre os adultos, tentará renovar a presa. Só é difícil compreender como, tendo acesso tão fácil e conhecendo tão bem o YouTube, a molecada caiu tão fácil na conversa de Ciro Ferreira Gomes.
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🔴 Começa assim, depois piora

O jogo final do campeonato mundial entre Manchester City, da Inglaterra, e Fluminense, do Brasil, evidenciou a diferença entre os times europeus e brasileiros. Cheio de vícios que travam o jogo a fim de vencer quaisquer partidas por “meio a zero”, os brasileiros não sabem o que fazer quando enfrentam os campeões da ‘Champions League’.




O Fluminense era o produto da Globo. Então, era necessário envolvê-lo numa bela embalagem, encher o cliente das melhores informações edulcorantes e exibi-lo com uma propaganda convincente. Entretanto, o Manchester City não participou da estratégia global e aplicou uma goleada (4 x 0).




O narrador, os comentaristas, bem como os repórteres da Globo cometeram a “pachequice” habitual, torcendo para a equipe carioca. Isso engana, pois quem viu o jogo sabe que o Fluminense foi muito inferior. Lembrando um torcedor que ignora a realidade, o narrador exaltava uma básica posse de bola. Isso é mentiroso, trapaceia e induz ao erro quem não entende de futebol. 




No final, como prêmio de consolação, era exaltada a participação. Comemorar a oportunidade de um time brasileiro poder apanhar de um europeu é como dizer “você já é um vencedor”. A falsa euforia é desonesta, engana e mantém a mediocridade. 




Fingir contusão, se jogar no chão (Neymar “cai, cai”) e segurar o jogo, a superestimada “cera”, fizeram do Brasil “O País do futebol” e a “Pátria de chuteiras”. No entanto, o País não soube fazer a transição dos “campinhos de várzea” para as escolinhas de futebol. Essa mudança física fez com que a “malemolência”, a “malandragem” e o “jeitinho brasileiro” não fossem vistos mais como qualidade, mas, sim, como defeito.




A seleção brasileira vem encontrando o mesmo “campo minado”. Mas os subterfúgios, que sempre ajudaram o Brasil a superar os adversários, são vaiados, filmados e punidos. Os placares de 7 a 1 e 4 a 0 mostram que alguma coisa errada não está muito certa.




O time brasileiro (Fluminense) encontrou uma equipe que praticava outro esporte. Conclusão: quando nossas equipes chegam lá, comemora-se até arremesso lateral, escanteio, tiro de meta e um básico passe certo.




É o “tá ruim, mas tá bom” do futebol.
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🔴 Dito Cujo, o ditador moderno




Maduro visitou Lula. Esse papo de reunião bilateral é o que se espera de uma dupla de presidentes. No entanto, a reunião se trata de um plano, que não é de interesse de todos.




Para avaliar o nível de despotismo desse encontro, o brasileiro deu dicas de como empurrar uma narrativa. Lembrando que “narrativa” é um modo de recontar a história como convém. No caso, segundo Lula, Maduro tem que esconder a ditadura que existe na Venezuela.




Vou desfilar parte da mentira lulista que foi aplicada como narrativa: em vídeo no Youtube, Lula dá um tutorial de como mentir pelo mundo; e num clássico da cara de pau, Lula se elegeu aplicando um golpe, que eu chamo de “Conto da Picanha”. Eu poderia citar muitos exemplos, mas o charlatanismo, que para mim é evidente, seduz todas as classes sociais e níveis escolares. Isso desanima.




Um jornalista da GloboNews, enroscando a fala, conseguiu soltar um: “ditadura moderna”. Tá, a visita do ditador causou um constrangimento generalizado nos jornalistas “luloafetivos”. Choveram eufemismos, numa clara tentativa de “passar o pano”. Como a visita visava ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em busca de reais, os jornalistas contorceram-se para expelir um grande: não é bem assim. Pelo jeito, a “narrativa” lulista já está sendo disseminada no “chão da fábrica”.




Lula insiste com a tola indagação: Por que o Dólar ainda é adotado como moeda mundial? Com meus toscos conhecimentos de Economia, eu arriscaria respondê-lo: é por causa da confiança, da aceitação. Resumindo: é uma moeda forte.




As relações internacionais do Brasil são desastrosas. Na Segunda Guerra, alguns fatores nos alinharam do lado certo, contrariando o fascista Getúlio Vargas; nosso atual presidente, admirador de Getúlio, já demonstrou de que lado estaria. 




O ex-presidiário pretendia ser uma liderança local, mas só atrai caloteiros interessados na senha do cofre do BNDES. No episódio do narcopresidente venezuelano, levou bronca dos presidentes do Uruguai e Chile, Luis Alberto Lacalle Pou e Gabriel Boric, respectivamente. É mais um exemplo da liderança “megalonanica”. 




Uma coisa é certa: eu prefiro quando o Lula discursa sem ler, porque além de escaparem verdades etílicas, é muito mais divertido. Narrativa!
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🔴 A MPB é só música. Ou não




Lula desembarcou na China ao som de Ivan Lins. É assustador uma trilha sonora anunciar “um novo tempo” justamente quando Lula, que foi “coroado” recentemente, flerta com ditaduras. Como Fernando Gabeira e Educação Jorge confessaram: a luta contra a ditadura não era pela democracia, era pela ditadura do proletariado.




Eu gosto das músicas de Ivan Lins, Chico Buarque, Caetano Veloso etc. Prestar atenção na melodia, harmonia e arranjo, ou seja, na parte musical sempre me ajudou a ignorar mensagens políticas. Da mesma forma, sempre encarei mensagens cifradas, com o intuito de “driblar” a censura, como letras de relacionamentos, exaltação à natureza e outros temas abstratos. Sei que esta maneira de encarar a realidade parece ingênua, mas sempre foi um modo de enfrentar os fatos olhando para o para-brisa ao invés do retrovisor.




Infelizmente, é uma hipocrisia assistir de camarote a quem dizia “lutar” contra ditaduras e censura. A cultura “woke” expôs a pauta identitária (antirracismo, homofobia, misoginia, machismo etc) como mera demonstração de virtude. Na prática, o monopólio dessas, e outras, bandeiras foi sequestrado por um espectro político — não preciso dizer qual. Resumindo: a perseguição é implacável. Não importa o que se fala, o que importa é quem fala.




Ivan Lins nunca me decepcionou, isso só aconteceria se ele fosse um bolsonarista. Seria uma “virada de casaca” digna de um legítimo traidor. Porém, eu nunca seria tão inocente, aguardando uma postura diferente de quem exaltou  a Nicarágua do ditador Daniel Ortega.




Os artistas que gosto entregam excelente música, contudo, quando sai um discurso político, vem, quase como venda casada, uma baboseira embalada com um “portunhol” terceiro-mundista de “Che Guevara de apartamento.




Os compositores, músicos, cantores e grupos que gosto devem ser quase todos esquerdistas. Se houver mais exceções, não tiveram coragem de expor a real. Entretanto, continuarei ouvindo, mesmo que, ao invés de chamarem a polícia, eles chamem o ladrão; mesmo que o novo tempo deles seja outra ditadura.
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🔵 Mais pesado que o ar e muito velho para voar — Para o alto e avante

Aquele aparelho não inspirava nenhuma confiança. Mesmo sabendo que quaisquer alterações não deixariam muita margem de sobrevivência, afivelei o cinto de, por assim dizer, segurança. O próprio cinto lembrava o pedaço de pano que, mesmo inútil, equipava o ‘Fiat 147’ e o motor causava irritação e pavor, como o motor de uma ‘Brasília’. Esta não foi a melhor maneira de voar, muito menos pela primeira vez.




Com o tempo, nada mais me preocupava nem a abertura do meu lado, onde deveria existir uma porta, nem os comandos replicados à minha disposição. Sim, para minha surpresa, se houvesse uma traquinagem do destino, logo no meu debute aéreo, eu assumiria o cargo de comandante daquela bicicleta voadora. Mas nada poderia ser pior do que quando aquele troço decolou. A partir daí, meu único medo era o aparelho voltar, da Bolívia, carregado de drogas.




