ODISSÉIA
Depois de longa jornada, parei!
Contei meus passos e tropeços
No mapa da vida as mudanças de rota
Subi nas asas do tempo, voltei!
Revi cada decisão tomada
Agora como quem já conhece a dor
Percorri os sonhos da juventude, pasmei!
Vivi as glórias de quem com alma ama
Nada ousei mudar no meu percurso
De volta ao porto da realidade, chorei!
Tudo o que fiz, faria de novo
Senti orgulho em ser quem sou
QUERO
Quero ver o teu sorriso nas minhas chegadas
E a confiança de quem ama nas minhas partidas
Quero o teu encanto nas manhãs ensolaradas
Mas também teu canto nas tardes caídas
Quero teu mimo nas noites cor-de-rosa
Mas também as rosas nas noites sem cor
Quero a euforia no ouvir de minhas prosas
Mas também ternura quando calado for
Não quero presentes para fazer amor
Quero o amor a se fazer presente
Mesmo quando a jornada difícil esteja
E quando a formosura do teu corpo se for
Tua simples companhia me fará contente
Pois na graça de tua alma está tua beleza
BREVE JORNADA
Olhai as sombras,
A marcha do sol é contínua
Vede as dunas,
Nada é perene ao reger do tempo
Observai os ninhos,
A vida se renova a cada alvorada
Contemplai o espelho,
O tempo arrasta os vagões da vida
Olhai o crepúsculo,
O dia se apaga, mesmo ante sonhos inconclusos
Olhai o mar,
Para lá se vão todas as águas
Vede os peixes,
O frenesi acaba quando a ração termina
Lavai os olhos,
Cada dia merece seu novo alento
Amai ao próximo,
Quem sabe, seu último amigo no caminho
Dobrai os joelhos,
Há bálsamo pra toda dor no trono eterno
Olhai o esquife,
Toda soberba é vazia, ante o clarim da morte
Olhai para cima,
Alguém te espera ao final da jornada
Abra uma semente,
Só há um que detém o poder da vida
Olhai para a cruz,
Há quem alveje vossas veste manchadas
FOLHAS AO VENTO
Em nada me admires
Nem sequer me censures
Ao meu ego não afagues
Nem também me esmurres
De herói não me faças
Nem também de bandido
Sou um vulto que passa
Para ser esquecido
Minhas marcas no mundo
Vem o tempo e apaga
O que te parece profundo
Lá no fundo é nada
Nada fiz de concreto
Tudo foi passageiro
No que pus meu afeto
Foi-se em vento ligeiro
Que importa escrituras
Do que alguém veio a ter?
Tempo, vento e chuva
A tudo faz perecer
Só há um que merece
A vossa admiração
Exaltai-o nas preces
Ele reina em Sião
DEUS NÃO AINDA
Deus não ainda cura
Deus não ainda restaura
Deus não ainda perdoa
Deus não ainda fala
Você ainda pode nele crer!
Ainda pode ser curado!
Ainda pode o receber!
E ser por Ele resgatado!
Deus cura, Deus faz; Deus rege;
Mas Ele vos ama, vede isto,
Oh efêmeros, tais quais vermes!
Deus era; Deus é e sempre o será
Quem assim crê, desfruta disto
Mas quem não o crê, constatará
OVELHA CAMPESTRE
Às vezes tu pensas que não prezo por de ti
Pois te deixo tão solta, não vivo a ti seguir
Eu sei que há perigo em meio à cerração
Atrás de uma rocha pode haver um leão
Que uivem os lobos ao vê-la passar
A ovelha esperta não se deixa levar
Ovelha em cabresto é que deseja fugir
Mas a livre e feliz, não é vista a mugir
Lobos e raposas há em todo lugar
O coelho ou a lebre tem é que se cuidar
Da gaiola a loucura, nunca foi proteção
A ovelha da relva, a correr e saltitar
Corre riscos de fato, pode se machucar
Mas é livre e feliz, longe da escravidão
FACETAS
Amores e dores
Nas mesmas cores
Espinhos e flores
Tristeza ou saudade
Ora parte ora invade
Ora adoça ora arde
Choro e canção
Luz e escuridão
Entre sonho e razão
Fé e desengano
Acendendo e apagando
Continuo tentando
Ora sábio ora um tonto
Ora atraio ora espanto
Ah se um dia eu te encanto!
