Lista de Poemas

ESCREVO POR QUÊ?

Para escutar o que quero dizer
Para entender a mim
Para entender você
Para poder me ler
Porque adoro escrever
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EMANUELLY

Jesus andava pensativo, entre os prédios da reencarnação, procurava um candidato para cumprir uma missão: voltar em terra desbravada, pelo comandante Cabral e mostrar a seus irmãos na Terra, que tudo pode tendo fé, mas que seja maior que um grão.

Para o grande auditório, muitos foram convocados. Espíritos se abarrotavam, queriam essa nova encarnação. Faziam grande algazarra, Jesus teve que intervir, pedindo que se calassem, para poderem assistir. 

Após a prece triunfante, todo aquele turbilhão, só falavam pelos olhos, revelando apreensão. Muitos ali não se aguentavam, tantos anos de preparação, achavam estar mais que prontos, para aquela prelação.

Jesus chamou seu assistente, um tal de Pedro Simão, cochichou em seu ouvido, incumbiu-lhe da missão: falar para todos os presentes, dessa nova encarnação. E todos escutavam com muita atenção, cada palavra produzida, pelo tal Pedro Simão. Mas muitos desanimavam, querendo fugir de lá. Eram provas dolorosas, não queriam encarar.

Reencarnaria um só espírito, para poder representar, o brado retumbante de uma minoria secular: um povo humilhado, tão cansado de lutar. Nasceria em terra adorada, mulher negra, carioca, espirituosa, filha de militar. Com ideia educativa para os conceitos criticar e ajudar a distribuir toda riqueza do lugar. E ainda nessa empreitada escolheria se juntar, a uma linda confraria para poder muito ajudar. Deixando a porta aberta, para quem quiser entrar, buscando bênçãos de Maria e muita paz de Oxalá.

Depois daquela explanação, alegaram precisar, mais tempo naquele plano, para poderem se preparar. Jesus olhou atento, toda aquela multidão, que antes estavam prontos para a tal reencarnação. Eis que surge lá do fundo, uma voz na multidão, suave e feminina, quase como uma canção. Disse com versos bem fortes: Senhor! É minha salvação! Deixa que Te represente, clamo a Deus em oração, é chegado o meu momento, estou pronta para missão!

Simão Pedro desconfiado repetiu-lhe a preleção e também afirmou alto: muitos te apontarão! Jesus, homem sensato, que há todos conhecia, aproveitou daquele fato e a parábola repetia: “Que ainda nesses dias, bem poucos entendiam, que muitos eram chamados e poucos os escolhidos”.

Jesus sem perder tempo, sem muito postergar, batiza naquele instante, quem vem para o lado de cá: “Eu te chamo Emanuelly! Deus te habita o coração, retorna nesse dia vinte e começa tua missão. Estaremos sempre contigo, no décimo primeiro mês, comemorando esse dia, todos juntos de uma vez. Nessa data abençoada, nesse país tão gentil, coração de toda a Terra, pátria do evangelho, Brasil”.
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POESIA COTIDIANA

Vejo poesia em quase tudo no dia...

Nas horas duras que se arrastam

Durante o imenso dia,

Teimamos em viver!

Essa vida dura é poesia!

Lutar pra sobreviver!

O sorriso estampa o rosto

Do pai que é torcedor,

Grita junto dos cinco filhos,

Quando o time é ganhador.

Debruçados sobre o muro

Do vizinho perdedor,

Sacaneiam o coitado

Com versinhos sem pudor.

 

Vejo poesia muito longe das brasileiras academias...

Tem poeta encantador, lá na periferia,

Seu reduto sedutor.

Rima pobre em pouca linha,

Pontuando sem temor.

Escreve pra mocinha,

Versinhos de amor.

Em resposta a investida,

Entrega para o admirador,

Tudo que ele mais queria,

Numa noite de amor.

 

Vejo poesia no final de cada dia...

Na hora de dormir

Chega o sonho que liberta,

Traz com ele a ilusão,

De uma vida mais honrosa,

Pra parte pouca da população.

Uma vida mais segura,

Ao sair pra trabalhar,

Deixando cheia a geladeira,

Sem deixar nada faltar.

Os pequeninos amparados

Por doutor familiar.

O dinheiro para o remédio,

Pra doença extirpar.

Voltar pra casa própria,

Na comunidade exemplar,

Com televisão e a mesa farta,

Um sofá pra descansar.

