rowasouza

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n. 1970 BR BR

n. 1970-02-08, Rio de Janeiro

Perfil
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AMOR

Faz-me por dentro

Um homem novo

Que a idade quis por fim

Lembra-me que a idade

É só uma capa velha sobre mim
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Biografia
Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas. Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias. Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ. Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos. Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo. No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá. No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...

Poemas

87

FOCA

Esperta foca focando

olha distante do mar

a foca focada andando

tubarão não vai pegar.
139

CARTA AOS BRETÕES

Querida vizinha, como vai? Tenho muito prazer em convidá-la para assistir a copa do mundo aqui em casa. Vai ter tudo de bom: fogos; muita carne; cerveja gelada e alho no pão!

Não repara a confusão! Alguns meninos meus estão muito tristes porque gastei o que não tinha para todos agradar. Minha casa ficou linda para poder te convidar e para poder te receber tinha mesmo que enfeitar!

Perdoa essa bagunça dos pequenos filhos meus. Eles são os meus mais novos e sabiam da tua chegada. Estão querendo se mostrar  andando pelas ruas todos juntos a gritar. Liga não que logo passa! Só tão querendo desabafar.

Ah! Que saudade quando a cada um podia esfolar. Mas agora diz meus outros: “Temos que dialogar”! Mas como vê não tá dando certo! Ah! Na minha época de ensinar! A cartilha era o cinto, esse sim, ensinava a respeitar!

Entra minha querida, sei que deve estar cansada! Não se preocupa com o barulho é coisa que não dá em nada. Afinal, é futebol e mais tarde chega o carnaval.

Deus é aqui de casa! Por isso cremos que deixando nas mãos Dele, tudo de bom vai acontecer!

Não tenha nenhum receio! Aqui em casa o mal que praticamos só fere a nós mesmos, aos outros bem tratamos. Nós sabemos receber! Pelo menos nós tentamos! Tem filho meu policial preparado só pra atender você.

 

 

Se achega minha amiga senta aqui pra prosear. Olha só toda essa pilha de roupa que tenho pra lavar. Mas roupa suja se lava em casa, ninguém tem nada que saber o que temos pra lavar. Só a gente aqui de casa pra entender! Meus garotos fofoqueiros com esse tal de celular grava tudo o dia inteiro, não dá nem pra disfarçar. Junta tudo nesses grupos que dá pra compartilhar e a fofoca aqui de casa não dá nem pra controlar. Dizem que tem muita coisa que é falsa por aí... Mas em quem acreditar? A televisão também engana! Isso não dá para negar.

Tempos passados meu Fernando, um querido filho meu, não tinha chance de ganhar pra aqui de casa ele cuidar. Parecia que meu outro, o Luiz, o mais popular, era certo que meus outros colocariam ele aqui em casa pra cuidar. Menina tu não sabe o que aconteceu?! Tudo deu uma reviravolta e colocaram Fernando incumbido dessa missão. Quando eu achava que o outro iria ganhar, pimba! Preferiram o irmão! Ah! Essa tal televisão. Não passou nem muito tempo e já tiraram ele de lá, assumindo outro irmão, o mais velho Itamar.

Todo mal a nós fazemos, fica tudo aqui dentro. Não levamos lá pra fora nenhum tipo de desgraça, exploramos a nós mesmos! Tem vizinha aqui de cima que adora usurpar, mas isso não me interessa quem sou eu para julgar.

 

 

 

 

 

 

Menina nem te conto: Tô toda endividada, todinha até o pescoço. Fui lá no  agiota pedir pra me salvar, um tal FMI, empresta a juros pra pagar. Como eu estou precisando, voltei nele pra pedir: “Preciso de mais dinheiro”! Foi aquele alvoroço e me disse com voz firme aquele belo moço, que até me envergou: “Pra visita tudo dá carne e os seus que roem o osso”! Mas como sempre prometi que dessa vez vou me cuidar. Falou também de outras coisas,que tive de concordar. Aceitei os juros altos pro dinheiro eu levar.