Sinceramente, não notei grande diferença entre a decolagem do ultraleve e o meu ‘Gol’ 86 pegando no tranco. Entretanto, o sonho de Ícaro foi honrado mais uma vez. O voo panorâmico numa praia de São Paulo foi sem maiores sustos. Ser o passageiro e a tripulação daquela traquitana, devido a quantidade de ítens inseguros, gerou uma analgesia e conformação, de modo que eu não via mais perigo naquele voo do que ser transportado numa garupa de motocicleta, entre os carros, na Marginal Tietê.




Eu ainda ensaiei uns “ú-hus”, porém isto não foi necessário, pois o próprio piloto, burocrático, transbordava a mesma emoção de quem empurrava um carrinho de pipocas. No fim, a maior aventura foi pagar pelo passeio. O, digamos, “comandante” apenas pilotava aquela geringonça com um motor velho porque queria o meu dinheiro. Obviamente, achei aquilo justo, afinal concordei com o, vá lá, “plano de voo”.




Conclusão, meu primeiro voo não respeitou o cerimonial necessário a algo que não é tão trivial quanto guiar um ônibus. Muito pelo contrário, se o “piloto” tivesse um mal súbito, eu assumiria o manche.




Anos depois, voando numa companhia aérea, olhando a lotação, tive fé que, se o comandante tivesse um mal súbito, a probabilidade de eu assumir o comando da aeronave era praticamente nula.












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🔵 Depois da curva




A Rodovia Fernão Dias já é ameaçadora o suficiente. De madrugada, cercados por uma serra, voltando do Sul de Minas, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã ou Socorro, aproximávamos perigosamente da possibilidade de virarmos estatística. Isso quase aconteceu quando, depois de perder o controle, cruzamos a contramão lentamente e aguardamos a colisão de um ônibus.




A mesma sorte não tiveram os integrantes de um Corsa. Logo depois de uma curva fechada, havia um automóvel capotado. A cena nos confrontou com a realidade e trouxe uma sobriedade repentina que parecia ter sido abandonada em uma daquelas cidadezinhas à beira da Fernão Dias. Aproximando do carro com as rodas viradas para o céu estrelado, nenhum sinal de vida, apenas um CD reproduzindo uma animada música da Ivete Sangalo.  A canção pedindo pra “tirar o pé do chão” gerou uma comicidade (vendo o veículo naquelas condições) ao evento, entretanto a possível tragédia recuperava a seriedade necessária. 




Somente com a movimentação e ejeção de um por um, vimos que estavam bem. E a Ivete Sangalo avisando que “levantou poeira”. Eu sempre soube, é claro,  que a cantora baiana não se referia ao acidente, contudo àquela altura, parecia que ela estava narrando musicalmente, e com um soteropolitano jeito de enxergar o mundo, os acontecimentos. Mas aquele otimismo ainda parecia um tanto quanto besta.




O alívio por constatar que estavam todos vivos e incólumes sucedeu-se por sermos tratados com uma frieza que poderia ser atribuída a assaltantes. Rebaixados a piratas do asfalto, o melhor a fazermos era dar o fora daquela curva perigosa. Com o tráfego intenso de caminhões poderíamos ser os próximos a merecer um altarzinho na beira da estrada.




O panorama composto era paradoxal demais para minha mente aceitar: a noite escura e um automóvel de ponta cabeça, sendo “animado” pela trilha sonora da cantora de trio elétrico. O acidente encontrado após a curva da rodovia parecia um capítulo de ‘Além da Imaginação’ ou ‘Arquivo X’, só faltou a musiquinha de mistério e os extraterrestres planejando uma abdução. Mesmo para um sábado à noite, aquilo já era o bastante. Partimos.
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🔴 Eleições 2022




Duda Mendonça e João Santana foram marqueteiros eficientes, mas estenderam seus conhecimentos aos escândalos de corrupção. Bolsonaro acertou quando deixou o filho, Carlos Bolsonaro, cuidar do “marketing” digital. Falando direto e com a linguagem do brasileiro de verdade, ele atingiu desde jovens (que não assistem à televisão), passando pelas “Tias do Zap”, até os idosos (que voltaram a votar).




