Lista de Poemas
Melhor fantasia ♦️
Apesar de contrariar seus irmãos ideológicos do Catraca Livre, a ativista Txai Suruí apanhou sua fantasia de índia — que pareceu ter sido adquirida numa lojinha de mágica da Rua 25 de Março — e correu para a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP26), na Escócia. Quem pagou? Certamente, alguma alma caridosa, que, querendo o bem comum, já havia patrocinado Adélio Bispo.
A narrativa do Aquecimento Global estava colando, até que começou a esfriar muito, inclusive nevar onde nunca havia ocorrido o fenômeno. Ficou mais fácil e abrangente empurrar a expressão “mudanças climáticas”. Isso pegou mais fácil que a expressão inédita que disseram ser a mais dita em 2016: “pós-verdade”.
Mas o tema aqui é, na verdade, carnaval. A militante “indígena”, Txai Suruí, ganharia, no Hotel Glória, em originalidade, desbancando o saudoso Clóvis Bornay (eterno “hors concours”). A nossa índia, que parecia uma folclórica dançarina da Banda Carrapicho, estava pronta para falar o que a oposição precisava para tentar voltar ao poder. E a menina cumpriu a função a contento, “desceu a lenha” no Brasil.
Índios brasileiros estão sendo acionados por ONGs socialistas para reivindicar terras ou apenas atrapalhar políticos mais à direita. Nessas ocasiões, eles apanham um belo cocar de esplendor multicolorido, se cobrem com penas e se armam com arco e flecha e partem para o desfile. Alguns simulacros de autóctones não se dão ao trabalho nem de esconder o calção de futebol e a bicicleta.
A nossa índia tipo exportação cometeu um ato paradoxal: espinafrou o País, mas, também, promoveu nosso turismo no melhor estilo anos 80. Raoní, Txai ou qualquer silvícola da vez, para os europeus, não passam de figuras exóticas. A ONU adora ver o bom selvagem (do Novo Mundo) frequentando nobres palácios na Europa, isso cria um impacto antropológico (o ancestral e o atual). A nobreza europeia adora um indígena de cocar e paletó. Desse jeito, os gringos continuarão pensando que aqui tem jacarés e macacos na rua.
A oposição e o Velho Continente já decidiram: esse ano tem Carnaval e o prêmio vai para Txai Suruí.
A narrativa do Aquecimento Global estava colando, até que começou a esfriar muito, inclusive nevar onde nunca havia ocorrido o fenômeno. Ficou mais fácil e abrangente empurrar a expressão “mudanças climáticas”. Isso pegou mais fácil que a expressão inédita que disseram ser a mais dita em 2016: “pós-verdade”.
Mas o tema aqui é, na verdade, carnaval. A militante “indígena”, Txai Suruí, ganharia, no Hotel Glória, em originalidade, desbancando o saudoso Clóvis Bornay (eterno “hors concours”). A nossa índia, que parecia uma folclórica dançarina da Banda Carrapicho, estava pronta para falar o que a oposição precisava para tentar voltar ao poder. E a menina cumpriu a função a contento, “desceu a lenha” no Brasil.
Índios brasileiros estão sendo acionados por ONGs socialistas para reivindicar terras ou apenas atrapalhar políticos mais à direita. Nessas ocasiões, eles apanham um belo cocar de esplendor multicolorido, se cobrem com penas e se armam com arco e flecha e partem para o desfile. Alguns simulacros de autóctones não se dão ao trabalho nem de esconder o calção de futebol e a bicicleta.
A nossa índia tipo exportação cometeu um ato paradoxal: espinafrou o País, mas, também, promoveu nosso turismo no melhor estilo anos 80. Raoní, Txai ou qualquer silvícola da vez, para os europeus, não passam de figuras exóticas. A ONU adora ver o bom selvagem (do Novo Mundo) frequentando nobres palácios na Europa, isso cria um impacto antropológico (o ancestral e o atual). A nobreza europeia adora um indígena de cocar e paletó. Desse jeito, os gringos continuarão pensando que aqui tem jacarés e macacos na rua.
A oposição e o Velho Continente já decidiram: esse ano tem Carnaval e o prêmio vai para Txai Suruí.
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Gaiatos num caiaque 🔵
Alguns acontecimentos desafiam a sobrevivência. Algumas pessoas foram vítimas da minha insanidade e desapego à vida, às vezes o contrário.
Meu cunhado, infectado por minha quase nula avaliação do perigo, embarcou num caiaque duplo condenado ao naufrágio, quase um novo Titanic sem violinistas. Na praia de Bombinhas, Santa Catarina, saímos na malfadada e precária embarcação.
Na saída, quase atropelamos alguns inocentes banhistas, posando para uma pretensa fotografia histórica. Mas tudo bem, as iminentes vítimas foram desviando daqueles dois malucos num desenfreado bote. Assim, conseguimos singrar o ameaçador oceano.
Não contentes em dar uma voltinha, ali na costa, fomos até uma prainha, e outra, e outra... Como disse Fernando Vannucci: “A África é logo ali”. Podíamos até descobrir um novo continente e batizá-lo, até mesmo encontrar, numa terra distante, criaturas fantásticas ou bestas mitológicas. Mas isso é coisa da imaginação de Júlio Verne, encontramos nem sequer um barco do Greenpeace ou a Greta Thunberg. A praia estava muito longe e, como aconselharia Jacques Cousteau, o bom senso obrigou a volta.
No retorno, uma tempestade ameaçou adernar nossa única salvação. Na verdade, nem chovia, nosso infortúnio era provocado por uma imprevista corrente de vento que levantava uma quantidade atlântica, e concentrada em nós, de gotículas de água marinha. Além disso, a força da água impedia o efeito da remada. Em “alto-mar”, numa situação desesperadora, sem astrolábio, sextante, carta náutica, telescópio, rádio, comida, água dessalinizada, kit de primeiros socorros ou alguém que nos guiasse pelas estrelas, tínhamos que regressar.
As correntes marítimas do sul nos devolveram à terra. Ou, simplesmente, o oceano nos expulsou, de suas turbulentas águas, por absoluta imperícia. Chegamos à areia, com a imponência dos navegadores Pedro Álvares Cabral e Cristóvão Colombo, depois de vencermos o terrível oceano Atlântico e seus imprevistos. Mas fomos recebidos com indiferença e, até, desprezo, como dois malucos que se arriscaram “por mares nunca dantes navegados”. Tamanha humilhação e opróbrio faziam de todos indignos da saudação de dois verdadeiros heróis. Somente Ernest Hemingway para reconhecer a vitória do Homem contra a Natureza.
Quando chegamos, pra variar, os banhistas tiveram que, mais uma vez, sair da frente, para terminarmos essa inédita aventura com um atribulado desembarque.
Conclusão: para nós, uma epopeia; para a Humanidade, apenas dois imbecis num caiaque.
Meu cunhado, infectado por minha quase nula avaliação do perigo, embarcou num caiaque duplo condenado ao naufrágio, quase um novo Titanic sem violinistas. Na praia de Bombinhas, Santa Catarina, saímos na malfadada e precária embarcação.
Na saída, quase atropelamos alguns inocentes banhistas, posando para uma pretensa fotografia histórica. Mas tudo bem, as iminentes vítimas foram desviando daqueles dois malucos num desenfreado bote. Assim, conseguimos singrar o ameaçador oceano.
Não contentes em dar uma voltinha, ali na costa, fomos até uma prainha, e outra, e outra... Como disse Fernando Vannucci: “A África é logo ali”. Podíamos até descobrir um novo continente e batizá-lo, até mesmo encontrar, numa terra distante, criaturas fantásticas ou bestas mitológicas. Mas isso é coisa da imaginação de Júlio Verne, encontramos nem sequer um barco do Greenpeace ou a Greta Thunberg. A praia estava muito longe e, como aconselharia Jacques Cousteau, o bom senso obrigou a volta.
No retorno, uma tempestade ameaçou adernar nossa única salvação. Na verdade, nem chovia, nosso infortúnio era provocado por uma imprevista corrente de vento que levantava uma quantidade atlântica, e concentrada em nós, de gotículas de água marinha. Além disso, a força da água impedia o efeito da remada. Em “alto-mar”, numa situação desesperadora, sem astrolábio, sextante, carta náutica, telescópio, rádio, comida, água dessalinizada, kit de primeiros socorros ou alguém que nos guiasse pelas estrelas, tínhamos que regressar.
As correntes marítimas do sul nos devolveram à terra. Ou, simplesmente, o oceano nos expulsou, de suas turbulentas águas, por absoluta imperícia. Chegamos à areia, com a imponência dos navegadores Pedro Álvares Cabral e Cristóvão Colombo, depois de vencermos o terrível oceano Atlântico e seus imprevistos. Mas fomos recebidos com indiferença e, até, desprezo, como dois malucos que se arriscaram “por mares nunca dantes navegados”. Tamanha humilhação e opróbrio faziam de todos indignos da saudação de dois verdadeiros heróis. Somente Ernest Hemingway para reconhecer a vitória do Homem contra a Natureza.
Quando chegamos, pra variar, os banhistas tiveram que, mais uma vez, sair da frente, para terminarmos essa inédita aventura com um atribulado desembarque.
Conclusão: para nós, uma epopeia; para a Humanidade, apenas dois imbecis num caiaque.
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Simplesmente Beavis 🔵
Estávamos em cinco, voltando da Broadway - não de Nova York, mas sim a casa noturna da região da Barra Funda. Um silêncio absoluto, parecido com o Beavis. O Beavis só se manifestava quando estava revoltado com alguma coisa ou quando precisava destruir algo. Eu escrevi “precisava” porque ele, apesar de viver num silêncio existencial, não consultava ninguém, simplesmente fazia o que desse na cabeça. E nunca vinha ideia edificante. Sempre terminava com prejuízo e o revertério era isonômico e democrático, pois era repartido entre todos.
Foi assim, nessa noite. O ‘hot dog’ da porta da Broadway já era passado, bem como a euforia da balada, só restava o relativo silêncio de uma São Paulo que não dorme, mas diminui o ritmo. Algumas sirenes e buzinas interrompem a impressão que a cidade descansa. Entramos no terminal rodoviário, que servia de caminho para o Metrô. Faltava pouco para os trens começarem a circular.
De repente, um estrondo breve, mas ensurdecedor, feriu o silêncio inebriante da noite paulistana. Só poderia ser uma pessoa: o Beavis! Na principal maneira dele demonstrar seu patológico e crônico descontentamento com o mundo, meu amigo calado quebrou sua costumeira quietude. Fez a única coisa que julgou ser possível para ser notado e ouvido pela sociedade. Parecia que a sociedade mais uma vez ignorou o Beavis, mesmo tendo se comunicado por meio de uma ruidosa destruição. Os amigos apenas reclamaram e seguiram ensimesmados.
Subindo a escada em zigue-zague para a estação, o clique de um revólver sendo engatilhado nos recebeu. No fim da escada, um segurança nos esperava. Um dos meus amigos ameaçou uma meia-volta impulsiva, mas foi rapidamente dissuadido pela mira do revólver. Como assaltantes de banco, fomos, em fila indiana e sem muita gentileza, conduzidos para, provavelmente, sermos “eliminados” e “desovados” em alguma “bocada”. O segurança pensou que ganhou a tediosa madrugada. A decepção veio quando, depois do interrogatório, descobriu que ninguém pertencia ao Primeiro Comando da Capital (PCC), “O que ele pensou ser a facção que atua dentro e fora dos presídios”, era apenas um bando de moleques insones e inconsequentes. Houve algum bate-boca e os ânimos exaltaram-se, mas logo a poeira baixou e o segurança se prontificou a “servir e proteger”.
Toda vez que o Beavis estava mais quieto que o habitual, já sabíamos: era iminente uma encrenca inversamente proporcional à quietude do meu explosivo amigo. Tenho certeza, ouvirei falar dele quando encontrarem uma bomba num shopping ou alguém invadir uma escola armado com uma metralhadora e granadas.
Concluindo: o Beavis jogou para o alto uma placa de trânsito. Apesar do intuito, para ele não parecia haver sentido.
Foi assim, nessa noite. O ‘hot dog’ da porta da Broadway já era passado, bem como a euforia da balada, só restava o relativo silêncio de uma São Paulo que não dorme, mas diminui o ritmo. Algumas sirenes e buzinas interrompem a impressão que a cidade descansa. Entramos no terminal rodoviário, que servia de caminho para o Metrô. Faltava pouco para os trens começarem a circular.
De repente, um estrondo breve, mas ensurdecedor, feriu o silêncio inebriante da noite paulistana. Só poderia ser uma pessoa: o Beavis! Na principal maneira dele demonstrar seu patológico e crônico descontentamento com o mundo, meu amigo calado quebrou sua costumeira quietude. Fez a única coisa que julgou ser possível para ser notado e ouvido pela sociedade. Parecia que a sociedade mais uma vez ignorou o Beavis, mesmo tendo se comunicado por meio de uma ruidosa destruição. Os amigos apenas reclamaram e seguiram ensimesmados.
Subindo a escada em zigue-zague para a estação, o clique de um revólver sendo engatilhado nos recebeu. No fim da escada, um segurança nos esperava. Um dos meus amigos ameaçou uma meia-volta impulsiva, mas foi rapidamente dissuadido pela mira do revólver. Como assaltantes de banco, fomos, em fila indiana e sem muita gentileza, conduzidos para, provavelmente, sermos “eliminados” e “desovados” em alguma “bocada”. O segurança pensou que ganhou a tediosa madrugada. A decepção veio quando, depois do interrogatório, descobriu que ninguém pertencia ao Primeiro Comando da Capital (PCC), “O que ele pensou ser a facção que atua dentro e fora dos presídios”, era apenas um bando de moleques insones e inconsequentes. Houve algum bate-boca e os ânimos exaltaram-se, mas logo a poeira baixou e o segurança se prontificou a “servir e proteger”.
Toda vez que o Beavis estava mais quieto que o habitual, já sabíamos: era iminente uma encrenca inversamente proporcional à quietude do meu explosivo amigo. Tenho certeza, ouvirei falar dele quando encontrarem uma bomba num shopping ou alguém invadir uma escola armado com uma metralhadora e granadas.
Concluindo: o Beavis jogou para o alto uma placa de trânsito. Apesar do intuito, para ele não parecia haver sentido.
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Quitutes 🔵
Talvez fosse a menor confraria/sociedade secreta do mundo. Como era tradição, meu cunhado (sempre ele) e eu fomos beber umas cervejas num inofensivo boteco pé-sujo afastado da cidade. Às vezes, vamos parar em um empório. Na minha observação de turista, esse tipo de estabelecimento é até mais a cara do interior, autêntico. O empório é muito pitoresco porque vende de defensivo agrícola a alimentos.
Foi quando ela surgiu. Como o som de um LP riscando, uma irritante microfonia ou um espelho quebrando, a... moça, interrompendo a conversa, ofereceu seus atributos femininos, como se a oferta fosse algo irrecusável. Não estávamos embriagados o suficiente, de modo que nosso senso estético obrigou-nos a declinar da generosa, gentil e explícita oferta. Traduzindo, para não tão bom entendedor: estava cedo demais para aquela coisa fofa virar uma princesa.
Não era possível permanecer no recinto. O horário e a frequência naturalmente espantavam os mais religiosos ou os que somente mantinham hábitos mais familiares. Sentimos o ambiente, outrora acolhedor, inóspito. Partimos.
Devido aos acontecimentos, a saideira tornou-se algo muito perigoso. O jeito seria trocar de boteco, abrir umas garrafas em casa (local salubre) assistindo a algum programa esportivo ou adiantar o Engov ou a aspirina e chá de boldo.
A caçadora avistou potenciais presas, talvez mais suscetíveis aos seus imaginários encantos. Pobres almas que, desavisadas, seriam vítimas fáceis da teia da “Viúva Negra” caçadora. O enganoso canto da sereia, subterfúgio da “Bruxa do Mar” encontraria terreno fértil para suas incursões erráticas. De mesa em mesa, alguém não resistiria a seus atributos e ela haveria de traçar seu destino.
No fundo, tudo é muito patético, triste. A moça estava apaixonada pela cerveja, oferecendo o que parecia possuir de maior valor em troca de um mísero copo da bebida e, talvez também, um punhado de salgadinho barato. Para ela, uma vida miserável, quase sem escapatória; para nós era apenas uma situação embaraçosa, da qual a saída era a avenida mais próxima.
Todos os textos com fotografias ou imagens:
“Gazeta Explosiva”
Foi quando ela surgiu. Como o som de um LP riscando, uma irritante microfonia ou um espelho quebrando, a... moça, interrompendo a conversa, ofereceu seus atributos femininos, como se a oferta fosse algo irrecusável. Não estávamos embriagados o suficiente, de modo que nosso senso estético obrigou-nos a declinar da generosa, gentil e explícita oferta. Traduzindo, para não tão bom entendedor: estava cedo demais para aquela coisa fofa virar uma princesa.
Não era possível permanecer no recinto. O horário e a frequência naturalmente espantavam os mais religiosos ou os que somente mantinham hábitos mais familiares. Sentimos o ambiente, outrora acolhedor, inóspito. Partimos.
Devido aos acontecimentos, a saideira tornou-se algo muito perigoso. O jeito seria trocar de boteco, abrir umas garrafas em casa (local salubre) assistindo a algum programa esportivo ou adiantar o Engov ou a aspirina e chá de boldo.
A caçadora avistou potenciais presas, talvez mais suscetíveis aos seus imaginários encantos. Pobres almas que, desavisadas, seriam vítimas fáceis da teia da “Viúva Negra” caçadora. O enganoso canto da sereia, subterfúgio da “Bruxa do Mar” encontraria terreno fértil para suas incursões erráticas. De mesa em mesa, alguém não resistiria a seus atributos e ela haveria de traçar seu destino.
No fundo, tudo é muito patético, triste. A moça estava apaixonada pela cerveja, oferecendo o que parecia possuir de maior valor em troca de um mísero copo da bebida e, talvez também, um punhado de salgadinho barato. Para ela, uma vida miserável, quase sem escapatória; para nós era apenas uma situação embaraçosa, da qual a saída era a avenida mais próxima.
Todos os textos com fotografias ou imagens:
“Gazeta Explosiva”
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Tem índios por aqui 🔵
Bertioga, litoral de São Paulo, alguns dias na praia, ninguém é de ferro. Sol, cerveja, descanso, até que a minha irmã teve uma “brilhante” ideia: conhecer uma tribo de índios totalmente isolada. Tudo bem, isso traria enriquecimento cultural. Tem mais, para guarulhense programa de índio nunca é exagero.
Avistamos a Mata Atlântica, eu não via a hora de surpreender os nativos num raro ritual, como nos livros de História. Uma flechada ou outra não significava nada, pois a expectativa da aventura era grande. Fomos aproximando, nada de aborígenes. Quanto mais passava o tempo, eu me sentia mais Bispo Sardinha e menos Orlando Villas-Bôas.
Para quem esperava um contato antropológico (não antropofágico), até um ameaçador caldeirão borbulhante era válido. Porém, o cenário era de um vazio desolador. Mas vamos lá, os autóctones devem ter notado nossa presença e estão escondidos. Certamente, percebem a ameaça que o homem branco representa, teorizei.
Seguimos no encalço dos silvícolas. A frustração veio ao dobrarmos a primeira esquina: supostos índios de calções Adidas, bicicleta Barraforte e camisas de times de futebol. Distante de lá, onde devia haver uma sangrenta guerra de arco e flecha, uma turma disputava uma animada partida de futebol. Novamente, calções Adidas e camisas de times de futebol. As únicas que faziam sentido eram do Guarani e da Chapecoense.
A perda do aspecto desbravador da nossa expedição foi pior. Avistamos residências de alvenaria e uma picape Hilux, pilotada por um ágil pajé, dobrando uma esquina. Estávamos conformados com peles vermelhas altamente socializados e integrados ao mercado de consumo. O cúmulo daquilo tudo, era a presença da Rede Globo. Aquele teatro todo era uma espécie de “macumba pra turista”, armado para a filmagem televisiva. No máximo, presenciaríamos cocares da 25 de Março. Definitivamente, eu não encontraria nenhuma “virgem dos lábios de mel” e “dos cabelos mais negros que a asa da graúna”. Eu bem que desconfiava de José de Alencar.
O jeito era fugir daquele programa de índio, não literal. Quanto a minha irmã, eu sei que, quando ela inventar algum passeio, eu vou conhecer um quilombo albino ou anões campeões de basquete. Índios...
Avistamos a Mata Atlântica, eu não via a hora de surpreender os nativos num raro ritual, como nos livros de História. Uma flechada ou outra não significava nada, pois a expectativa da aventura era grande. Fomos aproximando, nada de aborígenes. Quanto mais passava o tempo, eu me sentia mais Bispo Sardinha e menos Orlando Villas-Bôas.
Para quem esperava um contato antropológico (não antropofágico), até um ameaçador caldeirão borbulhante era válido. Porém, o cenário era de um vazio desolador. Mas vamos lá, os autóctones devem ter notado nossa presença e estão escondidos. Certamente, percebem a ameaça que o homem branco representa, teorizei.
Seguimos no encalço dos silvícolas. A frustração veio ao dobrarmos a primeira esquina: supostos índios de calções Adidas, bicicleta Barraforte e camisas de times de futebol. Distante de lá, onde devia haver uma sangrenta guerra de arco e flecha, uma turma disputava uma animada partida de futebol. Novamente, calções Adidas e camisas de times de futebol. As únicas que faziam sentido eram do Guarani e da Chapecoense.
A perda do aspecto desbravador da nossa expedição foi pior. Avistamos residências de alvenaria e uma picape Hilux, pilotada por um ágil pajé, dobrando uma esquina. Estávamos conformados com peles vermelhas altamente socializados e integrados ao mercado de consumo. O cúmulo daquilo tudo, era a presença da Rede Globo. Aquele teatro todo era uma espécie de “macumba pra turista”, armado para a filmagem televisiva. No máximo, presenciaríamos cocares da 25 de Março. Definitivamente, eu não encontraria nenhuma “virgem dos lábios de mel” e “dos cabelos mais negros que a asa da graúna”. Eu bem que desconfiava de José de Alencar.
O jeito era fugir daquele programa de índio, não literal. Quanto a minha irmã, eu sei que, quando ela inventar algum passeio, eu vou conhecer um quilombo albino ou anões campeões de basquete. Índios...
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Pura paisagem 🔵
Nêga
A Nêga era uma catadora de entulho. Nêga: este termo era usado nos anos 80, auge do politicamente incorreto e quando o “bullying” (que não tinha sequer esse nome) era comum. Se fosse hoje (2022, em tempos politicamente corretos), a Nêga chamaria Afrodescendente e seria uma recicladora de materiais.
Ela protagonizou uma cena digna de Steven Spielberg. A Nêga desfilou na minha rua, vestida de noiva, em companhia de um noivo imaginário ou se casando com a vida. Com um impressionante vestido, achado não se sabe onde, era de, literalmente, parar o trânsito. Essa, realmente, não é uma cena que se vê todos os dias.
Na vanguarda, (essa palavra é horrível, mas é o que tínhamos pra hoje), ela resolveu fazer o que teve vontade e jamais fariam por ela.
Bar da Maria
Aquele não era um ambiente bom. Se o local não podia ser recomendado a adultos, menos ainda a nós, crianças. A Maria, coitada, era a proprietária do comércio etílico e a maior consumidora do estoque.
No meu aniversário, não lembro que idade, sei que eram menos de oito anos. Não sei por que, mas o destino fez meu irmão, um amigo e eu atravessarmos a rua, até o referido boteco. Alguém, acho que o amigo, resolveu falar que eu ficava mais “idoso”. Maria, àquela hora da manhã, já aditivada, mas de bom coração, anunciou: “hoje, você pode pegar o que quiser!” Eu examinei o ambiente: alguns ovos coloridos boiando numa água turva dentro de um pote suspeito; torresmos com péssimo aspecto; uma bandeja com nacos de salsicha acebolada muito oxidados; pacotes de cigarros Vila Rica e Continental (as propagandas diziam que aquilo era legal); e, no alto, garrafas de Cinzano, Fernet, Tatuzinho, Velho Barreiro e outras bebidas. Achei que nada daquilo era pra mim. Fiquei desanimado.
Foi quando veio a luz. Escolhi um chocolate Grand Prix e uma Coca-Cola que devia estar escondida por ali. Fiquei entre a Coca, Tatuzinho e Velho Barreiro. Tatuzinho tinha um nome simpático e um rótulo bem legal, mas odor forte, a garrafa de Velho Barreiro possuía bastante conteúdo, mas achei o nome um pouco assustador. Acho que minhas escolhas foram sensatas.
Um dia qualquer, o bar da esquina estava fechado. Lógico que eu não era frequentador, mas aquele bar fazia parte da paisagem. A Maria fazia parte da paisagem... a Nêga também... Tanta gente passa como figurante em nossa vida...
A Nêga era uma catadora de entulho. Nêga: este termo era usado nos anos 80, auge do politicamente incorreto e quando o “bullying” (que não tinha sequer esse nome) era comum. Se fosse hoje (2022, em tempos politicamente corretos), a Nêga chamaria Afrodescendente e seria uma recicladora de materiais.
Ela protagonizou uma cena digna de Steven Spielberg. A Nêga desfilou na minha rua, vestida de noiva, em companhia de um noivo imaginário ou se casando com a vida. Com um impressionante vestido, achado não se sabe onde, era de, literalmente, parar o trânsito. Essa, realmente, não é uma cena que se vê todos os dias.
Na vanguarda, (essa palavra é horrível, mas é o que tínhamos pra hoje), ela resolveu fazer o que teve vontade e jamais fariam por ela.
Bar da Maria
Aquele não era um ambiente bom. Se o local não podia ser recomendado a adultos, menos ainda a nós, crianças. A Maria, coitada, era a proprietária do comércio etílico e a maior consumidora do estoque.
No meu aniversário, não lembro que idade, sei que eram menos de oito anos. Não sei por que, mas o destino fez meu irmão, um amigo e eu atravessarmos a rua, até o referido boteco. Alguém, acho que o amigo, resolveu falar que eu ficava mais “idoso”. Maria, àquela hora da manhã, já aditivada, mas de bom coração, anunciou: “hoje, você pode pegar o que quiser!” Eu examinei o ambiente: alguns ovos coloridos boiando numa água turva dentro de um pote suspeito; torresmos com péssimo aspecto; uma bandeja com nacos de salsicha acebolada muito oxidados; pacotes de cigarros Vila Rica e Continental (as propagandas diziam que aquilo era legal); e, no alto, garrafas de Cinzano, Fernet, Tatuzinho, Velho Barreiro e outras bebidas. Achei que nada daquilo era pra mim. Fiquei desanimado.
Foi quando veio a luz. Escolhi um chocolate Grand Prix e uma Coca-Cola que devia estar escondida por ali. Fiquei entre a Coca, Tatuzinho e Velho Barreiro. Tatuzinho tinha um nome simpático e um rótulo bem legal, mas odor forte, a garrafa de Velho Barreiro possuía bastante conteúdo, mas achei o nome um pouco assustador. Acho que minhas escolhas foram sensatas.
Um dia qualquer, o bar da esquina estava fechado. Lógico que eu não era frequentador, mas aquele bar fazia parte da paisagem. A Maria fazia parte da paisagem... a Nêga também... Tanta gente passa como figurante em nossa vida...
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O último Carnaval 🔵
Numa cama de hospital, em 2009, eu balbuciei à enfermeira: “ano que vem, no centenário do Corinthians, vou sair pela Gaviões da Fiel, no Anhembi”. O hospital estava ficando vazio e silencioso. Era sexta-feira de Carnaval, a enfermeira, acostumada com aquele nível de delírio, achou que eu era mais um paciente com mania de grandeza, entupido de remédios. Deu um leve sorriso, fez que concordou com aquele absurdo e saiu do quarto.
***
No ano seguinte (2010), 100 anos do Clube do Povo, estávamos minha irmã, meu cunhado (de novo!) e eu, num ônibus velho, rumo ao Anhembi. O samba-enredo iria contar a história do centenário. A fantasia era um tanto ridícula, desfilar é ridículo, o Carnaval é ridículo, a Quarta-feira de Cinzas é ridícula. Durante essa festa, é permitido ser ridículo sem explicar o porquê. Pois bem, a fantasia, que parecia uma roupa de presidiário, era composta por um inexplicável chapéu e uma placa com a inscrição: “Abaixo a Ditadura”. Essa é a minha descrição; uma descrição mais detalhada, somente com algum carnavalesco.
As alas, repletas de turistas deslumbrados, estavam apinhadas (“pois assim se ganha mais dinheiro”). Fiquei mais tranquilo: entre alegorias e adereços, eu esconderia minha falta de samba no pé. A plateia e os implacáveis jurados não testemunhariam minha súbita falta de coordenação. Eu tinha certeza, aquele ano, se a Gaviões fosse rebaixada, a culpa seria minha; se fosse campeã também, era evidente, eu seria o responsável, pois nem a comissão de frente, nem a velha guarda, nem o mestre de bateria e nem o mestre-sala davam mais o sangue pela Escola do que eu. Quase que deixei o meu sangue, literalmente, tentando compensar a cintura travada, com esforço e dedicação.
Fui escondido entre a minha irmã e meu cunhado - eu estava em convalescença -, para garantir a travessia da Passarela do Samba sem prejudicar o desfile, que foi ensaiado (pelos outros) durante um ano. Diluído na multidão de passistas, eu pude disfarçar meu molejo de japonês, “sambando”, com as palmas das mãos, ora arriscando os dedos indicadores em riste. Havia vencido aquela avenida como um detento no Corredor da Morte, mas tudo saiu bem. Ainda suspeito que a Leci Brandão pesquisou minha árvore genealógica à procura de algum afrodescendente. Vivi um dia de estrangeiro em São Paulo.
Após a manifestação artística do imaginário popular e do folclore brasileiro, experienciando e vivenciando a alegria do baluarte que é o folião... Abandonando esses lugares-comuns de intelectual da USP teorizando o Carnaval, eu só queria sair dali e tomar umas cervejas geladas até começar a Quaresma. E foi isso que fizemos num barzinho da Zona Norte, relembrando o que acontecera há minutos.
Blog:”Gazeta Explosiva”
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No ano seguinte (2010), 100 anos do Clube do Povo, estávamos minha irmã, meu cunhado (de novo!) e eu, num ônibus velho, rumo ao Anhembi. O samba-enredo iria contar a história do centenário. A fantasia era um tanto ridícula, desfilar é ridículo, o Carnaval é ridículo, a Quarta-feira de Cinzas é ridícula. Durante essa festa, é permitido ser ridículo sem explicar o porquê. Pois bem, a fantasia, que parecia uma roupa de presidiário, era composta por um inexplicável chapéu e uma placa com a inscrição: “Abaixo a Ditadura”. Essa é a minha descrição; uma descrição mais detalhada, somente com algum carnavalesco.
As alas, repletas de turistas deslumbrados, estavam apinhadas (“pois assim se ganha mais dinheiro”). Fiquei mais tranquilo: entre alegorias e adereços, eu esconderia minha falta de samba no pé. A plateia e os implacáveis jurados não testemunhariam minha súbita falta de coordenação. Eu tinha certeza, aquele ano, se a Gaviões fosse rebaixada, a culpa seria minha; se fosse campeã também, era evidente, eu seria o responsável, pois nem a comissão de frente, nem a velha guarda, nem o mestre de bateria e nem o mestre-sala davam mais o sangue pela Escola do que eu. Quase que deixei o meu sangue, literalmente, tentando compensar a cintura travada, com esforço e dedicação.
Fui escondido entre a minha irmã e meu cunhado - eu estava em convalescença -, para garantir a travessia da Passarela do Samba sem prejudicar o desfile, que foi ensaiado (pelos outros) durante um ano. Diluído na multidão de passistas, eu pude disfarçar meu molejo de japonês, “sambando”, com as palmas das mãos, ora arriscando os dedos indicadores em riste. Havia vencido aquela avenida como um detento no Corredor da Morte, mas tudo saiu bem. Ainda suspeito que a Leci Brandão pesquisou minha árvore genealógica à procura de algum afrodescendente. Vivi um dia de estrangeiro em São Paulo.
Após a manifestação artística do imaginário popular e do folclore brasileiro, experienciando e vivenciando a alegria do baluarte que é o folião... Abandonando esses lugares-comuns de intelectual da USP teorizando o Carnaval, eu só queria sair dali e tomar umas cervejas geladas até começar a Quaresma. E foi isso que fizemos num barzinho da Zona Norte, relembrando o que acontecera há minutos.
Blog:”Gazeta Explosiva”
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Zé de Abreu e sua pior interpretação ⚫️
José de Abreu resolveu contrariar toda a sua carreira e assumir o papel de canastrão. O ex-global não pode tropeçar numa filmadora, que ri afetadamente ou chora de dar dó. Apesar da motivação pessoal e intransferível, o petista finge que está agindo por razões humanitárias.
Outro dia, Zé de Abreu encontrou uma câmera dando sopa e atacou: ao presidente, dirigiu um impropério repetidas vezes e gargalhou teatralmente ou, provavelmente, de maneira manicomial (sei lá). Revelou mais um comportamento desesperado, pura técnica artística.
Logo depois, numa entrevista em Portugal, chorou. O ator não foi capaz de comover ninguém que conhece seu histórico de militante petista. Em prantos, Zé dava dó, Pena por ver um ator na sua pior representação, lamentando o fim da boquinha, sinalizando virtude ou pagando pedágio ideológico à “turma” patrulheira. Mesmo sem lágrimas, o farsante pôde exibir toda a sua técnica interpretativa aprendida na escola de teatro do Alberto Roberto (Chico Anysio).
Mesmo que pessimamente fingido, não é difícil que tenha interpretado ao rir e, no outro extremo, chorar. A desconfiança é porque ambas as manifestações foram exageradas. Pois é, criticado pela fanfarronice na televisão portuguesa, o artista agiu escatologicamente, como sempre, xingando.
Cuspindo e xingando, ele segue mostrando todo o seu engajamento e preocupação social. Assim prossegue, afinal o interesse é justo e defende, como um soldado, a causa do partido e, principalmente, pessoal, fingindo que é a vontade da população.
É melancólico esse último ato. Qualquer youtuber mirim sabe que não é recomendável discutir com “haters” na internet. Contudo, desavisado, é exatamente nessa modalidade de “trolagem” que o vilão da vida real caiu. É muito provável que ele esteja discutindo marxismo, ideologia, esquerda, direita e comunismo com algum pirralho, porque quando as ofensas são cara a cara: uma cuspida resolve tudo.
O septuagenário está fazendo questão de escorregar em cascas de banana, discutindo com quem o xinga de “mamateiro da Rouanet”. José de Abreu se tornou um ator (mentado).
Outro dia, Zé de Abreu encontrou uma câmera dando sopa e atacou: ao presidente, dirigiu um impropério repetidas vezes e gargalhou teatralmente ou, provavelmente, de maneira manicomial (sei lá). Revelou mais um comportamento desesperado, pura técnica artística.
Logo depois, numa entrevista em Portugal, chorou. O ator não foi capaz de comover ninguém que conhece seu histórico de militante petista. Em prantos, Zé dava dó, Pena por ver um ator na sua pior representação, lamentando o fim da boquinha, sinalizando virtude ou pagando pedágio ideológico à “turma” patrulheira. Mesmo sem lágrimas, o farsante pôde exibir toda a sua técnica interpretativa aprendida na escola de teatro do Alberto Roberto (Chico Anysio).
Mesmo que pessimamente fingido, não é difícil que tenha interpretado ao rir e, no outro extremo, chorar. A desconfiança é porque ambas as manifestações foram exageradas. Pois é, criticado pela fanfarronice na televisão portuguesa, o artista agiu escatologicamente, como sempre, xingando.
Cuspindo e xingando, ele segue mostrando todo o seu engajamento e preocupação social. Assim prossegue, afinal o interesse é justo e defende, como um soldado, a causa do partido e, principalmente, pessoal, fingindo que é a vontade da população.
É melancólico esse último ato. Qualquer youtuber mirim sabe que não é recomendável discutir com “haters” na internet. Contudo, desavisado, é exatamente nessa modalidade de “trolagem” que o vilão da vida real caiu. É muito provável que ele esteja discutindo marxismo, ideologia, esquerda, direita e comunismo com algum pirralho, porque quando as ofensas são cara a cara: uma cuspida resolve tudo.
O septuagenário está fazendo questão de escorregar em cascas de banana, discutindo com quem o xinga de “mamateiro da Rouanet”. José de Abreu se tornou um ator (mentado).
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Qualquer semelhança com a realidade é mera piada ♦️
Choveu memes sobre a ida de Bolsonaro à Rússia. Entretanto, a imprensa caiu na piada por inércia ou querendo distorcer os fatos, atribuindo a pecha de disseminadores de “fake news” a seus autores. Nessa tentativa, alguns jornalistas conseguiram superar o chiste. A piada foi: Bolsonaro evitou a 3ª guerra mundial.
Os memes foram promovidos a maquiavélicas montagens, enganos e indução ao erro. O que se viu foi o mau humor da guerra de narrativas e o incômodo com o rolo compressor do bom humor. O bom humor ganhou em técnica e velocidade; proporcionalmente inverso, alguns jornalistas não têm a capacidade cognitiva de distinguir o que é notícia do que é piada.
As autointituladas “agências de checagem” não perderam tempo. Sedentas por não ficar de fora da guerra cultural, fazendo questão de passar mais esta vergonha ou simplesmente revelando sua real intenção, essas tais agências trataram a brincadeira como “fake news”. Sim, com a sanha em refutar tudo que contradiga a narrativa ou atrapalhe os planos de poder da esquerda, o arsenal inimigo sempre é tratado como notícia falsa. É bem arrogante a postura de se eleger apto e necessário para julgar o que é falso ou verdadeiro; é ostensivamente arrogante meter o carimbo, peremptoriamente, estigmatizando algo, que nem sequer é uma notícia, como “fake news”.
Como vimos, alguns jornalistas não podem localizar uma vergonha, como uma pilha de roupa recém lavada, fazem questão de passá-la. E pensar que antes da internet éramos induzidos a acreditar nesse tipo de “curadoria da verdade”.
Aliás, o TSE (entre outros) ameaça regular (censurar) as redes sociais, como se a imprensa já não embrulhasse e entregasse a mentira edulcorada. As propagandas eleitorais trataram de mentir como se não houvesse amanhã: segundo a campanha da Dilma, se a Marina Silva vencesse iria faltar comida no prato da população!
Com toda essa “esperteza” na apuração dos fatos, Ari Toledo terá que ficar atento para não ganhar a seguinte manchete: Ari Toledo é o maior propagador de “fake news” e papagaiofobia, diz especialista.
Todos os textos com fotografias e imagens:
“Gazeta Explosiva”.
Os memes foram promovidos a maquiavélicas montagens, enganos e indução ao erro. O que se viu foi o mau humor da guerra de narrativas e o incômodo com o rolo compressor do bom humor. O bom humor ganhou em técnica e velocidade; proporcionalmente inverso, alguns jornalistas não têm a capacidade cognitiva de distinguir o que é notícia do que é piada.
As autointituladas “agências de checagem” não perderam tempo. Sedentas por não ficar de fora da guerra cultural, fazendo questão de passar mais esta vergonha ou simplesmente revelando sua real intenção, essas tais agências trataram a brincadeira como “fake news”. Sim, com a sanha em refutar tudo que contradiga a narrativa ou atrapalhe os planos de poder da esquerda, o arsenal inimigo sempre é tratado como notícia falsa. É bem arrogante a postura de se eleger apto e necessário para julgar o que é falso ou verdadeiro; é ostensivamente arrogante meter o carimbo, peremptoriamente, estigmatizando algo, que nem sequer é uma notícia, como “fake news”.
Como vimos, alguns jornalistas não podem localizar uma vergonha, como uma pilha de roupa recém lavada, fazem questão de passá-la. E pensar que antes da internet éramos induzidos a acreditar nesse tipo de “curadoria da verdade”.
Aliás, o TSE (entre outros) ameaça regular (censurar) as redes sociais, como se a imprensa já não embrulhasse e entregasse a mentira edulcorada. As propagandas eleitorais trataram de mentir como se não houvesse amanhã: segundo a campanha da Dilma, se a Marina Silva vencesse iria faltar comida no prato da população!
Com toda essa “esperteza” na apuração dos fatos, Ari Toledo terá que ficar atento para não ganhar a seguinte manchete: Ari Toledo é o maior propagador de “fake news” e papagaiofobia, diz especialista.
Todos os textos com fotografias e imagens:
“Gazeta Explosiva”.
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Náufragos em SP
Domingão, dia perfeito para dirigir em São Paulo. Algo que eu gostava bastante, além de fazer me sentir mais importante que o GPS. Porém, estranhamente, eu não queria ir. Diante da insistência eu aquiesci.
Todos a bordo do veículo. A palavra bordo foi levada ao pé da letra, isso ainda vai ficar claro. O destino era o “Cirque du Soleil”, do lado oposto da cidade. Eu não entrei no circo, o Parque Villa-Lodos era suficiente.
O “Cirque du Soleil” é assim, digamos, diferente. Esse empreendimento não lembra o cirquinho de bairro nem na lona, ainda menos os artistas. A lona é impecável, esticadinha e sem nenhum furo. Os palhaços são chamados de “clowns” e, perspicazes, nunca fazem papel de bobo. Os artistas vêm de várias partes do mundo.
Eu sempre fui em circos tradicionais. Por isso, para mim, no picadeiro tem que ter macaco vestido e andando de bicicleta, elefante que chuta bola, um cachorrinho serelepe enfrentando obstáculos, domador colocando a cabeça na boca do leão, palhaço triste, mágico muito manjado e Globo da Morte. Tudo perdeu a graça depois que proibiram circo com animais. Mas foi por um motivo nobre: evitar maus-tratos. Não pode haver algo mais cruel do que retirar um leão da savana africana e obrigá-lo a morar em Diadema.
Muita coisa sempre sai diferente do ensaiado, dá errado. Desde que não seja nada sério, é o que sai mais engraçado. O elenco, que mais parece o maltrapilho Exército de Brancaleone, vive em trailers e vem de lugares como Paraguai, Bolívia e Venezuela. No máximo tem um russo, que dá credibilidade ao “Internacional” que vem junto ao nome do circo (que também é russo).
Além de tudo, o Cirque du Soleil tem que ser compreendido e interpretado, isso é muito para mim. Eu prefiro algo mais óbvio, mais Sessão da Tarde. Acho esse outro conceito de circo também muito sofisticado para mim.
“Freak Show”, Circo de Aberrações ou Circo dos Horrores, a atração era muito mais “roots”. Popular de 1840 a 1970, o “show” de gosto duvidoso (mau-gosto), crueldade e vilipêndio foi muito retratado em filmes. O Playcenter (histórico parque de diversões de São Paulo) emulou o clima dessas apresentações bizarras com a Monga - A mulher gorila. Sim, a Monga era uma moça que virava um gorila. Atraente, para os padrões da época e o baixo orçamento, a “atriz” ficava em uma tenda, atrás de grades. No início, todos ficavam só manjando a moçoila; de repente, num truque barato de espelhos, ela se transformava num horrível, nervoso e peludo símio. O, agora, furioso gorila arrebentava a grade e corria atrás dos espectadores. Eu, arrependido por não ter ido à Montanha Encantada, estava lá no meio, fugindo do macacão.
Deixando as elucubrações circenses, o retorno reservaria as emoções que qualquer circo jamais proporcionou. Ao contrário do nome “Cirque du Solei” (Circo do Sol), estava chovendo muito e era noite. Porém, como era domingo, isso não me preocupou.
Tudo ia bem até que, início da Rodovia Fernão Dias, eu não fiz jus ao velho bandeirante e fiquei num, ainda incipiente, alagamento. Éramos seis e assim pretendíamos permanecer, de modo que o melhor a fazer foi abandonar o navio (digo, o carro). Eu como comandante da embarcação (motorista do automóvel), não dei uma de Schettino (vada a bordo, cazzo!) e esperei todos desembarcarem (do veículo).
Parecíamos uma família de desabrigados, ensopados e debaixo da chuva, num morrinho à beira da pista e ao lado de uma favela (ou comunidade). Fiz a contagem, todos vivos. Ainda voltei para o barco (carro) umas três vezes para pegar os documentos antes que fossem parar no Rio Tietê. Já estava aguardando a visita agourenta do helicóptero do Datena, entretanto era domingo.
Voltei pro morrinho, com água na cintura, ensaiando aquele antigo discursinho: é só um bem material, você trabalha e compra outro. O importante é que todos estão vivos. Para minha surpresa, todos estavam rindo, como se estivessem curtindo aquela “aventura”. Eu até esbocei um sorrisinho, mas, definitivamente, aquela não era uma situação engraçada.
Depois disso tudo, fomos resgatados, bem como o automóvel (certo!). Chegamos, sobreviventes, em casa. O ingresso e um carro, foi esse o preço para assistir o “Cirque du Soleil”. Foi muito caro, mas não faltaram emoções.
Todos a bordo do veículo. A palavra bordo foi levada ao pé da letra, isso ainda vai ficar claro. O destino era o “Cirque du Soleil”, do lado oposto da cidade. Eu não entrei no circo, o Parque Villa-Lodos era suficiente.
O “Cirque du Soleil” é assim, digamos, diferente. Esse empreendimento não lembra o cirquinho de bairro nem na lona, ainda menos os artistas. A lona é impecável, esticadinha e sem nenhum furo. Os palhaços são chamados de “clowns” e, perspicazes, nunca fazem papel de bobo. Os artistas vêm de várias partes do mundo.
Eu sempre fui em circos tradicionais. Por isso, para mim, no picadeiro tem que ter macaco vestido e andando de bicicleta, elefante que chuta bola, um cachorrinho serelepe enfrentando obstáculos, domador colocando a cabeça na boca do leão, palhaço triste, mágico muito manjado e Globo da Morte. Tudo perdeu a graça depois que proibiram circo com animais. Mas foi por um motivo nobre: evitar maus-tratos. Não pode haver algo mais cruel do que retirar um leão da savana africana e obrigá-lo a morar em Diadema.
Muita coisa sempre sai diferente do ensaiado, dá errado. Desde que não seja nada sério, é o que sai mais engraçado. O elenco, que mais parece o maltrapilho Exército de Brancaleone, vive em trailers e vem de lugares como Paraguai, Bolívia e Venezuela. No máximo tem um russo, que dá credibilidade ao “Internacional” que vem junto ao nome do circo (que também é russo).
Além de tudo, o Cirque du Soleil tem que ser compreendido e interpretado, isso é muito para mim. Eu prefiro algo mais óbvio, mais Sessão da Tarde. Acho esse outro conceito de circo também muito sofisticado para mim.
“Freak Show”, Circo de Aberrações ou Circo dos Horrores, a atração era muito mais “roots”. Popular de 1840 a 1970, o “show” de gosto duvidoso (mau-gosto), crueldade e vilipêndio foi muito retratado em filmes. O Playcenter (histórico parque de diversões de São Paulo) emulou o clima dessas apresentações bizarras com a Monga - A mulher gorila. Sim, a Monga era uma moça que virava um gorila. Atraente, para os padrões da época e o baixo orçamento, a “atriz” ficava em uma tenda, atrás de grades. No início, todos ficavam só manjando a moçoila; de repente, num truque barato de espelhos, ela se transformava num horrível, nervoso e peludo símio. O, agora, furioso gorila arrebentava a grade e corria atrás dos espectadores. Eu, arrependido por não ter ido à Montanha Encantada, estava lá no meio, fugindo do macacão.
Deixando as elucubrações circenses, o retorno reservaria as emoções que qualquer circo jamais proporcionou. Ao contrário do nome “Cirque du Solei” (Circo do Sol), estava chovendo muito e era noite. Porém, como era domingo, isso não me preocupou.
Tudo ia bem até que, início da Rodovia Fernão Dias, eu não fiz jus ao velho bandeirante e fiquei num, ainda incipiente, alagamento. Éramos seis e assim pretendíamos permanecer, de modo que o melhor a fazer foi abandonar o navio (digo, o carro). Eu como comandante da embarcação (motorista do automóvel), não dei uma de Schettino (vada a bordo, cazzo!) e esperei todos desembarcarem (do veículo).
Parecíamos uma família de desabrigados, ensopados e debaixo da chuva, num morrinho à beira da pista e ao lado de uma favela (ou comunidade). Fiz a contagem, todos vivos. Ainda voltei para o barco (carro) umas três vezes para pegar os documentos antes que fossem parar no Rio Tietê. Já estava aguardando a visita agourenta do helicóptero do Datena, entretanto era domingo.
Voltei pro morrinho, com água na cintura, ensaiando aquele antigo discursinho: é só um bem material, você trabalha e compra outro. O importante é que todos estão vivos. Para minha surpresa, todos estavam rindo, como se estivessem curtindo aquela “aventura”. Eu até esbocei um sorrisinho, mas, definitivamente, aquela não era uma situação engraçada.
Depois disso tudo, fomos resgatados, bem como o automóvel (certo!). Chegamos, sobreviventes, em casa. O ingresso e um carro, foi esse o preço para assistir o “Cirque du Soleil”. Foi muito caro, mas não faltaram emoções.
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