Lista de Poemas

ESPÉRAME AMOR

Mergulhado no silêncio petardo

Enxerga na memória de menino.

Perdura arrastando o corpo, seu fardo...

Farrapo destas vestes, inquilino.

 

Pinga dos olhos fulguram as vistas

Bambeia nas mãos, um copo de pinga

História só, de dois protagonistas...

Afoga a saudade nessa mandinga.

 

Veemente eterno do amor longínquo,

Tragado na respiração pungente,

Destino mudo, sórdido delinquo.

 

Parece fora ontem tua partida.

Rezo nesses dias desde então ausente...

Morrer, para ver de novo à vida.

133

CARNAÚBA

Carnaúba populeira

Copernícia do Ceará

Cantava a jandaia

Para os tupis

Na árvore do caraná

 

Pariceira cearaense

Manga da seca

Mostra ao bocó

Essa gente corralinda

Contrária de curubau

 

Muitos cabras da peste

Já raparam o gato de lá

Foram pra cambirimbas

Sobreviver à vida

Sem a rapadura entregar
173

O DEPOIS ESQUECIDO

Os jovens vivem

Tão depressa

Que não tem tempo

Para pensar no fim...

Já que ainda estão

Bem perto do começo.
134

GRAÇA QUE GANHEI DE GRAÇA

Dei graças as graças não obtidas

Pois isso já é uma graça recebida

A graça que de graça não é permitida

Somente a graça trabalhada é merecida

E a graça que te foi prometida

É viver de graça em graça a vida.

137

O BEM DE TODO MAL

O mal que fiz para alguém

Fez tão mal a mim também

Que me levou a procurar no bem

O perdão que o mal não tem.

 

O malvado que foge do bem

E ainda deseja-me mal também

É total responsabilidade minha

Pedir para nós dois o bem.

 

O tempo é dono do começo

Mas o fim não pertence a ninguém

O perdão é ponto final do mal

E reticência de todo bem.
108

A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA

Hoje!

Os hipopótamos levantaram primeiro

E lá se foram os meus travesseiros

Direto para a lagoa

Perto da minha cama de feno

Amontoados sobre a grama seca

E todos os hipopótamos

Tinham olhos azuis

Eles submergiam dentre as folhas

Pois o rio seco era banhado

Por uma luz brilhante

De uma lâmpada fria

Que queimava a pele fina e branca

Com listras pretas dos hipopótamos

Tal como as zebras

Mas acabei de me dar conta

Que eram zebras mesmo

E que nunca foram hipopótamos

Na verdade seus olhos

Eram azuis esverdeados

E eu estava apavorado

Como poderia confundir

Durante tantos anos

Zebras com hipopótamos

Resolvi plantar toda minha angústia

Num canteiro sobre a laje

Do edifício ladrilhado

Com pastilhas amarelo ouro

E num piscar de olhos

Um jardim de crisântemos

Floresceram no tapete da sala

Que beirava a cozinha

Onde eu tomava café da manhã

Rodeado de borboletas brancas

E um bode de chifres abobadados

Aguardando para comer as migalhas

Do mingau de aveia que esfriava

Sobre a copa da árvore sem folhas

Pois que era verão

E o frio fazia as araras nadarem

No céu molhado pelo mar

Que jogava para cima

Suas águas transparentes

De vez verde

De vez azul

De vez somente água

Respingando em mim

Enquanto em pensamento

Indagava sobre meu absurdo

De confundir zebras com hipopótamos.
134

PARTIU MINHA POESIA

Acordei sem inspiração

O vazio me completa

Procuro palavras em vão

E a poesia se dispersa.

 

Por mais que tento

Nada vem

Procuro dentro

Nada tem!

 

Desencontro desesperado

Preciso me encontrar

Tento sonhar acordado

Não consigo me achar.

 

Desprovido da palavra

Cada linha espera um verso

A caneta o papel lavra

E as estrofes ficam sem nexo.

 

A música ficou sem letra

E a melodia virou barulho

Lancei de atiradeira

Bem acima do mangrulho...

 
Meu orgulho de poeta

Equilibrado sobre o muro

Tocando como sineta

Lembrando-me do perjuro.

 

Eu jurei para poesia

Nunca me envolver com a dor

Escrever sempre todo dia

Somente versos de amor.

 

Não cumpri o juramento

Desde quando ela se foi

Sumindo no firmamento

Ficando um o que era dois.

 

Dormiu e ainda dorme

Ela nunca que acordou

Meu coração ficou disforme

E só a prosa me sobrou.
126

A ESCOLA DA VIDA

Hoje é dia de prova

E me preparo em oração

O agente se renova

Encarregado da missão.

 

De surpresa me aparece

Uma em cada momento

Cada instante uma prece

Pouco estudo e muito lamento.

 

E na volta para casa

Eu rezo para entrar

É que a fé às vezes jaza

E as provas tende aumentar.

 

Pra quem estuda fica fácil

E também saiba vigiar

Com Jesus tudo é grácil

Ajuda quem tem fé passar.

 

Tem dias que reprovo

Distraído na multidão

Mas o Diretor muito bondoso

Deixa-me em recuperação.

 

 

Tem vezes sem estar pronto

Não querendo arriscar

Fico em prece estudando

Para outra prova eu tentar.

 

A vida é uma escola

Qualquer dia e lugar

Até mesmo na família

Tem professor pra ensinar.

 

O dia é corretor

E quando me esqueço de vigiar

Peço rápido ao Diretor

Outra prova pra tentar.

 

Em todos os anos letivos

Cada dia foi uma lição

Estou fazendo supletivo

Recuperando em oração.

 

Fiz muitas provas no escuro

E foram poucas que passei

Deixei matérias para o futuro

Que no pretérito eu errei.
129

QUIRODÁCTILOS

Os filhos do meu Pai

São os dedos da sua mão

Cada um é diferente

Cada qual tem sua função

Não importa ele estando

Na mais baixa posição

O que importa para o Pai

É que todos sejam irmãos.

 

Na mão de quatro dedos

Tem no mínimo o mindinho

O anelar que está do lado

É dele seu vizinho

Na família tem o médio

Que é o pai de todos

O indicador mal educado

Em todas as festas fura bolo

Mas a mão com quatro dedos

Não serve pra segurar

Nem pode matar piolho

Se faltar o polegar.
139

UM VERME QUERENDO SER VERME

Um verme insignificante

Parou para rezar

Perguntando para Deus

Quando poderia andar.

 

Cansado de rastejar

Queria ar puro respirar

Sair de dentro do homem

E também homem se tornar.

 

Deus respondeu ao verme

Que ainda estava em oração

Muitos homens insatisfeitos

Querem ser mais que criação.

 

Agem muitas vezes contra

A outros filhos meus

Achando-se maior que gente

Querendo ser igual a Deus.

 

Tu que és tão pequeno

Foi te dado grande função

Deixar o homem no lugar dele

Promovendo sua educação.

 

 

Para o homem se lembrar

Que sofisticadas armas

Não conseguem eliminar

Os pequenos agentes do carma.

 

O verme nunca havia pensado

O que tinha como missão

Agradeceu muito acanhado

Orgulhoso da ocupação.
127

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joaoeuzebio

DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO

Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas. Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias. Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ. Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos. Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo. No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá. No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...