Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Em minhas instâncias, Deixo que me leve, Desejando onde me descobriste, Total esmero do que sinto. O teu querer é meu, Na exata medida que me quiseres. Sou lume que te agasalha, Neste amor vibrante, Cujos lábios me recolhe, Suave atração a inundar-me. O cintilar que de ti emana, Finda a escuridão que me flagela, Este raptar contínuo em suas nuances, Quando tu não estás.
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Espelho
Eis a imagem que contemplas, Rastros do tempo em sua humanidade. Sentimentos diversos, Dispersos na voracidade do seu interior. Os espinhos ferem os teus pés, Nos caminhos seguros de sua liberdade. Do invísivel em contrastes, Desabrocha de si o intenso refletido da alma; Forma profana da pura essência. Em imperfeições revela-se o ser, Vertendo prantos em sua desventura. Entre formas inexatas os olhares vagueiam, Buscando a veracidade de um detalhe; Entalhe esculpido nas sendas da ignorância. Do olhar minuncioso desperta a fera, Silenciosamente na visão de um reflexo.
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Flor de lótus
Um lodo sem beleza aparente, Surge iluminada na áurea mística do sagrado, Elevando-se em sua majestade natural, Inundando de beleza os olhares mais céticos. Das trevas à luz em primavera preciosa, Exala de si o encanto em poesia perfumada, Aos olhares diversos em admiração, Encantando os corações meditação silenciosa. A natureza se revela em estado de graça, Ditando emoções em simplicidades tão castas, Uma joia orgânica transcende o inescrutável, Ofuscando o brilho do diamante mais raro. O criador em sua obra incomparável, Fez em segredo uma poema espiritual, Soprou no ar lançando as sementes de lótus, Que trazia em si um grande sinal; A luz em forma de flor.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
1 742
Humana Flor
Humana flor latente, De pétalas homicidas, Que és do nascer ao por do sol, Senão um diário da morte!? O fim te aguarda sorrateiro, Fino banquete das ilusões; Cova dos sonhos e da soberba. Os vermes devorarão sua carne, Restando apenas impressões; Deixadas nos rastros de vossa existência. Sois o que sois, Na cegueira dos seus dias; Proferindo injúrias em si mesmos. Da satisfação ao desagrado, Procissão de murmuradores; Nascidos mortos antes de nascer. Humana flor latente, Murchando vagarosamente; Diante do caos que os açoita.
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Totalidade
Plenamente conduziste-me, Inteiraste de mim perfeitamente, Amou-me sem limites, Traduziu minhas vontades sublimes, Apaixonadamente extasiou-me, Sondou meus segredos habilmente, Ocasionando-me desvarios. Incrivelmente fundiu-se a loucura, Descobriu o fulgor de amar. De modo inacreditável, Nos transportamos em plenitude; Corpos entrelaçados indúbitavelmente.
496
Caravela
Sou uma caravela solitária, A navegar neste oceano de águas prateadas, Onde a lua em noite inspirada, Me faz em suspiros, Enxergar-te em calmaria, Delirando de amor vejo sua imagem, No céu de estrelas que me guia, Deslizando em seus mistérios, Buscando seus tesouros desconhecidos. Em teus mares seguirei, Sem medo que a tempestade me sufoque. Se a fúria do desconhecido me assombrar, Não temerei o risco para te amar. Não sucumbirei ao horizonte perdido, Nem tampouco aos perigos a encontrar. Não me importo de ser um náufrago, Se na ilha dos teus desejos chegar.
484
Correntezas
Em meio as dores do século, Segue a humanidade esvaindo-se, Ato frenético de loucuras, Marchando feito animais ao abatedouro, Travando guerras invisíveis, Deixando o ser e revelando a fera, Imitando a razão que se perdeu, Na voracidade de suas insanidades. Nos entremeios de suas infiéis verdades, Cometem suicídios em suas interjeições, Bordões contumazes em corpos pútridos. Na eternidade decadente da escuridão, Jazem as covas dos mortos vivos, Envoltos pelo jardim da ignorância, Assombrados por seus fantasmas, Indecifráveis reflexos de seus desvarios.
524
Sinestesia
Ajoelhado ao céu apresto, Súplicas de mim pesado libelo, Do coração intrínseco desvelo, Deste penar tão funesto.
Dor n'alma demais indigesto, Destes olhos arrependimento vertê-lo, E no corpo esperança aquecê-lo, Renunciando a tudo confesso.
Da vida a bonança, Cujas paixões posso, Feliz morte no amor enlevo.
Deixarei algures a lembrança, Do bem que fiz endosso, Riqueza bendita daqui levo.
560
Reflexo
Se queres uma poesia, Não tenhas medo, Olhe-se no espelho, Verás os versos fiéis da sua vida; As rimas mais francas, A métrica mais que perfeita, Verdade dos teus sentimentos; A rebuscar no tempo. Se queres, Pode mudar tudo, A seu gosto, Evoluir em suas atitudes, No seu estilo, No fim de tudo; Sorrir ou chorar, A poesia é sua, O final, é você quem edita.
517
Camafeu
Ao querer inconstante, Fito os tons da minh' alma que se esculpe, Revelando formas intangíveis do eu, Saliências humanas em seus dissabores, Emoções a ornamentar o caminhar impreciso, Declinando entre abismos e certezas, Estranhezas de um ser tão frágil, Severidade da vida no interior que se ajoelha, Lavrando o espírito que insiste em rebelar-se.