Jornalista, artista plástica, escritora, membro da Academia Jahuense de Letras.Vivendo da arte, ousando ser além de apenas existir. Mãe de pet e colecionadora de histórias.
Ideias sequenciais de um eu-âncora indexado no Planeta de Gavetas Bagunçadas
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gavetas bagunçadas mente de gavetas bagunçadas cidade das gavetas bagunçadas alma das gavetas bagunçadas
tudo rui ao redor ruidosamente tudo rui ruidosamente nessa mente de gavetas bagunçadas
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rios que não fluem em um eu fora de mim estrangulado um outro eu fora de si ruindo ruidosamente controlado
escritos e tratados engavetados mente bagunçada e engavetada ventos que não movem nada ou quase nada
tempestades neurais
R1 P1 R2 P2
árvores plantadas no ar sou eu galhos neurais transtornos obssessivos compulsivos sou eu - Já já vai passar, meu bem.
gavetas bagunçadas Nanotecnofagia - disse ela
dados indexados que não fluem em um eu-âncora fora de mim um eu-satélite artificial um simulacro mais real que o real um bem querer não mais que o que mesmo?
"Santa Clara Poltergeist" - estava escrito no Converse da garota
thundervideodrome - Fiat Lux - disse a máquina ruidosamente engavetada
- Eu não ligo se você não ligar. transtorno dissociativo de personalidade multiusuário multitudinário Luther Blisset ex machina Era isso e mais nada.
viu? eu disse... ideias bagunçadas.
ideias projetadas no planeta das ideias ancoradas
gavetas bagunçadas mente de gavetas bagunçadas cidade das gavetas bagunçadas alma das gavetas bagunçadas
ação fantasmagórica a distância - como chamou Einstein
pensamentos herméticos antigos e reativos deram lugar reações intensas, densas e turbulentas os dedos a digitar pele densa partículas exóticas transpassando a pele como se nela caminhos incontáveis existissem informações inobserváveis para lugar nenhum para um outro lugar desconhecido origem desconhecida naquela pele, um outro eu, não meu
eram só pensamentos jogados naquele tabuleiro ondas gigantescas de energia reativa inútil corriam pelos capilares azul de metileno subindo até pétalas brancas psiquismo exacerbado, entrelaçados
veja o dedo acompanhava a linha vertebral da lombar para a cervival eletrificando cada centímetro cúbico convulcionando aquela mentepelequente não dissociada veja
os dedos digitavam rápida e precisamente entre zeros e uns e outros entre tantos e tão poucos longínquas coordenadas desordenadas e ainda assim precisas de lugar algum de outro lugar desconhecido origem desconhecida nele, meu, um outro eu outrora adormecido
onde estávamos mesmo?
era turbulência sem espectadores sem expectativas partículas exóticas experiências sofisticadas eremíticas memórias antiquadas tabuleiros caos ordenado pelo desejo
que darão lugar a outros dedos digitando outras leis para a mesma matéria mentepelequente não dissociada
seu corpo estava longe tão distante que a saudade era a única unidade de medida única constante e ainda assim tão perto, dos medos ao alcance.
597
Ou seja
A sensação é de que você a conhece, já a conhece. Como não a conheceria? Como não a reconheceria?
Esteve lá o tempo todo, todo tempo no intento de não parecer tão estranha.
precisava estranhar-se antes ousar oentranhar-se e ser.
a sensação é que você a conhece brilha e brilha e brilha trilha bioluminscente do tipo que não se segue sua, chora, engole seco, um gole de pina colada bem gelada
ela derrete, feito gelo sob a língua escorre por entre os dedos amedronta mais que o medo mas a sensação, é que você a reconhece
era a menina no mercado cheirando as laranjas como se não houvesse amanhã era a menina dentro do ônibus, que você não viu o número da linha não a veria de novo, mas o olhar dela cruzou o seu e se estendeu a perdeu no tempo e no espaço a sensação é aquela é ela, é, podia ser e era
podia ser a menina de joelheiras e patins no parque falando com sotaque de algum lugar que não aqui
podia ser sua melhor amiga de infância, aquela que você esperava chegar na escola com o cabelo preso de um jeito engraçado cheirando alguma coisa que parecia boa, ainda que não soubesse o que era ou poderia ser ou poderia ter sido a sensação é que ela brilha brilha e sugere sonhos sugere lembranças sui generis construindo um castelo de subjetividades nas cavidades do seu coração em todas, sem rastro de ilusão.
e agora? e agora que a conheceu? que a reconheceu?
cheirando as laranjas, brincando de ser catavento catando o vento com a mão pra fora do carro a 120km por hora.
o olhar dela cruzou o seu na saída da escola na entrada do metrô cruzando na saída do elevador
a sensação é aquela a sensação é ela a sensação é que... você a conhece. você a inventou.
você sonhou foi até o paraíso você a viu a viu e sorriu a segurou bem forte apertou contra o peito e quando acordou a encontrou em seus braços.
a sensação, é que você a conhece.
Agora esquece, ela se foi.
568
Lembra-me
Uma vaga, uma onda, uma ideia, uma lembrança. Ela.
No infinito flutua, alma errante a vagar, Buscando por algo, nos confins do sonhar. No labirinto do tempo, sem rumo encontrar, Entre sonhos e realidade, se vê desdobrar.
Em constelações dançantes, o ser se dissolve, Entre Arcanos e inércia, a paixão se resolve. O amor, platônico, a alma sublima e envolve, Num intrincado jogo cósmico, o destino a absolve.
Já sem culpa, vaga.
Entre véus e mistérios, anseia a verdade, A luz etérea, guia da terna jornada. Mas a paixão a consome, carnal e encarnada, Perdida na vasta e imensurável eternidade.
Como chama etérea que nunca se apaga, Sua essência irradia, nas sombras propaga. No derradeiro ato, épica saga, Repete os primeiros versos, como uma lembrança vaga.
Ainda sem rumo, ainda sem nada.
69
Beekeeper - poema anos 2000
Ele a cada instante vê, e magia brota. No coração, sonhos desabrocham, Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal, Germinada na mente, seu sono embala, Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar, Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama, Inventando segredos, os escrevendo no ar E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar, Inventando beleza onde sequer existe, para suportar a dor de acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar, Segura a corda que sufoca seu pescoço Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra. Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo E todos, Há uma rainha.
Que absoluta reina, Figura etérea Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
31
O resto é silêncio
A lucidez parece desaparecer perante esse escuro.
Esse, não outros.
Ouço as vozes por vezes uníssonos murmúrios:
"O próprio sonho não passa de uma sombra."
Altos muros de uma sanidade sem pertinência.
Ente desnudo unindo o amor e a ausência.
A lucidez se assemelha a areia de uma ampulheta quebrada.
Ouço vozes por vezes dissonantes sofismadas:
"Dormir, dormir... talvez sonhar."
A morte é acordar.
31
Beekeeper - poema anos 2000
Ele a cada instante vê, e magia brota. No coração, sonhos desabrocham, Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal, Germinada na mente, seu sono embala, Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar, Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama, Inventando segredos, os escrevendo no ar E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar, Inventando beleza onde sequer existe, para suportar a dor dde acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar, Segura a corda que sufoca seu pescoço Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra. Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo E todos, Há uma rainha.
Que absoluta reina, Figura etérea Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
36
Jazz
Na penumbra, o jazz ecoa Solitude, o vazio devora Palavras perdidas, noite sem lei Luzes piscam, blues na aurora
Consciente na doce solidão Navegando a maré da desordem Palavras dançam, saltitantes, na mente o dadaísta e as emoções latentes
Amor peculiar, sem parâmetros Uma pintura surreal, se transmuta Tons dissonantes e harmônicos lutam Caos organizado, que me arrebata e seduz
Na penumbra do jazz, ressoa o eco Da solitude que devora, insaciável Palavras dispersas, na noite sem lei Luzes cintilam, eu sou o blues que se recria
22
Fuck off
Não precisa ser impuro podre, pobre, burro, decadente e nem à margem de.
Pra ser obscuro, tênue subcutâneo e inerte.
Não precisa ser muro, murro, rota sem rumo e nem àgua ardente.
Pra ser uno, louco, nulo e indecente.
Pode apenas ser surdo, incerto, puro e inseguro.
Pra ser rente, fingir que é chegar perto, impreciso e urgente.
Eu te aceito, assim, sem precisar.
29
Barcelona
Quanto mais longe se vai do todo ao qual, em intento, pertence Se esvai do simulacro E mais perto, chega.
Do nada ao qual sempre vai pertencer perto ou longe Estar e ser
O tudo, mora entre o todo, torto, morno e pouco, E o nada, que extrapola, extravasa, inunda e naufraga.
No infinito das possibilidades negativadas O tudo é um intervalo de tempo No seu e no meu tempo Quando existimos, e não, no nada.
Nessa singularidade hipotética Não cabemos em lugar algum. Sequer em um outro lugar Desconhecido.
Excedemos nossa capacidade de armazenamento Somos particionados E assim permaneceremos. um no outro, eclipsados.