Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Aqui, Neste canto de minha liberdade, Te ofereço meu abraço, Arraigando das entranhas a timidez; Balada solitária de um ser em melancolia. Teu olhar se apagou, Quando na insensatez, Matou meu amor, Ao lançar no esquecimento minha face. Meu coração escarlate pranteia na escuridão, A flor não colhida do jardim, Sufocada na imensidão do desatino. A beleza se foi sem meu consentimento, Levando consigo a esperança; Que despediu-se com um sorriso irônico. Aqui... Nesta tempestade de vultos, Vou sangrando lentamente, Girando feito redemoinho que logo se extingue. Num canto qualquer desta dor, Vai-se o ser e fica a fera; Devorando insanidades.
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Sexo
Amplexo convexo, Reverso inverso; Memorável reflexo. Erótico, caótico, Exótico endógeno; Exógeno dilema. Força plena, Macho e fêmea; Reverbera cena Sexo léxico, Préstimo, Do corpo que acena.
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Flor de lótus
Um lodo sem beleza aparente, Surge iluminada na áurea mística do sagrado, Elevando-se em sua majestade natural, Inundando de beleza os olhares mais céticos. Das trevas à luz em primavera preciosa, Exala de si o encanto em poesia perfumada, Aos olhares diversos em admiração, Encantando os corações meditação silenciosa. A natureza se revela em estado de graça, Ditando emoções em simplicidades tão castas, Uma joia orgânica transcende o inescrutável, Ofuscando o brilho do diamante mais raro. O criador em sua obra incomparável, Fez em segredo uma poema espiritual, Soprou no ar lançando as sementes de lótus, Que trazia em si um grande sinal; A luz em forma de flor.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
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Adjetivo
Dê um a tua vida, Que seja grandioso, Marca inapagável na eternidade, Dos teus desafios, Símbolo de sua felicidade, Qualifica-te no âmago dos teus sonhos, Caracterize o objeto que te compôe, Descubra-te em suas variáveis. Avalie a concordância do gênero de suas escolhas, A fim de que as flexões sejam reflexões, Que façam de sua pessoa, Alguém capaz de se orgulhar, Ver que valeu a pena buscar a sabedoria.
502
Descobriram o Brasil?
Navegai naus portuguesas, Levai de volta seus nobres, Herança de reis pobres, A saquear o Brasil.
Navegai naus portuguesas, Levai os mercenários, Corruptores larápios, Filhos lusitanos bastardos, Nem de longe varonis.
Navegai naus portuguesas, Jogai nas águas os clérigos, Borrões maquiavélicos, Santos do pau oco, De santidade ensandecida.
Navegai naus portuguesas, Trazei de volta nossas riquezas, Devolvei nossas belezas, Que suas gentes corrompeu.
Navegai naus portuguesas, Levai de volta a corrupção, Que aflora e mata, Os brasileiros refém de quem?
Navegai naus portuguesas, Neste mar imaginário, Revelai o mandatário, Deste patriotismo as avessas.
Navegai naus portuguesas, Em suas águas afogai, Estes políticos bossais, Que nos assalta a dignidade.
515
Desígnio
À tua jornada abre-te a vida, Nômade viajante infesta Esta prisão enegrecida, Incêndio interior indigesta.
Em meu exílio de estrelas invisíveis, Espreita-me a morte em minha agonia. Vagueio nas lembranças feito folhas ao vento, Procurando repouso incerto na dança louca. A lua escondeu-se de mim, Levando consigo minha coragem. Me perdi em sonhos de vidro, Melindres de um bêbado no porre da vida. Sou um saltimbanco sem expectadores, Um joguete nas mãos do destino. Brinco de esconde-esconde com a felicidade, Distraído numa soberba insuportável. A desgraça se diverte extrovertida, Enquanto procuro alento na esperança. Eis um palhaço numa tristeza vagabunda, Catando ao chão risos perdidos. Num canto qualquer jogo meu corpo, Desolado,maltrapilho visionando estranhos. Sem pensar em nada me levanto, Rio de mim mesmo. Em minhas mãos uma garrafa vazia, Mas cheia da minha vida arredia.
402
Camafeu
Ao querer inconstante, Fito os tons da minh' alma que se esculpe, Revelando formas intangíveis do eu, Saliências humanas em seus dissabores, Emoções a ornamentar o caminhar impreciso, Declinando entre abismos e certezas, Estranhezas de um ser tão frágil, Severidade da vida no interior que se ajoelha, Lavrando o espírito que insiste em rebelar-se.
545
Idílio
Em teu amor me aninho Te amando deixo que me leve, Desejando que não seja breve O amor neste infindável caminho.
413
Reflexo
Se queres uma poesia, Não tenhas medo, Olhe-se no espelho, Verás os versos fiéis da sua vida; As rimas mais francas, A métrica mais que perfeita, Verdade dos teus sentimentos; A rebuscar no tempo. Se queres, Pode mudar tudo, A seu gosto, Evoluir em suas atitudes, No seu estilo, No fim de tudo; Sorrir ou chorar, A poesia é sua, O final, é você quem edita.