PORTA DO CÉU
Amor igual jamais se viu
Amor assim não haverá
De sua glória a porta abriu
Ao pecador deixou entrar
Amor repleto de perdão
Ao recomprar o que era seu
Pagar em sangue, expiação
Para apagar, pecados meus
Ninguém consegue imaginar
A imensidão deste amor
Seu próprio filho expiar
Pra ser pra sempre o Salvador
Jamais pensei, jamais sonhei
No céu poder um dia entrar
Mas em tua graça encontrei
Admissão no eterno lar
CORAÇÃO INDIVISÍVEL
Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
OURO DE LOUCOS
Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
VISITA A XINGÓ
Vi um rio tristonho
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
QUANDO
Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
A MORTE DO AVARENTO
Chega a noite escura sobre o avarento
De sua soberba se extingue a voz
Todos o desprezam, deixam-no ao relento
Padece sozinha, sua alma atroz
Por suas riquezas querem o seu emborco
Nenhuma companhia no seu desviver
Abreviem a morte, cremem logo o corpo!
É o que, de seus entes, se ouve o dizer
Como erva daninha, sua vida encerra
Palha que esvoaça em meio a ventania
Murcha, seca e morre, cessa a tirania
A viuvez dispara o dividir das terras
Filhos se espedaçam em meio a partilha
São as cópias exatas do rei da matilha
ROTAS OPOSTAS
A beleza da adoção
Do abandono a loucura
O amor de uma paixão
O ódio na desventura
A dedicação dos pais
A ingratidão dos filhos
Multidões nos festivais
Mas de corações vazios
A ilusão dos que chegam
O desengano dos que se vão
A luta dos que trabalham
As mordomias da prisão
A alegria das crianças
A tristeza dos velhos
Os olhares de esperança
Nos que se fazem de cegos
Sustento para os vadios
Miséria pra aposentados
Estádios reconstruídos
Hospitais abandonados
Cura e graça as multidões
A calúnia, a cruz e os pregos
Mensagens nas televisões
Mais distância do evangelho
ODISSÉIA
Depois de longa jornada, parei!
Contei meus passos e tropeços
No mapa da vida as mudanças de rota
Subi nas asas do tempo, voltei!
Revi cada decisão tomada
Agora como quem já conhece a dor
Percorri os sonhos da juventude, pasmei!
Vivi as glórias de quem com alma ama
Nada ousei mudar no meu percurso
De volta ao porto da realidade, chorei!
Tudo o que fiz, faria de novo
Senti orgulho em ser quem sou
ALMEJOS – Desejos da Alma
Almejo as poesias líricas, de beleza pura
Não os versos tristes manchados de dor
Almejo ver em todos, o olhar da ternura
A nobreza esplêndida, adornada de amor
Almejo encontrar no despontar alvorada
A esperança dos homens, a fé no amanhã
Não a violência que assombra a madrugada
Que semeia as tristezas e alimenta o pavor
Almejo ver em todos, o sorriso da criança
O olhar sem inveja, a feição do amor
Onde a fraternidade plenamente reinasse
Almejo a boa fé, mãe de toda a esperança
Que desfazendo as mágoas faz nascer a flor
E ver no moribundo a alegria de quem nasce
BREVE JORNADA
Olhai as sombras,
A marcha do sol é contínua
Vede as dunas,
Nada é perene ao reger do tempo
Observai os ninhos,
A vida se renova a cada alvorada
Contemplai o espelho,
O tempo arrasta os vagões da vida
Olhai o crepúsculo,
O dia se apaga, mesmo ante sonhos inconclusos
Olhai o mar,
Para lá se vão todas as águas
Vede os peixes,
O frenesi acaba quando a ração termina
Lavai os olhos,
Cada dia merece seu novo alento
Amai ao próximo,
Quem sabe, seu último amigo no caminho
Dobrai os joelhos,
Há bálsamo pra toda dor no trono eterno
Olhai o esquife,
Toda soberba é vazia, ante o clarim da morte
Olhai para cima,
Alguém te espera ao final da jornada
Abra uma semente,
Só há um que detém o poder da vida
Olhai para a cruz,
Há quem alveje vossas veste manchadas
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza