BOLSA-ESCOLA
Condoa-se o rei com a mãe do fenecido
preste-lhe auxilio e amenize seu drama,
mas não divida da outra o filho vivo
nem chame de equidade a tal infâmia
Justiça não se faz com hipocrisia
nem se nivela por baixo a má sorte
Não se aniquila o caminhar dos que tem vida
para igualá-los na inércia da morte
Não se admite o ato salafrário
de dar bolsa-escola a um pequenino
tirando os direitos e o salário
daquele que ministra o próprio ensino
O HERÓI DESCONHECIDO
Nós na escola estudamos
sobre heróis desconhecidos
suas história decoramos
e repassamos aos nossos filhos
Mas às vezes somos injustos
em manter no anonimato
não um herói, mas um vulto
que é lembrado em todo fato
Não tem história nem honra
para aos outros repassar,
sua vida é apenas vergonha,
não pode dela falar
Nunca venceu uma batalha
pois nelas nunca entrou
Mas sempre encheu sua mala
com o que um outro conquistou
Ele é do brio a negação,
um eterno escravo do medo,
um parasita entre irmãos
ou simplesmente: pelego
VIAGEM INSANA
Excesso de amor na bagagem
tornou o marujo insano,
pois nem percebeu ser miragem
o que julgou ser oceano
Em seu insano desejo
no mar do amor foi navegar
e nem da verdade o lampejo
fez o marujo acordar
Ao cais do desdém amarrado,
seu barco nunca partiu,
mas pelo amor obcecado
este detalhe não viu
Em seu diário da vida
a ventura do amor descreveu
e não há expert que diga
que ela nunca aconteceu
De volta ao porto, cansado,
o marujo por fim voltou
e seus olhos contristados
são prova de quanto amou
Se foi verdade ou loucura
já ninguém sabe dizer,
mas um amor com tal ventura
todos são loucos pra ter
ASAS DOS SONHOS
No mundo dos meus sonhos é plena a vida
Lá sou teu e és minha, como a brisa e mar
Sem que dolo ou temor nos restrinja ou iniba,
tudo é belo é carícia, é um eterno bailar
Bendita madrugada que a Morfeu nos entrega
E no país das delícias nos faz mergulhar
Que importa se é sonho, ilusão ou quimera?
Deixo a magia dos sonhos minha vida guiar
Descobri que o sono é a saúde do corpo
Ao dormirmos a força nos vem renovar
pois sonhando contigo eu acordo mais moço
para mais uma vez tentar te conquistar
A PARTIDA
Eu quero tanto saber por que partiste
de modo súbito qual estrela cadente
Por que a noite enluarada de minha vida
deixaste em trevas assim tão de repente?
Não sei se quero saber de sua partida
explicações que nada podem reparar
Talvez agucem e magoem as feridas
Que o tempo tenta em vão cicatrizar
Não quero nunca saber os teus motivos,
se outra paixão ou se de mim rancor
Ao desengano, a dúvida eu prefiro
pois assim penso que ainda és meu amor.
Eu quero tanto esquecer tua partida,
não com um amor que me sirva de consolo,
mas com o raiar de minha outra nova vida,
que só começa no anunciar de seu retorno
AMOR POSSESSIVO
Redoma de vidro de ouro enfeitada,
perfumada de lírios e de encantos tomada,
arquitetada nos sonhos de um contos de fada,
cativa e seduz a pessoa amada.
Cortejo e juras completam o encanto,
sorrisos e beijos -- uma veneração;
jamais se encontra, em qualquer outro canto,
alguém que a ame com tal devoção.
Gazela da tarde, que saltita no campo,
não vês que é a brisa, que te faz sedução,
mas se presa de amor te fizerdes, no entanto,
sumirá dos seus lábios esta doce canção.
Ao peixinho de aquário não se vê saltitar,
seu olhar é sem vida, seu viver deprimido
preferia ser feio, mas livre no mar,
a ser belo, mas preso à redoma de vidro.
O amor, muitas vezes, é uma contradição,
é esplendor, mas é poda em pleno verão,
é flor arrancada de um jardim rico em vida
para murchar em um vaso duma sala perdida.
Quem ama de fato suporta a ventura
de ver sua amada, por outros querida,
mas mantendo no rosto a terna doçura
de viver seu amor rico em graça e vida.
O amor que aprisiona é obsessão,
é mesquinhez, é loucura é também perdição,
pois joga o seu dono em uma trama sem fim
que maltrata o amor e acaba sozinho.
EM BUSCA DE TI
Eu saio ao ermo em busca de ti...
lembranças trazidas à revelia do tempo.
Te vejo na chuva, na brisa e no vento,
em tudo onde passo, estou a te ver.
As nuvens rebeldes são teus cabelos esvoaçando em festa.
Se desmanchadas em chuvas, são também eles
molhados, presos em touca ou escorridos na testa.
Se troveja, me vem à mente a tua excitação nos nossos momentos íntimos.
Se a chuva cai fina e constante, te vejo dengosa,
deitada em meu colo sob uma canção de ninar,
onde o tempo caminha em passos leves e delicados,
para não nos perturbar o aconchego.
Te vejo nos agudos picos dos montes,
em saliências e escarpas de teu corpo nu
mas, também as campinas e prados
e os remansos dos rios me falam de ti,
serena, meiga e delicada.
Onde o meu corpo acomodado,
encontra por fim descanso após uma longa jornada.
Ali, sim, meus medos são banidos e minháalma,
entorpecida por seus encantos, consegue enfim ser feliz.
SÓ PRA VER TEU SORRISO
Passei pelo Face para ver teu sorriso
Pois me encanta, fascina e mexe comigo
Traz da vida doçuras que eu já havia esquecido
Dá-me orgulho e alegria o eu ser teu amigo.
Quando eu estava tristonho, fui lá ver teu sorriso
Contei piadas sem graça, só pra ver teu sorriso
Levantei altas horas, fui buscar teu sorriso
Incipientes poemas, só prá ver teu sorriso.
Tu estás tão distante, mas tenho o teu sorriso
Teu calor eu não sinto, mas o imagino comigo
Que beleza inefável, é este teu lindo sorriso
Abundante e irrestrito, a dar vida aos amigos.
SONHO DE CRIANÇA
Há um sonho de criança muito longe da ilusão,
Não tem fada, castelo nem príncipe encantado
É um desejo profundo por um pedaço de pão
De um estômago que ronca sem nunca ser saciado.
Esse sonho tão simples têm milhares de infantes
Nas calçadas e marquises de toda grande cidade,
Estirados na grama, também debaixo das pontes,
É um amargo sonho em vigília, nutrido pela necessidade.
Esse sonho tão cruel, repleto assim de horrores,
É forjado em gabinetes da forma mais triste e vil
Que prende os filhos da fome num curral de eleitores
A manter no poder os políticos do nosso injusto Brasil.
BRASIL CIDADANIA
Gostar é ter prazer, sentir agrado, satisfação
É encher de gozo a alma, a transbordar o coração
É muito mais que o eu, é a plenitude, é a comunhão
É o amar o próximo, compartilhando o peixe e o pão.
Dá gosto ver o homem alegre, feliz e satisfeito
Não com esmolas ou, de favores, as ninharias
Mas, por seu trabalho, em altivez erguer o peito
E poder dar aos seus, um digno pão todos os dias.
Brasil gostoso, já não é lenda ou fantasia
É o desafio, é a intrepidez e a ousadia
De fazer hoje, do amanhã um novo dia
Que dê a todos, mais do que pão, cidadania.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza