Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Te amo além do tempo, No encontro, Simplicidade de um beijo, Forma poética que me tocas, Palavras de um gesto, Silêncio da paixão. Te amo quando me declamas, Palavra viva chama Reflexo de nós dois, Vida que se revela, Em seus nós de vento. Te amo, Quando me faz amar, Nos repertórios de vidro, Tão fragéis quantos as certezas, De promessas confessas, Te amo nas imperfeições, Pontos cegos da jornada, Afeito em sonhos e desilusões. Te amo ousadamente, Sem temer a perda, Sabendo que o amor, Vulnerável em suas indagações; É somente amor e nada mais.
489
Poema sem nome
Este poema não tem nome, Não tem pátria, Não tem cheiro e nem cor, Este poema sangra em seus versos, Gritos não ouvidos, Em cada dor agredida, Da vida sem vida, Forma desvalida em frangalhos. Este poema quer o seu silêncio, Pra escutar o lamento, Vozes e sussuros ao vento, Dos miseráveis do outro lado, Lugares invisíveis aos nossos olhos. Este poema... Tem em si tantos outros poemas, Que ao teu querer seja esperança, Inspirando felicidade, Versos fraternais de bondade. Talvez este seja só mais um poema, Entre tantos outros, Porém mais que um poema , É o que ele deixa em si, No amor profundo que desejas, Que pode doar, Encontrando-se, Sentindo a poesia de ser somente, Fazendo a parte que lhe cabe. A métrica desta poesia é sua, Em cada estrofe do seu coração, Numa declamação sem julgamentos, Onde a inspiração é o desprendimento, Em cada momento vivido.
412
Eu
Eu, Paralelo universo, Em suas criações, De introversa criatura, Nestas confabulações dúbias, Polimórficas vontades no tempo, Segredando individualidades. Eu, Multíplice hominalidade, Em seus trajetos tempestuosos, Mirando a calmaria adjacente, Sob olhares de vidro, Visões mórbidas contumazes, Borrões da coragem, Na tela da vida.
498
Feeling
Aqui diante de mim, Onde o meu olhar me sangra, Me purifico em lágrimas, Sei que não importa a culpa, Desta desventura de amor. Se tinhas amor não me deste, Na proporção que te amava. Nossos egos se perderam, Na cegueira de desejos incertos, Amordaçados na desleal volúpia, Cativeiro de nossas almas vazias. Dançamos ao vento, Ao som do ruído da incerteza, No descompasso da vida. Aqui diante de mim... Apenas os nós deste infortúnio, Em suas percepções transitórias.
449
Além...
Ao silêncio de olhos oclusos, Recolhe o ser sob a inquietude Da sonhada paz magnitude, Sereno respirar em tempos confusos.
Da peleja resoluta a solicitude Bravo viver em passos infusos, Forjado em prantos profusos, Na glória da grata virtude.
Além do existir, a dignidade; Marcada em laços quebradiços, Do tempo que a consome.
Na tristeza a desigualdade, Nas mãos castigadas o viço, Desabrochando a simplicidade.
622
Ensaio
Ateste o desvelo em penoso fardo, Do manancial ao fino trato, Que de rancor não padeça; Quem o amor ousou tocar. Em versos exaltados, Segue a alma em devaneios, Solicitude enamorada; Feito brisa a balouçar. Do olhar a esperança, Ensejo póstumo recolhido, Vai o ser em seus ditames; Regando as pedras do caminho. Das lástimas o desalinho, De murchas flores envolvido, Deixa o mundo constrangido, Sem saber do que se foi.
549
Diligência poética
Convite inopinado, Bravo açoite que afronta, O servo em seus dizeres, Máximas de uma sujeição. Das mazelas a felicidade, Segue cativo em seu destino, Desfilando em suas entranhas, O orbe fantástico em suas realezas, Casta alquimia de traços amórficos. Em cada ato o prodígio invisível, Arrasta o ser esvaindo-se, Gotejando de si sentimentos, Enquanto a alma oscila em seu universo.
526
Segredo da vida
Não existe amor sem problemas, E problemas resolvidos sem amor!
605
Fragmentos
Da janela da minh' alma vejo o céu, Vejo pássaros voando e penso, Lá está a imagem do meu desejo, A liberdade em meu último discurso. O brilho dos meus olhos me ilumina, O coração se torna tempestade, Vertendo rios em minha face. Meus pés se tornaram raízes, Tão profundas quanto minha dor, Sentinela do meu corpo enfadado, Arrastado por esta vida taciturna; Tão sombria em seus pesadelos. Vou caminhando virando as páginas, Igual o mar rebatendo as ondas, Que vem e volta, Nunca é o mesmo. Eu vejo e já não compreendo, Mas vou vivendo os dias, Ora sangrando, ora curando-se Das mazelas sorrateiras, Nos retalhos do tempo.