Com a sobra das despesas,

Levar os filhos pra nadar,

Com carro vistoriado,

Mais barato do popular.

Aproveitar o sol de domingo

Para o corpo bronzear.

E com as crianças bem cansadas,

A noite ainda namorar.
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JULINHA

Mãezinha! Daqui me tira...
Quero muito te tocar.
Não sei se é noite ou dia,
Mas quero me alimentar.

Mãezinha! Quero te ver...
Quero muito te abraçar
E lamber a tua bochecha
Até aprender a te beijar.

Mãezinha! Já tá chegando?
Quanto mais vou esperar?
Me tira daqui de dentro
Ou não paro de chutar.

Mãezinha! Vai ser janeiro?
Deixa! Eu vou esperar...
Aguardo até fevereiro,
Meu padrinho vai adorar.
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RAQUEL

Estrela matutina

Camuflada na aurora

Fica ali na alvorada

Sem o pé nunca arredar.

 

Estrela vespertina

Oculta nessa hora

Pensam que já foi embora

E não conseguem te enxergar.

 

Noite cobre a luz do dia

Tentam inútil te achar

Estando em companhia

De outras tantas pra contar.

 

Galileu foi o primeiro

A constatar constelação

Viu que toda estrela brilha

No véu negro da imensidão.
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A COVARDIA DE SER

Nada é original

Dentro do óbvio

E a massa é conduzida

Desequilibrada

E assustada

Delegando para o outro

A covardia de fazer.

 

A intolerância não é minha

E o racismo nunca foi meu

Hipocrisia velada

Na singela figura

Do homem mau

Somos bestas sem coragem

Sendo arrastados

Delegando no outro

A covardia de ser.
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ADÃO

Dia nasce pra acabar

Chega outro pra ficar

Termina aqui começa lá

Nasce outro no lugar.

 

Dia tão primitivo

Substância de algum

Indefinido indivíduo

Pronome de nenhum.

 

O dia aqui está apagado

Nasce o sol noutro lugar

Certeza tenho que um dia

Vamos nos reencontrar.

 

Quando o ventre abre a porta

Para um novo dia entrar

Tudo faz melhor sentido

Um sair para outro chegar.

 

Ontem o pão era só trigo

Cansou de esperar

A chegada da colheita

Pra poder se transformar.

 

A manhã tão dependente

De tarde tanta correria

A noite chega para todos

A vida é somente um dia.

 

Esperar o fim das horas

O relógio badalar

Na exata zero hora

Todo fim vai começar.
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AFRESCO

Eu pinto de madrugada

Deixo a cama no lugar

Desperto na matutina

Antes do galo cantar.

 

Sem papel e sem caneta

Com pincel numa das mãos

Pinto as letras nas paredes

Onde passam a multidão.

 

Alguns dentro dos seus carros

Outros em pé na condução

Enxergam na pintura carioca

Com os olhos do coração.

 

O meu nome é Gentileza

Poeta da solidão

Muito mais do que palavras

Pinto versos de oração.
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PEQUENO DAVID

Oh tempo debochado

Quando passa tudo aumenta

O que se ouve

O que se cheira

Sem mais nada aumentar

Oh tempo debochado

Dono de toda estação

Diminui tudo no frio

Aumentando no verão

Oh tempo debochado

Observa admirado

E faz muita gente rir

Escultura de um gênio

Um pequenino campeão

Ficou tão envergonhado

Preferia ser vilão
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CANHOTO

Malditos sejam esses canhotos! Oh! Povo sem coração. Não perdoam seus irmãos destros e fazem-me ter raiva, dessa parte esquerda da nação. Que por falta de empatia, não se colocam no lugar do seu irmão.

Os destros acharam que poderiam eleger um candidato sem noção, para governar esse país, destruído por ambição.

Alguns estão arrependidos dos seus votos acalorados, da última eleição. Mas, estão resguardados, pelo direito humanizado, como qualquer cidadão: elegeu a maior parte da população.

Mas esse povo cruel do “eu te disse”, não perdoa! Não aceitam a regeneração dos desvalidos da vidência, que acreditaram no candidato bobalhão.

Votaram para crer, ou melhor, pagaram para ver. E agora estão vendo!

Todos têm o direito de errar! Mas até para errar, tem que errar direito!
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joaoeuzebio

DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO

Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas. Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias. Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ. Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos. Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo. No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá. No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...