Happy Hour
Sai mais uma vez ao vento
Enche tua alma da brisa
Ventura do amor e alento
Que a toda dor cicatriza
Ainda que em tempo incerto
Teu ser, encontrar precisa
Oculto em um olhar discreto
A graça de uma Monalisa
Corre, abandona a carga
Vai de encontro ao destino
Há muita vida além desta serra
Apressa-te, a noite não tarda
O trem do tempo é mesquinho
Para pouco e a ninguém espera
DESCRENÇA
Não creio:
- No tempo como instrumentalidade do perdão;
- No arrependimento sem lágrimas;
- No amor que não se expressa em obras;
- Nas mudanças sem a firmeza dos propósitos;
- Na solidariedade dos discursos;
- No perdão cunhado em bronze;
- Nas amizades curtidas nos interesses;
- Na alegria regada no mosto;
- Na caridade do sobejo;
- Na ideologia da conveniência;
- Na fé que não enfrenta as tempestades;
- Na justiça dos impróbios;
- Na felicidade dos profanos;
- Na paz dissociada da decência;
- Na esperança não fundamentada na Cruz.
A ECLOSÃO
De repente ela caiu em si - estava só. Descobriu que a sua fortaleza de pedra, intransponível aos olhos do mundo, a qual pensara por tanto tempo ser o seu refúgio era de fato o seu degredo. Lá isolou seus entes da crueldade do mundo, do desenfreio urbano e da lascívia do consumismo. Sua casa fortificada a consumira em cuidados. Passara os melhores dias da sua vida postada de sentinela, lutando para que as angústias da vida não atingisse aos seus filhos como havia feito com ela. A procriação transforma os sentimentos humanos. Troca-se o fascínio da aventura pela âncora da segurança. Faz do comedor de ovos um guardião de ninhos, da faladora desbocada a voz da prudência e o ditame da moralidade.
Tudo parece seguro até que os ovos eclodem. As janelas agora não são forçadas por fora, mas abertas por dentro em surdina à sombra da confiança. São os filhos que quebram as cascas dos ovos, por isso são chamados de rebentos. É dura e triste a sensação de ter lutado em vão. Os sonhos construídos na fornalha do sacrifício são agora desfeitos na moenda do descaso, da ingratidão explícita e no curtume da indiferença. O segundo parto dói muito mais que o primeiro. No primeiro o sonho alivia a dor, mas no segundo é o desfazer dos sonhos que provoca as dores. Num nasce a esperança no outro a desilusão. Num a alegria de conhecer quem chega no outro a tristeza de se desconhecer quem parte.
Já não sabe se chora por si ou por eles. A dor da desilusão é tão profunda quanto a amargura do desterro. Busca conforto no sentimento da obrigação cumprida, mas este foge dela lançando-lhe ao rosto a sua vida usada e o seu esforço inútil em favor de quem não o merecia. Posteriormente, depois de aprender a suportar a amargura da derrota, tentará achar no sorriso infante de seus netos o bálsamo de gratidão que lhes devia os filhos. Pensando bem, se tivesse a chance de recomeçar, faria tudo do mesmo jeito. Carregaria consigo a dor da abnegação vazia, mas guardaria sempre em seu bojo a certeza de que amou acima da razão e que tudo fez para que eles fossem plenamente felizes.
Carta ao Papai Noel
Meu querido Papai Noel, sou muito grato a você pelos presentes que você me tem dado todos os anos. No Natal passado ganhei uma bike importada e um game station. Fiquei muito feliz. Vovó me disse que você é um velhinho muito bom e que faz a alegria das crianças. Eu acho isso muito bonito. Não sei onde você mora, mas sendo assim tão bonzinho, deve morar perto do céu. Quero te pedir uma coisa: este ano, não me mande presentes, apenas me faça um favor: Sei que a sua tarefa é fazer as crianças felizes e minha mãe não é criança, mas é que ela anda muito triste, ultimamente. Assim, ao invés de trazer presente pra mim, você podia trazer uns presentes para ela. Eu não sei se você tem mãe, mas se tiver uma saberá que não há como ser feliz quando a mãe da gente está triste. Não sei o que ela quer no Natal. Se ela fosse criança eu até saberia, porque sei o que minhas primas gostam quando ganham de presente. Eu só sei que, às vezes, quando eu a vejo de joelhos orando, ela pede a Jesus algumas coisas que eu não compreendo bem. Já a vi pedindo sustento, carinho, compreensão, tranqüilidade e paz de espírito. Não sei o que são estas coisas, nunca vi ninguém brincando com isto, mas devem ser coisas boas, senão ela não pediria. Provavelmente você não tenha nada disso na sua oficina porque só faz brinquedos, mas morando aí perto do céu você pode ver com Jesus o que são essas coisas e trazer para ela no seu trenó de natal, quando vier à minha casa. O quarto dela fica depois do meu. Passe só depois de meia noite, porque ela demora a dormir. Ah! sim, mais uma coisa. Eu já ia esquecendo: Não diga a ela que foi eu que pedi isso a você. Quero ver o sorriso dela cheio de surpresa. Um beijo. Carlinhos.
O presente de Papai Noel
Papai Noel, no mês passado eu completei sete anos de vida. Fui para a escola e descobri que você na verdade não existe. Fiquei muito decepcionado, mas depois pensando melhor, conclui que você nunca existiu mesmo. Não estava aqui quando eu chorava; nunca me levou para brincar na praça nem entrou comigo em uma piscina. Deu-me uma bicicleta, mas não me ensinou a andar nela. Não tenho nenhuma foto de você comigo. Este ano eu quero outro presente. Não o presente do papai, mas o papai presente. Presente quando eu chorar, quando eu sorrir, ou simplesmente quando eu quiser um colo pra deitar. Quero você presente para ser o meu herói e me fazer sonhar como os outros garotos sonham. Não quero mais dormir abraçado com o cachorro de pelúcia, quero o meu pai. Não me interessa se você vive magoado com minha mãe, eu sou seu filho e quero que você seja de fato o meu pai. Pode deixar aqui o presente que me trouxeste, mas leve a caixa vazia contigo para que se lembre que estás ausente para comigo. E que sem você o meu passado foi triste, o meu presente é vazio e o meu futuro é incerto e tenebroso. Beijos, Carlinhos.
BRANCA DE NEVE
Já não quero mais caminhar
Eu ando trôpego sem ti
Teu passo era meu compasso
Já não quero mais conversar
Ninguém me escutava como tu
Entendias o que não falei
Não há mais anedotas a contar
Ninguém sorria como tu
Debochavas de mim com ternura
Não há mais com o que sonhar
A minha inspiração eras tu
Encanto que se desfez
Não há muito a se explicar
A Branca era de neve
E ao calor do sol derreteu
Não houve final feliz
O castelo foi demolido
E a princesa morreu
E N S I N O M E D Í O
Não precisa estudar nada
Quem quer fazer faculdade
Só reprova quem não paga
É uma nova realidade
Ralar em livro é absurdo
Estudar é coisa brega
A internet tem tudo
Marca-se, cola e entrega
Quatro anos passam rápido
É um ótimo investimento
Com um cachê intermediário
Forma-se antes do tempo
Se for gente de influência
Logo estará empregado
Numa ONG, na Previdência
Quiçá até no Senado
Entre em cargo de confiança
Por um amigo deputado
E em acordos de lideranças
Serás logo efetivado
É o novo ensino m e d í o
Que o PT implantou
Medíocre em todos os termos
Honoris causa ao "doutor"!
COTAS RACIAIS
é cretinice, é hipocrisia:
Querer que navegue em trevas
Quem nunca viu a luz do dia
é afronta, é insanidade:
Matar por sucumbência e desengano
Aos que se negou o ensino de qualidade
Não é coceira ou virose
Aprendizado é um processo
Nunca vi conhecimento se transferir por osmose
é muita petulância:
Matam a escola por inércia
E fazem da faculdade o sepulcro da ignorância
é a política mesquinha
E não a cor quem segrega
é caviar para elite, prá pobre pão e farinha
Prá os filhos de apadrinhados
Há creches escolas e transporte
Mas lá na periferia, até o lanche é mofado
é um plano vil, plano macabro
Jogam os pobres no fogo
Fazendo-os sentirem-se os culpados
SÓ PRA VER TEU SORRISO
Passei pelo Face para ver teu sorriso
Pois me encanta, fascina e mexe comigo
Traz da vida doçuras que eu já havia esquecido
Dá-me orgulho e alegria o eu ser teu amigo.
Quando eu estava tristonho, fui lá ver teu sorriso
Contei piadas sem graça, só pra ver teu sorriso
Levantei altas horas, fui buscar teu sorriso
Incipientes poemas, só prá ver teu sorriso.
Tu estás tão distante, mas tenho o teu sorriso
Teu calor eu não sinto, mas o imagino comigo
Que beleza inefável, é este teu lindo sorriso
Abundante e irrestrito, a dar vida aos amigos.
ASAS DOS SONHOS
No mundo dos meus sonhos é plena a vida
Lá sou teu e és minha, como a brisa e mar
Sem que dolo ou temor nos restrinja ou iniba,
tudo é belo é carícia, é um eterno bailar
Bendita madrugada que a Morfeu nos entrega
E no país das delícias nos faz mergulhar
Que importa se é sonho, ilusão ou quimera?
Deixo a magia dos sonhos minha vida guiar
Descobri que o sono é a saúde do corpo
Ao dormirmos a força nos vem renovar
pois sonhando contigo eu acordo mais moço
para mais uma vez tentar te conquistar
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza