rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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The zoeira never ends ⚫️

Há muito tempo que todo corintiano carregava o peso e suportava chacotas por ser um time regional, ou seja, só ganhava o campeonato estadual. Essa maldição foi desfeita e o Corinthians ganhou 7 títulos do Campeonato Brasileiro. 

Estádio próprio: O Timão deixaria o Pacaembu (Saudosa Maloca), já que o estádio próprio estava sendo construído para a Copa do Mundo, então essa gozação não tinha mais efeito. 

Além disso, o time ganhou o Mundial de Clubes da FIFA, mas, segundo os adversários, não valeu, pois faltava a inédita Copa Libertadores. Portanto, aquela não seria uma simples viagem e aquele não era um simples jogo de futebol. Para quem carrega o pesado escudo do clube de coração, essa era a chance de encarar são-paulinos, palmeirenses, santistas e outros torcedores.

Com a narrativa perfeita, meu cunhado e eu partimos para o bar a fim de empurrar o time na conquista da Libertadores. Só que a decepção de iniciar com uma derrota começou a circular; a cerveja descendo quadrada, amarga, porém gelada (como o entusiasmo inicial) e os rivais começando a se manifestar, mantendo a escrita, numa perseguição que parecia não ter mais término. Porém, o golzinho achado no finzinho da partida manteve uma certa confiança na conquista e a garantia de algumas cervejas no próximo jogo.

O time foi melhorando, ganhando e convencendo. Jogando muito bem, chegou à final! Enfim, teríamos a oportunidade de cruzar torcedores de outras equipes sem sermos ridicularizados, pelo contrário, até alugando alguns. Essa era a grande chance de dominar essa “cadeia alimentar” que sempre foi cruel com nossos pais, avós e conosco,todos corintianos.

Para ver a final e comemorar, viajei. O dia da finalíssima (Corinthians x Boca Juniors - Arg.) estava ótimo. O chope no supermercado só confirmou o ambiente de Copa do Mundo.

Hoje, restam os palmeirenses a suportar as dores do mundo. Os grandes clubes de São Paulo têm estádio, títulos nacionais, internacionais e a Taça Libertadores da América, só falta o mundial do Palmeiras. Fica bem mais engraçado quando eles juram ter conquistado esse título em 1951.

Um dia eles ganham. Enquanto isso, a zoeira continua.
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Pode ser cômico, mesmo sendo trágico ♦️

A hipérbole da manchete “Tatuzão foi visto saindo do condomínio de Bolsonaro” não é mero exagero. Infelizmente o meme remete ao que nosso jornalismo se tornou. Relembra especificamente uma reportagem porca que o Jornal Nacional fez questão de exibir. 

Na tentativa de incriminar Jair Bolsonaro, demonstrando sintomas avançados de abstinência de verba, a Globo jogou no ar a matéria que ligaria o presidente à morte de Marielle Franco. Não deu. A estratégia não surtiu o efeito esperado, entretanto, além de desacreditar mais a “velha imprensa”, contribuiu para esse surreal meme.

João Doria, com sua sanha por ocupar a cadeira presidencial, conseguiu unir os paulistas contra o governador do próprio estado. Essa reação seria absurda se Doria fosse contido por um conselheiro amigo. Contido para não tentar destruir São Paulo ao obrigar o estado a fechar tudo e ninguém sair de casa num “lockdown” insano. Não bastasse isso, em plena pandemia “investiu” em propaganda, distribuindo dinheiro à imprensa e fez questão de aparecer sorrindo ou chorando onde existisse uma câmera fotográfica ou uma filmadora.

No dia primeiro de fevereiro ele foi obrigado a comparecer à maior reunião de equipamentos prontos para registrar seu pronunciamento diante da tragédia. Dessa vez as câmeras e microfones não eram bem-vindos.

Acelera, São Paulo! A avidez para fazer jus ao “slogan” pode ter contribuído com o acidente. Venho acompanhando as obras e realmente parecia que o “shield” (tatuzão) cumpria as ordens do governador.

A parte boa é que não houve vítimas; a cômica, são os memes, dentre eles:

— Bolsonaro fez a transposição do Rio São Francisco; Doria fez a transposição do Rio Tietê.

O principal meme é a montagem referida acima e a respectiva “reporcagem”.

Eu acreditava que João Doria seria um excelente, como ele gosta de se identificar, gestor. No entanto, ele se revelou um hábil marqueteiro de si mesmo. Foi fácil notar essas características quando ele alcançou o Palácio dos Bandeirantes. Contudo, recapitulando os calculados passos do “Aprendiz”, a farsa vem, pelo menos, desde quando ele se fantasiava de gari. Tudo que o político, constituído de plástico e cera, executa é milimetricamente medido para parecer palatável, cada gesto é pensado. Não é necessário muito “tirocínio” para notar isso.

Enfim, cada cargo público, para ele, é apenas um degrau no pau de sebo que tem como última escala a Presidência da República.


















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Gambling (jogo de azar) ♦️

A vontade da esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, Dona Santinha, continuará vigendo?  Em 1946, o Brasil proibiu os cassinos por causa de um capricho doméstico, de uma vontade da esposa do presidente do Brasil.

O jogo do bicho quase sempre fez parte da “cultura popular”; sempre tem um cassino clandestino sendo “estourado” pela Polícia Civil; bingo sempre foi atração de quermesse; jogos virtuais estão rolando, principalmente no exterior  e sendo amplamente divulgados aqui. Diariamente, vemos propagandas exibindo a palavra inglesa ‘bet’, que traduzida significa “aposta”. Esse exemplo escancara que essa atividade vem sendo explorada.

A proposta de 1991 será, finalmente, votada, mas não passará porque o falso moralismo vencerá. Eu sou a favor porque a jogatina já rola solta. A falsa moralidade, portanto hipocrisia, impede, não sabemos por quais interesses,  essa volta.

Os argumentos são fracos. Dizem que o crime organizado encontrará campo fértil para “trabalhar”. Se o crime organizado não existisse aqui, esse argumento seria válido. Além disso, o crime tem que ser combatido sempre.

Aquela história do vovô ou a vovó, viciados em jogos, gastando a aposentadoria no cassino é lenda. Quem sofre desse vício já tem que ser retirado do bingo, carteado, caça-níqueis ou pôquer clandestinos. Pelo contrário, quem está “limpando” o cartão de crédito é o pirralho que joga de tudo nos ‘sites’ com um nome seguido de “bet”.

Na verdade, não é nem tanto pela jogatina. Cada cassino faz parte de um complexo com hotel, bar, restaurante, shows etc. No Brasil, o turismo é subaproveitado. Diferente das drogas, essa liberação não será aprovada porque o “fantasma” da Dona Santinha ainda ronda os corredores do Congresso.

O jogo já está perdido, quando o Estado tem que ser o agente moralizador do cidadão.

Edmund Burke: “quanto mais freios internos nós criarmos, menos vamos precisar dos externos”.





















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Bar do Barba 🔵

Esse era o local obrigatório das saideiras — quando era cedo ou a sede permanecia — para uma noite de sábado. Frequentávamos essa espelunca por puro costume, pois a Vigilância Sanitária faria hora extra lá. O Barba era o, digamos, proprietário do empreendimento do ramo do entretenimento etílico. O atendimento era péssimo, até mesmo para a escória da sociedade. A comida, provavelmente, possuía coliformes fecais acima do permitido na lei. O pobre infeliz que aventurava-se a morder uma coxinha, contrairia uma infecção estafilocócica. A chapa para o preparo de lanches apresentava rastros de, argh, baratas. A prova do extermínio delas, era a lata de Baygon, estrategicamente posicionada.

O banheiro era, lógico, um capítulo à parte. A toalhinha de rosto, de tão usada, ficava permanentemente úmida e encardida. Essa conjuntura formava um caldo cultural perfeito para a proliferação de bactérias. A cordinha da descarga merecia um teste de carbono 14. Enfim, o, por assim dizer, “toilette” era um ambiente a ser evitado. 

O fundo do boteco era onde a mágica acontecia. Para adentrar esse espaço, você tinha que vencer uma portinha. Quem passasse para lá, se isolava do resto do mundo e era brindado com um irritante “videokê”. Esse lugar era um tipo de “bunker”, de modo que, se caísse uma bomba atômica lá fora, apenas sobreviveriam as baratas e quem ali estivesse. Nas paredes, quadros com imagens intrigantes, um pisca-pisca que mal iluminava o, vá lá, ambiente, a pretensa inscrição “Show de Luzes” e o inexplicável aviso “Ambiente Familiar”. No “videokê”, além dos péssimos cantores (inclusive eu), havia o momento Barba. Nesse episódio, o dono do duvidoso estabelecimento comercial, assassinava canções outrora belas. Ele era bovinamente aplaudido .

Esse refúgio, pessimamente frequentado, era, obviamente, um forte candidato a esconderijo de potenciais arquivos vivos. Ali, como em qualquer bar, saía uma briga generalizada de vez em quando. Mas não se podia chamar a Policia. Se qualquer autoridade visse o lugar, pediria sua interdição. 

O Bar do Barba ficava em Guarulhos, e lá, determinadas pessoas fazem a “justiça” com as próprias mãos. Essa justiça condenou o Barba. Tentaram continuar o negócio sem ele, mas não era a mesma coisa. O bar fechou.
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Pai, filho, tio, sobrinho, primo, padrinho, cunhado, amigo e Neto 🔵



O clima de veraneio talvez fizesse a notícia passar batida. Nem as cervejas, nem a caipirinha deixaram aquela afirmação diluir-se no ambiente de “casa de praia”. Alguém disse: “O Neto tá na casa do Batata.

Neto foi um dos melhores jogadores de futebol dos anos 80 e 90. Folgado, ele era do tipo boleiro, sem mi-mi-mi, estilo ‘bad boy’. O conceito do “politicamente correto” acho que nem existia. O Neto jogou no São Paulo, Palmeiras e Santos, mas foi ídolo do Corinthians. Agora,   o Craque Neto, o boato se espalhou, estava ali. Nós, corintianos fanáticos e alcoolizados, mordemos a isca.

Aquilo foi tão covarde quanto jogar um pedaço de carne envenenada a um vira-lata. Se isso era uma estratégia da mulherada para nos retirar da casa, estava surtindo efeito. Meu cunhado e eu fomos rapidamente capturados. O meu tio formou o trio disposto a encarar a estrada para conhecer o ídolo.

Saímos com um clima de ceticismo no ar, como quem estava entrando numa jornada infrutífera. Eu quis crer que partimos como ‘vikings’ a uma terra distante, sendo a última esperança para o povo. Pegamos o Fusca e caímos na estrada. O endereço era numa outra cidade do interior de São Paulo, mas era relativamente perto.

Depois de vencida a rodovia, chegamos à casa, perto duma prainha de água doce. Porém, encontramos um silêncio pós-apocalíptico, ou pandêmico, e uma casa trancada. Não existia sequer ‘lockdown’ para que houvesse alguma festa clandestina. 

De repente, o óbvio desabou como um balde d’água fria. Fomos puxados à realidade: havíamos sido enganados. A salvação seria um boteco, para a jornada não ter sido à toa e a vergonha ser menor. Alguém, provido de maior sapiência e tirocínio, suspeitou que houvesse uma movimentação, descendo a rua, numa outra casa com alguns carros na frente. Fomos lá. Chegando, logo vi um veículo com placa de Campinas. Isso era uma pista. Bingo!

A notícia das mulheres não era falsa, nós não fomos passados pra trás e, enfim, íamos conhecer o Craque Neto. Cumprimentamos o  dono da residência, o Batata, alguns presentes e um cara gordo — com físico de jogador de xadrez —, mas muito legal. Era o Neto.

A gente percorreu alguns quilômetros para conhecer o Neto; ele rodou uns 290 quilômetros para o que estava na mesa. Um prato de macarrão chamou mais a atenção do jogador aposentado.

Para quem achava o jogador corintiano, conhecido como Xodó da Fiel, marrento, não o viu jogando Truco. Para ganhar uma partida, ele até jogou na cara um golaço que marcou no Maracanã. 

Na hora de partir, à noite, eu parecia o mais sóbrio para dirigir, mas até hoje desconfio que o Fusca nos conduziu. Chegamos cheios de história pra contar, disfarçando a empolgação e a relativa tietagem ao ex-jogador de futebol do Corinthians.

Dizem que cunhado não é parente. Às vezes sim; dizem que neto é parente. Com “N” maiúsculo não.
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Hitler e seus amigos ⭕️

Ninguém faz nada que cause muito impacto, sozinho. E com Adolf Hitler não foi diferente. A série ‘Hitler’s Circle of Evil’ (O Círculo do Mal de Hitler) apresenta a trajetória das principais mentes diabólicas que ajudaram o tirano austríaco.

Círculo do mal: Joseph Goebbels, Hermann Göring, Heinrich Himmler, Reinhard Heydrich, Rudolf Hess, Martin Bormann, Albert Speer e Ernst Rohm. Estas são as figuras retratadas na série documental. Um nazista que não está nesta obra cinematográfica, mas deve ser conhecido, é o médico Josef Mengele, morto em 1979, em Bertioga, onde foi enterrado com um pseudônimo. 

A história da Segunda Guerra Mundial já é bem conhecida, pelo menos quem são os mocinhos e os bandidos. O que é desconhecida, ou retratada como piada é a participação do Brasil. A entrada do Brasil, na guerra, poderia ter sido em qualquer lado. A inclinação se deu por motivos comerciais. Getúlio Vargas tinha uma tendência ao fascismo, mas navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. Tudo se definiu, também, com o toma lá, dá cá com os Estados Unidos. Eles financiaram a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a gente permitiu a instalação de uma base militar, no Rio Grande do Norte. Feito. Em 1942 a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi ao combate, pelos Aliados. A participação brasileira foi heroica, ao invés da piada retratada. 

Há alguns anos, a cantora Anitta quis dar sua “lacrada” matinal. Num ‘tweet’, disse: “Tenho grande paixão e admiração pelo homem que matou Hitler”. Curioso, Hitler cometeu suicídio. Isso não pode ser verdade. Não é difícil se informar, em tempos de Google, antes de se mostrar pra galera. Parecer alguém que deve ser canonizado, não pode cometer erro tão grave.

Voltando à Segunda Guerra Mundial. É necessário, sempre, lembrar a que ponto pode chegar a mente humana. Hitler se juntou a outras mentes perversas, encontrou uma conjuntura ruim e um povo que caiu na propaganda e discurso nazistas. 

A frase a seguir, já foi considerada de autoria de diversas personalidades, dentre elas Winston Churchill. Por isso, citarei como autor desconhecido: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

Numa modalidade de autoafirmação, a necessidade e fraqueza de parecer ser magnânimo, gera enganos históricos. Em tempos que nazista, fascista, racista, misógino etc tornaram-se xingamentos comuns, banalizaram os termos. Têm até grupos autointitulados antifa (antifascista). 
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Rock and Roll lullaby 🔵

Até que eu curtia a Coleção Disquinho. Na verdade, era tudo o que eu conhecia. Já estava me acostumando com a estorinha da Dona Baratinha, quando meu pai saca algo muito mais legal: o LP Sorrisos e Lágrimas. Verdadeiro tesouro escondido de três pirralhos querendo descobrir o mundo e seis mãozinhas prontas para destruir tudo que se movesse, andasse, arrastasse ou voasse.

Esse disco era uma aula de “rock’ n’ roll”, havendo apenas sorrisos; lágrimas só quando ocorria algum acidente doméstico. Enquanto, nas festinhas, rolava Balão Mágico e seu inocente e bobo  Ursinho Pimpão, eu curtia The Bird’s The Word e Papa-Oom-Mow-Mow (as duas músicas mais divertidas da história), com Rivingtons; Long Tall Sally, com Little Richard; e The Letter, com The Box Tops. Quem nasce ouvindo isso está imune às 10 (“jabás” de qualquer época).

O Sorrisos e Lágrimas já era o suficiente, mas tinha muito mais de onde veio esse. Aos poucos, foram surgindo: dois compactos dos Beatles e um LP de Johnny Rivers. Little Richard inventou o “rock” e os Beatles deram outra direção. A passagem entre as canções infantis e o “rock” foi prematura e como um salto quântico. Digo mais: essa experiência é como pular da sopinha infantil Nestlė para o “whisky” Jack Daniels ou da motoquinha Bandeirante para uma motocicleta Harley-Davidson.

Só que, para quem vive em São Paulo e na Grande SP esse bom gosto musical aproxima tribos inóspitas e toda sorte de fauna urbana: “punks, darks, skin heads”, alternativos, “head bangers”, avulsos e outras coisas.

Como uma lousa velha, qualquer plataforma pode ser mais útil que um computador. A velha vitrola cumpriu sua função. O rudimentar aparelho apresentou ótimas músicas e formou um gosto musical livre de chuvas e trovoadas (ou gugus e faustões).

Paradoxalmente, sou obrigado (pelas circunstâncias) a dizer que não gosto de funk. É difícil dizer isso, sabendo que funk de verdade (não o carioca) é James Brown. 

Sertanejo Universitário é muito triste. O nome sugeriria algo como: Ortega & Gasset, Galileu & Galilei ou Costa & Silva cantam Chico Buarque. 

Voltando ao “rock”, quem diz que ele morreu está enganado. Daqui a 300 anos, Rolling Stones será escutado (não ao vivo) como Mozart ou Beethoven. Alguém diz que a música clássica morreu?

O Ministério da Saúde adverte: Spotify e Deezer, se mal usados, podem causar funk e sertanejo universitário.
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A primeira ida ao estádio 🔵

O ano era 1983, semi-final do campeonato paulista, Corinthians e Palmeiras. Meu pai combinou de ir ao estádio com amigos e encarou levar seus dois filhos. Levar eu e meu irmão para qualquer “domingo no parque”, independente de nossa idade, era como separar uma briga de cães. Mesmo assim, fomos nessa, afinal, “o futebol é a coisa mais importante, dentre as coisas menos importantes” (máxima atribuída a Nelson Rodrigues, Arrigo Sacchi ou Milton Neves).

Ficou gravada na minha memória a imagem da chegada ao Estádio do Morumbi. Aos oito anos, era a primeira vez que eu ia ao campo e a visão do gramado daria, todas as vezes, a impressão de ser a primeira. Outra conclusão que tirei, nas muitas vezes que fui a estádios, é que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo é igual qualquer obra de Oscar Niemeyer, bonito de se ver, ruim de estar.

Já na chegada, mostrando que não estava nem aí praquele lugar, meu irmão achou um relógio, que algum torcedor distraído perdeu na chegada. Se esse cara era palmeirense, não perderia só o relógio.

Assistimos ao jogo da geral (atrás do gol). Para mim, tava ótimo, enxergava bem. Para qualquer criança, como um super-herói, o goleiro se destaca. Ele usa roupa diferente, é mais arrojado, no pênalti Deus diz: agora é contigo, mermão! O goleiro era Emerson Leão, com camiseta manga longa listrada em preto e branco. No auge da Democracia Corintiana, o Leão era a dissidência no Timão. Ele, politicamente, estava em oposição a gente do naipe de Sócrates, Casagrande, Wladimir etc. Na hora de votar questões internas, era como se Jair Bolsonaro votasse nas primárias do PT. Em campo, eram correligionários, buscavam a vitória. Detalhe, estávamos vivendo os estertores do governo militar, pré manifestações  Diretas Já.

O jogo foi vencido pelo Alvinegro do Parque São Jorge. O Corinthians foi bi-campeão paulista naquele ano, ganhando o jogo final do São Paulo. Anos depois, eu faria um périplo pelos estádios da capital. Os anos noventa foram terríveis, a violência imperou, mas eu fiquei fora disso.

Depois daquele jogo, em 1983, eu tive certeza que torcia para o time certo, isso vinha de nascença. Eu achei aquele jogo excelente; meu irmão achou... um relógio.


















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Não li, mas gostei 🔴

Sempre gostei de quem chegasse chutando a porta ou mandasse às favas o rigor do politicamente correto. Portanto, eu nunca fiquei cheio de pruridos quando conheci a figura chamada Olavo de Carvalho.

Controverso, o velho filósofo, diferentemente de quando escrevia ou lecionava, usou uma linguagem rasteira (própria para a internet) para disseminar suas ideias para um grande público. Obteve êxito, atingindo mais discípulos de “A a Z” e tirando o estigma e a vergonha de uma direita calada pela “Espiral do Silêncio”.

No caso dele, um filósofo provocador, vale a máxima: “Falem mal, mas falem de mim”. Deve ter rido e apontado quando almas apodrecidas comemoraram sua morte: Olha aí, não falei! Mesmo seus detratores discutiram como será o panorama brasileiro sem o pensador que vivia nos Estados Unidos. Os pretendidos médicos legistas correram celebrar Covid-19 como causa da morte. Erraram. Segundo o médico do negacionista, as principais causas foram insuficiência cardíaca, respiratória e renal, tendo sofrido uma septicemia.

Para quem odiava-o, parece um exagero chamá-lo de filósofo e pensador. Mas, enquanto a imprensa permanecia calada, ele explicou o que era o Foro de São Paulo e vários conceitos como Espiral do Silêncio, Paralaxe Cognitiva e Estratégia das Tesouras. 

Filósofos, que eu conheci, eram professores de filosofia e que, no máximo da influência, escolhiam o sabor da pizza ou a cor do carro. O velho da Virgínia estimulou a nova direita, o que é, ironicamente, a atual contra-cultura.

Quando assistimos Lula e Alckmin se aproximando ou FHC declarando voto ao PT, surpreendentemente duvidamos. Olavo, com razão, achava que demorou. Ele já previra a relação simbiótica como a “Estratégia das Tesouras”.

Olavo de Carvalho, sim, é uma ideia. Seus leitores e alunos do curso de filosofia, COF, continuarão disseminando suas ideias, porque são mais que seguidores, são discípulos. Quem apressadamente fugiu, quando se espantou com a forma, não conheceu o conteúdo do polemista.
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Show do guru ⚫️

João de Deus (me livre), como o louva-a-deus, tinha uma estratégia de camuflagem. De aparência benévola, fingia ser “do bem” e, como o inseto, identificava a presa e surgia o predador voraz, revelando que a aparência carola e o nome “abençoado” eram só subterfúgios. Abadiânia, Goiás, onde ele dava consultas, virou uma cidade fantasma. A cidade, antes lotada, ficou às moscas com o fim do negócio. Hotéis e congêneres, restaurantes e comércio em geral fecharam com o fim da atração.

Sri Prem Baba (Janderson Fernandes de Oliveira), o bicho-grilo dos artistas, na verdade era um bicho-papão. Ele é o típico doidão que se entupiu de ácido e outros estupefacientes. Uma hora aqui, outra ali, viajando (em todos os sentidos) por lugares exóticos, seguindo vários outros falsos profetas, achou uma forma de locupletar-se disso. Os ricos e famosos, claro, compraram essa ideia. Ele foi seguido cegamente, por celebridades, políticos e empresários. A casa caiu quando descobriram que o caminho pavimentado, para ele, levava ao sexo (tântrico, para não sair do esoterismo) e dinheiro.

Rajneesh Chandra Mohan Jain, nascido Chandra Mohan Jain, também conhecido como Acharya Rajneesh, o mestre Bhagwan Shree Rajneesh ou, simplesmente, Osho, foi um controverso e arquetípico guru indiano.

Os seguidores do guru indiano compraram um rancho (64 km2) no estado do Oregon, em 1981.  Aliás, para ser seguidor era necessário bem mais que um clique. A cidade de Antelope, Oregon, até então bem pacata, tornou-se a terra prometida de uma turma de hippies. Acabara o sossego, numa cidade de “rednecks” (caipiras) muito conservadores, do tipo que vota em republicanos, ostenta a bandeira dos EUA na frente da casa e sai da sua propriedade com um rifle à menor aproximação de estranhos. Com um contingente majoritário, e até bioterrorismo, essa sociedade alternativa tentou influenciar a política da pequena cidade.

Tony Robbins é um mix de pastor, “personal trainer” e “coach”. Suas, acho que, palestras são uma mistura de culto evangélico, aula de aeróbica e palestra motivacional. O espetáculo é muito bem produzido. O termo “produzido” não é à toa, esses eventos são milimetricamente calculados. Tony escolhe um indivíduo claramente perturbado psiquicamente, o que não é difícil, pois os que ali estão pagaram caro pela consulta coletiva. Em seguida, da maneira mais constrangedora possível, ele faz a vítima, digo, o paciente expor seus mais recônditos bloqueios emocionais, perante uma multidão. O astro/guru, usando uma ultrapassada técnica de cartomante do Viaduto do Chá, diz algumas platitudes, típicas de livro de autoajuda de rodoviária. No final, a presa, digo, o paciente faz uma expressão de quem se libertou de todos os males que o afligiam, ou seja, teve a tão esperada purificação espiritual, uma música animada sobe. Eis o ápice.

O guru da vez é o “coach”. Essa figura, mistura de líder espiritual e empreendedor de palco, ensina vendedores gananciosos, fazendo-os pagarem alguns micos ou apenas orienta fiéis. Os “coachs” sabem vender livros de autoajuda e palestras. E você sai de lá gritando “ú-hú”.
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