ROTAS OPOSTAS
A beleza da adoção
Do abandono a loucura
O amor de uma paixão
O ódio na desventura
A dedicação dos pais
A ingratidão dos filhos
Multidões nos festivais
Mas de corações vazios
A ilusão dos que chegam
O desengano dos que se vão
A luta dos que trabalham
As mordomias da prisão
A alegria das crianças
A tristeza dos velhos
Os olhares de esperança
Nos que se fazem de cegos
Sustento para os vadios
Miséria pra aposentados
Estádios reconstruídos
Hospitais abandonados
Cura e graça as multidões
A calúnia, a cruz e os pregos
Mensagens nas televisões
Mais distância do evangelho
OURO DE LOUCOS
Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
ALMEJOS – Desejos da Alma
Almejo as poesias líricas, de beleza pura
Não os versos tristes manchados de dor
Almejo ver em todos, o olhar da ternura
A nobreza esplêndida, adornada de amor
Almejo encontrar no despontar alvorada
A esperança dos homens, a fé no amanhã
Não a violência que assombra a madrugada
Que semeia as tristezas e alimenta o pavor
Almejo ver em todos, o sorriso da criança
O olhar sem inveja, a feição do amor
Onde a fraternidade plenamente reinasse
Almejo a boa fé, mãe de toda a esperança
Que desfazendo as mágoas faz nascer a flor
E ver no moribundo a alegria de quem nasce
DEUS NÃO AINDA
Deus não ainda cura
Deus não ainda restaura
Deus não ainda perdoa
Deus não ainda fala
Você ainda pode nele crer!
Ainda pode ser curado!
Ainda pode o receber!
E ser por Ele resgatado!
Deus cura, Deus faz; Deus rege;
Mas Ele vos ama, vede isto,
Oh efêmeros, tais quais vermes!
Deus era; Deus é e sempre o será
Quem assim crê, desfruta disto
Mas quem não o crê, constatará
FOLHAS AO VENTO
Em nada me admires
Nem sequer me censures
Ao meu ego não afagues
Nem também me esmurres
De herói não me faças
Nem também de bandido
Sou um vulto que passa
Para ser esquecido
Minhas marcas no mundo
Vem o tempo e apaga
O que te parece profundo
Lá no fundo é nada
Nada fiz de concreto
Tudo foi passageiro
No que pus meu afeto
Foi-se em vento ligeiro
Que importa escrituras
Do que alguém veio a ter?
Tempo, vento e chuva
A tudo faz perecer
Só há um que merece
A vossa admiração
Exaltai-o nas preces
Ele reina em Sião
OVELHA CAMPESTRE
Às vezes tu pensas que não prezo por de ti
Pois te deixo tão solta, não vivo a ti seguir
Eu sei que há perigo em meio à cerração
Atrás de uma rocha pode haver um leão
Que uivem os lobos ao vê-la passar
A ovelha esperta não se deixa levar
Ovelha em cabresto é que deseja fugir
Mas a livre e feliz, não é vista a mugir
Lobos e raposas há em todo lugar
O coelho ou a lebre tem é que se cuidar
Da gaiola a loucura, nunca foi proteção
A ovelha da relva, a correr e saltitar
Corre riscos de fato, pode se machucar
Mas é livre e feliz, longe da escravidão
AMORGRAFIA
O amor é um fogo de facho
Calor que evapora o riacho
Loucuras que só ele faz
O amor tem as raspas de tacho
Tem mel e tem uvas em cachos
E o gostinho de "quero mais"
O amor tem lembranças obscuras
Tem na dor o colchão e a ternura
Saudades do que é fugaz
O amor tem tristezas ocultas
Loucuras em vidas impolutas
Carência dura e tenaz
O amor tem enrustido o seu medo
No carinho, as doses de placebo
Pra uma dor que não se desfaz
O amor tem o glamour de momentos
Tem ódio entre outros sentimentos
Tem ventos que só o tempo traz
O amor tem a magia dos fados
Mas também cicatrizes de cravos
Que nem um outro amor as desfaz
O amor tem ranhuras profundas
Paixões que se leva pra tumba
Das quais não se esquece jamais
O PRESÉPIO DE JESUS
Muitos dos que entraram saíram logo. Alguns até com seus narizes tampados de nojo. Outros nem sequer chegaram perto, apenas balançaram a cabeça com ares de quem perdeu a viagem. Também, o lugar era horrível. Fezes de animais e mosquitos por toda parte. Não sei como alguém consegue ficar num ambiente destes. Assim era a estrebaria, sem tirar nem por nada; cavalos, vacas, cachorro, porcos e outros pequenos animais. Todavia, em um cantinho dela, num pequeno cocho forrado de palha, estava o menino Jesus. Simples e resplandecente. Trazia em seu olhar a esperança, não de um povo, mas de toda a humanidade. Nele estava a redenção e o cumprimento de todas as promessas. Nele a vida tomava forma, não a vida do menino, mas a vida eterna aos homens.
Quando queremos ir ver a Jesus é preciso ter foco. Há sempre muitos incômodos. Nas igrejas também há porcos, cachorros, vacas e vários insetos. Quem vai a igreja para ver a Jesus não se importa com o contexto. Ele é a luz, e luz resplandece nas trevas. A estrebaria não foi desocupada para que Jesus recebesse os seus adoradores. Estes foram lá e o adoraram. Quando bucarmos critérios para limpar um lugar onde queremos que Jesus esteja, perceberemos que, na maioria das vezes, deveríamos também ser expurgados na faxina!
PAISAGEM DE NATAL
Não sei exatamente porque, mas para mim a melhor paisagem de Natal está associada à imagem de umas casinhas num recanto da serra, cobertas de neve e com suas chaminés esfumaçando num céu cheio de estrelas. É estranho como a imaginação nos transporta para este mundo irreal, bucólico e fantasioso, pois nunca estive num lugar assim. Muitos dizem que as paisagens de Natal são assim definidas porque foram apregoadas pelos europeus e, como é inverno na Europa no mês de dezembro, as imagens de natal ficam assim associadas a ele. Todavia, eu ouso pensar diferente.
Para mim o Natal é aconchego. É o momento da busca de braços fraternos, familiares ou não. É a lembrança da humanidade dos homens. É a hora de nos lembrarmos que não somos só umas máquinas ferozes, lutando por espaço num mundo egoísta e competitivo. A vida é mais que uma disputa, é uma tela vazia onde cabe a nós definir as cores. Somos humanos, precisamos de afeto, carinho, amor, perdão e fraternidade. A alegria autóctone não existe e a beleza só toma forma na instrumentalidade de seus admiradores.
Independente das guloseimas, nenhuma ceia é plena sem os seus convidados. O sorriso para o espelho loucura e nada mais que isso. É o brilho dos olhos alheios que dá realização as almas. Tudo o que temos e fazemos é com o propósito de encontrar nos olhares de outrem o brilho do orgulho, o sorriso do reconhecimento e o gesto da gratidão pela nossa existência. É esta a emoção que dá sabor a vida e coroa de louros a nossa jornada. Sem isto, toda carreia é inútil e toda a glória alcançada é vã. O Natal representa o aquecer dos corações pela lareira do amor divino, num mundo frio, injusto e mesquinho. Feliz Natal
FANTASIAS DE NATAL
Apesar do mercantismo - coisa que eu detesto por princípio, acho o natal um período mágico maravilhoso. É claro que está cheio de símbolos sem fundamentação histórica ou religiosa, mas o quechamo aqui a atenção é ao poder da fantasia. Para os adultos pode ser babaquice, mas para uma criança a fantasia talvez seja a única válvula de escape que lhe resta em um mundo de desilusões e tragédias.
Esqueçamos as tragédias, quero lembrar aqui da minha primeira arvore de natal. Primeira? Talvez não, mas a primeira a ser fotografada na tela do meu mundo infantil e a me transportar além das fronteiras de uma realidade dura e cruel. Lembro-me como se fosse hoje. Nunca imaginei que houvesse algo assim: bolas coloridas espelhadas e resplandecentes que cintilavam ao piscar de estrelinhas mágicas numa visão de encanto que jamais esqueci. Transportei-me para o mundo dos sonhos. Conclui que o paraíso deveria era daquele jeito. Nunca havia visto luz elétrica nem bolas espelhadas em cores tão divinas. Fiquei preso ali por horas sem que nada conseguisse tirar a minha atenção até que me tirassem a força. Senti-me como Adão sendo expulso do paraíso. Jamais esquecerei aquele dia.
Interessante, o que coisas simples como bolas de lantejoulas e uma bateria ligada há um pisca-pisca podem fazer com a mente de uma criança carente? Neste Natal, pegue uma criança da periferia e leve ao shopping, pague-lhe uma volta na pista de gelo e um sorvete de morango e estarás eternizado no mundo de suas fantasias! Feliz Natal. Ho, ho, ho, ho!
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza