DOCE RECADO
Singelo recado se transmite com flores
Símbolo do carinho e do afeto o calor
Na delicadeza e no pulsar das cores
Mais que palavras, nos falam de amor
Restauram da alma as belezas perdidas
Apagam a amargura, despertam a paixão
Relembram ao tristonho quão bela é a vida
Despertam a doçura, renovam a ilusão
São tuas estas flores, as colhi para ti
Não segue missiva, pois nada escrevi
Recado calado, sem início e sem fim
Elas já dizem tudo que não ouso dizer
São tudo que vejo e que gosto em você
Agradeça-me apenas sorrindo pra mim
QUERO
Quero ver o teu sorriso nas minhas chegadas
E a confiança de quem ama nas minhas partidas
Quero o teu encanto nas manhãs ensolaradas
Mas também teu canto nas tardes caídas
Quero teu mimo nas noites cor-de-rosa
Mas também as rosas nas noites sem cor
Quero a euforia no ouvir de minhas prosas
Mas também ternura quando calado for
Não quero presentes para fazer amor
Quero o amor a se fazer presente
Mesmo quando a jornada difícil esteja
E quando a formosura do teu corpo se for
Tua simples companhia me fará contente
Pois na graça de tua alma está tua beleza
LUA NEGRA
Tua jornada é escura, tenebrosa e triste
Nenhuma luz norteia o teu caminhar
Só em desesperanças teu viver consiste
Alma sem alento, triste a vaguear
Que lauréis esperas ao findar da vida?
Que propósitos levas no viver insano?
Onde a tua alma encontrará guarida
Quando da morte fria te cobrir o manto?
Há uma alegria que em tua vida cabe
Cristo a luz do mundo veio a revelar
Vida além da vida podes desfrutar
Derrotou a morte, descerrou o hades
Vivo e ressurreto, veio apresentar
Paz e vida eterna em um novo lar
QUANDO
Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
ROTAS OPOSTAS
A beleza da adoção
Do abandono a loucura
O amor de uma paixão
O ódio na desventura
A dedicação dos pais
A ingratidão dos filhos
Multidões nos festivais
Mas de corações vazios
A ilusão dos que chegam
O desengano dos que se vão
A luta dos que trabalham
As mordomias da prisão
A alegria das crianças
A tristeza dos velhos
Os olhares de esperança
Nos que se fazem de cegos
Sustento para os vadios
Miséria pra aposentados
Estádios reconstruídos
Hospitais abandonados
Cura e graça as multidões
A calúnia, a cruz e os pregos
Mensagens nas televisões
Mais distância do evangelho
CORAÇÃO INDIVISÍVEL
Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
BREVE JORNADA
Olhai as sombras,
A marcha do sol é contínua
Vede as dunas,
Nada é perene ao reger do tempo
Observai os ninhos,
A vida se renova a cada alvorada
Contemplai o espelho,
O tempo arrasta os vagões da vida
Olhai o crepúsculo,
O dia se apaga, mesmo ante sonhos inconclusos
Olhai o mar,
Para lá se vão todas as águas
Vede os peixes,
O frenesi acaba quando a ração termina
Lavai os olhos,
Cada dia merece seu novo alento
Amai ao próximo,
Quem sabe, seu último amigo no caminho
Dobrai os joelhos,
Há bálsamo pra toda dor no trono eterno
Olhai o esquife,
Toda soberba é vazia, ante o clarim da morte
Olhai para cima,
Alguém te espera ao final da jornada
Abra uma semente,
Só há um que detém o poder da vida
Olhai para a cruz,
Há quem alveje vossas veste manchadas
FLERTE
O brilho dos meus olhos cruzou contra os teus
Os desviastes bem rápido, mas já aconteceu
Já não és mais a mesma, já só pensas em mim
Minha imagem a acompanha e te prende assim
Tu remexes os cabelos, o pescoço a girar
Ou te vais ao banheiro, ao rime retocar
De forma indireta quer meu rosto mirar
Pra saber os motivos deste teu palpitar
Que mistério se esconde nesta tua visão?
Recordo-te alguém, ou te incito paixão?
Que fascínio é este que desperto em ti?
Podes tu esquecê-lo e assim prosseguir?
De ficar tendes medo, de fugir o remorso
Se te negas ao destino, podes ter um troço
Ante a dúvida e vontade, o que deves fazer?
Ansiosa e corada só te pões a tremer
OURO DE LOUCOS
Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
DISCERNIR
- O querer de quem ama e o amar de quem quer;
- A paixão dos que amam e os que amam as paixões;
- As fantasias de amor e o amor de fantasias;
- O prazer dos amantes e o amante dos prazeres;
- O falador da verdade e a verdade do falador;
- Os poemas ao amor profundo e o profundo amor aos poemas;
- O mundo de quem ama a verdade e a verdade de quem ama o mundo;
- O desejo de quem te ama e o amar de quem te deseja;
- A beleza dos adoradores e os adoradores da beleza;
- Os que pensam muito a teu respeito e os que respeitam pouco o que tu pensas;
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza