O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Qualquer semelhança com a realidade é mera piada ♦️
Choveu memes sobre a ida de Bolsonaro à Rússia. Entretanto, a imprensa caiu na piada por inércia ou querendo distorcer os fatos, atribuindo a pecha de disseminadores de “fake news” a seus autores. Nessa tentativa, alguns jornalistas conseguiram superar o chiste. A piada foi: Bolsonaro evitou a 3ª guerra mundial.
Os memes foram promovidos a maquiavélicas montagens, enganos e indução ao erro. O que se viu foi o mau humor da guerra de narrativas e o incômodo com o rolo compressor do bom humor. O bom humor ganhou em técnica e velocidade; proporcionalmente inverso, alguns jornalistas não têm a capacidade cognitiva de distinguir o que é notícia do que é piada.
As autointituladas “agências de checagem” não perderam tempo. Sedentas por não ficar de fora da guerra cultural, fazendo questão de passar mais esta vergonha ou simplesmente revelando sua real intenção, essas tais agências trataram a brincadeira como “fake news”. Sim, com a sanha em refutar tudo que contradiga a narrativa ou atrapalhe os planos de poder da esquerda, o arsenal inimigo sempre é tratado como notícia falsa. É bem arrogante a postura de se eleger apto e necessário para julgar o que é falso ou verdadeiro; é ostensivamente arrogante meter o carimbo, peremptoriamente, estigmatizando algo, que nem sequer é uma notícia, como “fake news”.
Como vimos, alguns jornalistas não podem localizar uma vergonha, como uma pilha de roupa recém lavada, fazem questão de passá-la. E pensar que antes da internet éramos induzidos a acreditar nesse tipo de “curadoria da verdade”.
Aliás, o TSE (entre outros) ameaça regular (censurar) as redes sociais, como se a imprensa já não embrulhasse e entregasse a mentira edulcorada. As propagandas eleitorais trataram de mentir como se não houvesse amanhã: segundo a campanha da Dilma, se a Marina Silva vencesse iria faltar comida no prato da população!
Com toda essa “esperteza” na apuração dos fatos, Ari Toledo terá que ficar atento para não ganhar a seguinte manchete: Ari Toledo é o maior propagador de “fake news” e papagaiofobia, diz especialista.
Todos os textos com fotografias e imagens: “Gazeta Explosiva”.
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The zoeira never ends ⚫️
Há muito tempo que todo corintiano carregava o peso e suportava chacotas por ser um time regional, ou seja, só ganhava o campeonato estadual. Essa maldição foi desfeita e o Corinthians ganhou 7 títulos do Campeonato Brasileiro.
Estádio próprio: O Timão deixaria o Pacaembu (Saudosa Maloca), já que o estádio próprio estava sendo construído para a Copa do Mundo, então essa gozação não tinha mais efeito.
Além disso, o time ganhou o Mundial de Clubes da FIFA, mas, segundo os adversários, não valeu, pois faltava a inédita Copa Libertadores. Portanto, aquela não seria uma simples viagem e aquele não era um simples jogo de futebol. Para quem carrega o pesado escudo do clube de coração, essa era a chance de encarar são-paulinos, palmeirenses, santistas e outros torcedores.
Com a narrativa perfeita, meu cunhado e eu partimos para o bar a fim de empurrar o time na conquista da Libertadores. Só que a decepção de iniciar com uma derrota começou a circular; a cerveja descendo quadrada, amarga, porém gelada (como o entusiasmo inicial) e os rivais começando a se manifestar, mantendo a escrita, numa perseguição que parecia não ter mais término. Porém, o golzinho achado no finzinho da partida manteve uma certa confiança na conquista e a garantia de algumas cervejas no próximo jogo.
O time foi melhorando, ganhando e convencendo. Jogando muito bem, chegou à final! Enfim, teríamos a oportunidade de cruzar torcedores de outras equipes sem sermos ridicularizados, pelo contrário, até alugando alguns. Essa era a grande chance de dominar essa “cadeia alimentar” que sempre foi cruel com nossos pais, avós e conosco,todos corintianos.
Para ver a final e comemorar, viajei. O dia da finalíssima (Corinthians x Boca Juniors - Arg.) estava ótimo. O chope no supermercado só confirmou o ambiente de Copa do Mundo.
Hoje, restam os palmeirenses a suportar as dores do mundo. Os grandes clubes de São Paulo têm estádio, títulos nacionais, internacionais e a Taça Libertadores da América, só falta o mundial do Palmeiras. Fica bem mais engraçado quando eles juram ter conquistado esse título em 1951.
Um dia eles ganham. Enquanto isso, a zoeira continua.
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Autoritarismo não é autoridade ♦️
Por mais abusiva que seja, inclusive ilegal, decisões são cumpridas, principalmente com a caneta do Judiciário. No entanto, quando as determinações dependem da colaboração internacional, o arbítrio se torna evidente.
A perseguição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi efetiva enquanto agiu capturando cidadãos brasileiros, aqui dentro. Durante a calmaria, o ministro prendeu, proibiu e convocou quem quis. Quando Alexandre ousou esticar seus tentáculos arbitrários, falhou.
Sua sanha arbitrária parou quando tentou deter, num aeroporto brasileiro, o norte-americano Jason Miller; as autoridades norte-americanas também ignoraram o pedido de extradição do jornalista Allan dos Santos. Ambos os casos foram ignorados por falta de sentido, caracterizando mera perseguição política.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Pandemia), eternizada como “CPI do circo”, foi eficaz enquanto gerou manchetes e reportagens. No entanto, falhou na tentativa de render boa imagem à oposição e, provavelmente, falhará nas próximas eleições. A Comissão perseguiu, intimidou, estigmatizou e desrespeitou os depoentes que não diziam o que queriam ouvir. Resultado do “circo”: quando chegou ao Tribunal Penal Internacional de Haia, Holanda, o relatório feito por Renan Calheiros foi ignorado. A esperança da oposição é de o calhamaço ser levado a sério aqui no País.
Outro ministro do STF, Luís Roberto Barroso, resolveu travar uma guerra com o “Telegram” (rede social). Pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele enviou uma carta a fim de “regular” a rede social, para o controle (se é que você me entende) das eleições para não extrapolarem a sua jurisdição. Entretanto, os responsáveis pelo Telegram, provavelmente interpretando o caso como censura, ignoraram a missiva.
Com a tentativa de internacionalização dos desmandos nacionais, talvez percebam que algo muito errado não está certo aqui dentro.
Certamente, somente em textos de História percebi que os interesses de grupelhos exerceram tanta prioridade em detrimento de interesses nacionais. A mentira tem perna curta.
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A cultura do cancelamento ♦️
A cultura do Cancelamento é muito antiga. Parece, mas isso não é novidade, só é mais fácil disseminar e obter maior alcance. Se não é, aqui no Brasil, o caso mais famoso, é um dos mais: Wilson Simonal. O cantor Lobão criou, ou apenas usa, o termo “simonalizar”. Lobão sofreu uma tentativa de cancelamento ou, como ele disse simonalização. Mas, também como ele diz, ele é “insimonalizável”. Cancelamento é sinônimo do neologismo “simonalização.
Wilson Simonal foi cancelado, quando esse conceito nem sequer existia. A história dele foi muito bem contada em excelentes livro e documentário. Dono de um talento sem fronteiras, Simonal foi relegado à condição de pária entre os artistas ou apenas não-pessoa. Um artista badalado, foi transformado numa alma penada.
Resumindo sua história, ele deu uma “prensa” num contador que o teria “passado pra trás”. Para isso, contou com os “serviços” de policiais amigos e nada cordiais. Esse foi o estopim para Simonal ser tachado de informante (colaborador) da polícia. Tudo isso em pleno governo militar. Conclusão, ele foi proscrito no auge da popularidade. Um talento raro foi apagado para sempre.
Esse caso, que prova que a “cultura do cancelamento” não é uma novidade digital, embora traga muitas semelhanças (no método) com o que ocorre hoje. Para quem achava que a polarização política já tinha ido longe demais — com vírus de esquerda e remédio de direita —, isso ainda vai longe, esse é apenas mais um instrumento.
Retratado no livro 1984 (George Orwell), o “cancelamento” era um método de Estado. Consistia em apagar qualquer vestígio da existência do indivíduo que interessasse às autoridades. Hoje, a cultura do cancelamento — que não é apenas uma modinha inofensiva da internet — isola determinada pessoa, mantendo-a afastada de contratos publicitários, lugares e pessoas. Eis, novamente, alguém transformado em pária ou não-pessoa.
Essa nova (antiga) cultura é a atualização da lista negra e do enforcamento. A agonia em praça pública é o destino de quem ousou avançar os limites impostos pela ditadura vigilante e alcagueta do politicamente correto. Se fizer ou falar algo que desagrade patotas organizadas, antes você era cancelado na vida, agora você pode ser bloqueado nas redes sociais.
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Walter Mercado ⭕️
A figura andrógina surgia, inconfundível, equilibrando uma pesadíssima capa. Falando um impecável portunhol, ornamentado com vários anéis, a já referida capa, grossa camada de maquiagem e muito laquê, aparecia na televisão, novamente, o astrólogo dos ricos e poderosos. Walter Mercado, o exótico esotérico.
Durante os anos 90, num momento de distração, eu era surpreendido, nos intervalos comerciais, com uma repentina e assustadora abertura de leque.
Estendendo o seu alcance à ralé esotérica, o guru surge, brilhante, oferecendo seus serviços, supostamente, divinatórios por telefone. Uma mensagem, bela e rasa, de livro de autoajuda de livraria de rodoviária, era emendada pela frase teatral, hipnótica e persuasiva, carregada de sotaque espanhol, “ligue djá”. A indefectível e conativa recomendação, repetida ad nauseam, virou bordão.
Essa astrologia de jornalzinho gratuito (dia bom para os negócios) ou de cartaz colado em poste (trago a pessoa amada em três dias) é patifaria de comum acordo. Não pode ser considerado “cair” em estelionato comprar uma “galinha dos ovos de ouro” achando que vai ficar rico; ou arrematar um punhado de “feijões mágicos” supondo se dar bem.
Semana passada, assisti, em streaming, um ótimo documentário sobre Walter Mercado. O filme humaniza aquele que, em suas aparições fugazes, era apenas uma personagem. Além disso, dirime uma dúvida: ele está vivo (recluso) ou morto?
O documentário desmistifica o místico, mas tenta dramatizar os estertores de uma pessoa como qualquer outra. Na verdade, ele era uma pessoa como nenhuma outra.
Pois bem, seu manager aplicou-lhe um golpe, algo previsível para alguém muito rico. A idade avançada chegou e, com ela, a decadência física. Por isso, por mais grossa e pesada que a maquiagem fosse, não dava para disfarçar. Talvez o drama seja a batalha entre a vaidade e a decadência.
A obra cinematográfica serviu para eu ver com mais atenção uma figura extravagante que passara batida nos, televisivamente extravagantes anos 90 (Banheira do Gugu, Fantasia, Emmanuelle, Sushi Erótico, Latininho...).
O documentário acaba sendo uma homenagem, e o modo enfeitado como se vestia era como ele escolheu ser; assim como o Serguei quis viver como um rockstar, sendo apenas um doidão, desses facilmente encontrados num boteco de São Tomé das Letras ou num bar mais antigo da Vila Madalena. No entanto, ele se “apresentou” no Rock in Rio, sendo que nem sequer sabia cantar!
Walter Mercado foi um vendedor de sonhos enquanto vivia o seu.O
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Náufragos em SP
Domingão, dia perfeito para dirigir em São Paulo. Algo que eu gostava bastante, além de fazer me sentir mais importante que o GPS. Porém, estranhamente, eu não queria ir. Diante da insistência eu aquiesci.
Todos a bordo do veículo. A palavra bordo foi levada ao pé da letra, isso ainda vai ficar claro. O destino era o “Cirque du Soleil”, do lado oposto da cidade. Eu não entrei no circo, o Parque Villa-Lodos era suficiente.
O “Cirque du Soleil” é assim, digamos, diferente. Esse empreendimento não lembra o cirquinho de bairro nem na lona, ainda menos os artistas. A lona é impecável, esticadinha e sem nenhum furo. Os palhaços são chamados de “clowns” e, perspicazes, nunca fazem papel de bobo. Os artistas vêm de várias partes do mundo.
Eu sempre fui em circos tradicionais. Por isso, para mim, no picadeiro tem que ter macaco vestido e andando de bicicleta, elefante que chuta bola, um cachorrinho serelepe enfrentando obstáculos, domador colocando a cabeça na boca do leão, palhaço triste, mágico muito manjado e Globo da Morte. Tudo perdeu a graça depois que proibiram circo com animais. Mas foi por um motivo nobre: evitar maus-tratos. Não pode haver algo mais cruel do que retirar um leão da savana africana e obrigá-lo a morar em Diadema.
Muita coisa sempre sai diferente do ensaiado, dá errado. Desde que não seja nada sério, é o que sai mais engraçado. O elenco, que mais parece o maltrapilho Exército de Brancaleone, vive em trailers e vem de lugares como Paraguai, Bolívia e Venezuela. No máximo tem um russo, que dá credibilidade ao “Internacional” que vem junto ao nome do circo (que também é russo).
Além de tudo, o Cirque du Soleil tem que ser compreendido e interpretado, isso é muito para mim. Eu prefiro algo mais óbvio, mais Sessão da Tarde. Acho esse outro conceito de circo também muito sofisticado para mim.
“Freak Show”, Circo de Aberrações ou Circo dos Horrores, a atração era muito mais “roots”. Popular de 1840 a 1970, o “show” de gosto duvidoso (mau-gosto), crueldade e vilipêndio foi muito retratado em filmes. O Playcenter (histórico parque de diversões de São Paulo) emulou o clima dessas apresentações bizarras com a Monga - A mulher gorila. Sim, a Monga era uma moça que virava um gorila. Atraente, para os padrões da época e o baixo orçamento, a “atriz” ficava em uma tenda, atrás de grades. No início, todos ficavam só manjando a moçoila; de repente, num truque barato de espelhos, ela se transformava num horrível, nervoso e peludo símio. O, agora, furioso gorila arrebentava a grade e corria atrás dos espectadores. Eu, arrependido por não ter ido à Montanha Encantada, estava lá no meio, fugindo do macacão.
Deixando as elucubrações circenses, o retorno reservaria as emoções que qualquer circo jamais proporcionou. Ao contrário do nome “Cirque du Solei” (Circo do Sol), estava chovendo muito e era noite. Porém, como era domingo, isso não me preocupou.
Tudo ia bem até que, início da Rodovia Fernão Dias, eu não fiz jus ao velho bandeirante e fiquei num, ainda incipiente, alagamento. Éramos seis e assim pretendíamos permanecer, de modo que o melhor a fazer foi abandonar o navio (digo, o carro). Eu como comandante da embarcação (motorista do automóvel), não dei uma de Schettino (vada a bordo, cazzo!) e esperei todos desembarcarem (do veículo).
Parecíamos uma família de desabrigados, ensopados e debaixo da chuva, num morrinho à beira da pista e ao lado de uma favela (ou comunidade). Fiz a contagem, todos vivos. Ainda voltei para o barco (carro) umas três vezes para pegar os documentos antes que fossem parar no Rio Tietê. Já estava aguardando a visita agourenta do helicóptero do Datena, entretanto era domingo.
Voltei pro morrinho, com água na cintura, ensaiando aquele antigo discursinho: é só um bem material, você trabalha e compra outro. O importante é que todos estão vivos. Para minha surpresa, todos estavam rindo, como se estivessem curtindo aquela “aventura”. Eu até esbocei um sorrisinho, mas, definitivamente, aquela não era uma situação engraçada.
Depois disso tudo, fomos resgatados, bem como o automóvel (certo!). Chegamos, sobreviventes, em casa. O ingresso e um carro, foi esse o preço para assistir o “Cirque du Soleil”. Foi muito caro, mas não faltaram emoções.
98
Pé “vermêio”
Lula não está confiando nas pesquisas eleitorais. Para constatar isso, basta observar sua movimentação pelos gabinetes pouco iluminados da política inconfessável. Fazendo uma caravana sem povo, Lula vem encontrando figuras que, há pouco tempo, ele mesmo recusaria ser flagrado junto.
Em, até há pouco, improvável, portanto inconfiável, aproximação, ele ameaçou oferecer a Alckmin o Ministério da Agricultura de porteira fechada. O ex-governador de São Paulo não se fez de rogado e querendo exibir algum talento relacionado à Pasta, postou um vídeo seu “capinando” um terreno.
Sinceramente, o outrora concorrente do petista não me pareceu nada convincente. Ele por ter julgado ser fácil engambelar o pré-candidato do PT, pois Dilma Rousseff chegou à Presidência porque sabia operar um “notebook”.
Alckmin tem razão em correr demonstrar seu “talento”, afinal, não é todo dia que um ministério cai do céu. Entretanto, eu não provaria nem um pé-de-alface plantado pelo anestesista do Morumbi. Além de tudo, ter Alckmin (PSDB) por perto traz tanta segurança quanto ter Michel Temer como vice-presidente.
Contudo, não tiro a razão de Geraldo Alckmin. Se eu fosse contemplado com um ministério novinho e só meu, faria exatamente a mesma coisa. Se o Ministério da Pesca me fosse prometido, não pensaria duas vezes até arranjar um retrato meu num pesque-pague; se a oferta for a Pasta da Saúde, a única solução será um registro meu engolindo um comprimido para dor de cabeça; para o Ministério do Meio Ambiente, sacarei a perpetuação de um momento que eu usei uma sacola de pano do “Greenpeace” (confeccionada com fibras de cânhamo) para ir ao supermercado. Essa fotografia seria fundamental, pois além de provar minha aptidão (no estilo Alckmin) para o cargo, daria uma bela “lacrada”, bem do jeito que essa turma gosta.
Unindo o desespero do PT para se apoderar da máquina pública e o desespero de “servidores públicos” para ocupar qualquer cargo no Estado, vale tudo, até tentar a sorte lançando um retrato “pegando no pesado”.
Provimento técnico é isso?
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Rock and Roll lullaby 🔵
Até que eu curtia a Coleção Disquinho. Na verdade, era tudo o que eu conhecia. Já estava me acostumando com a estorinha da Dona Baratinha, quando meu pai saca algo muito mais legal: o LP Sorrisos e Lágrimas. Verdadeiro tesouro escondido de três pirralhos querendo descobrir o mundo e seis mãozinhas prontas para destruir tudo que se movesse, andasse, arrastasse ou voasse.
Esse disco era uma aula de “rock’ n’ roll”, havendo apenas sorrisos; lágrimas só quando ocorria algum acidente doméstico. Enquanto, nas festinhas, rolava Balão Mágico e seu inocente e bobo Ursinho Pimpão, eu curtia The Bird’s The Word e Papa-Oom-Mow-Mow (as duas músicas mais divertidas da história), com Rivingtons; Long Tall Sally, com Little Richard; e The Letter, com The Box Tops. Quem nasce ouvindo isso está imune às 10 (“jabás” de qualquer época).
O Sorrisos e Lágrimas já era o suficiente, mas tinha muito mais de onde veio esse. Aos poucos, foram surgindo: dois compactos dos Beatles e um LP de Johnny Rivers. Little Richard inventou o “rock” e os Beatles deram outra direção. A passagem entre as canções infantis e o “rock” foi prematura e como um salto quântico. Digo mais: essa experiência é como pular da sopinha infantil Nestlė para o “whisky” Jack Daniels ou da motoquinha Bandeirante para uma motocicleta Harley-Davidson.
Só que, para quem vive em São Paulo e na Grande SP esse bom gosto musical aproxima tribos inóspitas e toda sorte de fauna urbana: “punks, darks, skin heads”, alternativos, “head bangers”, avulsos e outras coisas.
Como uma lousa velha, qualquer plataforma pode ser mais útil que um computador. A velha vitrola cumpriu sua função. O rudimentar aparelho apresentou ótimas músicas e formou um gosto musical livre de chuvas e trovoadas (ou gugus e faustões).
Paradoxalmente, sou obrigado (pelas circunstâncias) a dizer que não gosto de funk. É difícil dizer isso, sabendo que funk de verdade (não o carioca) é James Brown.
Sertanejo Universitário é muito triste. O nome sugeriria algo como: Ortega & Gasset, Galileu & Galilei ou Costa & Silva cantam Chico Buarque.
Voltando ao “rock”, quem diz que ele morreu está enganado. Daqui a 300 anos, Rolling Stones será escutado (não ao vivo) como Mozart ou Beethoven. Alguém diz que a música clássica morreu?
O Ministério da Saúde adverte: Spotify e Deezer, se mal usados, podem causar funk e sertanejo universitário.
89
Corinthians e Santos na Capitania Hereditária de São Vicente 🔵
Eu estava bitolado no vestibular para cursar Jornalismo. História era uma das matérias cobradas. Apesar de eu gostar da matéria, precisava desintoxicar da imersão que havia feito nos últimos meses.
Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1998, eis a oportunidade perfeita para eu interromper temporariamente os estudos, vendo um “futibinha”, bebendo um chope gelado, jogando conversa fora e, quem sabe, gritando uns gols.
Meu amigo teve a ideia de assistir à partida no litoral de São Paulo. Por que não? Um excelente motivo para cancelar a infeliz aventura seria evitar descer a Serra numa motinho 125 cc e subi-la, provavelmente, levemente embriagado. Mas a precária e atribulada decisão venceram quaisquer critérios de segurança.
A viagem foi tranquila, apesar de barulhenta e, confesso, como o meu amigo era motoboy, me senti uma mercadoria que precisava ser entregue em tempo recorde. Desafiando caminhões e cortando carros, chegamos.
Ir numa moto 125 era o menor dos problemas. O principal problema foi descoberto na Baixada. Como eu havia me afundado na História, tudo era motivo para eu explicar o significado, a trajetória, os acontecimentos e a importância de alguns imóveis tombados e cada acidente geográfico da região histórica. Acho que fui bem chato, mas valeu pela revisão empírica.
No meu universo particular, eu estava na Capitania Hereditária de São Vicente da Terra de Vera Cruz. E, nessa paranoia, eu não poderia ser contrariado. Jamais. Tudo o que vi, necessitava urgente de reconstrução histórica. Se eu não fizesse urgentemente, ninguém iria fazê-lo, nem o CONDEPHAAT.
Nessa loucura Histórica, o Monte Serrat voltou a ser a Bolsa do Café, o Porto de Santos a ter um agitado mercado de escravos e Martim Afonso de Sousa fundou a primeira cidade do Brasil: a vizinha São Vicente.
Voltei para 1998 quando o jogo começou. Final da partida: 2 a 0. Como cada gol valia 1 chope grátis, economizamos algum dinheiro e eu, que já estava embriagado de História, fiquei com uma simples partida de futebol e um pouco de álcool.
O Corinthians venceu o campeonato daquele ano e eu passei no vestibular do ano seguinte.
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Bar do Barba 🔵
Esse era o local obrigatório das saideiras — quando era cedo ou a sede permanecia — para uma noite de sábado. Frequentávamos essa espelunca por puro costume, pois a Vigilância Sanitária faria hora extra lá. O Barba era o, digamos, proprietário do empreendimento do ramo do entretenimento etílico. O atendimento era péssimo, até mesmo para a escória da sociedade. A comida, provavelmente, possuía coliformes fecais acima do permitido na lei. O pobre infeliz que aventurava-se a morder uma coxinha, contrairia uma infecção estafilocócica. A chapa para o preparo de lanches apresentava rastros de, argh, baratas. A prova do extermínio delas, era a lata de Baygon, estrategicamente posicionada.
O banheiro era, lógico, um capítulo à parte. A toalhinha de rosto, de tão usada, ficava permanentemente úmida e encardida. Essa conjuntura formava um caldo cultural perfeito para a proliferação de bactérias. A cordinha da descarga merecia um teste de carbono 14. Enfim, o, por assim dizer, “toilette” era um ambiente a ser evitado.
O fundo do boteco era onde a mágica acontecia. Para adentrar esse espaço, você tinha que vencer uma portinha. Quem passasse para lá, se isolava do resto do mundo e era brindado com um irritante “videokê”. Esse lugar era um tipo de “bunker”, de modo que, se caísse uma bomba atômica lá fora, apenas sobreviveriam as baratas e quem ali estivesse. Nas paredes, quadros com imagens intrigantes, um pisca-pisca que mal iluminava o, vá lá, ambiente, a pretensa inscrição “Show de Luzes” e o inexplicável aviso “Ambiente Familiar”. No “videokê”, além dos péssimos cantores (inclusive eu), havia o momento Barba. Nesse episódio, o dono do duvidoso estabelecimento comercial, assassinava canções outrora belas. Ele era bovinamente aplaudido .
Esse refúgio, pessimamente frequentado, era, obviamente, um forte candidato a esconderijo de potenciais arquivos vivos. Ali, como em qualquer bar, saía uma briga generalizada de vez em quando. Mas não se podia chamar a Policia. Se qualquer autoridade visse o lugar, pediria sua interdição.
O Bar do Barba ficava em Guarulhos, e lá, determinadas pessoas fazem a “justiça” com as próprias mãos. Essa justiça condenou o Barba. Tentaram continuar o negócio sem ele, mas não era a mesma coisa. O bar fechou.