Shantall Tuiche

Shantall Tuiche

Jornalista, artista plástica, escritora, membro da Academia Jahuense de Letras.Vivendo da arte, ousando ser além de apenas existir. Mãe de pet e colecionadora de histórias.

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Perfil
13 482 Visualizações

Ideias sequenciais de um eu-âncora indexado no Planeta de Gavetas Bagunçadas




main NOP

gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas

tudo rui ao redor
ruidosamente
tudo rui
ruidosamente nessa mente
de gavetas bagunçadas

device null

rios que não fluem
em um eu fora de mim
estrangulado
um outro eu fora de si
ruindo ruidosamente
controlado

escritos e tratados
engavetados
mente bagunçada
e engavetada
ventos que não movem nada
ou quase nada

tempestades neurais

R1 P1 R2 P2

árvores plantadas no ar
sou eu
galhos neurais
transtornos obssessivos compulsivos
sou eu
- Já já vai passar, meu bem.

gavetas bagunçadas
Nanotecnofagia - disse ela

dados indexados que não fluem
em um eu-âncora fora de mim
um eu-satélite artificial
um simulacro mais real que o real
um bem querer não mais que o que mesmo?

"Santa Clara Poltergeist" - estava escrito no Converse da garota

thundervideodrome
- Fiat Lux - disse a máquina
ruidosamente engavetada

- Eu não ligo se você não ligar.
transtorno dissociativo de personalidade
multiusuário
multitudinário
Luther Blisset ex machina
Era isso e mais nada.

viu? eu disse... ideias bagunçadas.

ideias projetadas
no planeta das ideias ancoradas

gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas

logoff

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Biografia

 

Poemas

30

Imantado

632

ação fantasmagórica a distância - como chamou Einstein



pensamentos herméticos
antigos e reativos deram lugar
reações intensas, densas e turbulentas
os dedos a digitar 
pele densa
partículas exóticas
transpassando a pele como se nela
caminhos incontáveis existissem
informações inobserváveis
para lugar nenhum
para um outro lugar desconhecido
origem desconhecida
naquela pele, um outro eu,
não meu

eram só pensamentos
jogados naquele tabuleiro
ondas gigantescas de energia reativa
inútil
corriam pelos capilares
azul de metileno subindo até pétalas brancas
psiquismo exacerbado, entrelaçados

veja
o dedo acompanhava a linha vertebral
da lombar para a cervival
eletrificando cada centímetro cúbico
convulcionando aquela mentepelequente não dissociada
veja

os dedos digitavam rápida e precisamente
entre zeros e uns e outros
entre tantos e tão poucos
longínquas coordenadas desordenadas e ainda assim precisas
de lugar algum
de outro lugar desconhecido
origem desconhecida
nele, meu, um outro eu outrora
adormecido

onde estávamos mesmo?

era turbulência
sem espectadores
sem expectativas
partículas exóticas
experiências sofisticadas
eremíticas
memórias antiquadas
tabuleiros
caos ordenado pelo desejo

que darão lugar a outros dedos
digitando outras leis
para a mesma matéria
mentepelequente não dissociada

seu corpo estava longe
tão distante
que a saudade era a única unidade de medida
única constante
e ainda assim
tão perto, dos medos
ao alcance.

597

Ou seja




A sensação é de que você a conhece,
já a conhece.
Como não a conheceria?
Como não a reconheceria?

Esteve lá o tempo todo,
todo tempo no intento
de não parecer tão estranha.

precisava estranhar-se antes
ousar oentranhar-se
e ser.

a sensação é que você a conhece
brilha e brilha e brilha
trilha bioluminscente do tipo que não se segue
sua, chora, engole seco, um gole de pina colada bem gelada

ela derrete, feito gelo sob a língua
escorre por entre os dedos
amedronta mais que o medo
mas a sensação, é que você a reconhece

era a menina no mercado
cheirando as laranjas como se não houvesse amanhã
era a menina dentro do ônibus, que você não viu o número da linha
não a veria de novo, mas o olhar dela cruzou o seu e se estendeu
a perdeu no tempo e no espaço
a sensação é aquela
é ela, é,
podia ser
e era

podia ser a menina de joelheiras e patins
no parque falando com sotaque
de algum lugar que não aqui

podia ser sua melhor amiga de infância,
aquela que você esperava chegar na escola
com o cabelo preso de um jeito engraçado
cheirando alguma coisa que parecia boa,
ainda que não soubesse o que era ou poderia ser
ou poderia ter sido
a sensação é que ela brilha
brilha e sugere sonhos
sugere lembranças sui generis
construindo um castelo de subjetividades
nas cavidades do seu coração
em todas, sem rastro de ilusão.

e agora?
e agora que a conheceu?
que a reconheceu?

cheirando as laranjas,
brincando de ser catavento
catando o vento com a mão pra fora do carro
a 120km por hora.

o olhar dela cruzou o seu
na saída da escola
na entrada do metrô
cruzando na saída do elevador

a sensação é aquela
a sensação é ela
a sensação é que...
você a conhece.
você a inventou.

você sonhou
foi até o paraíso
você a viu
a viu e sorriu
a segurou bem forte
apertou contra o peito
e quando acordou
a encontrou em seus braços.

a sensação, é que você a conhece.

Agora esquece, ela se foi.

568

Lembra-me

Uma vaga, uma onda, uma ideia, uma lembrança.
Ela.

No infinito flutua, alma errante a vagar,  
Buscando por algo, nos confins do sonhar.  
No labirinto do tempo, sem rumo encontrar,  
Entre sonhos e realidade, se vê desdobrar.  

Em constelações dançantes, o ser se dissolve,  
Entre Arcanos e inércia, a paixão se resolve.  
O amor, platônico, a alma sublima e envolve,  
Num intrincado jogo cósmico, o destino a absolve.  

Já sem culpa, vaga.

Entre véus e mistérios, anseia a verdade,  
A luz etérea, guia da terna jornada.  
Mas a paixão a consome, carnal e encarnada,  
Perdida na vasta e  imensurável eternidade.  

Como chama etérea que nunca se apaga,  
Sua essência irradia, nas sombras propaga.  
No derradeiro ato, épica saga,  
Repete os primeiros versos, como uma lembrança vaga.

Ainda sem rumo, ainda sem nada.
69

Beekeeper - poema anos 2000

Ele a cada instante vê, e magia brota. 
No coração, sonhos desabrocham,  
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.  

Em seu universo, criação ideal,  
Germinada na mente, seu sono embala,  
Encarnada  essência, primordial.  

Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,  
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.

Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,  
Inventando segredos, os escrevendo no ar 
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.

Assim, vive ele, poeta a pesquisar,  
Inventando beleza onde sequer existe,  para suportar
a dor de acordar de sonhos, que não deve sonhar.

Náufrago que é, no raso poço sem se afogar, 
Segura a corda que sufoca seu pescoço 
Como se fosse boia ao mar.

Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.

Mas, acima de tudo
E todos, 
Há uma rainha.

Que absoluta reina,
Figura etérea 
Ou apenas, Ela.


Rainhas não comem merda.
31

O resto é silêncio



A lucidez
parece desaparecer
perante esse escuro.

Esse, não outros.

Ouço as vozes
por vezes
uníssonos murmúrios:

"O próprio sonho não passa de uma sombra."

Altos muros
de uma sanidade
sem pertinência.

Ente desnudo
unindo o amor
e a ausência.

A lucidez se assemelha
a areia de uma ampulheta
quebrada.

Ouço vozes
por vezes
dissonantes sofismadas:

"Dormir, dormir... talvez sonhar."

A morte é acordar.
31

Beekeeper - poema anos 2000

Ele a cada instante vê, e magia brota. 
No coração, sonhos desabrocham,  
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.  

Em seu universo, criação ideal,  
Germinada na mente, seu sono embala,  
Encarnada  essência, primordial.  

Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,  
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.

Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,  
Inventando segredos, os escrevendo no ar 
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.

Assim, vive ele, poeta a pesquisar,  
Inventando beleza onde sequer existe,  para suportar
a dor dde acordar de sonhos, que não deve sonhar.

Náufrago que é, no raso poço sem se afogar, 
Segura a corda que sufoca seu pescoço 
Como se fosse boia ao mar.

Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.

Mas, acima de tudo
E todos, 
Há uma rainha.

Que absoluta reina,
Figura etérea 
Ou apenas, Ela.


Rainhas não comem merda.
36

Jazz

Na penumbra, o jazz ecoa
Solitude, o vazio devora
Palavras perdidas, noite sem lei
Luzes piscam, blues na aurora

Consciente na doce solidão
Navegando a maré da desordem
Palavras dançam, saltitantes, na mente
o dadaísta e as emoções latentes

Amor peculiar, sem  parâmetros
Uma pintura surreal, se transmuta
Tons dissonantes e harmônicos lutam
Caos organizado, que me arrebata e seduz

Na penumbra do jazz, ressoa o eco
Da solitude que devora, insaciável
Palavras dispersas, na noite sem lei
Luzes cintilam, eu sou o blues que se recria
22

Fuck off


Não precisa ser impuro
podre, pobre, burro,
decadente e nem à margem de.

Pra ser obscuro, tênue
subcutâneo e inerte.

Não precisa ser muro,
murro, rota sem rumo
e nem àgua ardente.

Pra ser uno, louco,
nulo e indecente.

Pode apenas ser
surdo, incerto, puro
e inseguro.

Pra ser rente, fingir que é
chegar perto, impreciso e urgente.

Eu te aceito, assim, sem precisar.

 

29

Barcelona

Quanto mais longe se vai
do todo ao qual, em intento, pertence
Se esvai do simulacro
E mais perto, chega.

Do nada ao qual 
sempre vai pertencer
perto ou longe
Estar e ser

O tudo, mora entre o todo,
torto, morno e pouco,
E o nada, que extrapola, extravasa,
inunda e naufraga.

No infinito das possibilidades negativadas
O tudo é um intervalo de tempo
No seu e no meu tempo
Quando existimos, e não, no nada.

Nessa singularidade hipotética
Não cabemos em lugar algum.
Sequer em um outro lugar
Desconhecido.

Excedemos nossa capacidade de armazenamento
Somos particionados
E assim permaneceremos.
um no outro, eclipsados.


‘til the end, ma friend…
46

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Silene
Silene

horrivel infantilizada