O tempo de televisão aumentou, mas isso pouco importa. A estratégia já está sendo frequentar “podcasts” (possuem um latifúndio de tempo). Diferentemente de Lula, que apenas pisa em ambientes com plateias controladas e jornalistas de estimação, o atual presidente encara verdadeiros “papos de boteco”, sem formalidades, o mais cru “papo-reto” sem restrições e que quase sempre extrapola na descontração, dando brechas para os “mimimis”.




Bolsonaro inventou uma manifestação que só pode ser chamada por um neologismo (motociata), atrai multidões ensandecidas, como quem encontrou um “popstar” e não um político e criou uma corrente política que leva o seu nome: bolsonarismo, diferente do petismo. Tudo isso, é claro, não teria efeito, não fossem as realizações.




Flow, Cara a Tapa, “podcasts” que vêm batendo recordes de visualizações e repercussão, estão sepultando os “engessados” e autolaudatórios debates da TV aberta. O novo palanque é uma violenta catapulta para candidatos sinceros, e um porão no fundo do poço para quem, igual ao João Doria, faz cara feia ao engolir um café, tentando parecer “gente como a gente”.




O jornalista não pode querer parecer mais importante que o entrevistado ou a notícia. O sucesso do formato “podcast” é, além da informalidade, que o entrevistador não tenta desmoralizar o candidato com “pegadinhas” ou tentando falar mais alto com a finalidade de impor seu ponto de vista. 




A autenticidade de um político sendo escrutinado por horas jamais será sobrepujado por um tapinha nas costas, erguer uma criança ou entrar num boteco para arriscar-se numa coxinha,  um pastel ou um cafezinho. Sem marqueteiro, popularidade não se fabrica em ano de eleições.
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A corte do bobo ♦️

A piada até que durou bastante. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky,  é um comediante. A anedota funcionou muito na propaganda, na posse, nas aparições em público. Entretanto, a brincadeira foi longe e ele se elegeu. A pilhéria poderia render um mandato — o Tiririca está conseguindo se esconder na Câmara —, mas estourou uma guerra que exigiu um governante de verdade. Estamos testemunhando que não dá certo o bobo da corte trocar o cargo com o rei. 

Danilo Gentili conseguiria sustentar a piada até a rampa do Planalto. A primeira greve, manifestação na Paulista ou invasão do MST acabaria com a graça.

O voto de protesto — macaco Tião, rinoceronte Cacareco e o palhaço Tiririca — sempre piora a situação. No caso de um ser, digamos, pensante, como o Tiririca, políticos espertos leem as conjunturas e empurram o “voto de protesto” para “puxar” (eleger) eles mesmos.

Agora o presidente dá Ucrânia não sabe o que fazer. O sujeito está praticamente montando uma guerrilha urbana, armando qualquer um que encare segurar uma arma: civis, estrangeiros, pessoas de até 60 anos de idade. É a tática do “cada um por si” ou “bumba meu boi”. O final poderá ser trágico como na Guerra do Paraguai.

Embora autoritários, muitos dos atuais governantes são fracos, do tipo que acham que vão resolver confrontos entre nações dialogando, cantando Imagine, criando uma “hashtag” de paz ou iluminando algum monumento com as cores do país invadido. Logicamente, estou me referindo a Joe Biden, Justin Trudeau e Emmanuel Macron. Incluiria João Doria, mas ele nunca será presidente da República. Essas figuras que citei são a mais fiel tradução do que chamo de homens de geleia, dispostos a mandar vigiar, perseguir, dificultar, delatar, cancelar e anular quem ousar exercer alguma liberdade. É o sujeito que denuncia o crime hediondo abraçando a Lagoa Rodrigo de Freitas, soltando pombas, vestindo branco e gritando “agora chega”. Disfarçam-se “lacrando” e sinalizando virtude.

Enquanto o Ocidente está discutindo linguagem binária, ideologia de gênero, banheiros trans, aquecimento global e a Greta Thunberg está enfiando o dedo na cara de autoridades, a Rússia mostra que a guerra não é filme da Netflix

Foi esse o “caldo” perfeito para o macho tóxico Vladimir Putin, ex-agente da KGB, agir. Vendo que a pandemia deixou a maioria dos governantes sem saber o que fazer, Putin sabia que era só avançar.

No peito do Putin, ainda bate um coração soviético.






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