Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Meu triste olhar me engana, Folhagens de um amor indefeso, Laço rompante malfazejo, Pesado torpor em mim alcança.
Das cruzadas nuas e jocosas, Corpo faminto em faces chorosas, Coração lápide coberto,
Em seu desterro flor mundana, Sebe selvagem a gana, Deste louco desejo indiserto.
717
Sonhos
Todo mundo tem um sonho, Todo sonho tem um mundo, Mundo entre outros mundos, De vozes mudas ou surdas, De palavras vivas ou mortas, Esperando que se abra a porta, Revelando as emoções.
Todo sonho tem um ser, Ao menos deveria ter, Do coração ao querer, Um desejo que valha a pena; Da alma a cantilena, Em tudo não se perder.
711
Um poeta nunca morre
Um poeta não morre, Apenas imita a morte, Inspiração incrível do universo, Unindo-se a criação fazendo versos, Enquanto a vida em outra vida, O molda em rimas, Poesia eterna de lembranças.
414
Singularidade do amor
Amar é se reinventar, Amar a si na liberdade do outro, Igual as flores no campo, Em seus tons díspares, Castas em suas criações. Amar é redescobrir-se, Cobrindo-se de finitude, Sem medos e culpas; Amar é ter esperança, Desvendar novos caminhos, Na imensidão da eternidade; Num indagar contínuo, Nos mares da incerteza, Sob a tempestade do ser. Amar é deixar seguir, Esculpindo sonhos ao horizonte, Dialogando com a solidão, Flertando com as estações, Enquanto o eu se enamora, Em seus beijos utópicos. Amar é infundir-se, Murchar e reflorescer, Após uma longa estiagem, Onde a alma ignota, Sepulta o pranto sombrio, E se aconchega ao sorriso. Amar é ser singular, Ascender-se no imperfeito, Acreditar no impossível, Dar a mão ao amor, Deixá-lo em seu coração, Traduzir a vida em minúcias.
884
Descobriram o Brasil?
Navegai naus portuguesas, Levai de volta seus nobres, Herança de reis pobres, A saquear o Brasil.
Navegai naus portuguesas, Levai os mercenários, Corruptores larápios, Filhos lusitanos bastardos, Nem de longe varonis.
Navegai naus portuguesas, Jogai nas águas os clérigos, Borrões maquiavélicos, Santos do pau oco, De santidade ensandecida.
Navegai naus portuguesas, Trazei de volta nossas riquezas, Devolvei nossas belezas, Que suas gentes corrompeu.
Navegai naus portuguesas, Levai de volta a corrupção, Que aflora e mata, Os brasileiros refém de quem?
Navegai naus portuguesas, Neste mar imaginário, Revelai o mandatário, Deste patriotismo as avessas.
Navegai naus portuguesas, Em suas águas afogai, Estes políticos bossais, Que nos assalta a dignidade.
512
Serenata
Canta a alma ao luar infinito, Finito da vida em noite de versos, Janela de sentimentos imersos, Doce concerto de ares bendito.
Mira o céu em si o pesar delito, Amando a brisa em tom disperso Livre das ilusões converso, Rimando as estrelas o veredito.
Dito ao universo em seu deserto Que não se cale o pranto, Ao encontrar o amor que revelo;
As desventuras em total desencanto, Recanto da esperança desperto Na luz onde guardou-se o canto.
607
Humani Generis
Um mundo de outros mundos, silenciosos leitos em seus umbrais, Quem sois de mãos atadas? De onde vens? O que há além do monte? Hei de escavar os sepulcros, Tentar encontrar os preconceituosos, Intactos em suas mortalhas, Em seus discursos com a morte, Defendendo a sua cor, A sua pátria e posição. Num olhar infortúnio, Todos os males da perdição, Sentença covarde de hipócritas, Em seus trajes maquiavélicos, Copiosos em suas lástimas, Sábios em suas máximas. Rompe-se o cordão umbilical, Correm as feras para os campos, Em suas imagens multifárias, Abrindo as portas em seus cativeiros, Recolhendo as presas paradoxais. É tudo tão triste! Tão vazio! Estes vendavais humanos, Mãos estranhas afagando o ódio, Como deuses em seu tempo, Parindo demônios de suas bocas, Num rito cruento, Escarnecendo do amor. Há nas esquinas, De mãos estendidas, Todas as gentes de uma só casta, Humani generis, Sangrando,chorando,implorando, Sonhando e prosseguindo, Desejando em seus corações, Que sejamos somente irmãos.
732
Vicissitude
Em noite fria esvaindo-se em pranto, Revelou-se o ser em mortal agonia Denunciando o ânimo em desvalia, Tépido de dores em triste canto.
Recolhido em penoso manto, Plena sofreguidão de face sombria, Entregou-se aos gritos que bramia D'alma aflita em total desengano.
De mãos erguidas acenava ao amor Já moribundo em seus desejos, Verteu a última esperança interior;
Exânime vestiu-se de vento, Prostrado avistou o cortejo Destino fúnebre cruel tormento.
727
Sexo
Amplexo convexo, Reverso inverso; Memorável reflexo. Erótico, caótico, Exótico endógeno; Exógeno dilema. Força plena, Macho e fêmea; Reverbera cena Sexo léxico, Préstimo, Do corpo que acena.