Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
O tempo, Entrelinhas do existir, Percepções transitórias do ser, Em suas emoções peremptórias, No vasto infinito de estar. Buscas infindas, Força da vida em resistência, Em seus desafios mortais revolucionários, Ciclos definitivos universais. O tempo, Portais em olhares invisíveis, Esquadrinhando o desconhecido, Na exatidão que o concebe.
471
Plêiade
Ouçam as vozes, Na eternidade dos ventos, Soprando brandamente, Cantando do coração a alma, A beleza do pensamento, Em seus amores e tormentos, Devorando os séculos em seus laços. Do céu ao inferno confessa pena, Diálogos pertinazes em lamúria, Confidências silentes em seus borrões, Entre as estações da vida e da morte.
525
Barca da ilusão
Despertai de ti mesmo, Sinta o bálsamo que te consome. Descei até o íntimo de vosso amor, Sentimento confuso do teu infortúnio. O rio de tua fúria te conduz, Ao mundo infinito de tua insanidade, A tua alma translúcida regenerai, Monstros ferozes de suas fantasias, Velejai e libertai vossos enganos, Vícios que te aprisionam no inferno. Resista heroicamente, Aos espasmos de tua vontade, Subjugue-as ao seu juízo, De onde vem estas vozes, Insistindo em meio as trevas? Demônios assolam a sua coragem, Querem roubar a sua sensatez, Nestas águas sombrias. Logo alcançará o seu destino, Se fores forte, Encontrarás a luz, Dissipando a intemperança.
501
Psicodrama monológico
A morte vem dançando tempestuosa, Furiosa em seus ritos sem fronteiras, Estendendo suas asas sobre a alma, Ótica onírica dos vales mais profundos. O corpo enegrecido pelo abandono, Se perde na dimensão do seu sopro, Nas visões eternas em seus lapsos. Monstros famintos brotam da terra, Submundo catatônico indizível. As estrelas fundem-se aos olhos, Universo descortinando-se ao eu, Deixando-se tocar em seus alicerces. Tudo é tudo absurdamente, Labirintos fatídicos fantasiosos, Vendavais silenciosos, Mutável na velocidade da luz, Explosão ultra sentimental épica; Catalisadora de mentes segreda. No grande palácio dormem os sábios, Frágeis celas de escuridão, Escrevendo em seus pergaminhos, Registros invisíveis das rotas de liberdade.
499
Mulher
Há tanta prosa sem prosa, Que nos lábios endossam, As que não sabem ser mulher, Em seus jeitos, trejeitos e desjeitos, Querendo o que não se sabe, Sabendo do que não se conhece. Há tantos choros escondidos, Em seus ais no meio da noite, Pesado açoite em seus labirintos, Corações famintos de liberdade. Há tantas mulheres em seus silêncios, Pedindo socorro em seu olhar, Enquanto manuseiam tempestades, A cada sentimento sentido. Há mulheres de todos os tipos, Governando seus mundos e submundos, Em suas conversas controversas, As vezes sã, outras vezes absurdas, Mas que são vozes.... Ecoando pelo mundo. Há tantas mulheres que são surdas, Que levam surra da vida, Por amar de menos ou amar demais, Se contorcendo em suas penas, Discorrendo entre o bem ou mal. Há muitas mulheres discordantes entre si, Há muitas mulheres... Exemplares, malditas e benditas, Cada qual em seus ensaios, A vida em soslaio, Aguardando o enredo final.
601
Cela
Aqui, Neste canto de minha liberdade, Te ofereço meu abraço, Arraigando das entranhas a timidez; Balada solitária de um ser em melancolia. Teu olhar se apagou, Quando na insensatez, Matou meu amor, Ao lançar no esquecimento minha face. Meu coração escarlate pranteia na escuridão, A flor não colhida do jardim, Sufocada na imensidão do desatino. A beleza se foi sem meu consentimento, Levando consigo a esperança; Que despediu-se com um sorriso irônico. Aqui... Nesta tempestade de vultos, Vou sangrando lentamente, Girando feito redemoinho que logo se extingue. Num canto qualquer desta dor, Vai-se o ser e fica a fera; Devorando insanidades.
698
Sonetto
D'alma inflamada ébria de amores Introspecta em versos canta Paixões submissas furta-cores Leve toque sacrossanto,
Dama poesia me adorna algures Beijando-me a cada canto Pleno fascínio aos seus favores Casto menestrel em seu recanto,
Arrebatado vou ao infinito sonho, Cativo aos mistérios da estação Reluzentes rimas em tons dispõem!
529
Inclinação
A razão que te encontrei, Foi meu olhar em teu olhar, Que sorrindo me libertou, Fez meu rio desaguar no teu mar, Oceano de desejo unido ao céu, Supremo horizonte do amor.
As intenções amou a avidez, Destino preciso do meu refúgio, Este coração abrasado de afeto.
Admirando a noite te percebo, Em cada brilho de uma estrela, Certo que pela manhã, Teu beijo iluminará meu dia, Desabrochando as flores matinais, Do nosso horto de encantos.
768
Lúdico
Em meu exílio de estrelas invisíveis, Espreita-me a morte em minha agonia. Vagueio nas lembranças feito folhas ao vento, Procurando repouso incerto na dança louca. A lua escondeu-se de mim, Levando consigo minha coragem. Me perdi em sonhos de vidro, Melindres de um bêbado no porre da vida. Sou um saltimbanco sem expectadores, Um joguete nas mãos do destino. Brinco de esconde-esconde com a felicidade, Distraído numa soberba insuportável. A desgraça se diverte extrovertida, Enquanto procuro alento na esperança. Eis um palhaço numa tristeza vagabunda, Catando ao chão risos perdidos. Num canto qualquer jogo meu corpo, Desolado,maltrapilho visionando estranhos. Sem pensar em nada me levanto, Rio de mim mesmo. Em minhas mãos uma garrafa vazia, Mas cheia da minha vida arredia.