Esse mês vai ter mais conta que outa vez não vou pagar. Meu Deus que desespero, onde é que eu vou parar? Vou tirar da educação? Dá saúde vou tirar? Tiro da segurança, mas essa festa eu vou dar!

Quem controla minha finança são alguns dos filhos meus. Eles tem essa função! Cuidam de tudo aqui de casa: compra do mês e compra do pão. Mas sempre quando eu preciso nunca tem pra me ajudar. Os do meio que trabalham pra essa casa sustentar. Ah! Quando veem que estou brava trocam minha televisão, me dão outra geladeira, sofá, armário e fogão. Isso eu não vou mentir, presente é muito bom! Eles sabem esses danados que sempre dou o meu perdão. Esperam inteiros quatro anos para eu dar outra explosão.

Minha casa era maior dizimaram meu terreno, uma briga de dar dó. Perdi parte do quintal, sorte que foi um pedaço bem pequeno. Não abri mão de mais nada e o sul ainda tenho!

 

 

 

 

 

 

Fui casada quando nova, meu marido um senhor, que criava nessa terra: horta, peixe, fruta e flor. Mas aí, veio um danado, um lindo sedutor; pele branca diferente do primeiro morador. Ele foi tão violento, sucumbiu o meu senhor, me buchou e foi embora, levando tudo que encontrou. Depois veio outro homem, esse de retinta cor, tinha um troço diferente que também me encantou. Por isso aqui em casa, cada um é de uma cor. Mas são todos minhas crianças, cada qual tem seu valor.

Venha aqui pra minha cozinha que vou te fazer um chá! Espero que acerte, nunca vou me acostumar. Aqui gostamos do café direto do pé tirar, pegar aqueles grãos fresquinhos e jogar no moedor, juntar água fervida e sentir todo sabor. Esses grãos da minha terra que tanta gente que plantou.

Senta aqui minha rainha pra comer bolo de fubá. Tudo aqui do meu terreno, o que planta, aqui dá. Tá gostoso esse bolo? Claro que está! Já comeu até outro, pode comer que tem mais fubá.

Chega aqui pra minha sala pra gente fofocar: “A vizinha aqui de cima, tenho mesmo que contar, ela tem muito dinheiro e armas dela vem pra cá. Ela vive dessa guerra, daqui e de acolá, fabrica tanta arma que não falta gente pra comprar. Parece que tem outros que moram do lado de lá, igualzinho ela aqui de cima, também fazem pra exportar. Financiam outras guerras sem data pra acabar”. Etah! Por que ficou vermelha? Engasgou foi? Levanta o braço vai passar! Não sei onde esses meninos guardam?  É muito triste usarem armas sem ter incentivo pra estudar. Viver bem uns com os outros e aprender a se gostar. Mas ficamos em segredo, daquele pássaro tenho medo, ele pode até bicar!

 

Mas me conta, adoro fofocar: “Aquela guerra do Araque, lá perto de você? Deu no quê”? Desculpa! Não quis te encabular. Esquece tudo que falei e vamos outra coisa fofocar?

Menina! Minha prima aqui do lado já brigou contigo né? Por causa de uma ilha? Nossa! Foi uma surra daquelas! Eu fiquei até com dó dela. Mas nada pude fazer? Eu adoro meus meninos e se fosse eu, nunca que brigava com você. Ela bem que já sabia o que iria acontecer... O importante é que acabou!  Deus me livre de alguém querer o que é meu: “Minha Amazônia, meu Pantanal, qualquer coisa daqui do meu quintal”! O que Deus deu a cada um que cuide do seu.

Gostamos muito de ajudar e tiramos da nossa boca para os outros alimentar! Mas deixemos de tristeza e vamos falar de futebol: “Tu que inventou não foi? Aqui no quintal, a gente passa mal! Eles brigam pra valer. E só torcem juntos quando não é contra os daqui. Etah! Que invenção! Você sabia que somos penta campeão...”?

Pode chamar sua família pra vir pra cá torcer. A casa é muito simples, mas não falta pra comer. Temos chá de todo tipo e tudo pra te agradar. Se quiser traz biquíni e vamos todos para o mar.

Tem menino meu que sonha mesmo em ser cantor. Deixei cantar só um pouquinho, antes do jogo começar, é distração pra minha cabeça ouvir um pouquinho ele cantar: "Nessa pele melanina que retemos mais calor, nossos corpos bem mais quentes estão fervendo de amor".  Bravo querido! Lindo da mamãe! Agora pro banho e já!

 

 

 

 

Tá calor vamos à praia? Venha cá se refrescar? Também cá tem cachoeira e o que preferir nós temos cá.  O clima aqui é colorido, nosso clima é tropical, esqueça aquele tom de cinza que tem lá no seu quintal. Aquele frio... Minha Nossa! Aquilo pode fazer mal! Aqui vocês abrem a janela dá bom dia para o sol. Tá levando protetor? Pele branca se dá mal!

Só te peço minha amiga avisar para os seus filhos que respeitem minhas meninas, que já devem estar lá, com biquínis tão pequenos e a bunda para o ar. Aqui pode mostrar a bunda sem ser vagabunda! Querendo pode até vê, mas tem que respeitar! O direito de um começa quando do outro terminar!

 Fim de jogo... Acabou! Acabou! É vida que segue... 

Vou bater nesses meninos que a irmã querem vaiar. Deixa disso seus danados deixa ela entregar o troféu para o ganhador!

 Eu falei pra essa menina pra essa briga não comprar! Tenho medo é que algum dia alguém tire ela de lá.

Eu te levo no portão! Vai com Deus e boa viagem!  Me liga quando chegar!

Me desculpa alguma coisa que não fiz pra te agradar! Nessa festa ainda sou nova, mas por aqui eu vou parar.

Foi boa tua visita e foi um prazer te conhecer!  Querendo sabe o caminho... É só aparecer!
134

O DEPOIS ESQUECIDO

Os jovens vivem

Tão depressa

Que não tem tempo

Para pensar no fim...

Já que ainda estão

Bem perto do começo.
149

PARTIU MINHA POESIA

Acordei sem inspiração

O vazio me completa

Procuro palavras em vão

E a poesia se dispersa.

 

Por mais que tento

Nada vem

Procuro dentro

Nada tem!

 

Desencontro desesperado

Preciso me encontrar

Tento sonhar acordado

Não consigo me achar.

 

Desprovido da palavra

Cada linha espera um verso

A caneta o papel lavra

E as estrofes ficam sem nexo.

 

A música ficou sem letra

E a melodia virou barulho

Lancei de atiradeira

Bem acima do mangrulho...

 
Meu orgulho de poeta

Equilibrado sobre o muro

Tocando como sineta

Lembrando-me do perjuro.

 

Eu jurei para poesia

Nunca me envolver com a dor

Escrever sempre todo dia

Somente versos de amor.

 

Não cumpri o juramento

Desde quando ela se foi

Sumindo no firmamento

Ficando um o que era dois.

 

Dormiu e ainda dorme

Ela nunca que acordou

Meu coração ficou disforme

E só a prosa me sobrou.
137

A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA

Hoje!

Os hipopótamos levantaram primeiro

E lá se foram os meus travesseiros

Direto para a lagoa

Perto da minha cama de feno

Amontoados sobre a grama seca

E todos os hipopótamos

Tinham olhos azuis

Eles submergiam dentre as folhas

Pois o rio seco era banhado

Por uma luz brilhante

De uma lâmpada fria

Que queimava a pele fina e branca

Com listras pretas dos hipopótamos

Tal como as zebras

Mas acabei de me dar conta

Que eram zebras mesmo

E que nunca foram hipopótamos

Na verdade seus olhos

Eram azuis esverdeados

E eu estava apavorado

Como poderia confundir

Durante tantos anos

Zebras com hipopótamos

Resolvi plantar toda minha angústia

Num canteiro sobre a laje

Do edifício ladrilhado

Com pastilhas amarelo ouro

E num piscar de olhos

Um jardim de crisântemos

Floresceram no tapete da sala

Que beirava a cozinha

Onde eu tomava café da manhã

Rodeado de borboletas brancas

E um bode de chifres abobadados

Aguardando para comer as migalhas

Do mingau de aveia que esfriava

Sobre a copa da árvore sem folhas

Pois que era verão

E o frio fazia as araras nadarem

No céu molhado pelo mar

Que jogava para cima

Suas águas transparentes

De vez verde

De vez azul

De vez somente água

Respingando em mim

Enquanto em pensamento

Indagava sobre meu absurdo

De confundir zebras com hipopótamos.
146

O BEM DE TODO MAL

O mal que fiz para alguém

Fez tão mal a mim também

Que me levou a procurar no bem

O perdão que o mal não tem.

 

O malvado que foge do bem

E ainda deseja-me mal também

É total responsabilidade minha

Pedir para nós dois o bem.

 

O tempo é dono do começo

Mas o fim não pertence a ninguém

O perdão é ponto final do mal

E reticência de todo bem.
120

GRAÇA QUE GANHEI DE GRAÇA

Dei graças as graças não obtidas

Pois isso já é uma graça recebida

A graça que de graça não é permitida

Somente a graça trabalhada é merecida

E a graça que te foi prometida

É viver de graça em graça a vida.

150

A ESCOLA DA VIDA

Hoje é dia de prova

E me preparo em oração

O agente se renova

Encarregado da missão.

 

De surpresa me aparece

Uma em cada momento

Cada instante uma prece

Pouco estudo e muito lamento.

 

E na volta para casa

Eu rezo para entrar

É que a fé às vezes jaza

E as provas tende aumentar.

 

Pra quem estuda fica fácil

E também saiba vigiar

Com Jesus tudo é grácil

Ajuda quem tem fé passar.

 

Tem dias que reprovo

Distraído na multidão

Mas o Diretor muito bondoso

Deixa-me em recuperação.

 

 

Tem vezes sem estar pronto

Não querendo arriscar

Fico em prece estudando

Para outra prova eu tentar.

 

A vida é uma escola

Qualquer dia e lugar

Até mesmo na família

Tem professor pra ensinar.

 

O dia é corretor

E quando me esqueço de vigiar

Peço rápido ao Diretor

Outra prova pra tentar.

 

Em todos os anos letivos

Cada dia foi uma lição

Estou fazendo supletivo

Recuperando em oração.

 

Fiz muitas provas no escuro

E foram poucas que passei

Deixei matérias para o futuro

Que no pretérito eu errei.
141

UM VERME QUERENDO SER VERME

Um verme insignificante

Parou para rezar

Perguntando para Deus

Quando poderia andar.

 

Cansado de rastejar

Queria ar puro respirar

Sair de dentro do homem

E também homem se tornar.

 

Deus respondeu ao verme

Que ainda estava em oração

Muitos homens insatisfeitos

Querem ser mais que criação.

 

Agem muitas vezes contra

A outros filhos meus

Achando-se maior que gente

Querendo ser igual a Deus.

 

Tu que és tão pequeno

Foi te dado grande função

Deixar o homem no lugar dele

Promovendo sua educação.

 

 

Para o homem se lembrar

Que sofisticadas armas

Não conseguem eliminar

Os pequenos agentes do carma.

 

O verme nunca havia pensado

O que tinha como missão

Agradeceu muito acanhado

Orgulhoso da ocupação.
143

QUIRODÁCTILOS

Os filhos do meu Pai

São os dedos da sua mão

Cada um é diferente

Cada qual tem sua função

Não importa ele estando

Na mais baixa posição

O que importa para o Pai

É que todos sejam irmãos.

 

Na mão de quatro dedos

Tem no mínimo o mindinho

O anelar que está do lado

É dele seu vizinho

Na família tem o médio

Que é o pai de todos

O indicador mal educado

Em todas as festas fura bolo

Mas a mão com quatro dedos

Não serve pra segurar

Nem pode matar piolho

Se faltar o polegar.
153

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joaoeuzebio

DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO