rafaeldasilva

rafaeldasilva

Perfil
24 145 Visualizações

🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Ler poema completo

Poemas

453

Carta ao povo brasileiro 😁



Meu povo, sou acusado, injustamente, por meus opositores, de: peculato, caixa dois, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, compra de votos, falsificação de documentos, remessa ilegal de capital, fraude no imposto de renda, sonegação fiscal, evasão de divisas, uso indevido da máquina pública, desvio de verbas, desvio de merenda escolar, formação de quadrilha, golpe do baú, conto do vigário, proxenetismo, vadiagem, tráfico de drogas, violência doméstica, não pagamento de pensão, atropelamento, improbidade administrativa, apropriação indébita, enriquecimento ilícito, compras superfaturadas, recebimento de propina, contrabando, descaminho, falsificação, contrafação, roubo de carga, receptação de mercadorias roubadas, roubo, furto, estelionato, estupro, abuso de menores, corrupção de menores, atos libidinosos em local público, atentado violento ao pudor, pedofilia, extorsão mediante sequestro, latrocínio, violação de direito autoral, plágio, usurpação, dano, homicídio (triplamente qualificado), feminicídio, infanticídio, injúria racial, calúnia, difamação, crimes cibernéticos, induzimento ao suicídio, apologia do nazismo, lesão corporal, auxílio no aborto, abandono de incapaz, maus tratos, crime ambiental, omissão de socorro, atropelamento, crime contra a incolumidade pública, crime contra a saúde pública e prevaricação.

Venho, com as mãos limpas, rosto erguido e cara-de-pau, digo, e olhando nos olhos, declarar: eu sou inocente. Depois de 51 anos de vida pública limpa, luta contra a Ditadura (nos Anos de Chumbo), luta incansável pela volta da Democracia, sofro perseguição política e linchamento público jamais vistos. Minha envergadura moral é ilibada, bem como o trabalho pelo povo tem sido incansável. Forças terríveis querem me derrubar, mas não conseguirão. A história irá me absolver e meus adversários voltarão ao pântano, de onde nunca deveriam ter saído.

Isso que vêm fazendo contra a minha pessoa, na tentativa de manchar minha biografia, é um acinte, com o intuito de um assassinato de reputação. Mas não lograrão êxito. Eu confio na justiça deste país. É, principalmente, um ataque ao Estado Democrático de Direito, às instituições, à Constituição e, por que não, à democracia. O Supremo Tribunal Federal, o Congresso (Senado e Câmara), entre outras, são instituições, imprescindíveis, guardiãs da democracia.

Terminando, e não fugindo das graves acusações que fazem a fim de atingir a minha pessoa, repilo tudo. Declaro que hoje meus assessores redigirão e publicarão uma nota de repúdio. Assim que eu tiver acesso aos autos, deslocarei um corpo jurídico, composto por cinco advogados. Advogados responsáveis por livrar, digo, defender os mais notórios ladrões, digo, políticos de Brasília.

Concluindo, é injusto o que meus inimigos políticos fazem com a minha pessoa. Sempre tive uma conduta republicana, preocupado com os mais pobres, os mais humildes e a pessoa humana, de um modo geral. Forças terríveis estão à solta, mas sucumbirão perante um servidor probo.

Obs: este discurso é um exagero, caso no Brasil houvesse corruptos. Esta é  uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
94

Nobre vagabundo 🔵

Seres imaginários, habitantes de um universo paralelo, apenas quem não quer nada ou aqueles que ousam romper com a sociedade.

O Homem do Saco parecia ser tudo isso. Saído diretamente de alguma mente fértil ou de algum conto dos Irmãos Grimm, esse personagem foi inventado pelos antigos para assustar crianças. Segundo a lenda urbana, esta figura raptava as crianças, colocava num saco e sumia no mundo. Coisa leve para ameaçar o próprio filho. O andarilho estava personificado e parecia bem real, porque ele aglutinava as mazelas brasileiras numa pessoa só. Todo o temor atribuído a tão triste figura era injusto. Tinha uma barba de anos, cabelos desgrenhados e uma cor amarelada,  dos pés à cabeça, devido a uma duradoura falta de banho. Eu nunca o vi ameaçando ninguém, confesso que até me causava dó. O sujeito tinha o azar de carregar um velho saco de estopa nas costas. Isso era o suficiente para corroborar a antiga lenda, apavorando a sociedade. Ele tinha um olhar triste, mas não uma tristeza com os rumos dele e sim da Humanidade.

O  Bráz* não poderia ter o nome mais apropriado. Negro, cabelos brancos, aparência de um “Preto Velho”, carregava, como uma maldição, várias mazelas brasileiras: trabalhava o dia inteiro e, no caminho de casa, enchia a cara, ficando muito louco. Era fácil identificá-lo, lá no fim (e no meio) da rua ele vinha gritando: “ó”. Nunca o vi pronunciar outra coisa. O Bráz morreu atropelado por um ônibus no fim da rua onde eu morava. Provavelmente, ele estava no meio da rua e gritando “ó”.

Fuscão Preto, não se sabe de onde vinha, para onde ia ou o que fazia.  Um dia, ele “colou” na turminha e cantou a música “Fuscão Preto”, do Almir Rogério. Pronto, foi o suficiente para a molecada cair na gargalhada e o sujeito sair de lá batizado.

O Lokinho da Lata* era o único maluco que não era beleza. Acho que era louco patológico, do  tipo que necessitava de intervenção manicomial. Agressivo, esse cara transportava latas conseguidas não sei onde. Esse comportamento impedia qualquer aproximação, sob o risco de ser alvejado por uma embalagem de extrato de tomate Elefante ou de ervilha Jurema.

Eu me lembro de algumas figuras que tiveram uma passagem fugaz e, aparentemente, sem importância. No entanto, por mais rápida e repelente que a simples presença representava, eles geraram reflexão sobre a vida... e esta crônica.




* Bráz e Lokinho, tomei a liberdade de escrever da maneira que eu imaginei.
91

Show do guru ⚫️

João de Deus (me livre), como o louva-a-deus, tinha uma estratégia de camuflagem. De aparência benévola, fingia ser “do bem” e, como o inseto, identificava a presa e surgia o predador voraz, revelando que a aparência carola e o nome “abençoado” eram só subterfúgios. Abadiânia, Goiás, onde ele dava consultas, virou uma cidade fantasma. A cidade, antes lotada, ficou às moscas com o fim do negócio. Hotéis e congêneres, restaurantes e comércio em geral fecharam com o fim da atração.

Sri Prem Baba (Janderson Fernandes de Oliveira), o bicho-grilo dos artistas, na verdade era um bicho-papão. Ele é o típico doidão que se entupiu de ácido e outros estupefacientes. Uma hora aqui, outra ali, viajando (em todos os sentidos) por lugares exóticos, seguindo vários outros falsos profetas, achou uma forma de locupletar-se disso. Os ricos e famosos, claro, compraram essa ideia. Ele foi seguido cegamente, por celebridades, políticos e empresários. A casa caiu quando descobriram que o caminho pavimentado, para ele, levava ao sexo (tântrico, para não sair do esoterismo) e dinheiro.

Rajneesh Chandra Mohan Jain, nascido Chandra Mohan Jain, também conhecido como Acharya Rajneesh, o mestre Bhagwan Shree Rajneesh ou, simplesmente, Osho, foi um controverso e arquetípico guru indiano.

Os seguidores do guru indiano compraram um rancho (64 km2) no estado do Oregon, em 1981.  Aliás, para ser seguidor era necessário bem mais que um clique. A cidade de Antelope, Oregon, até então bem pacata, tornou-se a terra prometida de uma turma de hippies. Acabara o sossego, numa cidade de “rednecks” (caipiras) muito conservadores, do tipo que vota em republicanos, ostenta a bandeira dos EUA na frente da casa e sai da sua propriedade com um rifle à menor aproximação de estranhos. Com um contingente majoritário, e até bioterrorismo, essa sociedade alternativa tentou influenciar a política da pequena cidade.

Tony Robbins é um mix de pastor, “personal trainer” e “coach”. Suas, acho que, palestras são uma mistura de culto evangélico, aula de aeróbica e palestra motivacional. O espetáculo é muito bem produzido. O termo “produzido” não é à toa, esses eventos são milimetricamente calculados. Tony escolhe um indivíduo claramente perturbado psiquicamente, o que não é difícil, pois os que ali estão pagaram caro pela consulta coletiva. Em seguida, da maneira mais constrangedora possível, ele faz a vítima, digo, o paciente expor seus mais recônditos bloqueios emocionais, perante uma multidão. O astro/guru, usando uma ultrapassada técnica de cartomante do Viaduto do Chá, diz algumas platitudes, típicas de livro de autoajuda de rodoviária. No final, a presa, digo, o paciente faz uma expressão de quem se libertou de todos os males que o afligiam, ou seja, teve a tão esperada purificação espiritual, uma música animada sobe. Eis o ápice.

O guru da vez é o “coach”. Essa figura, mistura de líder espiritual e empreendedor de palco, ensina vendedores gananciosos, fazendo-os pagarem alguns micos ou apenas orienta fiéis. Os “coachs” sabem vender livros de autoajuda e palestras. E você sai de lá gritando “ú-hú”.
132

Pode ser cômico, mesmo sendo trágico ♦️

A hipérbole da manchete “Tatuzão foi visto saindo do condomínio de Bolsonaro” não é mero exagero. Infelizmente o meme remete ao que nosso jornalismo se tornou. Relembra especificamente uma reportagem porca que o Jornal Nacional fez questão de exibir. 

Na tentativa de incriminar Jair Bolsonaro, demonstrando sintomas avançados de abstinência de verba, a Globo jogou no ar a matéria que ligaria o presidente à morte de Marielle Franco. Não deu. A estratégia não surtiu o efeito esperado, entretanto, além de desacreditar mais a “velha imprensa”, contribuiu para esse surreal meme.

João Doria, com sua sanha por ocupar a cadeira presidencial, conseguiu unir os paulistas contra o governador do próprio estado. Essa reação seria absurda se Doria fosse contido por um conselheiro amigo. Contido para não tentar destruir São Paulo ao obrigar o estado a fechar tudo e ninguém sair de casa num “lockdown” insano. Não bastasse isso, em plena pandemia “investiu” em propaganda, distribuindo dinheiro à imprensa e fez questão de aparecer sorrindo ou chorando onde existisse uma câmera fotográfica ou uma filmadora.

No dia primeiro de fevereiro ele foi obrigado a comparecer à maior reunião de equipamentos prontos para registrar seu pronunciamento diante da tragédia. Dessa vez as câmeras e microfones não eram bem-vindos.

Acelera, São Paulo! A avidez para fazer jus ao “slogan” pode ter contribuído com o acidente. Venho acompanhando as obras e realmente parecia que o “shield” (tatuzão) cumpria as ordens do governador.

A parte boa é que não houve vítimas; a cômica, são os memes, dentre eles:

— Bolsonaro fez a transposição do Rio São Francisco; Doria fez a transposição do Rio Tietê.

O principal meme é a montagem referida acima e a respectiva “reporcagem”.

Eu acreditava que João Doria seria um excelente, como ele gosta de se identificar, gestor. No entanto, ele se revelou um hábil marqueteiro de si mesmo. Foi fácil notar essas características quando ele alcançou o Palácio dos Bandeirantes. Contudo, recapitulando os calculados passos do “Aprendiz”, a farsa vem, pelo menos, desde quando ele se fantasiava de gari. Tudo que o político, constituído de plástico e cera, executa é milimetricamente medido para parecer palatável, cada gesto é pensado. Não é necessário muito “tirocínio” para notar isso.

Enfim, cada cargo público, para ele, é apenas um degrau no pau de sebo que tem como última escala a Presidência da República.


















67

Fake books ♦️


Os cuidados para não transmitir a covid-19 proliferaram as intermináveis “lives”.  Muitos comportamentos que antes não saíam de casa foram revelados. Numa audiência pública do estado do Amazonas, um desembargador nos brindou com um incidente hilário.

O desembargador Yedo Simões, do Tribunal de Justiça de Amazonas, equilibrou mal o cenário de estante com farta biblioteca atrás da cadeira. O acontecimento revelou muito mais que apenas uma coleção de livros falsa ou de “Facebook”. A queda levou junto uma ilibada reputação e notório saber jurídico.

Sei que exagerei no “diagnóstico” de uma simples biblioteca decorativa. Mas, observando estilos de vida “pra inglês ver”, recomendo o “chroma key”. O “Facebook” me ensinou que é possível aparecer com a Torre Eiffel ao fundo ou o Museu do Louvre; também pode-se posar em frente ao Coliseu ou à Torre de Pisa; vários optam pelas Pirâmides do Egito ou o Cristo Redentor. O cenário pode não ser tão icônico, embora cumpra o seu papel ao ilustrar quão o personagem da imagem é viajado, então a simulação pode ser feita com a “Time Square” ou o “skyline” de Nova York.

O inesperado episódio exemplifica quanto o brasileiro ainda valoriza parecer que lê ao invés de realmente ler. Tenho a suspeita de que o desembargador leu e lê muito, mas fez-se necessário exibir uma biblioteca de dar inveja, mesmo que irreal. Se a falcatrua “colasse, como todo vício, no futuro, o plano de fundo seria composto por algo parecido com a Biblioteca de Alexandria.

Não sei se o desembargador teve o cuidado de caprichar na composição da coleção literária, contratando uma curadoria especializada nos clássicos. Mesmo sem o devido cuidado, a trapalhada já é um clássico da desfaçatez. 

Bem melhor seria se o magistrado resolvesse divulgar a velha coleção da Playboy, os gibis da Turma da Mônica, uma coleção de bonecos ou suas “grafic novels” de super-heróis. Nerd sim, farsante nunca.

Conclusão, durante a sessão virtual, a biblioteca também era virtual.
76

Inseto Insípido




Mas que coisa mais escrota

Esse monte de inseto

Que invade minha casa

Desde o solo, até o teto 




O maldito é equipado 

Com antena, coisa imunda

O pior é o vaga-lume

Que tem lâmpada na bunda




Tem besouro, pernilongo 

E barata voadora 

Só acaba minha agonia 

É na palha da vassoura 




Depois de uma chinelada 

A barata sai com vida,

Com as vísceras expostas,

Para um resto de comida




(Refrão)

| Naftalina, aletrina, fenotrina e efedrina 

| Quanto mais veneno solta,                    

| Bem maior o bicho volta                       

|                                                                

| É Matox, Baratox, Venenox e Rodox

| Se o veneno for Baygon, 

| Bicho acha muito bom







Eu achava esses “bichinho”

Pra saúde, bem nocivo 

Mas agora, “tô” pensando

Pode ser bem nutritivo 




Que a lesma seja frita 

E a barata torradinha

A aranha bem assada

E o besouro na casquinha 




Antes era um problema 

Hoje é uma solução 

Eu preparo meu banquete

Mando tudo pro fogão




Quando bate aquela fome 

Só existe uma saída 

Todo tipo de inseto 

Num bom prato de comida 




(Refrão)
93

Gambling (jogo de azar) ♦️

A vontade da esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, Dona Santinha, continuará vigendo?  Em 1946, o Brasil proibiu os cassinos por causa de um capricho doméstico, de uma vontade da esposa do presidente do Brasil.

O jogo do bicho quase sempre fez parte da “cultura popular”; sempre tem um cassino clandestino sendo “estourado” pela Polícia Civil; bingo sempre foi atração de quermesse; jogos virtuais estão rolando, principalmente no exterior  e sendo amplamente divulgados aqui. Diariamente, vemos propagandas exibindo a palavra inglesa ‘bet’, que traduzida significa “aposta”. Esse exemplo escancara que essa atividade vem sendo explorada.

A proposta de 1991 será, finalmente, votada, mas não passará porque o falso moralismo vencerá. Eu sou a favor porque a jogatina já rola solta. A falsa moralidade, portanto hipocrisia, impede, não sabemos por quais interesses,  essa volta.

Os argumentos são fracos. Dizem que o crime organizado encontrará campo fértil para “trabalhar”. Se o crime organizado não existisse aqui, esse argumento seria válido. Além disso, o crime tem que ser combatido sempre.

Aquela história do vovô ou a vovó, viciados em jogos, gastando a aposentadoria no cassino é lenda. Quem sofre desse vício já tem que ser retirado do bingo, carteado, caça-níqueis ou pôquer clandestinos. Pelo contrário, quem está “limpando” o cartão de crédito é o pirralho que joga de tudo nos ‘sites’ com um nome seguido de “bet”.

Na verdade, não é nem tanto pela jogatina. Cada cassino faz parte de um complexo com hotel, bar, restaurante, shows etc. No Brasil, o turismo é subaproveitado. Diferente das drogas, essa liberação não será aprovada porque o “fantasma” da Dona Santinha ainda ronda os corredores do Congresso.

O jogo já está perdido, quando o Estado tem que ser o agente moralizador do cidadão.

Edmund Burke: “quanto mais freios internos nós criarmos, menos vamos precisar dos externos”.





















109

Pai, filho, tio, sobrinho, primo, padrinho, cunhado, amigo e Neto 🔵



O clima de veraneio talvez fizesse a notícia passar batida. Nem as cervejas, nem a caipirinha deixaram aquela afirmação diluir-se no ambiente de “casa de praia”. Alguém disse: “O Neto tá na casa do Batata.

Neto foi um dos melhores jogadores de futebol dos anos 80 e 90. Folgado, ele era do tipo boleiro, sem mi-mi-mi, estilo ‘bad boy’. O conceito do “politicamente correto” acho que nem existia. O Neto jogou no São Paulo, Palmeiras e Santos, mas foi ídolo do Corinthians. Agora,   o Craque Neto, o boato se espalhou, estava ali. Nós, corintianos fanáticos e alcoolizados, mordemos a isca.

Aquilo foi tão covarde quanto jogar um pedaço de carne envenenada a um vira-lata. Se isso era uma estratégia da mulherada para nos retirar da casa, estava surtindo efeito. Meu cunhado e eu fomos rapidamente capturados. O meu tio formou o trio disposto a encarar a estrada para conhecer o ídolo.

Saímos com um clima de ceticismo no ar, como quem estava entrando numa jornada infrutífera. Eu quis crer que partimos como ‘vikings’ a uma terra distante, sendo a última esperança para o povo. Pegamos o Fusca e caímos na estrada. O endereço era numa outra cidade do interior de São Paulo, mas era relativamente perto.

Depois de vencida a rodovia, chegamos à casa, perto duma prainha de água doce. Porém, encontramos um silêncio pós-apocalíptico, ou pandêmico, e uma casa trancada. Não existia sequer ‘lockdown’ para que houvesse alguma festa clandestina. 

De repente, o óbvio desabou como um balde d’água fria. Fomos puxados à realidade: havíamos sido enganados. A salvação seria um boteco, para a jornada não ter sido à toa e a vergonha ser menor. Alguém, provido de maior sapiência e tirocínio, suspeitou que houvesse uma movimentação, descendo a rua, numa outra casa com alguns carros na frente. Fomos lá. Chegando, logo vi um veículo com placa de Campinas. Isso era uma pista. Bingo!

A notícia das mulheres não era falsa, nós não fomos passados pra trás e, enfim, íamos conhecer o Craque Neto. Cumprimentamos o  dono da residência, o Batata, alguns presentes e um cara gordo — com físico de jogador de xadrez —, mas muito legal. Era o Neto.

A gente percorreu alguns quilômetros para conhecer o Neto; ele rodou uns 290 quilômetros para o que estava na mesa. Um prato de macarrão chamou mais a atenção do jogador aposentado.

Para quem achava o jogador corintiano, conhecido como Xodó da Fiel, marrento, não o viu jogando Truco. Para ganhar uma partida, ele até jogou na cara um golaço que marcou no Maracanã. 

Na hora de partir, à noite, eu parecia o mais sóbrio para dirigir, mas até hoje desconfio que o Fusca nos conduziu. Chegamos cheios de história pra contar, disfarçando a empolgação e a relativa tietagem ao ex-jogador de futebol do Corinthians.

Dizem que cunhado não é parente. Às vezes sim; dizem que neto é parente. Com “N” maiúsculo não.
252

A primeira ida ao estádio 🔵

O ano era 1983, semi-final do campeonato paulista, Corinthians e Palmeiras. Meu pai combinou de ir ao estádio com amigos e encarou levar seus dois filhos. Levar eu e meu irmão para qualquer “domingo no parque”, independente de nossa idade, era como separar uma briga de cães. Mesmo assim, fomos nessa, afinal, “o futebol é a coisa mais importante, dentre as coisas menos importantes” (máxima atribuída a Nelson Rodrigues, Arrigo Sacchi ou Milton Neves).

Ficou gravada na minha memória a imagem da chegada ao Estádio do Morumbi. Aos oito anos, era a primeira vez que eu ia ao campo e a visão do gramado daria, todas as vezes, a impressão de ser a primeira. Outra conclusão que tirei, nas muitas vezes que fui a estádios, é que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo é igual qualquer obra de Oscar Niemeyer, bonito de se ver, ruim de estar.

Já na chegada, mostrando que não estava nem aí praquele lugar, meu irmão achou um relógio, que algum torcedor distraído perdeu na chegada. Se esse cara era palmeirense, não perderia só o relógio.

Assistimos ao jogo da geral (atrás do gol). Para mim, tava ótimo, enxergava bem. Para qualquer criança, como um super-herói, o goleiro se destaca. Ele usa roupa diferente, é mais arrojado, no pênalti Deus diz: agora é contigo, mermão! O goleiro era Emerson Leão, com camiseta manga longa listrada em preto e branco. No auge da Democracia Corintiana, o Leão era a dissidência no Timão. Ele, politicamente, estava em oposição a gente do naipe de Sócrates, Casagrande, Wladimir etc. Na hora de votar questões internas, era como se Jair Bolsonaro votasse nas primárias do PT. Em campo, eram correligionários, buscavam a vitória. Detalhe, estávamos vivendo os estertores do governo militar, pré manifestações  Diretas Já.

O jogo foi vencido pelo Alvinegro do Parque São Jorge. O Corinthians foi bi-campeão paulista naquele ano, ganhando o jogo final do São Paulo. Anos depois, eu faria um périplo pelos estádios da capital. Os anos noventa foram terríveis, a violência imperou, mas eu fiquei fora disso.

Depois daquele jogo, em 1983, eu tive certeza que torcia para o time certo, isso vinha de nascença. Eu achei aquele jogo excelente; meu irmão achou... um relógio.


















136

Pedro, apenas mais um youtuber?⚫️

Abri um vídeo de Pedro Rodrigues Filho no YouTube, onde ele tem um canal. Prestei muita atenção no que ele dizia. Eram basicamente conselhos de um senhorzinho, do alto de sua sabedoria de vida, que acumulou nos 65  anos de sobrevivência. Ele tem a voz fraquejada, meio chorosa, própria de quem levou muitas caneladas da vida, por isso, conhece seus atalhos.

Quem é Pedro Rodrigues Filho? Trata-se de Pedrinho Matador, lendário ‘serial killer’, egresso do sistema prisional,  onde ficou privado do convívio social por 42 anos, somadas as idas e vindas,  por mais de cem assassinatos  (auto-imputados ). Embora tenha sido condenado em 128 anos, no Brasil, a reclusão é de, no máximo, 30 anos. Pedro fez por merecer isso, ficando preso mais tempo, fazendo um “turismo carcerário”, tendo passado, também (lógico), pelo manicômio judiciário. Segundo ele, na cadeia, antigamente “o bagúio era lôco”. Ele é, no Brasil, quem mais matou e ficou preso.

Pedrinho falhou em sua primeira tentativa de assassinato. Aos 13 anos, após um desentendimento, empurrou um primo mais velho num moedor de cana! Resumindo muito, começou a matar aos 14 anos e pegou gosto pela coisa, cometendo, também outros tipos de crimes e homicídios dentro de cadeias. O maior destaque, foi quando mastigou parte do coração de seu  próprio pai, depois de matá-lo por vingança pela morte de sua mãe. Segundo ele, só matou quem mereceu. 

Em seu canal, no YouTube, o velho Pedro dá conselhos para a  molecada não entrar pro mundo do crime. Ele, no mínimo, conhece bem esse mundo. Ele chega a dizer, “o crime não é mais como antigamente”, como se antes houvesse ética. Até ele acha que essa gurizada está “abusada”. Pedrinho Ex-Matador (como está sendo chamado), ficou recluso de 1973 a 2007 e 2011 a 2018. Quando foi trancado, o mundo era analógico, não havia internet; quando saiu, encontrou um admirável mundo novo, digital.

Agora, em 2019, ele está tendo que suportar os ‘haters’ (aqueles que odeiam tudo e todos, na internet) e os ‘hackers’ (os criminosos que invadem outros computadores conectados à rede). Recentemente, ele teve muitos inscritos “roubados” de seu canal no YouTube. Ele está bem integrado aos novos tempos, pois ficou muito indignado com o furto virtual.

Além do canal no YouTube, onde conta suas peripécias e espalha conselhos à humanidade, Pedro lançou um livro, logo terá um documentário, um tal de MC Duplex gravou o rap “Pedrinho Ex-Matador” e deve haver outros badulaques. Pedrinho é cult, Pedrinho é pop. 

O ilustre Ex-Matador reclamou do furto de milhares de inscritos do seu canal. Ele disse; “Você, que fez essa maldade, não tem coração?” Esse interesse por coração gera conotação dúbia. Quem furtou os seguidores do Pedrinho, devolva. Você  não sabe com quem está mexendo. O perigo é se ele resolver te seguir.












137

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.