BOLSA-ESCOLA
Condoa-se o rei com a mãe do fenecido
preste-lhe auxilio e amenize seu drama,
mas não divida da outra o filho vivo
nem chame de equidade a tal infâmia
Justiça não se faz com hipocrisia
nem se nivela por baixo a má sorte
Não se aniquila o caminhar dos que tem vida
para igualá-los na inércia da morte
Não se admite o ato salafrário
de dar bolsa-escola a um pequenino
tirando os direitos e o salário
daquele que ministra o próprio ensino
VIAGEM INSANA
Excesso de amor na bagagem
tornou o marujo insano,
pois nem percebeu ser miragem
o que julgou ser oceano
Em seu insano desejo
no mar do amor foi navegar
e nem da verdade o lampejo
fez o marujo acordar
Ao cais do desdém amarrado,
seu barco nunca partiu,
mas pelo amor obcecado
este detalhe não viu
Em seu diário da vida
a ventura do amor descreveu
e não há expert que diga
que ela nunca aconteceu
De volta ao porto, cansado,
o marujo por fim voltou
e seus olhos contristados
são prova de quanto amou
Se foi verdade ou loucura
já ninguém sabe dizer,
mas um amor com tal ventura
todos são loucos pra ter
SÓ PRA VER TEU SORRISO
Passei pelo Face para ver teu sorriso
Pois me encanta, fascina e mexe comigo
Traz da vida doçuras que eu já havia esquecido
Dá-me orgulho e alegria o eu ser teu amigo.
Quando eu estava tristonho, fui lá ver teu sorriso
Contei piadas sem graça, só pra ver teu sorriso
Levantei altas horas, fui buscar teu sorriso
Incipientes poemas, só prá ver teu sorriso.
Tu estás tão distante, mas tenho o teu sorriso
Teu calor eu não sinto, mas o imagino comigo
Que beleza inefável, é este teu lindo sorriso
Abundante e irrestrito, a dar vida aos amigos.
A PARTIDA
Eu quero tanto saber por que partiste
de modo súbito qual estrela cadente
Por que a noite enluarada de minha vida
deixaste em trevas assim tão de repente?
Não sei se quero saber de sua partida
explicações que nada podem reparar
Talvez agucem e magoem as feridas
Que o tempo tenta em vão cicatrizar
Não quero nunca saber os teus motivos,
se outra paixão ou se de mim rancor
Ao desengano, a dúvida eu prefiro
pois assim penso que ainda és meu amor.
Eu quero tanto esquecer tua partida,
não com um amor que me sirva de consolo,
mas com o raiar de minha outra nova vida,
que só começa no anunciar de seu retorno
O HERÓI DESCONHECIDO
Nós na escola estudamos
sobre heróis desconhecidos
suas história decoramos
e repassamos aos nossos filhos
Mas às vezes somos injustos
em manter no anonimato
não um herói, mas um vulto
que é lembrado em todo fato
Não tem história nem honra
para aos outros repassar,
sua vida é apenas vergonha,
não pode dela falar
Nunca venceu uma batalha
pois nelas nunca entrou
Mas sempre encheu sua mala
com o que um outro conquistou
Ele é do brio a negação,
um eterno escravo do medo,
um parasita entre irmãos
ou simplesmente: pelego
SEM PALAVRAS
Não me peças palavras para a ti dedicar
Já sou fonte sem água, só tristeza a jorrar
Sou cantiga sem vida, sou o piar do sertão,
Sou uma ave ferida a se arrastar pelo chão.
Já não vejo poesia em um nascer do sol,
Só há penumbra e tristeza no cair do arrebol
Muito mais que angustia é o que estou a sentir,
soluços de minh'alma, é melhor não ouvir.
Não se pede ajuda a quem não tem um tostão
Nem se estende o braço a quem não tem mais as mãos
Não há música ou poesia no apagar da ilusão
Do soluço o bramido é minha única expressão.
O NATAL DO PALÁCIO
Na estrebaria o povo adorava
Nos campos e prados, os anjos cantavam
No céu uma estrela ao Rei indicava
E os magos de longe, presentes ofertavam
No palácio de Herodes, tudo era diferente
Era inveja, era ódio era um plano macabro
Era uma trama de morte contra todo inocente
Pois entre eles, por certo, estava o Rei adorado
O Brasil de hoje, é a Belém de outrora
Se fomenta o mal, enquanto o povo adora
Nos pacotes de hoje, não há mirra ou incenso
È imposto, é torpeza, é usura, é aumento
Assim, a história do Natal se repete
Não mais com o sangue derramado à espada
Mas com a morte do povo que por fome, inerte
Em pobreza e miséria aos poucos se acaba
O Herodes de hoje, como o outro é cruel
Massacrando seu o povo, é uma afronta aos céus
Em corrupção e bandalheira, rege a música do paço
E em MPs e decretos, faz da nação um fracasso!
EM BUSCA DE TI
Eu saio ao ermo em busca de ti...
lembranças trazidas à revelia do tempo.
Te vejo na chuva, na brisa e no vento,
em tudo onde passo, estou a te ver.
As nuvens rebeldes são teus cabelos esvoaçando em festa.
Se desmanchadas em chuvas, são também eles
molhados, presos em touca ou escorridos na testa.
Se troveja, me vem à mente a tua excitação nos nossos momentos íntimos.
Se a chuva cai fina e constante, te vejo dengosa,
deitada em meu colo sob uma canção de ninar,
onde o tempo caminha em passos leves e delicados,
para não nos perturbar o aconchego.
Te vejo nos agudos picos dos montes,
em saliências e escarpas de teu corpo nu
mas, também as campinas e prados
e os remansos dos rios me falam de ti,
serena, meiga e delicada.
Onde o meu corpo acomodado,
encontra por fim descanso após uma longa jornada.
Ali, sim, meus medos são banidos e minháalma,
entorpecida por seus encantos, consegue enfim ser feliz.
INFORTÚNIO
Vendo-me assim, tão pequeno e faminto,
Te comoves e sentes por mim compaixão,
Mas ao pensar nos culpados deste meu vil destino,
Tua raiva sufoca a primeira emoção.
Eu não fiz a escolha do lar que nasci,
E o pai que eu tenho, não te censuro julgar,
Mas um pedaço de pão, foi só o que pedi.
Tua revolta não pode minha fome matar.
Com o Samaritano, precisamos aprender:
Quem legaliza o infortúnio, não o quer resolver.
Do faminto o problema, só achará solução
Nos que acima da mente, vêem com o coração.
FESTIVAL DO CARAPEBA
Peba, na língua indígena, significa: achatado ou largo. Assim, carapeba
significa: peixe chato de rio Acará ou simplesmente cará chato. Em
tupi-guarani, especificamente, significa também: comum. Na linguagem
nordestina, principalmente do Ceará, o termo peba passou a ser usado de
forma depreciativa como: pobre, otário e desvalido.
Para nós, amigos aqui reunidos, esquecendo a etimologia da palavra,
chamemos de carapeba apenas de um cara comum, ou seja, o individuo em
si, sem títulos, sem patentes ou cargos que o diferenciem dos demais colegas.
Nesses termos, o Festival do Carapeba é um encontro das pessoas
comuns, ou melhor, é onde as pessoas comuns se encontram.
É entre uma cervejinha e um conversa fiada que se descobre a cantora, o
poeta, o pai de família, a mãe dedicada, a amiga fiel e as grandes almas que
se escondem atrás das formas rígidas do labor cotidiano. Lá descobrimos que
o nosso colega é mais que um cara grande, é um grande cara, rico em nobres sentimentos, com experiências de vida tão belas, que nos trazem às lágrimas
quando as descreve. Ali, nós vemos mais que o amigo de fé, vemos a fé do amigo.
Lá percebemos que ele é como qualquer um de nós. Ele tem tristezas, sonhos, desencantos e realizações, mas, acima de tudo, muita, muita alegria de viver!
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza