Lista de Poemas

Hitler e seus amigos ⭕️

Ninguém faz nada que cause muito impacto, sozinho. E com Adolf Hitler não foi diferente. A série ‘Hitler’s Circle of Evil’ (O Círculo do Mal de Hitler) apresenta a trajetória das principais mentes diabólicas que ajudaram o tirano austríaco.

Círculo do mal: Joseph Goebbels, Hermann Göring, Heinrich Himmler, Reinhard Heydrich, Rudolf Hess, Martin Bormann, Albert Speer e Ernst Rohm. Estas são as figuras retratadas na série documental. Um nazista que não está nesta obra cinematográfica, mas deve ser conhecido, é o médico Josef Mengele, morto em 1979, em Bertioga, onde foi enterrado com um pseudônimo. 

A história da Segunda Guerra Mundial já é bem conhecida, pelo menos quem são os mocinhos e os bandidos. O que é desconhecida, ou retratada como piada é a participação do Brasil. A entrada do Brasil, na guerra, poderia ter sido em qualquer lado. A inclinação se deu por motivos comerciais. Getúlio Vargas tinha uma tendência ao fascismo, mas navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. Tudo se definiu, também, com o toma lá, dá cá com os Estados Unidos. Eles financiaram a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a gente permitiu a instalação de uma base militar, no Rio Grande do Norte. Feito. Em 1942 a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi ao combate, pelos Aliados. A participação brasileira foi heroica, ao invés da piada retratada. 

Há alguns anos, a cantora Anitta quis dar sua “lacrada” matinal. Num ‘tweet’, disse: “Tenho grande paixão e admiração pelo homem que matou Hitler”. Curioso, Hitler cometeu suicídio. Isso não pode ser verdade. Não é difícil se informar, em tempos de Google, antes de se mostrar pra galera. Parecer alguém que deve ser canonizado, não pode cometer erro tão grave.

Voltando à Segunda Guerra Mundial. É necessário, sempre, lembrar a que ponto pode chegar a mente humana. Hitler se juntou a outras mentes perversas, encontrou uma conjuntura ruim e um povo que caiu na propaganda e discurso nazistas. 

A frase a seguir, já foi considerada de autoria de diversas personalidades, dentre elas Winston Churchill. Por isso, citarei como autor desconhecido: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

Numa modalidade de autoafirmação, a necessidade e fraqueza de parecer ser magnânimo, gera enganos históricos. Em tempos que nazista, fascista, racista, misógino etc tornaram-se xingamentos comuns, banalizaram os termos. Têm até grupos autointitulados antifa (antifascista). 
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Pai, filho, tio, sobrinho, primo, padrinho, cunhado, amigo e Neto 🔵



O clima de veraneio talvez fizesse a notícia passar batida. Nem as cervejas, nem a caipirinha deixaram aquela afirmação diluir-se no ambiente de “casa de praia”. Alguém disse: “O Neto tá na casa do Batata.

Neto foi um dos melhores jogadores de futebol dos anos 80 e 90. Folgado, ele era do tipo boleiro, sem mi-mi-mi, estilo ‘bad boy’. O conceito do “politicamente correto” acho que nem existia. O Neto jogou no São Paulo, Palmeiras e Santos, mas foi ídolo do Corinthians. Agora,   o Craque Neto, o boato se espalhou, estava ali. Nós, corintianos fanáticos e alcoolizados, mordemos a isca.

Aquilo foi tão covarde quanto jogar um pedaço de carne envenenada a um vira-lata. Se isso era uma estratégia da mulherada para nos retirar da casa, estava surtindo efeito. Meu cunhado e eu fomos rapidamente capturados. O meu tio formou o trio disposto a encarar a estrada para conhecer o ídolo.

Saímos com um clima de ceticismo no ar, como quem estava entrando numa jornada infrutífera. Eu quis crer que partimos como ‘vikings’ a uma terra distante, sendo a última esperança para o povo. Pegamos o Fusca e caímos na estrada. O endereço era numa outra cidade do interior de São Paulo, mas era relativamente perto.

Depois de vencida a rodovia, chegamos à casa, perto duma prainha de água doce. Porém, encontramos um silêncio pós-apocalíptico, ou pandêmico, e uma casa trancada. Não existia sequer ‘lockdown’ para que houvesse alguma festa clandestina. 

De repente, o óbvio desabou como um balde d’água fria. Fomos puxados à realidade: havíamos sido enganados. A salvação seria um boteco, para a jornada não ter sido à toa e a vergonha ser menor. Alguém, provido de maior sapiência e tirocínio, suspeitou que houvesse uma movimentação, descendo a rua, numa outra casa com alguns carros na frente. Fomos lá. Chegando, logo vi um veículo com placa de Campinas. Isso era uma pista. Bingo!

A notícia das mulheres não era falsa, nós não fomos passados pra trás e, enfim, íamos conhecer o Craque Neto. Cumprimentamos o  dono da residência, o Batata, alguns presentes e um cara gordo — com físico de jogador de xadrez —, mas muito legal. Era o Neto.

A gente percorreu alguns quilômetros para conhecer o Neto; ele rodou uns 290 quilômetros para o que estava na mesa. Um prato de macarrão chamou mais a atenção do jogador aposentado.

Para quem achava o jogador corintiano, conhecido como Xodó da Fiel, marrento, não o viu jogando Truco. Para ganhar uma partida, ele até jogou na cara um golaço que marcou no Maracanã. 

Na hora de partir, à noite, eu parecia o mais sóbrio para dirigir, mas até hoje desconfio que o Fusca nos conduziu. Chegamos cheios de história pra contar, disfarçando a empolgação e a relativa tietagem ao ex-jogador de futebol do Corinthians.

Dizem que cunhado não é parente. Às vezes sim; dizem que neto é parente. Com “N” maiúsculo não.
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Sei...

Tem um espertalhão solto. Talvez o termo “espertalhão” amenize a periculosidade do indivíduo. Acostumado a aplicar seus golpes no Nordeste (Ceará), enganando há muito tempo, de quatro em quatro anos ele expande sua conversinha fiada nacionalmente, agindo também na região Sudeste.

Como muitos adultos nunca sucumbiram à sua lábia vazia, mas viperina, o malfeitor resolveu abordar jovens. Sua equipe — ele chama quadrilha de equipe — identificou o ambiente, os hábitos e a linguagem dos jovens e definiu a estratégia. O velhaco começou a frequentar podcasts, soltar alguns palavrões e arriscar comentários das artimanhas dos joguinhos de videogame. Assim, o larápio conquistou mentes e corações.

Esse golpista chama-se Ciro Gomes e reaparece na versão “paz e amor”, querendo se dizer diferente de tudo o que aí está, praticamente a terceira via. O eterno candidato à Presidência é conhecido na praça como Cangaciro ou Tiro Gomes. Agora, as desavisadas vítimas o apelidaram de Ciro Games. Sim, com faro apurado, ele e sua equipe enxergaram nos joguinhos o novo doce para atrair crianças distante dos pais.

O cangaceiro de paletó, sem novidade, é estatista — imagina o Brasil um enorme welfare state —, assistencialista e tem soluções fáceis para problemas extremamente difíceis, inclusive insiste em sua ridícula proposta do SPC. Das entrevistas que apenas ouvi, até pude enxergá-lo explicando suas soluções “fáceis” com os dedos. Esse cara está sendo treinado pelo ex-marqueteiro de Lula, João Santana, e traz os interesses da China, que ele diz ser um modelo.

No clima da Lava Jato, Ciro disse: se Moro mandar prendê-lo, recebe a “turma” do, à época, juiz a bala. O ex-ministro da Fazenda disse que tomaria essa atitude se não houvesse feito nada errado. 

Em dezembro de 2021, a Polícia Federal realizou operação de busca contra o pré-candidato do PDT. Se Ciro recebeu a PF a bala, foi com bala Juquinha sabor morango ou laranja. De acordo com a ameaça do Cangaciro, podemos depreender que não foi a “turma” do Moro que realizou a operação e que o ex-governador do Ceará tem culpa.

De turma Ciro Gomes entende e, constatando que foi e continuará sendo infrutífero espalhar sua “proposta” entre os adultos, tentará renovar a presa. Só é difícil compreender como, tendo acesso tão fácil e conhecendo tão bem o YouTube, a molecada caiu tão fácil na conversa de Ciro Ferreira Gomes.
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🔴 Começa assim, depois piora

O jogo final do campeonato mundial entre Manchester City, da Inglaterra, e Fluminense, do Brasil, evidenciou a diferença entre os times europeus e brasileiros. Cheio de vícios que travam o jogo a fim de vencer quaisquer partidas por “meio a zero”, os brasileiros não sabem o que fazer quando enfrentam os campeões da ‘Champions League’.




O Fluminense era o produto da Globo. Então, era necessário envolvê-lo numa bela embalagem, encher o cliente das melhores informações edulcorantes e exibi-lo com uma propaganda convincente. Entretanto, o Manchester City não participou da estratégia global e aplicou uma goleada (4 x 0).




O narrador, os comentaristas, bem como os repórteres da Globo cometeram a “pachequice” habitual, torcendo para a equipe carioca. Isso engana, pois quem viu o jogo sabe que o Fluminense foi muito inferior. Lembrando um torcedor que ignora a realidade, o narrador exaltava uma básica posse de bola. Isso é mentiroso, trapaceia e induz ao erro quem não entende de futebol. 




No final, como prêmio de consolação, era exaltada a participação. Comemorar a oportunidade de um time brasileiro poder apanhar de um europeu é como dizer “você já é um vencedor”. A falsa euforia é desonesta, engana e mantém a mediocridade. 




Fingir contusão, se jogar no chão (Neymar “cai, cai”) e segurar o jogo, a superestimada “cera”, fizeram do Brasil “O País do futebol” e a “Pátria de chuteiras”. No entanto, o País não soube fazer a transição dos “campinhos de várzea” para as escolinhas de futebol. Essa mudança física fez com que a “malemolência”, a “malandragem” e o “jeitinho brasileiro” não fossem vistos mais como qualidade, mas, sim, como defeito.




A seleção brasileira vem encontrando o mesmo “campo minado”. Mas os subterfúgios, que sempre ajudaram o Brasil a superar os adversários, são vaiados, filmados e punidos. Os placares de 7 a 1 e 4 a 0 mostram que alguma coisa errada não está muito certa.




O time brasileiro (Fluminense) encontrou uma equipe que praticava outro esporte. Conclusão: quando nossas equipes chegam lá, comemora-se até arremesso lateral, escanteio, tiro de meta e um básico passe certo.




É o “tá ruim, mas tá bom” do futebol.
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🔴 Dito Cujo, o ditador moderno




Maduro visitou Lula. Esse papo de reunião bilateral é o que se espera de uma dupla de presidentes. No entanto, a reunião se trata de um plano, que não é de interesse de todos.




Para avaliar o nível de despotismo desse encontro, o brasileiro deu dicas de como empurrar uma narrativa. Lembrando que “narrativa” é um modo de recontar a história como convém. No caso, segundo Lula, Maduro tem que esconder a ditadura que existe na Venezuela.




Vou desfilar parte da mentira lulista que foi aplicada como narrativa: em vídeo no Youtube, Lula dá um tutorial de como mentir pelo mundo; e num clássico da cara de pau, Lula se elegeu aplicando um golpe, que eu chamo de “Conto da Picanha”. Eu poderia citar muitos exemplos, mas o charlatanismo, que para mim é evidente, seduz todas as classes sociais e níveis escolares. Isso desanima.




Um jornalista da GloboNews, enroscando a fala, conseguiu soltar um: “ditadura moderna”. Tá, a visita do ditador causou um constrangimento generalizado nos jornalistas “luloafetivos”. Choveram eufemismos, numa clara tentativa de “passar o pano”. Como a visita visava ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em busca de reais, os jornalistas contorceram-se para expelir um grande: não é bem assim. Pelo jeito, a “narrativa” lulista já está sendo disseminada no “chão da fábrica”.




Lula insiste com a tola indagação: Por que o Dólar ainda é adotado como moeda mundial? Com meus toscos conhecimentos de Economia, eu arriscaria respondê-lo: é por causa da confiança, da aceitação. Resumindo: é uma moeda forte.




As relações internacionais do Brasil são desastrosas. Na Segunda Guerra, alguns fatores nos alinharam do lado certo, contrariando o fascista Getúlio Vargas; nosso atual presidente, admirador de Getúlio, já demonstrou de que lado estaria. 




O ex-presidiário pretendia ser uma liderança local, mas só atrai caloteiros interessados na senha do cofre do BNDES. No episódio do narcopresidente venezuelano, levou bronca dos presidentes do Uruguai e Chile, Luis Alberto Lacalle Pou e Gabriel Boric, respectivamente. É mais um exemplo da liderança “megalonanica”. 




Uma coisa é certa: eu prefiro quando o Lula discursa sem ler, porque além de escaparem verdades etílicas, é muito mais divertido. Narrativa!
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🔴 A MPB é só música. Ou não




Lula desembarcou na China ao som de Ivan Lins. É assustador uma trilha sonora anunciar “um novo tempo” justamente quando Lula, que foi “coroado” recentemente, flerta com ditaduras. Como Fernando Gabeira e Educação Jorge confessaram: a luta contra a ditadura não era pela democracia, era pela ditadura do proletariado.




Eu gosto das músicas de Ivan Lins, Chico Buarque, Caetano Veloso etc. Prestar atenção na melodia, harmonia e arranjo, ou seja, na parte musical sempre me ajudou a ignorar mensagens políticas. Da mesma forma, sempre encarei mensagens cifradas, com o intuito de “driblar” a censura, como letras de relacionamentos, exaltação à natureza e outros temas abstratos. Sei que esta maneira de encarar a realidade parece ingênua, mas sempre foi um modo de enfrentar os fatos olhando para o para-brisa ao invés do retrovisor.




Infelizmente, é uma hipocrisia assistir de camarote a quem dizia “lutar” contra ditaduras e censura. A cultura “woke” expôs a pauta identitária (antirracismo, homofobia, misoginia, machismo etc) como mera demonstração de virtude. Na prática, o monopólio dessas, e outras, bandeiras foi sequestrado por um espectro político — não preciso dizer qual. Resumindo: a perseguição é implacável. Não importa o que se fala, o que importa é quem fala.




Ivan Lins nunca me decepcionou, isso só aconteceria se ele fosse um bolsonarista. Seria uma “virada de casaca” digna de um legítimo traidor. Porém, eu nunca seria tão inocente, aguardando uma postura diferente de quem exaltou  a Nicarágua do ditador Daniel Ortega.




Os artistas que gosto entregam excelente música, contudo, quando sai um discurso político, vem, quase como venda casada, uma baboseira embalada com um “portunhol” terceiro-mundista de “Che Guevara de apartamento.




Os compositores, músicos, cantores e grupos que gosto devem ser quase todos esquerdistas. Se houver mais exceções, não tiveram coragem de expor a real. Entretanto, continuarei ouvindo, mesmo que, ao invés de chamarem a polícia, eles chamem o ladrão; mesmo que o novo tempo deles seja outra ditadura.
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🔵 Mais pesado que o ar e muito velho para voar — Para o alto e avante

Aquele aparelho não inspirava nenhuma confiança. Mesmo sabendo que quaisquer alterações não deixariam muita margem de sobrevivência, afivelei o cinto de, por assim dizer, segurança. O próprio cinto lembrava o pedaço de pano que, mesmo inútil, equipava o ‘Fiat 147’ e o motor causava irritação e pavor, como o motor de uma ‘Brasília’. Esta não foi a melhor maneira de voar, muito menos pela primeira vez.




Com o tempo, nada mais me preocupava nem a abertura do meu lado, onde deveria existir uma porta, nem os comandos replicados à minha disposição. Sim, para minha surpresa, se houvesse uma traquinagem do destino, logo no meu debute aéreo, eu assumiria o cargo de comandante daquela bicicleta voadora. Mas nada poderia ser pior do que quando aquele troço decolou. A partir daí, meu único medo era o aparelho voltar, da Bolívia, carregado de drogas.




Sinceramente, não notei grande diferença entre a decolagem do ultraleve e o meu ‘Gol’ 86 pegando no tranco. Entretanto, o sonho de Ícaro foi honrado mais uma vez. O voo panorâmico numa praia de São Paulo foi sem maiores sustos. Ser o passageiro e a tripulação daquela traquitana, devido a quantidade de ítens inseguros, gerou uma analgesia e conformação, de modo que eu não via mais perigo naquele voo do que ser transportado numa garupa de motocicleta, entre os carros, na Marginal Tietê.




Eu ainda ensaiei uns “ú-hus”, porém isto não foi necessário, pois o próprio piloto, burocrático, transbordava a mesma emoção de quem empurrava um carrinho de pipocas. No fim, a maior aventura foi pagar pelo passeio. O, digamos, “comandante” apenas pilotava aquela geringonça com um motor velho porque queria o meu dinheiro. Obviamente, achei aquilo justo, afinal concordei com o, vá lá, “plano de voo”.




Conclusão, meu primeiro voo não respeitou o cerimonial necessário a algo que não é tão trivial quanto guiar um ônibus. Muito pelo contrário, se o “piloto” tivesse um mal súbito, eu assumiria o manche.




Anos depois, voando numa companhia aérea, olhando a lotação, tive fé que, se o comandante tivesse um mal súbito, a probabilidade de eu assumir o comando da aeronave era praticamente nula.












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🔵 Depois da curva




A Rodovia Fernão Dias já é ameaçadora o suficiente. De madrugada, cercados por uma serra, voltando do Sul de Minas, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã ou Socorro, aproximávamos perigosamente da possibilidade de virarmos estatística. Isso quase aconteceu quando, depois de perder o controle, cruzamos a contramão lentamente e aguardamos a colisão de um ônibus.




A mesma sorte não tiveram os integrantes de um Corsa. Logo depois de uma curva fechada, havia um automóvel capotado. A cena nos confrontou com a realidade e trouxe uma sobriedade repentina que parecia ter sido abandonada em uma daquelas cidadezinhas à beira da Fernão Dias. Aproximando do carro com as rodas viradas para o céu estrelado, nenhum sinal de vida, apenas um CD reproduzindo uma animada música da Ivete Sangalo.  A canção pedindo pra “tirar o pé do chão” gerou uma comicidade (vendo o veículo naquelas condições) ao evento, entretanto a possível tragédia recuperava a seriedade necessária. 




Somente com a movimentação e ejeção de um por um, vimos que estavam bem. E a Ivete Sangalo avisando que “levantou poeira”. Eu sempre soube, é claro,  que a cantora baiana não se referia ao acidente, contudo àquela altura, parecia que ela estava narrando musicalmente, e com um soteropolitano jeito de enxergar o mundo, os acontecimentos. Mas aquele otimismo ainda parecia um tanto quanto besta.




O alívio por constatar que estavam todos vivos e incólumes sucedeu-se por sermos tratados com uma frieza que poderia ser atribuída a assaltantes. Rebaixados a piratas do asfalto, o melhor a fazermos era dar o fora daquela curva perigosa. Com o tráfego intenso de caminhões poderíamos ser os próximos a merecer um altarzinho na beira da estrada.




O panorama composto era paradoxal demais para minha mente aceitar: a noite escura e um automóvel de ponta cabeça, sendo “animado” pela trilha sonora da cantora de trio elétrico. O acidente encontrado após a curva da rodovia parecia um capítulo de ‘Além da Imaginação’ ou ‘Arquivo X’, só faltou a musiquinha de mistério e os extraterrestres planejando uma abdução. Mesmo para um sábado à noite, aquilo já era o bastante. Partimos.
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🔴 Eleições 2022




Duda Mendonça e João Santana foram marqueteiros eficientes, mas estenderam seus conhecimentos aos escândalos de corrupção. Bolsonaro acertou quando deixou o filho, Carlos Bolsonaro, cuidar do “marketing” digital. Falando direto e com a linguagem do brasileiro de verdade, ele atingiu desde jovens (que não assistem à televisão), passando pelas “Tias do Zap”, até os idosos (que voltaram a votar).




O tempo de televisão aumentou, mas isso pouco importa. A estratégia já está sendo frequentar “podcasts” (possuem um latifúndio de tempo). Diferentemente de Lula, que apenas pisa em ambientes com plateias controladas e jornalistas de estimação, o atual presidente encara verdadeiros “papos de boteco”, sem formalidades, o mais cru “papo-reto” sem restrições e que quase sempre extrapola na descontração, dando brechas para os “mimimis”.




Bolsonaro inventou uma manifestação que só pode ser chamada por um neologismo (motociata), atrai multidões ensandecidas, como quem encontrou um “popstar” e não um político e criou uma corrente política que leva o seu nome: bolsonarismo, diferente do petismo. Tudo isso, é claro, não teria efeito, não fossem as realizações.




Flow, Cara a Tapa, “podcasts” que vêm batendo recordes de visualizações e repercussão, estão sepultando os “engessados” e autolaudatórios debates da TV aberta. O novo palanque é uma violenta catapulta para candidatos sinceros, e um porão no fundo do poço para quem, igual ao João Doria, faz cara feia ao engolir um café, tentando parecer “gente como a gente”.




O jornalista não pode querer parecer mais importante que o entrevistado ou a notícia. O sucesso do formato “podcast” é, além da informalidade, que o entrevistador não tenta desmoralizar o candidato com “pegadinhas” ou tentando falar mais alto com a finalidade de impor seu ponto de vista. 




A autenticidade de um político sendo escrutinado por horas jamais será sobrepujado por um tapinha nas costas, erguer uma criança ou entrar num boteco para arriscar-se numa coxinha,  um pastel ou um cafezinho. Sem marqueteiro, popularidade não se fabrica em ano de eleições.
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A corte do bobo ♦️

A piada até que durou bastante. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky,  é um comediante. A anedota funcionou muito na propaganda, na posse, nas aparições em público. Entretanto, a brincadeira foi longe e ele se elegeu. A pilhéria poderia render um mandato — o Tiririca está conseguindo se esconder na Câmara —, mas estourou uma guerra que exigiu um governante de verdade. Estamos testemunhando que não dá certo o bobo da corte trocar o cargo com o rei. 

Danilo Gentili conseguiria sustentar a piada até a rampa do Planalto. A primeira greve, manifestação na Paulista ou invasão do MST acabaria com a graça.

O voto de protesto — macaco Tião, rinoceronte Cacareco e o palhaço Tiririca — sempre piora a situação. No caso de um ser, digamos, pensante, como o Tiririca, políticos espertos leem as conjunturas e empurram o “voto de protesto” para “puxar” (eleger) eles mesmos.

Agora o presidente dá Ucrânia não sabe o que fazer. O sujeito está praticamente montando uma guerrilha urbana, armando qualquer um que encare segurar uma arma: civis, estrangeiros, pessoas de até 60 anos de idade. É a tática do “cada um por si” ou “bumba meu boi”. O final poderá ser trágico como na Guerra do Paraguai.

Embora autoritários, muitos dos atuais governantes são fracos, do tipo que acham que vão resolver confrontos entre nações dialogando, cantando Imagine, criando uma “hashtag” de paz ou iluminando algum monumento com as cores do país invadido. Logicamente, estou me referindo a Joe Biden, Justin Trudeau e Emmanuel Macron. Incluiria João Doria, mas ele nunca será presidente da República. Essas figuras que citei são a mais fiel tradução do que chamo de homens de geleia, dispostos a mandar vigiar, perseguir, dificultar, delatar, cancelar e anular quem ousar exercer alguma liberdade. É o sujeito que denuncia o crime hediondo abraçando a Lagoa Rodrigo de Freitas, soltando pombas, vestindo branco e gritando “agora chega”. Disfarçam-se “lacrando” e sinalizando virtude.

Enquanto o Ocidente está discutindo linguagem binária, ideologia de gênero, banheiros trans, aquecimento global e a Greta Thunberg está enfiando o dedo na cara de autoridades, a Rússia mostra que a guerra não é filme da Netflix

Foi esse o “caldo” perfeito para o macho tóxico Vladimir Putin, ex-agente da KGB, agir. Vendo que a pandemia deixou a maioria dos governantes sem saber o que fazer, Putin sabia que era só avançar.

No peito do Putin, ainda bate um coração soviético.






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