DESAPEGO
Parte meu bem depressa, antes que amanheça
Quero com as estrelas, ver apagar esta ilusão
Prá que desta noite eu sem demora esqueça
Loucuras e fantasias a entorpecer meu coração
Parte depressa, deixa-me a sós com a tristeza.
Minhas desventuras, não as queiras conhecer
Não manches em mágoas a tua graça e beleza
De novo as quero, se outra vez puder te ver
Parte meu bem com a alegria e o sorriso
De quem possui toda magia e sedução
Pois és a barca que conduz ao paraíso
Meu ser desfeito por tristeza e solidão
PAISAGEM DE NATAL
Não sei exatamente porque, mas para mim a melhor paisagem de Natal está associada à imagem de umas casinhas num recanto da serra, cobertas de neve e com suas chaminés esfumaçando num céu cheio de estrelas. É estranho como a imaginação nos transporta para este mundo irreal, bucólico e fantasioso, pois nunca estive num lugar assim. Muitos dizem que as paisagens de Natal são assim definidas porque foram apregoadas pelos europeus e, como é inverno na Europa no mês de dezembro, as imagens de natal ficam assim associadas a ele. Todavia, eu ouso pensar diferente.
Para mim o Natal é aconchego. É o momento da busca de braços fraternos, familiares ou não. É a lembrança da humanidade dos homens. É a hora de nos lembrarmos que não somos só umas máquinas ferozes, lutando por espaço num mundo egoísta e competitivo. A vida é mais que uma disputa, é uma tela vazia onde cabe a nós definir as cores. Somos humanos, precisamos de afeto, carinho, amor, perdão e fraternidade. A alegria autóctone não existe e a beleza só toma forma na instrumentalidade de seus admiradores.
Independente das guloseimas, nenhuma ceia é plena sem os seus convidados. O sorriso para o espelho loucura e nada mais que isso. É o brilho dos olhos alheios que dá realização as almas. Tudo o que temos e fazemos é com o propósito de encontrar nos olhares de outrem o brilho do orgulho, o sorriso do reconhecimento e o gesto da gratidão pela nossa existência. É esta a emoção que dá sabor a vida e coroa de louros a nossa jornada. Sem isto, toda carreia é inútil e toda a glória alcançada é vã. O Natal representa o aquecer dos corações pela lareira do amor divino, num mundo frio, injusto e mesquinho. Feliz Natal
O PRESÉPIO DE JESUS
Muitos dos que entraram saíram logo. Alguns até com seus narizes tampados de nojo. Outros nem sequer chegaram perto, apenas balançaram a cabeça com ares de quem perdeu a viagem. Também, o lugar era horrível. Fezes de animais e mosquitos por toda parte. Não sei como alguém consegue ficar num ambiente destes. Assim era a estrebaria, sem tirar nem por nada; cavalos, vacas, cachorro, porcos e outros pequenos animais. Todavia, em um cantinho dela, num pequeno cocho forrado de palha, estava o menino Jesus. Simples e resplandecente. Trazia em seu olhar a esperança, não de um povo, mas de toda a humanidade. Nele estava a redenção e o cumprimento de todas as promessas. Nele a vida tomava forma, não a vida do menino, mas a vida eterna aos homens.
Quando queremos ir ver a Jesus é preciso ter foco. Há sempre muitos incômodos. Nas igrejas também há porcos, cachorros, vacas e vários insetos. Quem vai a igreja para ver a Jesus não se importa com o contexto. Ele é a luz, e luz resplandece nas trevas. A estrebaria não foi desocupada para que Jesus recebesse os seus adoradores. Estes foram lá e o adoraram. Quando bucarmos critérios para limpar um lugar onde queremos que Jesus esteja, perceberemos que, na maioria das vezes, deveríamos também ser expurgados na faxina!
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza