Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Casto amor de face encantadas, Corramos pelos campos da inocência, Entre rubores pueris, Fartos aos deleites enamorados da pureza. É teu o meu olhar, Mirando o doce pulsar da juventude, Meu coração tomastes, Revelando a eternidade imutável. A nossa candura desabrocha de amores, Flores virginais a perfumar o infinito. Teu hálito é refrescante como a romã, Teus lábios vertem mel, Adoçando minh'alma extasiada. Os dias são como diamantes, Perfeito tesouro de nossa alegria, As noites são longas, A esperar-te que me sigas. A morte não nos separará, Teu espírito estará em mim, Doce lembrança de tua ternura. Quando o elísio te tocar, Seguirei adiante bravamente; Sob as infinitudes de minha humanidade. A tua cruz guardarei, Descobrirei o véu da ignorância; Revelando o Deus desconhecido. A sua luz brilha em mim, No profundo amor que me cativaste.
Inspirado no romance Médico de Homens e de Almas TAYLOR CALDWELL
596
Desafogo
Última projeção da fantasia, A luz do palco se apaga, Levantei os olhos, Mirei timidamente as estrelas, Há um outro lugar, Entre as estações, Álibi perfeito de mim, Neste tempestuoso sentir. Do lado de fora a viagem termina, Aparência de duas distrações, Fúria intacta da ilusão, Neste inverno doloroso, No frio beijo deste desalento, Na penumbra de minha face. Não há ninguém na rua, Neste lugar sombrio, Esquinas ignotas, Entre sombras silenciosas, Negro da noite, Em súplicas estigmatizantes, Do grito do amor imortal, Nas plagas da perfídia.
756
Mulher
Há tanta prosa sem prosa, Que nos lábios endossam, As que não sabem ser mulher, Em seus jeitos, trejeitos e desjeitos, Querendo o que não se sabe, Sabendo do que não se conhece. Há tantos choros escondidos, Em seus ais no meio da noite, Pesado açoite em seus labirintos, Corações famintos de liberdade. Há tantas mulheres em seus silêncios, Pedindo socorro em seu olhar, Enquanto manuseiam tempestades, A cada sentimento sentido. Há mulheres de todos os tipos, Governando seus mundos e submundos, Em suas conversas controversas, As vezes sã, outras vezes absurdas, Mas que são vozes.... Ecoando pelo mundo. Há tantas mulheres que são surdas, Que levam surra da vida, Por amar de menos ou amar demais, Se contorcendo em suas penas, Discorrendo entre o bem ou mal. Há muitas mulheres discordantes entre si, Há muitas mulheres... Exemplares, malditas e benditas, Cada qual em seus ensaios, A vida em soslaio, Aguardando o enredo final.
606
Sinestesia
Ajoelhado ao céu apresto, Súplicas de mim pesado libelo, Do coração intrínseco desvelo, Deste penar tão funesto.
Dor n'alma demais indigesto, Destes olhos arrependimento vertê-lo, E no corpo esperança aquecê-lo, Renunciando a tudo confesso.
Da vida a bonança, Cujas paixões posso, Feliz morte no amor enlevo.
Deixarei algures a lembrança, Do bem que fiz endosso, Riqueza bendita daqui levo.
562
Flor de lótus
Um lodo sem beleza aparente, Surge iluminada na áurea mística do sagrado, Elevando-se em sua majestade natural, Inundando de beleza os olhares mais céticos. Das trevas à luz em primavera preciosa, Exala de si o encanto em poesia perfumada, Aos olhares diversos em admiração, Encantando os corações meditação silenciosa. A natureza se revela em estado de graça, Ditando emoções em simplicidades tão castas, Uma joia orgânica transcende o inescrutável, Ofuscando o brilho do diamante mais raro. O criador em sua obra incomparável, Fez em segredo uma poema espiritual, Soprou no ar lançando as sementes de lótus, Que trazia em si um grande sinal; A luz em forma de flor.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
1 747
Letargia
Aonde vais animal indômito, Nestes passos letais, Vociferando insanidades, Beijando a obscura morte, Nos vendavais da alma?
Não sabeis vós que sois de carne? Que a dor inflamada em si, Subjuga o vossa espírito, Da liberdade a consciência, Até os confins do universo?
A ignorância que o anima, É a ponte do teu desfortúnio, Brasas queimando a boca, Grilhões que o assaltam,Do amor que profanas.
Aonde vais nesta louca humanidade, Absorto em delírios mortais, Fardos agonizantes em seus vícios, Sufocando o juízo em seus ditames, Abortando o ser em vendavais de ira?
Aonde vais. Por não compreender, Sem perceber o ser, Em suas dimensões transitórias, Em sua finita história, A Nossa imagem e inconstância?
778
Segredo da vida
Não existe amor sem problemas, E problemas resolvidos sem amor!
607
Cela
Aqui, Neste canto de minha liberdade, Te ofereço meu abraço, Arraigando das entranhas a timidez; Balada solitária de um ser em melancolia. Teu olhar se apagou, Quando na insensatez, Matou meu amor, Ao lançar no esquecimento minha face. Meu coração escarlate pranteia na escuridão, A flor não colhida do jardim, Sufocada na imensidão do desatino. A beleza se foi sem meu consentimento, Levando consigo a esperança; Que despediu-se com um sorriso irônico. Aqui... Nesta tempestade de vultos, Vou sangrando lentamente, Girando feito redemoinho que logo se extingue. Num canto qualquer desta dor, Vai-se o ser e fica a fera; Devorando insanidades.
702
Ímpeto
Dê-me seu tesão, Farei versos em teu corpo, Rimas em teu beijo , Me farei senhor das letras, Quando baixinho na hora do amor, Sussurrar seu nome com loucura.
438
Reflexo
Se queres uma poesia, Não tenhas medo, Olhe-se no espelho, Verás os versos fiéis da sua vida; As rimas mais francas, A métrica mais que perfeita, Verdade dos teus sentimentos; A rebuscar no tempo. Se queres, Pode mudar tudo, A seu gosto, Evoluir em suas atitudes, No seu estilo, No fim de tudo; Sorrir ou chorar, A poesia é sua, O final, é você quem edita.